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Para a tua boca, todas as vidas.

por Jorge Soares, em 17.08.13

mulher

 

 Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Desiguais as contas:
para cada anjo, dois demónios.

Para um só Sol, quatro Luas.

Para a tua boca, todas as vidas.

MIA COUTO

Do poema "Números",
no livro "Idades cidades divindades"

Mulher passeia na areia molhada da Praia do Meco

Sesimbra, Julho de 2012

Jorge Soares

publicado às 15:07

La mariposa volotea

por Jorge Soares, em 16.08.13

Mariposa

 

 Imagem minha do Momentos e Olhares

 

LA mariposa volotea
y arde —con el sol— a veces.

Mancha volante y llamarada,
ahora se queda parada
sobre una hoja que la mece.

Me decían: —No tienes nada.
No estás enfermo. Te parece.

Yo tampoco decía nada.
Y pasó el tiempo de las mieses.

Hoy una mano de congoja
llena de otoño el horizonte.
Y hasta de mi alma caen hojas.

Me decían: —No tienes nada.
No estás enfermo. Te parece.

Era la hora de las espigas.
El sol, ahora,
convalece.

Todo se va en la vida, amigos.
Se va o perece.

Se va la mano que te induce.
Se va o perece.

Se va la rosa que desates.
También la boca que te bese.

El agua, la sombra y el vaso.
Se va o perece.

Pasó la hora de las espigas.
El sol, ahora, convalece.

Su lengua tibia me rodea.
También me dice: —Te parece.

La mariposa volotea,
revolotea,
y desaparece.

 

Algures perto do mar nas Astúrias

Agosto de 2012

Jorge Soares

publicado às 17:05

Talvez sejas a breve recordação de um sonho

por Jorge Soares, em 11.08.13

Lugares

 

 Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Não o Sonho

 

Talvez sejas a breve 
recordação de um sonho 
de que alguém (talvez tu) acordou 
(não o sonho, mas a recordação dele), 
um sonho parado de que restam 
apenas imagens desfeitas, pressentimentos. 
Também eu não me lembro, 
também eu estou preso nos meus sentidos 
sem poder sair. Se pudesses ouvir, 
aqui dentro, o barulho que fazem os meus sentidos, 
animais acossados e perdidos 
tacteando! Os meus sentidos expulsaram-me de mim, 
desamarraram-me de mim e agora 
só me lembro pelo lado de fora. 

Manuel António Pina, in "Atropelamento e Fuga" 


Fim de tarde em Setúbal
Jorge Soares

publicado às 17:57

Sinto falta de Lugares que não conheci

por Jorge Soares, em 10.08.13

Os lugares que não conheci

 

 Imagem minha do Momentos e Olhares

 

PEDAÇOS DE MIM

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

 

Martha Medeiros 


 

Fim de uma tarde de Outono no Parque Urbano de Albarquel

Setúbal, Outubro de 2012

Jorge Soares

publicado às 17:55

Pusemos tanto azul nessa distância

por Jorge Soares, em 02.08.13

Troia

 

 Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Pusemos tanto azul nessa distância 
ancorada em incerta claridade 
e ficamos nas paredes do vento 
a escorrer para tudo o que ele invade. 

Pusemos tantas flores nas horas breves 
que secam folhas nas árvores dos dedos. 
E ficámos cingidos nas estátuas 
a morder-nos na carne dum segredo. 

Natália Correia - de Poemas (1955)

 

O Sado, o Rio Azul

Setúbal, Junho de 2010

Jorge Soares

publicado às 17:38

Que o tempo é o mais forte

por Jorge Soares, em 01.08.13

 

 Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Dizer que sim à vida
Dizer que não à morte
Dizer na despedida
Que o tempo é o mais forte

Dizer que sim à vida
Dizer que não à morte
Jogar na despedida
A carta que é a sorte

Dizer a toda a gente
Que o amor de repente
Entrou no nosso jogo
Dizer a toda a gente
Que o nosso corpo é quente
A nossa boca ardente
E a nossa alma fogo...

E se não for verdade
Tudo o que nós dizemos
Tudo o que nós sentimos
Também não é saudade
Por isso é que nos rimos

 

José Carlos Ary dos Santos

 

Setúbal, Maio de 2011

Jorge Soares

publicado às 17:36

A ti mulher

por Jorge Soares, em 30.03.13

recomeça

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Recomeça…


Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII 

 

Troia, Novembro de 2012

Jorge Soares

publicado às 17:25

Évora! Ruas ermas sob os céus

por Jorge Soares, em 24.03.13

Évora

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Évora

 

Évora! Ruas ermas sob os céus

Cor de violetas roxas ... Ruas frades

Pedindo em triste penitência a Deus

Que nos perdoe as míseras vaidades!

 

Tenho corrido em vão tantas cidades!

E só aqui recordo os beijos teus,

E só aqui eu sinto que são meus

Os sonhos que sonhei noutras idades!

 

Évora! ... O teu olhar ... o teu perfil ...

Tua boca sinuosa, um mês de Abril,

Que o coração no peito me almoroça!

 

... Em cada viela o vulto dum fantasma ...

E a minh'alma soturna escuta e pasma ...

E sente-se passar menina e moça ... 

 

Florbela Espanca

 

Évora, Março de 2012

Jorge Soares

publicado às 17:10

Adeus ao Outono

por Jorge Soares, em 27.12.12

Adeus ao Outono

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Adeus

 

É um adeus ... 
Não vale a pena sofismar a hora! 
É tarde nos meus olhos e nos teus ... 
Agora, 
O remédio é partir discretamente, 
Sem palavras, 
Sem lágrimas, 
Sem gestos. 
De que servem lamentos e protestos 
Contra o destino? 
Cego assassino 
A que nenhum poder 
Limita a crueldade, 
Só o pode vencer a humanidade 
Da nossa lucidez desencantada. 
Antes da iniquidade Consumada, 
Um poema de líquido pudor, 
Um sorriso de amor, 
E mais nada

 

Miguel Torga

 

Uma solitária folha de cerejeira que resistiu mesmo até aos últimos dias do Outono.

Portalegre

Dezembro de 2011

Jorge Soares

publicado às 18:52

Outro Natal

por Jorge Soares, em 25.12.12

Outro natal

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Outro natal,
Outra comprida noite
De consoada Fria,

Vazia,
Bonita só de ser imaginada.
Que fique dela, ao menos,
Mais um poema breve
Recitado Pela neve
A cair, ao de leve,
No telhado.
Miguel Torga
Portalegre
Dezembro de 2011
Jorge Soares

publicado às 18:48


Ó pra mim!

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