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Amor de pai

Imagem de aqui

 

"o filho não é do pai e não é da mãe. O filho é livre, é da vida!"

 

É assim que o Sérgio termina este seu post, O Sérgio é o pai do Gonçalo, ele mora perto do Porto, O Gonçalo há mais de dois anos que vive algures em Angola com a mãe, um dia no inicio de 2009 o Sérgio deixou o filho com a mãe e simplesmente não o voltou a ver, e não houve leis ou tribunais que conseguissem fazer cumprir a determinação que regulava as visitas do Gonçalo ao seu pai.

 

Encontrei o Blog do Sérgio, Filho para sempre,  por acaso, porque um dos blogs que costumo ler fazia referência ao caso, desde esse dia tenho seguido com atenção tudo o ele escreve... e torço por ele.  Nem acredito que acabo de escrever isto.. torço por ele?, podemos torcer para que as leis finalmente se cumpram e um pai possa ver o seu filho?

 

Hoje chamou-me a atenção a forma como o Sérgio termina um dos seus posts... e seguindo o fio à meada encontrei o seguinte comentário:

 

...Que tenhas o direito de estar com o teu filho. É um direito teu, tanto como considero que é direito da mãe guardá-lo.
A justiça, se não vier pela mão de um juíz, virá pela mão do G. Em posse da verdade (eu nada sei, para lá do que aqui é escrito...), ele julgará quem tiver de ser julgado.

 

Há coisas que não consigo entender, uma delas são estas guerras entre pais desavindos e que utilizam os filhos como arma de arremesso, as pessoas podem amar-se ou odiar-se, podem decidir casar ou viver juntos e depois separarem-se, podem até ter filhos por acidente, mas quem lhes dá direito a brincar assim com a vida dos seus filhos?

 

Quanto ao comentário acima, o que é o direito a guardar um filho?.. e porque é este um direito da mãe? para se fazer um filho são necessárias duas pessoas, em condições normais é necessário que lá estejam os dois e que cada um faça a sua parte.. porque raios é que alguém pode achar que a mãe tem direito a guardar o filho?

 

Como diz o Sérgio na sua resposta, um filho não é do pai ou da mãe, em todo caso é responsabilidade dos dois, ambos são responsáveis e poderão ter que responder pelo seu crescimento feliz e saudável, mas assim como ambos têm deveres, ambos têm direitos...

 

O caso do Sérgio e do Gonçalo é assustador, porque mostra a fragilidade da nossa justiça, porque neste caso o Gonçalo até estava noutro país, mas há muitos casos como este em que a criança está na mesma cidade.., por vezes até na mesma rua, e a justiça, muitas vezes em nome desse direito da mãe a "guardar" o seu filho, limita-se a olhar para o outro lado.

 

No caso do Sérgio a mãe há muito que não cumpria com as suas obrigações, agora decidiu cumprir, mas quem devolve ao Sérgio e ao Gonçalo estes quase dois anos que estiveram longe um do outro?...  e quem faz pagar a mãe do Gonçalo por este incumprimento?, por ignorar o que tinha sido determinado pelo tribunal?... ninguém!

 

Hoje finalmente o Sérgio pode rever o seu filho.. esperemos que depois das férias a mãe não decida "guardá-lo" de novo, esperemos que a partir de  hoje o Gonçalo e o Sérgio possam partilhar a vida, como qualquer pai e filho.. porque o amor não se guarda, partilha-se!!!!!

 

Jorge Soares

publicado às 23:02

A ciclista de palmo e meio

 

Só passaram 15 dias... mas a verdade é que parece muitíssimo tempo... aqui que ninguém nos ouve, voltar à rotina do trabalho, ao telefone a tocar o tempo todo, aos colegas chateados no outro lado do mundo, aos servidores que teimam em dar chatice sempre a meio das noites do fim de semana em que sou eu quem está de prevenção...  não imaginam como isto está a custar.

