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Cavaco,a igreja e as homenagens a Saramago

Imagem do Henricartoon

 

Eu não gosto de funerais, não gosto do que significam, o fim do caminho, e não gosto daquilo em que se converteram, há muito que acho que devemos mostrar apreço e carinho pelas pessoas enquanto elas estão vivas, se realmente gostamos de alguém, devemos mostrar esse apreço enquanto a pessoa nos pode ouvir, ver e entender, depois da morte é tarde, não vale a pena.. não está lá nada nem ninguém....

 

Goste-se ou não, Saramago foi um grande, enorme mesmo, escritor, levou o nome do país muito longe, era uma pessoa de convicções fortes e que não se prendia em detalhes para mostrar ao mundo a sua obra. Pelo caminho mexeu com muitas sensibilidades, criou ódios de estimação.

 

No inicio dos anos 90 escreveu a sua obra mais polémica, o Evangelho segundo Jesus Cristo. Em Portugal vivia-se a época do cavaquistão e rezam as crónicas que um secretário de estado de Cavaco, impediu a candidatura da obra ao Prémio Literário Europeu porque supostamente o livro atacava "O património religioso dos portugueses"

 

Terá sido esta decisão, um inadmissível acto de censura por parte do governo,  a gota de água  que levou o escritor a emigrar para Lanzarote onde viveria até morrer na passada sexta-feira.

 

Sempre achei Cavaco Silva, para além de um politico desprezível, um homem com sorte, essa sorte foi uma vez mais bem patente, Saramago morreu precisamente no fim de semana que ele tinha escolhido para estar de férias nos Açores, bem longe de Lisboa e de tudo o que rodeou a morte do escritor. Era claro para todos nós que Cavaco e Saramago não morriam de amores um pelo outro, que não eram amigos e que os separavam enormes diferenças ideológicas e de pensamento.. mas um presidente da República é alguém que por definição não tem amigos. O presidente da República é alguém que antes de mais tem obrigações de estado e obrigações ante os cidadãos do estado.

 

Por muito que a mim me pareça que todas estas homenagens deveriam ter sido prestadas antes, a verdade é que o país decidiu prestar homenagem a um dos seus cidadãos mais ilustres. Quando decidiu não comparecer e  dar uma desculpa esfarrapada , Cavaco Silva mostrou que coloca os seus sentimentos pessoais  e a sua ideologia politica à frente dos seus deveres de estado, e como muito bem diz Daniel Oliveira no Expresso: "É incoerente decretar dois dias de luto nacional e depois estar ausente da cerimónia oficial."

 

É claro que se atendermos à posição oficial da igreja através do Jornal do Vaticano e às últimas notícias que dão conta das reacções da direita mais conservadora à promulgação do casamento Homossexual, poderíamos sempre concluir que tudo isto já faz parte da campanha politica.... mas isto já sou eu e o meu mau feitio a pensar alto.

 

Jorge Soares

publicado às 21:39

Crianças passam muitas horas no infantáriosO Dias do Avesso é um programa da Antena 1 em que a Isabel Stilwell e o Eduardo Sá falam de coisas da vida em modo de conversa descontraída, tornei-me ouvinte quando passei as 3 semanas em Macau e passava os meus dias ligado à internet a ouvir a Antena 1.

 

O tema de hoje era as crianças e os infantários, dizia o Eduardo Sá que algures um estudo (eu procurei, mas não encontrei)  constatou que as crianças portuguesas passam em média 9 horas por dia nos infantários, o que é um exagero, segundo ele, no máximo deveriam passar  6 horas.  

 

Disse também que as educadoras passam muito tempo nos infantários, tem muitas crianças em cada sala e que segundo o mesmo estudo, 70% das crianças, as nossas crianças, passam uma boa parte do dia a ver televisão nos infantários... , terminou dizendo que em média, pagamos quase 400 Euros por mês, um verdadeiro exagero.

