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Quimonda, crónica de uma morte anunciada

por Jorge Soares, em 14.10.09

Quimonda, crónica de uma morte anunciada!

Imagem do ionline

 

Foi quando escrevi o post da Caldeirada de Peixe que toquei no assunto , mais tarde nesse dia e via Messenger, uma amiga do norte veio-me falar do assunto. Estivemos a trocar ideias, a minha opinião era ( continua a ser) que qualquer dinheiro que fosse colocado na empresa seria dinheiro perdido, mais tarde ou mais cedo a empresa vai encerrar e só não encerrou na altura porque estamos em época de eleições e o governo não podia aceitar 800 despedimentos.

 

Um dos motivos que me levaram a adiar o assunto foi essa conversa com a minha amiga, dizia-me ela que um dos seus melhores amigos trabalhava na empresa e não estava nada preocupado, que achava que tudo era fogo de vista e que ninguém iria perder o emprego, até porque havia muitas encomendas e muito trabalho.

 

Passaram 6 meses desde essa conversa, não faço ideia quanto dinheiro terá o governo injectado na empresa, mas a verdade é que no dia a seguir às eleições e tal como eu havia previsto, a noticia apareceu, quase 600 despedimentos, que depois passaram para 500 e a promessa no mínimo estranha de que essas pessoas serão readmitidas em pouco tempo... se isso fosse possível não seria preferível manter o Lay off e poupar as indemnizações?

 

Há muito que a produção de componentes electrónicos passou para a China, onde se produz a metade do preço e com a mesma qualidade, é mais que evidente que ninguém compra componentes portugueses quando os pode comprar a metade do preço noutro lado, queriam enganar quem quando falam em manter a empresa a funcionar cá?

 

Disse na altura à minha amiga e em várias outras conversas, que achava que o dinheiro que se estava a investir na empresa deveria ser utilizado para tentar criar um pólo tecnológico e apoiar pequenas e medias empresas que se pudessem instalar ali, continuo a achar o mesmo, só que agora o dinheiro está perdido e vão-se perder 800 empregos.

 

É mais fácil e dá mais votos enganar as pessoas e dar esperança que enfrentar a realidade, mas também custa muito mais caro.

 

Acreditem este é um assunto em que preferia não ter razão

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:56

Manuela Moura Guedes

Imagem retirada de Henricartoon

 

É publico, eu não gosto da Manuela Moura Guedes, não gosto do estilo, não gosto do aspecto, não gosto da forma como enfrenta os entrevistados, não gosto da forma como mais que informar,  ela tenta fazer a noticia... não gosto, pronto!

 

Quando foi aquela entrevista com o  Marinho Pinto, fiquei a perceber que como eu, havia muita mais gente que não gostava dela, a julgar pelos comentários âs noticias dos jornais e a tudo o que li em blogs, a maioria das pessoas, sem importar o quadrante politico ou a classe social, pensa como eu... não gostam da senhora....  Então, alguém me quer explicar de onde sai tanta indignação quando a TVI decide que já está bom de termos de a aturar com a sua arrogância?

 

Do meu ponto de vista, desde a saída do José Eduardo Moniz que era mais que evidente que isto ia acontecer, ninguém mantém num horário nobre uma pessoa que causa comichão e urticária na maioria das pessoas que vê televisão...e  muito menos quando as audiências estão a cair a pique.

 

Custa-me a crer que em vésperas de eleições o PS fizesse o que quer que fosse para afastar a senhora, era mais que evidente que mesmo não gostando dela, toda a oposição ia aproveitar o facto como arma de arremesso..... e não estou a ver o que ganharia com isso.. por muito que a senhora agora apareça no Público a falar de mais uma reportagem sobre o Freeport. 

 

Eu não sou socialista, não voto PS... mas acho que este escarcéu todo levantado pela senhora e seguida pela oposição é de uma tremenda hipocrisia.

 

Tenho dito!

 

Jorge Soares

 

publicado às 19:16

A justiça é cega, a injustiça podemos ver

Imagem de aqui 

 

Há alturas em que ainda me espanto com a minha inocência, terminei o post de ontem questionando-me se depois de condenado o Isaltino Morais seria capaz de manter a candidatura, parece que nasci ontem, é claro que mantém, e a julgar por este comentário que o meu post mereceu no Câmara de Comuns, para além de inocente, falta-me o bom senso de não saber estar calado ou de falar antes de tempo.