 

Mas cá por casa a vida segue, este mês é a minha meia laranja quem está de licença... e sabem uma coisa, ela está pelos cabelos. Tenho a certeza que se  pudesse voltar atrás... era eu quem continuava de licença... já lhe disse que para a próxima não há cá 5 meses a 100%.. são mesmo os seis meses e eu tiro 5.... juro. É claro que a menos que o Euromilhões se apiade de mim... não vai haver próxima... mas pronto... fazemos de conta.

 

Lembram-se de aquele meu diário em que se falava de comida e no que eu concluía que são as mães quem faz das criancinhas uns diabinhos? este post, está completamente provado. Desde que está em casa com a mãe, a D. está cada vez mais terrível, reivindica, reclama, exige, faz umas birras enormes, trinta por uma linha ...da miúda alegre e amorosa que encontramos em Cabo Verde...resta muito pouco....

 

Nos meus tempos com ela as coisas eram muito mais calmas.... é claro que fazia birras, mas rapidamente percebia que assim não ia a lado nenhum e lá se resignava, mas cheira-me que ela encontrou o ponto fraco da mãe...e que faz gato sapato dela.. e acho que a mãe encontrou outra pedra no seu sapato... definitavamente as mulheres desta casa teimam em não se entender.

 

Jorge

publicado às 21:42

Diário de um pai de licença parental

por Jorge Soares, em 06.04.10

Diário de um pai de licença parental

 

Foi em Fevereiro do ano passado que aqui falei de licença parental e que assumi que eu queria gozar a minha parte da licença, foi neste post e neste outro. Bom, começou ontem, nos próximos dois meses vou estar em casa, a P. vai finalmente dedicar-se ao doutoramento e eu vou-me dedicar à D. à R. e ao N..

 

Curiosamente no Vila Forte, a Telma  Sousa falava deste assunto. A Telma refere uma noticia do Expresso que fala da mudança da lei e do aumento do numero de pais que decidiu gozar pelo menos uma parte da licença, numero este que passou de 605 em 2008 para mais de 12000 em 2009. Os números falam por si e mostram que algo está efectivamente a mudar.

 

Durante muito tempo a maternidade era utilizada como desculpa em muitas empresas na hora das contratações, os 4 meses em casa eram um obstáculo para muita gente e eram utilizados como motivo para uma discriminação injusta e que inclusivamente muitas vezes impedia a chegada de mulheres a lugares de responsabilidade para os que estavam perfeitamente capacitadas. Podemos supor que à medida que mais homens utilizem este seu direito, estes preconceitos serão colocados de parte.

 

Como dizia num dos posts do ano passado, trabalho numa empresa com muita gente jovem e com muitas mulheres, há sempre alguém grávido e o tempo todo há colegas de licença. Curiosamente, o único caso de que tive conhecimento de um colega homem que partilhou a licença, também foi um caso de adopção, uns corajosos que adoptaram dois irmão com 8 e 10 anos. Ao contrario do que refere a Telma no Post do Vila forte, eu não ouvi piadas por parte de ninguém e não me foi colocado qualquer problema.

 

Curiosamente as conversas que fui tendo ao longo dos últimos dois meses foram reforçando a ideia que já tinha desde o ano passado, a maior dificuldade para que neste tema seja atingida uma verdadeira igualdade de direitos não virá tanto das empresas e sim das mulheres, a maioria vê os 5 meses como um direito seu e que agora lhes está a ser retirado... o que não deixa de ser um contra-senso.

 

Nos próximos dois meses haverá muitos mais posts sobre crianças e sobre o dia a dia de um pai de licença parental... esperemos que não se torne rapidamente num diário de um pai desesperado.

 

Jorge Soares

publicado às 21:05

Mama, nã qué sopa!!

 

Hoje a D disse a primeira frase completa:

 

-Mamã nã qué sopa!

 

Estava com sorte, porque não havia mesmo sopa, mas está visto que temos uma Mafaldinha em potência, o que vale é que tirando a sopa, tudo o resto que aparecer no prato, marcha.

