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Como entrego o meu bebé para adopção?

por Jorge Soares, em 10.05.12

Como dar o meu bebé para adopção?

Imagem de aqui

 

"Gostaria de  obter informações sobre dar o meu bebé para adopção.

Mas estive a ler e as coisas levam muito tempo a ser tratadas, não quero mesmo que o bebé esteja numa instituição.

Gostava de encontrar uma família e ser eu a escolher."

 

Esta vez foi por mail, mas também já foi nos comentários deste blog ou no Nós adoptamos, já é a terceira ou quarta vez... e eu fico sempre de rastos, porque de uma forma ou outra eu sinto nas palavras destas futuras mães o desespero de quem está a tomar uma decisão que as marcará para a vida,  a elas e ao filho que levam no ventre.

 

Apesar de que conheço muita gente que está há muito tempo à espera para adoptar e que receberiam estas crianças de braços abertos e com todo o amor do mundo, a minha resposta é sempre a mesma:

 

Em Portugal legalmente não há nenhuma forma de que uma mãe entregue o seu bebé para adopção directamente a quem o vai adoptar.

 

A única forma de se entregar um filho para adopção é manifestando essa vontade antes ou no momento do parto, e isto deve ser expresso de forma clara e por escrito. Quando assim acontece, o bebé é levado no momento do nascimento e a mãe não o volta a ver.

 

Como há um prazo de seis semanas em que a mãe pode voltar atrás, o bebé é encaminhado para um centro de emergência infantil, findo este prazo o processo é entregue ao tribunal de família e segue os tramites normais até que é decretada a adopção.

 

Muitas vezes o juiz que recebe o processo quer tirar todas as duvidas e exige que a mãe vá ao tribunal dizer em viva voz que mantém a sua decisão... por vezes passam-se anos até que conseguem encontrar a mãe ou até que desistem...entretanto a criança que já podia estar com uma família, continua institucionalizada....

 

Repito, legalmente e sem esquemas pelo meio que depois levam  a casos como o da Esmeralda e o da Miúda Russa, esta é a única forma legal de entregar um bebé para adopção.

 

Jorge Soares

publicado às 22:15

Ninguém disse que ter filhos é fácil, ou, Adopção, palavras de uma mãe II

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Tinha o assunto meio esquecido, passou algum tempo desde que coloquei no blog as palavras daquela mãe sobre os seus filhos.. ia dizer adoptados, mas isso iria contra o que eu penso, não há filhos adoptados, há filhos, ponto final. Há pouco, enquanto tentava, sem grande sucesso diga-se de passagem,  servir de árbitro na disputa eterna entre as duas mulheres mais crescidas cá de casa,  lembrei-me do assunto...

 

Quem tem filhos sabe que educar e formar não é tarefa fácil, à medida que eles vão crescendo vamos vendo como vão ganhando vida e sobretudo vontade próprias, vida e vontade próprias que normalmente os vão colocando cada vez mais longe dos sonhos e ideais que alguma vez tivemos para eles. 

 

De entre os comentários que a senhora me deixou no post, gostava de realçar o seguinte:

 

"eu adoptei uma fratria, a mais velha quase com seis, vocês adoptaram que idades? quantos foram acusados por simulação de maus tratos, ou foram afastados dos vossos círculos sociais e familiares por mentiras dos vossos filhos? QUANTOS JÁ TIVERAM PROBLEMAS COM A JUSTIÇA? a minha consciência está tranquila, o meu coração partido e a minha saúde mental em risco, já não sei porque vivo, respiro e trabalho por eles e para eles, para lhes dar o melhor, apesar dos roubos e de todos os problemas causados - não é esta a educação que lhes dou, nem o futuro que quero para eles. Não há rosas neste mar, só espinhos, e graças a Deus que para a maioria das pessoas não é assim."