 

Hoje à hora do almoço falávamos disto,   dizia eu que se o homem tivesse vergonha e moral, renunciaria de imediato ao cargo e à candidatura, resposta rápida da Catarina:

 

"Jorge, se o homem tivesse moral e vergonha, não estava agora a ser condenado, nem estávamos a falar disto, não achas?"   ..... e contra factos não há argumentos.

 

Estive a reler os comentários, diz o amigo Rolando que é Terceiro mundismo   falar de justiça de ricos e de pobres, talvez, mas a verdade é que seja qual for o mundo em que se vive, haverá sempre a justiça dos ricos e dos pobres, porque se é verdade que a justiça é cega,  quem a pratica não o é e haverá sempre quem tenha mais capacidade de chegar aos bons advogados e aos melhores conhecimentos, porque onde não se compra, dá-se a volta à lei.

 

Sobre a moral do senhor Isaltino Morais, estamos conversados, mas sobre a moral dos que apesar de tudo isto, apesar das contas na Suiça, apesar do dinheiro das campanhas desviado em proveito próprio, apesar das suspeitas de negociatas, continuam a votar nele, sobre a moral desses, nem sei o que diga. Porque há algo que não consigo entender, se a desculpa para a cada vez maior abstenção nas eleições é a falta de confiança nos políticos, se as pessoas acham que são todos iguais, se nem lá vão porque não vale a  a pena, porque continuam a votar no Isaltino?, ou na Fátima Felgueiras?, ou no Adelino Ferreira Torres?, afinal, está mais que provado que estes não são iguais, são bem piores  que os outros todos.

 

Somos sem duvida um país estranho.

 

Jorge Soares

PS:Já agora, bom senso o tanas, que o homem foi condenado!

 

publicado às 21:14

Isaltino Condenado

 

Imagem retirada do Público

 

Isaltino Morais condenado a sete anos de prisão e a perda de mandato

 

 

Vinha de viagem e a ouvir as noticias na rádio, ouvi o homem entrar para o tribunal cheio de confiança e a presumir inocencia. Depois do caso Felgueiras, depois dos casos em Gondomar e em Macedo de Cavaleiros, já começavamos a duvidar que para algumas pessoas a justiça se pudesse fazer, afinal.... há esperança.

 

Agora resta saber, se um condenado a pena de prisão efectiva pode ser candidato, e se este senhor tem a lata suficiente para se manter candidato.

 

Jorge Soares

 

 

publicado às 19:37

Mulher indemnizada por impotência do marido

 

Hoje foi um daqueles dias, começou com um computador que se recusou a arrancar, e eu que ia cheio de vontade de trabalhar, depois passei metade do dia a instalar tudo de novo e a outra metade a tentar perceber porque é que uma aplicação que funcionava perfeitamente simplesmente passou a não funcionar no dia em que o gajo mais chato e impaciente da empresa decidiu olhar para ela...e na véspera da entrada em funcionamento de uma serie de importantes alterações.... ainda não percebi!
 

Ao fim do dia fui dar uma olhadela pelo Reader, e eis senão quando (esta expressão é o máximo) um post da Mieepe que diz o seguinte:

 

Mulher indemnizada por impotência do marido 

 

Assim de repente esta é uma noticia assustadora.... mais tarde ou mais cedo.... e se a moda pega ....

 

Lendo com mais atenção.. aliás, depois de muito procurar, no site da RTP, lá percebi que quem pagou a indemnização foi a seguradora e não o marido, mas a noticia do correio da manhã não deixa de ser esclarecedora, vejamos:

 

...face à impossibilidade de qualquer relacionamento sexual com o marido, a esposa 'passou a ser acometida de permanente desgosto, apreensão pelo futuro, angústia, irritabilidade fácil e revolta'.

 

Nada que 50000 Euros não resolva!

 

Entretanto, hoje, 31 de Julho, é o dia mundial do orgasmo, "A data foi criada a quatro anos por mulheres inglesas, após descobrirem que 80% da mulheres não chegavam ao orgasmo"

 

80% ????????