 

Eu sou dos que acha que ter filhos, sejam eles naturais ou adoptados, é antes de mais um acto de egoísmo, bom, às vezes nos naturais é um acto de outra coisa... mas isso agora não interessa nada. Adoptar uma criança é em 90% dos casos, um acto do mais puro egoísmo, as pessoas acham que adoptamos porque somos muito boas pessoas, ou porque somos muito caridosos, ou porque gostamos de fazer o bem.... desenganem-se, quem adopta é porque quer ter filhos, e se conseguisse de outra forma não adoptava.. é claro que há excepções, mas até nas excepções há quem o faça por egoísmo, porque não gosta de bebes por exemplo....  

 

Em suma, nós não somos santos e sobretudo, os nossos filhos não são uns coitadinhos que tiveram muita sorte porque nós os adoptamos, pelo contrario, nós é que tivemos muita sorte em os poder ter, amar e acarinhar.... e acreditem ou não, sentimo-nos pais exactamente da mesma forma que qualquer outro pai, nem mais nem menos.

 

Deixo aqui um conjunto de frases que pude ler hoje no meu mail, desabafos de pais adoptivos, vejamos:

 

Uma mãe com 3 

 

Sinceramente...não aguento mais que:

- me digam quanto me admiram por ter adoptado a ......

- me digam que à ..... lhe saiu a sorte grande

- me digam que eu sou uma mulher cheia de coragem

- que indagam como é que os irmãos estão a reagir


Ora vamos lá por os pontos nos iiiii


- a única admiração que eu mereço é por ter aguentado os 18 meses de espera e mau funcionamento da Seg Social.

- se à .... lhe saiu a sorte grande, a mim saiu-me o euromilhoes...porque miúdas assim, há uma num milhão!

- Coragem ?, Sim, mas é a mesma coragem que é necessária para nos decidirmos ser mães de mais um. A gravidez da ...., foi uma santa gravidez, sem sustos sem enjoos, sem dores nas costas ou insónias, o parto foi +/-, mas nada de traumatizante, correu tudo bem, mas na verdade é que a quantidade de coisas que podem correr mal numa gravidez são imensas. Sim, se pensarmos nisso, também é preciso coragem para engravidar, tanto como para iniciar um processo de adopção.

- mas só poderiam estar a reagir bem! Bem se vê que não conhecem os meus 3 filhos!

 

Futura Mãe:

 

Eu ainda não sou mãe adoptiva e já vou ouvindo cada uma que me deixa perplexa…

Uma das piores que já ouvi foi quando disse que tínhamos pedido manos,  e que não tínhamos definido muita coisa, nem os sexos, as idades dissemos que preferíamos até 6 anos mas que na prática dependendo das circunstâncias estávamos abertos a outras idades, e que considerávamos adoptar 3 manos . Resposta: ahhh, vocês devem ser santos!!!!”  Ficámos mesmo pasmados… : santos??? Santos por quê?

Por felizmente termos condições económicas para os recebermos?

Por receber 3 de uma vez em vez de fazermos 3 processos chatos de burocracia ?

Por passarmos a ser 5 em vez de 2?

Esta entre muitas outras…

Claro que não vão ser tudo maravilhas mas é a vida.

E se eu engravidasse de 3?????? Aí sim é que acho que dava em doida mas mesmo assim acho que se fazia (com muita ajuda!!!)

 

Pai de 2 adoptados

 

Então só mais uma perguntinha - Então e como é que o teu marido está a  reagir? Hiii Hiiii Hiiiii 

 

Futura mãe 2

 

Olha  eu ainda não sou mãe mas sempre que falo sobre isto a alguém e ainda por cima digo que nos candidatámos a 2 irmãos (sempre com a deixa que se fossem 3 também não fugia muito do nosso desejo, embora tenha consciencia de que à partida e sem experiência seja...muito, assim como uma gravidez seria, como vocês referiram) toda a gente fica de boca aberta e diz essas coisas todas de tão bons e que bem tão grande vcs estão a fazer e por aí em diante...