 

É duro ler estas palavras,  mas quem lê o comentário original e os seguintes, fica a pensar que a culpa de tudo isto é de as crianças serem adoptadas, se em lugar de adoptar ela tivesse tido sucesso nos tratamentos de fertilidade não passaria por nada disto... é isto que se entende das palavras dela... mas será isto verdade?

 

É claro que não, há dois ou três dias alguém me contava sobre como tinha deixado a filha e uma amiga desta num centro comercial, quando voltou tinha a polícia à espera, a amiga da filha, filha biológica de alguém com educação e creio que sem grandes problemas, tinha sido apanhada a roubar numa loja... para ter problemas com os filhos não é necessário adoptar, basta ter filhos, de uma forma ou outra todos estamos sujeitos a isso e não são poucas as vezes em que as coisas correm mal.

 

É evidente que adoptar não é fácil, principalmente quando as crianças estão renitentes e tem esperança de que a família biológica as venha buscar, mas nunca ninguém disse que o era, de certeza que ninguém educa os seus filhos para que eles caiam no mundo da droga, mas de uma forma ou outra todos conhecemos casos em que isso acontece, e acontece com todos os filhos, sejam eles biológicos ou adoptados.

 

Cada vez que leio uma história destas fico mais convencido, nunca havería devoluções se as pessoas olhassem para as crianças adoptadas não como os parentes pobres da família, os coitadinhos que tiveram imensa sorte porque nós os encontramos e os retiramos da pobreza e do sofrimento, e sim como os seus filhos, aqueles que precisam e merecem ser amados, porque tal como qualquer outra criança, eles só conseguem amar se sentirem que o são.

 

O maior de todos os problemas é que a maioria das pessoas continua a falar de filhos biológicos e adoptados e a dar significados diferentes às duas coisas, quando na realidade só deveriam falar de filhos... porque é disso que se trata, de filhos.

 

Ninguém disse que ter filhos é fácil, eu sei do que falo, basta seguir a tag filhos aqui do blog para perceber que por cá também já tivemos a nossa dose, mas fomos nós que escolhemos ser pais, não foram eles que escolheram ter pais, e somos nós que devemos aprender a lidar com eles, as suas personalidades, as suas virtudes e os seus defeitos, se as coisas que esta mãe conta são motivo para devolver as crianças, alguém me explica para onde devolvo os meus...

 

Jorge Soares

 

publicado às 22:04

Adopção, palavras de uma mãe, para reflectir

por Jorge Soares, em 15.02.12

Adopção

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

O seguinte texto foi-me deixado num comentário ao Post Ainda as adopções falhadas e as crianças devolvidas  que copiei para o Nós Adoptamos. Apesar de olhar para o tema de forma diferente e até discordar de algumas das coisas, entendi copiar todo o texto já que representa a opinião de alguém que, imagino eu, passou ou está a passar por uma situação complicada, são palavras fortes, para ser lidas e reflectidas, com tempo voltarei ao assunto, por agora, deixo as palavras da Estrela.

 

Tenho estado a pesquisar sobre este caso e cheguei a isto: E pena haver tantos comentários de quem nunca adoptou, e para mais de quem não teve de passar anos em tratamentos de infertilidade até desembocar na adopção, não como a única resposta, mas com a esperança de que ao fim de tanto tempo tinha o direito de ser pai e mãe, construir uma família e ser feliz.

 

Mas como nada é perfeito, muito menos neste país, até os sinais de alerta dos novos pais, e dos novos filhos são ignorados por todas as técnicas do caso. A verdade é que nem todas as crianças, para não dizer quase todas... são abandonadas pela família, pelo contrário, mas são retiradas e nem sempre da forma mais correcta.