 

Sem comentários

 

Jorge Soares

PS:A silly season chegou ao blog

 

publicado às 22:43

Gripe A, somos um país com uma mentalidade pequenina

Imagem retirada do DN

 

Depois de toda a paranóia à volta da gripe A, depois das milhares de horas de informação na televisão, depois de páginas e páginas nos jornais, milhares de posts em blogs e em tudo o que é site na internet, o mínimo que se espera é que a sociedade esteja minimamente informada. Está bem, a sociedade portuguesa nesta altura quer é férias, futebol e telenovelas e no verão não vê as noticias nem lê jornais que não sejam desportivos... por isso se calhar não está assim tão informada, mas no meio disto tudo, espera-se que pelo menos os médicos e restantes profissionais de saúde estejam informados e não caiam no ridículo da mentalidade pequenina...certo?.... errado.

 

Tinha visto a noticia em rodapé na televisão e depois confirmei no Dn de Sábado, o pior é que esta é a segunda vez que vejo uma noticia parecida, noticias onde o comportamento dos médicos e pessoal de saúde deste país é no mínimo inadmissível, senão vejamos:

 

"o médico perguntou-me se a minha filha tinha mais algum sintoma, vómitos diarreia ou dores. Disse-lhe que não, mas ele ausentou-se de imediato e reapareceu equipado com máscara e vestes protectoras. A partir daí foi o inferno....!

 

Isto foi no centro de Saúde Boticas, em Vila Real, mas a descrição do que aconteceu no Hospital de São João no Porto, um dos hospitais de referência para o tratamento da doença em Portugal é assustador e digno da idade média, de novo copiando a noticia do DN

 

Apesar de a médica ter afastado a hipótese de gripe A, disse ser necessário fazer exames para ter a certeza, o que só veio a acontecer cerca das duas da manhã. " Entretanto a menina sentiu necessidade de novo de utilizar material sanitário. Saí da sala e recebi esta resposta de um funcionário: Não sai da sala, se a a menina quiser defecar que o faça no chão. Às três da manhã mandaram-nos para casa". O DN tentou contactar sem sucesso os responsáveis do S.João.

 

Diga-se de passagem que afinal a miúda estava apenas constipada, como disse antes, o Hospital de São João é um dos hospitais de referência para o tratamento da Gripe A em Portugal, e os profissionais de saúde deviam ter o mínimo de formação e informação, já para não falar em decência e bom senso, estamos no século XXI e a falar de uma gripe, não no século XVIII e da Lepra. Tratar as pessoas desta forma só mostra incompetência, falta de profissionalismo e de sensibilidade.. e esta é a situação quando temos umas dezenas de infectados, eu pergunto-me como será quando tivermos milhares ou milhões se realmente se cumprirem as piores previsões.

 

Incrível e lamentável.

 

Jorge Soares

publicado às 20:56

O sorriso da Carolina

por Jorge Soares, em 15.07.09

Hoje poupo nas palavras... Post plagiado do Cheiro a Polvora 

 

Vi a reportagem da Rita Marrafa de Carvalho antes de ir para o “ar” no Telejornal. Não me contive.

Ao fim de 19 guerras já pouco me impressiona., apenas o sofrimento de uma criança me solta as lágrimas.

Vejam o sorriso desta mãe e ajudem, se vos for possível.

Obrigado.

 

O sorriso da Carolina

Reportagem do Telejornal:

http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Carolina-precisa-de-ajuda-para-aprender-a-andar.rtp&headline=20&visual=9&tm=8&article=232745

 

Site da Carolina:

http://www.carolinalucas.com/cuba.asp

 

 

 

 

 

A medicina cubana representa em diversas especialidades uma esperança para muitos portugueses. É o caso da família Lucas. A filha, que nasceu com paralisia cerebral, tem evidenciado progressos e a família acredita que em grande parte isso acontece devido ao tratamento que tem recebido no Centro de Restauração Neurológica de Cuba. A maior dificuldade são os custos que a família está a tentar resolver com a ajuda da Internet.

 

 

publicado às 22:53

 A gripe e as suas consequências

 

Hoje chegamos aos 100 casos em Portugal, que era o limite que o governo havia traçado para começar a tomar medidas... bom, se comparar com os mais de 100000 casos na Argentina, 100 casos não é nada... mas as medidas já começaram, como podemos ler nesta noticia do Publico.