 

No meu simples entender é um exagero. A nossa vontade é tão grande e às vezes tão egoista quanto a deles mas também já estou como o ...., só respondo ou avanço com "explicações" quando acho que não vai cair em saco roto, de outra forma também já deixei de ter paciência não só para ouvir como para falar e depois ficarem igualmente com cara de parvos (desculpem mas é mesmo essa a expressão)! Além disso é mesmo o que a .... diz e é o que eu respondo: nós queremos e sabemos já que queremos, pelo menos 2...vou ser parva para passar pelas mãos daquela gente mais vezes do que o estritamente necessário????Nem pensar!!!!!!!!!

 

Mãe de 2

 

Mas acho que isto depende muito da forma como as pessoas encaram a maternidade/paternidade. No meu 1º dia da mãe que passei com eles fui à escola com as outras mães e lá pelo meio a prof. pediu às mães para escreverem 1s palavrinhas num cartãozinho para ficar de recordação. Eu escrevi qq coisa sobre a benção que eles eram na minha vida e como todos os dias aprendia coisas com eles que me faziam crescer como pessoa, etc.. e tal. A prof. ficou de boca aberta a olhar para aquilo pq a maior parte das outras mães punha a coisa na perspectiva contrária (elas é que ensinavam os miudos).

 

Mas essa conversa de que me admiram e tal.. Não há paciência!

Outra coisa que me tira do sério é qd me perguntam sobre eles... Não perguntam como é que eles estão (que é o que normalmente se pergunta qd se pergunta pelos filhos de alguém), perguntam: como é que está a correr? Como se não estivesse a correr bem nós os pudessemos devolver, corrigir, ou coisa assim... Claro que quando me perguntam isso eu devolvo um: "td bem. E com os teus? também td a correr bem? Algum problema?..."

 

No nosso caso às vezes ainda apanhamos pessoas que nos fazem perguntas sobre a "mãe verdadeira" e se eles se lembram dela e como está a ser a adaptação (eles estão connosco à 1 ano e oito meses) se eles nos tratam por pais e etc... 

Não há paciência!!!

 

Mãe de 1

 

...já ouvi os seguintes comentários:

- "desculpe, mas com quem é que ela á parecida?" ao que respondi muito seriamente se ela não tem os olhos iguais aos meus e o sorriso doce como o meu!!!

- "o pai é de cor"

- "que gira, veio de áfrica?"

- "ó filho anda ver uma menina como tu!" - olhei para o miúdo e ele era branco, "normal"...era adoptado!!!

- "não há a possibilidade da mãe biológica encontrá-la?"

- "pois é, ela dá trabalho, é como um filho..." - como um filho???? ela é minha filha!!!!!!


são perguntas de quem não sabe o que é adoptar, que talvez tenha um desejo ou seja mãe de maneira diferente...não sei.

e sim, fazem de mim uma raínha, uma santa, por ter adoptado, por ter adoptado sozinha, por ter adoptado em cabo verde. e dizem que saiu o totoloto à .... ao que eu sempre respondo que a mim me saiu o euromilhões.


bjs, haja paciência e sejamos muito felizes!!!!

 

 

E por fim, pai de 1

 

experimenta responder "se quizesse ser herói não tinha adoptado, apenas queria ser mãe" ;-)

 

Eu hoje passei por isto e tive que estar a explicar a uma das minhas colegas que não, que ter adoptado não faz de mim nem pior nem melhor que ninguém, só faz de mim pai... mas acho que ela não acreditou... 

 

haja paciência e que os nossos filhos sejam muito felizes!!!!

 

Jorge Soares

PS:Copiei isto sem autorização.... espero que ninguém se chateie.