 

Depois, a Lei da adopção em Portugal é tão boa que foi alterada recentemente, e continua a ser insuficiente e pobre. As instituições que acolhem as crianças não lhes dão o apoio necessário, pelo menos a que tive oportunidade de conhecer, nem a nível alimentar, médico ou higiénico, quanto mais acompanhamento psicológico! Não as preparam para a possibilidade de virem a ser adoptadas, não lhe perguntam se o querem, não respeitam a sua vontade, mas a resposta que me deram é "são crianças, não sabem o que querem!" mesmo que queiram voltar para a instituição, o local onde sabem que a mãe prometeu ir buscá-los, e desesperam porque agora ela não sabe onde eles estão, mas estiveram lá 2 anos, e ela não foi...continuam há espera, até hoje, já se passaram anos, sofrem eles e nós pais também, nada podemos fazer.

 

Não aceitam a ajuda de nenhum técnico, ignoram a autoridade do adulto, usam-nos, rejeitam-nos, eles sim, desde o princípio rejeitaram-nos, até ao ponto de ir para um hospital por rejeitar a alimentação, por desistir de viver. E agora o que fazer? disseram que era a adaptação, que ao fim de 6 meses estaria tudo regularizado, ao fim desse tempo até um ano, e ao fim de 18 meses disseram que não tinham nada a ver com isso, estavam adoptados!

 

Os sonhos ficaram por isso mesmo, apenas a dor de não ter um filho que corra para nós à procura de um abraço, pergunto porquê e a respota não vem, ou tardiamente escuto "não sei".

 

As crianças deviam ser escutadas, olhadas com olhos de ver, nem todas querem uma casa onde há regras e figuras adultas, até porque as vítimas de abuso não têm isso escrito no processo, para não serem rejeitadas pelos candidatos. como se cura feridas que se desconhecem?

 

Quem ensina a quem vai pela primeira vez adoptar o que devia estar escrito, o que é que deviam mostrar e não está no processo? Eram estas perguntas que deviam fazer e pensar no sofrimento de quem toma estas decisões, na família alargada que os acolhe, ou não..."não havia lá mais pequenos?", "são tão grandes", "sabes lá se vão gostar de vocês!".

 

Quem vê crescer A BARRIGA, Dá mama, colo, ensina a falar, muda fraldas, dá biberão e recebe sorrisos, que É A ÚNICA MÃE, porque o pariu e o tem consigo nos braços não imagina a dor de todos os meses imaginar que está gravida enquanto decorre mais um tratamento de infertilidade, e depois adopta e é tratada como um alvo a abater.

 

São palavras fortes, eles não têm culpa não me escolheram, mas eu também não tive culpa, a não ser de ter a esperança de que viessem a gostar um pouco de nós em comparação com o que os amo. Agora podem indignar-se à vontade, principalmente porque escrevi muito!

 

Agradeço a vossa atenção, felizmente não conseguem ver as lágrimas. 

 

Estrela 

 

Jorge Soares

publicado às 21:21

Barrigas de aluguer, o direito a ser pais acima de tudo?

Imagem do Público 

 

Chamou-me a atenção para o assunto um email dos senhores do PPV (Portugal Pro Vida), eles insistem em enviar-me estas coisas. O Bloco de esquerda vai entregar na assembleia da República uma petição para que se legalize em Portugal a maternidade de substituição. Há pouco foi noticia no Público um estudo que mostra que ... mais de 80% dos jovens inquiridos considera que é importante ter uma lei que permita às pessoas aceder à maternidade de substituição.

 

O assunto já passou por aqui mais que uma vez, neste post e neste, não é um tema fácil e nunca será consensual. Todo o mundo sabe que existe muita gente em Portugal que recorre a este método para ter filhos, casais heterossexuais e homossexuais, não foi há muito tempo que uma reportagem da RTP explicava direitinho como se fazem as coisas nos Estados Unidos e como há muita gente que lá vai para ter filhos. A grande maioria dos casos será através de esquemas mais ou menos legais, mas basta ver os comentários deste post do A ver o Mundo para se perceber que haverá muita gente que se sujeita quem sabe a que esquemas e ilegalidades para ter filhos.