 

Deixou-me a pensar, lembro-me que quando estávamos grávidos da R. foi uma verdadeira odisseia  arranjarmos lugar para ela, foi de tal modo que ela nasceu em Outubro, entrou para o Infantário em Fevereiro, mas nós estávamos a pagar desde Setembro, ainda ela estava bem aconchegada na barriga da mãe e já nós estávamos a pagar infantário.... é ridículo, mas é a mais pura verdade, consequências do sistema educativo e do apoio social que temos.

 

Tanto a R. como o N., sempre passaram 9 ou 10 horas no infantário, ambos trabalhamos, e não há avós ou tios por perto, e como a generalidade das famílias portuguesas não ganhamos para abdicar de um dos empregos ou ter empregada para ficar com as crianças. Eu estou de acordo com o Eduardo Sá, as crianças não deveriam passar tanto tempo nos infantários, mas a realidade em que vivemos é esta, por muito que este (pretensamente) seja um estado social, não há condições para que seja de outra maneira.

 

Estes dias fomos à Segurança Social tratar do processo da D. a assistente social disse logo que nem pensar em a colocar no infantário nos próximos meses e até que o processo esteja concluído...  uns 7 a 8 meses no mínimo, acho que vamos tirar à sorte a ver quem se despede do emprego para ficar em casa com ela...depois pensamos em como a alimentamos e aos irmãos..... há pessoas que devem viver noutro mundo.

 

Quanto ao facto de as crianças verem televisão, também sentimos isso, as nossas também viam, sempre fomos contra e quando achávamos que era exagero chamávamos a atenção para o assunto. A verdade é que a maioria do infantários não tem pessoal em quantidade suficiente e/ou  com as qualificações necessárias, muitas vezes as educadoras só passam uma parte do dia com as crianças e depois ficam as auxiliares... e a forma mais fácil de entreter as crianças é sentá-las frente à televisão.. 

 

Em suma, os infantários em Portugal são caros, tem pouco pessoal e muitas vezes sem as qualificações necessárias, as crianças passam muito  tempo lá e nós, os pais, não temos alternativas nem condições para que seja de outra forma.

 

Faltou falar das condições físicas de muitos dos infantários.. mas o post já vai largo.

 

É ao estado que compete fiscalizar e verificar que se cumpram as leis a todos os níveis, assim como é ao estado que compete zelar para que todas as crianças tenham as mesmas oportunidades, o que faz o estado?

 

 

Jorge Soares

PS:Imagem da internet

publicado às 21:24

Adopção:Sou mãe adoptiva - preciso desabafar

por Jorge Soares, em 20.07.09

Adopção

 

 

Um destes dias recebi este email:

 

"Caro Jorge, descobri o seu e-mail no seu blog. Parece-me uma pessoa muito bem informada sobre esta temática (a adopção).


Eu e o meu marido, fizemos o nosso processo de adopção correctamente, através da Seg. social e estivemos quase cinco anos à espera que o telefone tocasse. Temos a viver connosco duas  irmãs já fez um ano. Quando vieram viver connosco, tinham sete e quatro anos. Recentemente, fomos à audiência para a adopção plena e qual não é o nosso espanto, quando o juiz nos diz que por ele estava tudo muito bem, mas que no nosso processo falta um documento - o da autorização dos pais biológicos - e que portanto tinha de pedir ao tribunal onde foi decretado que as crianças iam para adopção, que verificasse se se tinha extraviado, senão teria de mandar a GNR ir à procura dos pais biológicos para obter o seu consentimento!!!! (nesta altura do campeonato!).


Ficámos em estado de choque, mas com esperança de que o tal documento aparecesse, parecia-nos irreal que a incompetência ocorrida fosse para além do extravio de um documento - como é que o juiz original pode ter decretado a adopção e a seg. social ter-nos entregue as miúdas, sem existir o tal papel??!!! No entanto, agora não sabemos em que pé estão as coisas, porque o processo está em segredo de justiça, e não o podemos consultar, nem acompanhar que diligências estão a ser tomadas! Ficamos assim com a nossa vida em suspenso sem saber se neste momento estão a relembrar aquela senhora de que teve dois filhos, sem saber qual a reacção dela... isto se a encontrarem, e se não a encontrarem? quanto tempo levam a desistir de procurar? quanto tempo vamos ficar à espera, admitindo que no fim tudo vai correr bem?