 

Hoje quando vinha nos meus 45 minutos de volta a casa, havia um epidemiologista a falar do assunto na Antena 1. A opinião dele é que esta gripe é inclusivamente menos perigosa que a gripe normal, a única diferença é que como é uma estirpe nova, há muito menos pessoas imunes e portanto haverá muito mais gente constipada, mas morrerão menos pessoas que com a gripe normal.

 

Tenho tentado manter-me mais ou menos informado e é mais ou menos o que já sabia, e sinceramente custa-me entender que se preparem tantos planos de contingência, que se esgotem os stocks de máscaras, ou que se viva a paranóia que estamos a viver.

 

Eu trabalho numa empresa que tem fábricas nos 4 cantos do mundo, todos os dias há pessoas a viajar para os Estados Unidos, ou para a Irlanda, ou para qualquer outro lado do mundo, além disso, todos os dias há estrangeiros na fábrica, o mais habitual é ter sentado em frente a mim ao almoço alguém que veio de algum dos países mais afectados com a gripe, para ser sincero, até estou a estranhar  ainda não haver ninguém doente....e todos estamos cientes que mais tarde ou mais cedo, vai acontecer. No entanto,  não há grandes paranóias com o assunto, para além das preocupações normais com os cuidados de higiene que devem haver sempre, gripe A ou não.

 

Encontrei a imagem acima no De Fralda e Salto alto, é uma informação importante e a informação nunca está demais.

 

Jorge Soares

publicado às 22:55

adopção:Pais do coração

por Jorge Soares, em 13.07.09

Filhos do coração

Retirada de aqui

 

Recebi as perguntas por mail há bastante tempo, a publicação foi sendo adiada,  saiu este Sábado na Revista Ns do DN e Jornal de Noticias, o link está aqui para quem quiser ler, como há sempre muito mais a dizer e eu disse muito mais, deixo aqui as perguntas que me foram enviadas pela jornalista e as minhas respostas.

 

Não gostei do titulo... mas também não tenho nada de gostar.

 

 - No seu caso específico, que razões o levaram a abraçar esta problemática das adopções e do direito de todas as crianças a um lar de amor?

 

Sou pai adoptivo e biológico e neste momento candidato à adopção, o meu primeiro processo foi à mais de 10 anos e na altura sentimos muita falta de informação e de apoio. Um processo de adopção é sempre doloroso, a maior parte do tempo existe um enorme vazio e sentimos a  falta de podermos partilhar com outras pessoas. Após a adopção o sentimento mudou, mas o vazio continuava ali, a necessidade de sentir apoio e de partilhar com outras pessoas que estivessem ou tivessem passado pelo mesmo que nós mantinha-se. Com o tempo criamos um grupo de discussão, o grupo nós adoptamos e foi como uma bola de neve que foi crescendo, fiz parte do grupo que organizou os dois primeiros encontros nacionais de adopção, ambos em Setúbal, e a proximidade com pais e candidatos fez com que interiorizasse a problemática da adopção nas suas várias vertentes.

 

- Sendo o acolhimento familiar de crianças uma medida que pressupõe o seu bem-estar e a vontade de ajudá-las em primeiro lugar, como se explica que haja tantos casos (e tão fortemente mediáticos) de disputas com os pais biológicos?

 

Na verdade não há assim tantos casos, não faço ideia quantas crianças existirão em acolhimento, mas dois ou três casos não são muitos casos, para mais que os dois mais mediáticos, o da Esmeralda e o da Alexandra, são casos que passaram ao lado da segurança social e não são casos de acolhimento.  Passaram  à margem da lei e por isso se tornaram casos judiciais e depois em casos mediáticos por força da cobertura jornalística a que foram sujeitos... e diga-se de passagem que eu acho que a comunicação social fez um péssimo trabalho em ambos os casos.

 

- O que funciona mal no sistema que permite que tais situações aconteçam?

 

Nestes casos o que funcionou mal foram as pessoas que subverteram todo o processo, se as crianças tivessem sido entregues à Protecção de Menores em lugar de a casais que não estavam habilitados para os receberem, nada disto tinha acontecido. O acolhimento familiar está legislado e funciona, o que acontece é que muitas vezes as pessoas utilizam esquemas para tentar abreviar os processos de adopção, e depois utilizam a comunicação social para chamarem a atenção para situações que nunca deveriam ter existido.