 

Não tenho uma posição completamente formada sobre o assunto, mas tal como com o aborto, acho que olhar para o lado é garantir o negócio a muita gente e fomentar a ilegalidade. Sou pai adoptivo e evidentemente acho que antes de se ir por este caminho todos os casais deveriam optar pela adopção, mas tenho consciência que o número de crianças para adoptar no nosso país nunca será suficiente para tornar os processos de adopção céleres e/ou justos. Eu tive que ir buscar a minha filha mais nova a outro país, os meus dois filhos mais novos nasceram de outras mães, haverá assim tanta diferença entre uns casos e outros, não será a adopção um caso especifico de maternidade de substituição?

 

Por outro lado, qual é a diferença entre a maternidade de substituição e os milhentos métodos de procriação assistida que existem no mercado e que na sua grande maioria custam milhares e milhares de Euros e são física e psicologicamente desgastantes para quem envereda por esses caminhos?

 

É evidente que ninguém quer fazer disto um negócio, mas será licito fazer as pessoas passarem por processos de adopção que duram anos e anos e que no caso da adopção internacional podem custar milhares de Euros a quem quer ter filhos?

 

Não sei se o Bloco de Esquerda irá ter ou não sucesso com a iniciativa parlamentar, mas era bom que o tema fosse discutido e a sociedade portuguesa fosse devidamente esclarecida.

 

Já agora, passem pelo blog dos senhores do PPV e votem no inquérito deles, ao contrário do estudo de que fala o Público, por lá o "Não" leva a vantagem... mas é claro que isso não é nada estranho.

 

Jorge Soares

publicado às 22:14

Mãe ajuda filhoa copiar em exame enviando SMS para o telmvel

 

Imagem do Público

 

No inicio do ano calhou-me ir assistir à primeira reunião da directora de turma da R., não altura achei um bocado exagerada a forma como ela proíbia terminantemente a presença de telemóveis dentro da sala de aulas, os aparelhos não podem simplesmente entrar, é proibido, mesmo que desligados e dentro da mochila... e ameaçou mesmo os espantados pais com confiscar qualquer aparelho que encontrasse. 

 

Sou dos que concordo que os telemóveis devem ser proibidos dentro das salas de aula, não me espanta que existam escolas em Portugal que já tenham instalado aparelhos para bloquear o sinal dentro do recinto da escola, afinal, para grandes males, grandes soluções.

 

Hoje a meio da tarde dei por mim a lembrar-me de tudo isto, a noticia não deixa de  ter o seu quê de insólito, não fosse porque dá uma imagem triste daquilo em que nos estamos cada vez mais a tornar, e até teria a sua graça. O que dizer quando lemos que numa escola de Chaves: Aluno do 5.º ano copiou em teste com a ajuda da mãe através de mensagens escritas.

 

Sempre achei que devemos educar em primeiro lugar pelo exemplo, dificilmente posso dizer aos meus filhos para serem bem comportados, se eu não o for, não há forma de fazer ver a uma criança que deverá respeitar colegas e professores se eu não o fizer, ora, que exemplo está esta mãe a dar a esta criança ao não só aprovar a falta de honestidade do filho, como ao ser cúmplice dessa desonestidade?

 

O que esperar do futuro desta criança se é a própria mãe que em lugar de o incitar a estudar e ser honesto, lhe apoia o facilitismo e a desonestidade?

 

Mas mais triste ainda é ler os comentários à noticia e verificar que há muitíssima gente que em lugar de criticar a mãe que é cúmplice num acto desonesto, centram a discussão sobre o facto de a professora ter invadido a privacidade do aluno ao ler as mensagens no telemóvel. Há quem fale dos direitos da criança, de autoridade, de ilegalidade, de advogados.... Como é que alguém consegue transformar o apoio à burla e ao facilitismo numa questão de privacidade de mensagens de telemóveis?... mas está tudo doido?