Desculpe o desabafo, nem o conheço, mas não conheço ninguém que tenha adoptado, e parece-me que a nossa situação é absurda,......."

 

Quando terminei de ler o mail fiquei com um nó na garganta, porque eu sei a dor que uma situação destas causa,..eu sei a dor destes  pais, eu sei, passei por isso....... mas já falarei disso, para já deixo-vos com este apelo desta mãe, em forma de reflexão.

 

Agora só falta mesmo que encontrem os senhores, que estão há anos sem ver as crianças, e eles decidam que não autorizam e que depois vão  acampar para a porta do tribunal e levem a comunicação social atrás.

 

Há coisas pelas que as pessoas não deveriam ter que passar, e a dor da perspectiva de podermos perder um filho é algo que definitivamente ninguém merece passar, e muito menos assim, pela estupidez das pessoas...

 

 Jorge Soares

 

PS:Email copiado com autorização, alterei pequenas coisas de modo a evitar a identificação de pessoas e crianças.

 

 

publicado às 21:26

Criança triste.. vidas roubadas

 

Hoje, nos meus habituais 45 minutos de paz e sossego na volta para casa, ouvi na Antena 1 o programa Dias do Avesso, Isabel Stilwel e Eduardo Sá falavam do Martim e da sua Mãe.

 

Nem sempre concordo com o Eduardo Sá, mas hoje a maneira como abordou o assunto fez-me lembrar uma discussão que tive há um ou dois anos atrás no grupo de mail Nós adoptamos. Na altura discutíamos o facto de a segurança social demorar muitas vezes anos a decidir os processos dos candidatos à adopção, porcessos que por lei devem demorar no máximo 6 meses, ou o facto de demorarem anos a decidir os projectos de vida das crianças quando a lei estipula que no máximo deve demorar um ano.

 

Muitas vezes as crianças são retiradas às famílias e colocadas no centros de acolhimento de emergência, a lei diz que elas só devem lá estar no máximo 6 meses, mas na verdade elas ficam por tempo indefinido, porque os processos arrastam-se nos tribunais. Na altura e ante mais um destes casos, eu questionava o grupo se não seria possível alguém processar o estado porque este não cumpre as suas próprias leis. O estado não é pessoa de bem, o estado não cumpre, logo deveria haver maneira de alguém o fazer pagar por isso.

 

No programa de rádio, o Eduardo Sá questionava precisamente o mesmo que eu, independentemente da razão ou não da mãe da criança, porque é que o estado tinha demorado quase 3 anos a decidir sobre o futuro desta criança?

 

Porque é que se a lei fala em no máximo um ano, os tribunais arrastam estas questões durante anos e anos e roubam anos de vida e de felicidade às crianças? Muitas vezes estas situações arrastam-se durante 4, 5 ou 6 anos, quando finalmente decidem que a criança vai para adopção, ela tem 6 ou 7 anos e dificilmente se encontra alguém disposto a a adoptar, não é o estado culpado de ter roubado a vida a estas crianças?

 

Como dizia o Eduardo Sá e muito bem, todos ouvimos os deputados a pedir a destituição do governador do Banco de Portugal porque não supervisionou como deve ser o BPN, será que nenhum desses deputados se preocupa pela falta de supervisão do trabalho da segurança social e pelo roubo continuo e constante da vida de tantas crianças?

 

Na altura as juristas e advogadas do grupo disseram-me que sim, que haveria essa possibilidade, mas que dificilmente algum advogado aceitaria um caso desses, ninguém enfrenta o estado, mesmo quando queremos defender a vida e a felicidade das crianças esquecidas pelo estado.

 

Eu sei que sou lírico, mas custa-me a aceitar esta resposta, não há por aí nenhum advogado que queira ficar famoso e pro bono, enfrentar o estado e obrigar a que este deixe de roubar a vida das nossas crianças?

 

Sim, eu sei...sou mesmo lírico!

 

Jorge Soares

publicado às 22:04


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