 

- Uma vez que os laços afectivos de quem acolhe pelas crianças são inevitáveis, faz sentido que a lei não abra caminho para a adopção por parte das famílias de acolhimento interessadas em ficar com a criança? Mesmo nos casos em que a alternativa é o regresso à instituição ou a uma família biológica que venha a revelar-se incapaz de tratar convenientemente d@ filh@?

 

É  preciso entender que as crianças que vão para acolhimento são as que não tem como projecto de vida a adopção, se o objectivo final fosse a adopção, elas não passariam por famílias de acolhimento, iriam directamente para a adopção e para uma família que as desejasse e que estivesse disposta a dar amor e carinho. Se vão para acolhimento é porque o tribunal entende que não serão adoptadas, se tivermos em conta este princípio, a pergunta nem faz sentido. Por outro lado, as famílias de acolhimento são informadas desde o inicio qual a situação da criança e do facto que não a vão poder adoptar, as pessoas vão para o acolhimento conhecendo todos os factos. O que acontece é que há muita gente que tenta utilizar o acolhimento como um método rápido para a adopção, acham que todas as crianças que vão para acolhimento são crianças que foram abandonadas e maltratadas, evidentemente isto não é verdade, há muita gente que passa por dificuldades e prefere entregar os seus filhos ao estado a que estes passem necessidades.. e há quem refaça a sua vida.

 

Nos casos em que a família não consegue refazer a sua vida, as crianças vão para adopção e há muitíssimos candidatos disponíveis, pessoas que foram avaliadas e aprovadas como aptas, o que não aconteceu com as famílias de acolhimento.

 

- A legislação portuguesa relativa ao acolhimento familiar temporário está ao nível da de outros países com realidades semelhantes?

 

Eu não conheço a legislação dos outros países, mas não acho que a legislação portuguesa esteja errada, o que está errado é muitas vezes a mentalidade das pessoas, que tentam a todo custo subverter as leis em seu favor.

 

- O que precisava de mudar para garantir uma maior prática de acolhimento familiar (e por conseguinte uma menor institucionalização), uma preparação suficiente das famílias que recebem as crianças e um acompanhamento adequado de todos os casos?

 

Há muitas coisas a mudar, mas eu nem acho que o problema esteja no acolhimento familiar, em primeiro lugar haveria que mudar os juízes, a maioria dá uma clara primazia ao biológico, a tendência é dar oportunidades aos pais, espera-se sempre que estes recuperem, dão-se todas as oportunidades aos pais e à família biológica e nenhuma às crianças, entretanto estas esperam anos, vão crescendo em centros de acolhimento sem conhecer o carinho de uma família, sem amor.  Quando finalmente alguém decide que não vai haver recuperação, a criança perdeu uma parte da sua vida e já tem 7 ou 8 anos,  com essa idade já não há quem a queira. Por outro lado muitos centros de acolhimento não tem equipas capazes para encaminhar os processos, mesmo que as famílias não apareçam, as crianças não são sinalizadas, há centros de acolhimento em Portugal de onde nunca saiu uma criança para adopção, as crianças representam um rendimento mensal muito alto e nem sempre se pensa primeiro no bem estar delas.

Sou presidente e um dos fundadores da Missão Criança, uma associação que tem por objectivo precisamente a defesa destas crianças.

 

- E em relação à adopção: porque é que a maioria dos processos acaba por se revelar tão complicada em Portugal?

 

Na verdade os processos não são complicados, um processo de adopção é muito simples, basicamente respondemos a um questionário e participamos me 3 entrevistas, o problema é que em Portugal há muitos mais candidatos que crianças para adoptar, das 11000 crianças entregues ao estado só perto de mil tem como projecto de vida a adopção, logo, existem tempos de espera muito longos, porque há poucas crianças e muitos candidatos.

 

- Conhece algum caso específico em que a família de acolhimento temporário se dê bem com a biológica em nome do bem-estar primeiro da criança?

 

Não, conheço muitos famílias que adoptaram ou que pensam adoptar, mas não conheço famílias de acolhimento.