 

Jorge Soares

publicado às 21:00

Desesperada

 

Sobre o post de ontem, queria esclarecer o seguinte:

 

1- Eu sou desconfiado, o primeiro que fiz quando recebi o mail foi tentar investigar, ninguém é anónimo da internet, mesmo, portanto, o que posso dizer é que consegui confirmar algumas coisas, incluindo a real necessidade desta pessoa.

 

2- Sou pai adoptivo, também eu esperei e desesperei  por ter um filho, neste momento haverá no espírito de muita gente a ideia de que estará ali a criança dos seus sonhos, isso não é verdade, primeiro porque lendo nas entrelinhas não me parece que seja desejo desta mãe entregar o seu filho, segundo porque EM PORTUGAL É ILEGAL A ENTREGA DE CRIANÇAS DIRECTAMENTE DE PAIS BIOLÓGICOS PARA PAIS ADOPTIVOS. Muita atenção a isto que é muito importante, a ideia é ajudar esta mãe,  mas é bom que tenham isto claro.

 

3- Eu tenho o contacto de mail dela, que evidentemente não vou publicar aqui, para as pessoas que perguntam de que zona do país é, posso confirmar que é da zona de Lisboa, como não me sinto capaz nem tenho disponibilidade pessoal para centralizar a ajuda, vou disponibilizar via email o contacto dela a quem pretender ajudar, não será a melhor forma, mas é a que neste momento disponho, é evidente que todas as ideias são bem-vindas, e se alguém quiser pegar neste assunto de outra forma, força, apoiarei sempre.

 

Por fim, vou deixar aqui um excerto do mail que recebi esta manhã

 

"... mesmo com 17 semanas de gestação ouve alguém ontem que ainda me sugeriu o porque de eu não fazer um aborto, isto fora outras coisas, tenho medo do futuro,e mesmo assim tento nunca parar de lutar, o que eu mais queria era chegar ao fim da minha gravidez e poder levar o meu bebé comigo mas não sei como isso vai ser possível, a única pessoa que me tem dado algum conforto é a minha princesinha que no meio da inocência volta e meia me vem dar um beijinho na barriga ou uma festinha e diz o bebé da mãe ta aqui, também tenho medo de pensar que o meu bebé pode não estar bem. Mas apesar de todas as crueldades da vida ainda existem pessoas boas, na 6a feira recebi ca em casa umas calças de grávida não imagina o alivio que foi mas la está num momento em que todas as ajudas são bem vindas pra mim foi como se tivesse ganhado a lotaria,..."

 

Ajudar não custa... não fiquemos pelas intenções, quem pretender ajudar envie-me um mail para jfreitas.soares@sapo.pt, na resposta terá o endereço de mail desta mãe.

 

Jorge Soares

publicado às 13:52

Dar para adopção ou abortar, treta de vida
 
Há uns tempos escrevi um post em que falava de um mail que recebi de uma mãe que me pedia esclarecimentos sobre a possibildade de dar o filho que levava no ventre para adopção, foi este Post, hoje, no blog nos adoptamos onde costumo copiar os posts sobre adopção, recebi os seguintes comentários:
 
"após andar a fazer pesquisas pela net, não pude ficar indiferente a este post, quando o li chegaram até mim diversas mágoas, angústias, incertezas, tocou-me muito ler todas estas palavras, não por não ser algo que uma outra pessoa ja tenha certamente passado, mas porque a palavras citadas através de mail vieram de mim, eu sou a mãe desta história! E por esse motivo acho que devo contar o que aconteceu e assim o vou fazer. Sem encontrar uma saída decidi começar a iniciar o processo de interrupção, e sinto que a lei não funcionou, mal fiz a eco pra determinar o tempo de gravidez decidi que não o queria fazer porque depois de ouvir o coração achei impossivel conseguir mata-lo, mas dpois de tanto me cercaram e infernizarem a cabeça acabei por seguir com tudo o que os outros queriam e matar o meu bebé, digo que a lei não funcionou pois apesar de eu dizer que não o estva a fazer por mim, tanto enfermeiras como médicas ouviram e ignoraram! eu estava de tal maneira que o meu médico de familia disse que depois de fazer a interrupção ia ter de tomar calmantes pois tinha um risco grave de entrar em depressão nervosa, depois de estarem todos os papeis encaminhados fui ao hospital , la deram-me um comprimido novo pra impedir o organismo da mae de passar o alimento para o bebé e deram-me 4 pilulas abortivas pra tomar em casa 2 dias depois pra expulsar o embrião. tomei então o comprimido e senti-me a entrar num abismo tão grande e doloroso so me apetecia morrer deixei de ser eu não sabia como contin uar e como olhar pra minha filha e culpa-la por ela ter sido um dos motivos de ter morto o seu futuro irmão pois era em grande parte por o amor que sentia por ela que o estava a fazer! não parava de vomitar doi-me imenso o estomago e mais a alma, mas uma vez que o 1o comprimido matava o embrião no sabado tomei então os 4 comprimidos, mas ao fim de 10m de os ter tomado fui ao wc vomitar, liguei pra saude24 e disseram-me pra ir de imediato ao hospital, qual não foi o meu espanto mas o embrião ainda tinha fortes batimento cardiacos, sai do hospital cheia de dores e perder sangue, pensei que mesmo assim ele poderia estar a sair , esperei até 3a e mandaram-me novamente ao hospital mesmo cheia de dores com perdas de sangue o meu bebé ainda estava bem e vivo, o 1o pensamente que tive logo foi que não iria fazer absolutamente mais nada ,ele teve tanta força de sobrevivencia como e que eu o podia matar? continuei sempre sempre com dores 6a novamente no hospital, tudo bem com o bebé ,mas eu estava com contrações, a médica mandou-me pra casa e esperar pelo pior, a verdade é que 2s depois fiz a eco das 12s e o rastreio bioquimico, o bebé esta perfeitinho e o rastreio deu negativo, agora tenho de ver e amealho tostoes pra a semana fazer o do 2o trimestre pois com as medicaçoes que fiz o médico ainda tem medo que o bebé tenha problemas. Quem me dera que esta história tivesse um final feliz mas temo que tal não va acontecer, é que por ter decidido ter este bebé a minha vida esta a desmoronar-se de dia pra dia , não pago renda à tres meses ,não tenho pra agua luz coisas básicas pra minha filha , quando sempre lhe consegui dar tudo, nem as vitaminas pré natais posso comprar, mas so estou a expor as dificuldades que estou a passar porque não pus de lado a opção de dar o bebé penso que va ser o melhor pra ele apesar de não ser o melhor pra mim ,mas ser mãe é isso mesmo é abdicar de nós por eles e eu quero continuar a dar um futuro à minha filha e com os 2 vai ser impossivel, talvez ele até va ter um futuro melhor e é so o que lhe desejo, ninguem compreende o porque de eu o querer dar , é assim tão mau eu querer que ele seja amado e que tenha tudo ,tenha uma familia, um lar?
 
respondedo à rosa do porque de não ir á caritas, sabe o que as instituições hoje fazem? nada. liguei para a pav, ponto de apoio à vida , já a mais de um mes, ja me inscrevi no banco alimentar à mais de um mes, ja fui à assistente social à mais de um mes, arranjei um trabalho e no fim do dia mal souberam que estava grávida mandaram-me embora. até agora não obtive resposta de nenhum dos lados, o que vai acontecer agora é que o meu senhorio ja vai tratar de tudo pra me por na rua e não tenho sitio nenhum onde recorrer porque como tenho tecto não acham que a minha situação seja urgente! é preciso eu recebner uma orden de despejo pra que algum organismo faça alguma coisa, quando preciso que façam agora!"
 
Acho que sobram as palavras, haverá de certeza algo que alguém possa fazer para ajudar esta mãe.. tem que haver.
 