 

- Como é que se poderia, de forma efectiva e célere, garantir o delinear de um projecto de vida adequado para cada criança?

 

Teria que se pensar sempre em primeiro lugar na criança, e não na família biológica.

 

- No caso da Esmeralda a decisão do tribunal foi a mais acertada, tendo em conta o equilíbrio da menina e o facto de ter sido a família de acolhimento a criá-la nos primeiros cinco anos de vida (uma idade decisiva)? E no caso da pequena Alexandra, a menina russa?

 

No caso Esmeralda existiram muitas decisões dos tribunais, a primeira foi quando a criança tinha 8 meses, se em lugar de criar uma guerra na justiça, tivessem entregue a criança nessa altura, a sua pergunta nem se colocava. O problema é que aquela família tentou por todos os meios contrariar a lei e os tribunais, só eles são culpados de que a situação se tenha arrastado. Eles só ficaram com a criança até aos cinco anos porque nunca cumpriram a lei e as ordens do tribunal. É evidente que com 5 anos a criança sofreu, mas de quem foi a culpa?

 

No caso da Alexandra nunca existiu abandono, eu vi a entrevista que a família deu à RTP e o que foi dito ali mostrou que a mãe esteve sempre presente, as leis existem para defender as crianças.

 

Estes casos constituem precedentes que podem ser muito graves, porque podem dar a ideia de que basta arranjarmos alguém que nos dê uma criança para ela ser nossa e isto pode abrir caminho a muitos esquemas, inclusivamente ao tráfico de crianças, eu sou candidato à adopção, no primeiro processo esperei 3 anos, neste estou à espera há um ano, se alguém me disser que um caso como o da Esmeralda passa a ser legal, vou ali à esquina, levo um maço de notas e arranjo alguém que me dê uma criança, ou mando vir uma de uma favela do Brasil, ou arranjo uma prostituta Russa que tenha uma para mim... é muito mais fácil e mais rápido que aturar assistentes sociais e estar anos à espera que o telefone toque... é preciso ver que estes casos são muito perigosos para o futuro da adopção em Portugal... por isso sim, eu acho que em ambos os casos a justiça esteve bem.

 

Jorge Soares

 

publicado às 22:20

Hoje a meio da tarde dei por mim irritado por ter razão, entre os titulares do jornal Público que o igoogle me mostrava, podia ler-se o seguinte: Mais um caso de greve de fome contra uma decisão sobre adopção , era evidente que isto ia acontecer, depois do aparente volte face do caso Martim, era de esperar que isto fosse virar moda.

 

É o problema de criar precedentes, a mim não me estranha nada, depois de toda a publicidade dada ao caso Martim e à aparente vitória da mãe, isto era algo que era de prever.

Em Portugal há 11000 crianças institucionalizadas, até agora os tribunais de família deram sempre a primazia à família biológica e as crianças esperavam anos nas instituições até que quando finalmente iam para adopção tinham 7 ou 8 anos e ficavam condenadas a viver nos centros de acolhimento, porque não há quem adopte crianças com essa idade. Parece que finalmente os juízes estão a mudar o paradigma e as crianças vão para adopção quando ainda podem ser adoptadas...... o problema é que as famílias que até viam com bons olhos que os estado lhes criasse os filhos, agora não acham piada a que as crianças vão para adopção.

Está-se mesmo a ver que vão nascer campos de tendas em frente aos tribunais de família. 

 

A noticia da Beatriz na RTP1

 



A Noticia do Martim na RTP1:

 

Alguém devia dizer à Ana Rita que as eleições são de aqui a 3 meses e que depois delas se calhar as coisas não vão andar assim tão depressa...e que não há registo de uma decisão de adopção ter sido anulada.

 

Por outro lado isto é mesmo preocupante, será que andávamos todos enganados e os juízes não dão assim tanta primazia ao biológico ?, será que há juízes a tomar decisões sem avaliar bem as coisas? é que a imagem que todas as pessoas que lidamos de perto com o tema da adopção e das crianças em risco temos é precisamente a contrária, os juízes dão sempre todas as oportunidades às famílias e raramente pensam no que é melhor para a criança.

 

Jorge Soares

publicado às 22:25


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