Jorge Soares

publicado às 20:48

Dar para adopção ou abortar, as injustiças da vida

 

Na sexta passada ia escrever sobre as crianças recém nascidas que no mês passado, em plena época natalícia, foram abandonadas na rua, não pretendia falar das motivações dessas mães que deixaram os seus filhos ao abandono dentro de sacos plásticos... a minha ideia era falar sobre o futuro dessas crianças, o tempo que passam nas instituições, a forma como se perde tanto tempo precioso na vida de um recém nascido... já não me lembro bem porquê, mas depois de ter o post começado, desisti...

 

Ontem recebi no meu mail o seguinte:

 

"desculpe estar a mandar-lhe mail, mas estive a ler um pouco do site e continha la o seu email, estou gravida , infelizmente nao tenho condiçoes pra criar esta criança pois estou desempregada cheia d dividas solteira e com um filho de ... anos , por quem sou capaz de fazer tudo, apesar de ainda ser apenas um embrião ja amo muito o bebé que esta dentro de mim , e por esse amor sei que o quiser ter tenho de o entregar para adopção , mas não queria que o meu futuro bebé tivesse de ficar nem um dia numa instituição até que todo o processo se resolva, não á nada na lei que permita  a mãe e os pais adoptivos chegarem a um acordo pra que quando a criança nasce  ir logo para um bom  lar?"

 

Sabem a quantidade de pessoas que eu conheço e que receberia esta criança de braços abertos?, pessoas aprovadas para a adopção e com todas as condições para fazerem uma criança feliz? Já aqui falei dos motivos pelos que não há bebés para adoptar, foi neste post, a  minha resposta para esta mãe foi mais ou menos a seguinte:

 

Infelizmente não, legalmente em Portugal não é possivel que uma criança possa ser entregue directamente a alguém que a queira adoptar. Terá sempre que passar por um periodo de acolhimento numa instituição. Para além disso haverá sempre uma investigação por parte do tribunal, mesmo deixando o seu filho no hospital, terá que ir ao tribunal declarar que o entrega para adopção e será averiguado se ninguém da sua família alargada quer ficar com a criança.

 

Hoje recebi o seguinte mail:

 

Muito obrigado pela sua resposta, neste momento estamos mesmo numa situação muito dificil e o pai do futuro bebé apesar de ser o pai do meu filho não quer nem ouvir falar em seguir com a gravidez, portanto se eu tomar a decisão de o ter ia ter de desaparecer da minha residencia até o bebé nascer,é pena que a lei seja assim compreendo que tenham de proteger abusos e maus tratoa mas tambem penso que cada situação é diferente,sei que se tirar este bebé não vou ficar bem ..... entao pensei na adopção como uma boa solução, mas estive a ler muitos fóruns e uma criança so sai da instituição por volta as vezes dos 6 anos de idade,não quero que um filho meu fique num sitio desses a pensar que alguem o abandonou por não gostar dele,mas tambem não quero que ele me pergunte porque é que não tem leite pra beber, talvez a solução seja mesmo por termo à gravidez mas acho que é um crime, especialmente quando à tantos pais que sei que lhe podiam dar tudo.

 

Não é fácil que algo na vida me deixe sem palavras, sem reacção.... bom, esta mãe conseguiu, deixar-me sem palavras, sem reacção, sem nada..e  a pensar como pode ser injusto este mundo em que vivemos.

 

Jorge Soares

publicado às 22:57

TPM - (sindrome da) Tensão pré-menstrual

por Jorge Soares, em 07.12.10

TPM - Tensão pré menstrual

Imagem de Sabe-Tudo

 

TPM

 

"A tensão pré-menstrual (conhecida pela sigla TPM) é uma síndrome que atinge as mulheres e que ocorre, em maior ou menor grau, nos dias que antecedem a menstruação. É caracterizada por uma irritabilidade e ansiedade mais acentuadas, bem como manifestações físicas, como por exemplo dor nas mamas, distensão abdominal e cefaléia. Decorre da retenção de sódio e água ." - do Wikipédia

 

Não, não se assustem, não é de mim que vou falar, quer dizer, no fim, quem leva com elas sou eu na mesma.. mas pronto, há coisas que vem com o nosso Karma e para as quais não há muito a fazer. A mim, não me bastava ter que levar  com uma, agora são duas...

 

Eu já cá falei do assunto, as duas maiores cá de casa, são tão parecidas que até chateia... e claro, são tão parecidas que de vez em quando a coisa dá faisca.  Ultimamente as coisas tem andado de novo a modos que em equilíbrio precário, principalmente porque a R. insiste em defraudar as expectativas escolares da mãe. A P. sempre foi a melhor aluna da turma, desde o pré-escolar até ao ultimo ano da faculdade, a estudante (quase) perfeita com as notas perfeitas. A R. é uma despassarada, há tantas coisas na vida e acontecem todas ao mesmo tempo, estar com atenção às aulas é um exercício mais ou menos complicado... mesmo assim as coisas entram.. o problema maior  é que também é muito difícil estar com atenção nos exames... que não são para fazer, são para despachar.... é claro que isto tudo raramente dá para mais que um bom... Não há notas negativas... mas para a mãe que foi aluna perfeita a vida toda... bom não chega.

 

Ontem saiu mais um bom... e mais uma daquelas discussões... porque se há coisa que aquelas duas não conseguem fazer é abdicar da última palavra... e a coisa aqueceu... a pobre R. é uma daquelas pré-adolescentes com pelo na venta... mas ainda há hierarquias cá em casa e está-se mesmo a ver quem tem imensos castigos.

 

Parece que ontem ficou a pensar no assunto, hoje de manhã foi pedir desculpa à mãe:

 

- Mãe, desculpa aquilo de ontem, sabes, eu estava com TPM

- Com quê?

- Com TPM - síndrome de tensão pré-menstrual!

-.........

 

Ai a minha vida!

 

Jorge Soares

publicado às 22:30

As perguntas dos meus filhos.. ai a vida!

por Jorge Soares, em 08.11.10

 

 

O post de ontem foi longo, muito longo, e mesmo assim não deu para contar tudo.

 

Depois de ficarmos ambos completamente abalados, decidimos que não lhe íamos dar mais motivos para se fazer de vitima, depois daquilo tudo não houve palmadas, só castigos.. isto apesar de eu achar que a ele os castigos lhe passam ao lado.

 

Ficou instituído que até nova ordem não saia do quarto senão para ir à escola e para as necessidade básicas, e quando lá estava tinha que estar ocupado em algo produtivo, ou seja, ler, estudar ou dormir. Nada de brinquedos e nada de brincadeiras.

 

No Sábado à tarde estava convidado para uma festa de anos, de manhã ouviu a mãe falar da festa com a irmã, e o diálogo foi mais ou menos assim:

 

-Eu vou à festa?

-Não, claro que não, estás de castigo, por isso não podes ir.

-Estou de castigo porquê?

 

Dizem os livros que com crianças hiperactivas os castigos tem que ser imediatos e não podem durar muito tempo, passados um ou dois dias eles já deixaram para trás o motivo, já não sabem porque estão de castigo e este torna-se um motivo de preocupação e até revolta. Acho que ficou provado que os livros tem razão.

 

Ontem depois de escrever o post estive a pensar no assunto e decidi retirar o castigo... até porque o que sinto é que não está a ter qualquer efeito nele e ele aproveita qualquer ocasião para estar a brincar ou a fazer tudo menos o que é suposto.

 

Há bocado não pude deixar de me rir, a minha filha mais velha estava a perguntar à mãe a partir de que idade é que pode ter namorado.. a mãe disse que a partir dos 16... ela tentou negociar e descer para os 15.....  esta minha filha é um achado.. não sei se devo ficar contente ou preocupado..raio de coisa que é a vida.

 

Jorge Soares

publicado às 22:19


Ó pra mim!

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