PS2:Sim, é verdade, sou um pai babado

 

publicado às 21:59

Adopção, há coisas na justiça portuguesa que são surreais

 

Há uns tempos escrevi um post que tinha por titulo: Adopção:Sou mãe adoptiva - preciso desabafar,  e que aconselho a irem ler aqui, entre outras coisas aquela mãe dizia o seguinte:

 

"Eu e o meu marido, fizemos o nosso processo de adopção correctamente, através da Seg. social e estivemos quase cinco anos à espera que o telefone tocasse. Temos a viver connosco duas  irmãs já fez um ano. Quando vieram viver connosco, tinham sete e quatro anos. Recentemente, fomos à audiência para a adopção plena e qual não é o nosso espanto, quando o juiz nos diz que por ele estava tudo muito bem, mas que no nosso processo falta um documento - o da autorização dos pais biológicos - e que portanto tinha de pedir ao tribunal onde foi decretado que as crianças iam para adopção, que verificasse se se tinha extraviado, senão teria de mandar a GNR ir à procura dos pais biológicos para obter o seu consentimento!!!! (nesta altura do campeonato!)."

 

Recebi um mail da mesma mãe, que para além de me deixar muito feliz por ela e por aquelas duas crianças, me deixou perplexo, a forma como as coisas se terminaram por resolver é no mínimo surreal e mostra o quanto a nossa justiça mais que depender das leis, depende das pessoas e da forma como estas olham para os assuntos.. vejam lá se isto não é surreal?

 

 

Está tudo resolvido, a sentença já saiu e as alterações de nomes das meninas já seguiram para a conservatória!! 2ª feira já vou pedir as novas certidões de nascimento e fazer a marcação para emissão dos cartões únicos!!! Agora já ninguém mos tira!!!

Agora, quer saber como se resolveu tudo?? Depois daquele inferno para o qual nos vimos violentamente atirados, tivemos a felicidade da juíza ir de licença de parto e o Juiz que ficou com o nosso caso decidir logo que a adopção plena estava decretada!! Já viu?? É óbvio que nós ficámos felicíssimos, mas não deixo de pensar como é incrível poder haver duas decisões tão diferentes, como pode ser uma questão de sorte ou azar, cair nas mãos de um juiz ou de outro!!! Se a senhora não tem ido de licença, nós ficávamos numa situação inacreditável, porque, para cúmulo, como se já não bastasse o medo de qual seria a reacção da mãe biológica, não nos era facultada qualquer informação!! 

 

Eu sei a angustia porque passaram estes pais, nós passamos por algo muito parecido no nosso primeiro processo de adopção, e sei o que pode doer a incerteza do que poderá acontecer... este tipo de coisas não deveria acontecer, é evidente que as leis devem ser cumpridas, mas será que há algum motivo para fazer sofrer as pessoas desta forma?

 

Jorge Soares

 

 

publicado às 12:00

Adopção:Sou mãe adoptiva - preciso desabafar

por Jorge Soares, em 20.07.09

Adopção

 

 

Um destes dias recebi este email:

 

"Caro Jorge, descobri o seu e-mail no seu blog. Parece-me uma pessoa muito bem informada sobre esta temática (a adopção).


Eu e o meu marido, fizemos o nosso processo de adopção correctamente, através da Seg. social e estivemos quase cinco anos à espera que o telefone tocasse. Temos a viver connosco duas  irmãs já fez um ano. Quando vieram viver connosco, tinham sete e quatro anos. Recentemente, fomos à audiência para a adopção plena e qual não é o nosso espanto, quando o juiz nos diz que por ele estava tudo muito bem, mas que no nosso processo falta um documento - o da autorização dos pais biológicos - e que portanto tinha de pedir ao tribunal onde foi decretado que as crianças iam para adopção, que verificasse se se tinha extraviado, senão teria de mandar a GNR ir à procura dos pais biológicos para obter o seu consentimento!!!! (nesta altura do campeonato!).


Ficámos em estado de choque, mas com esperança de que o tal documento aparecesse, parecia-nos irreal que a incompetência ocorrida fosse para além do extravio de um documento - como é que o juiz original pode ter decretado a adopção e a seg. social ter-nos entregue as miúdas, sem existir o tal papel??!!! No entanto, agora não sabemos em que pé estão as coisas, porque o processo está em segredo de justiça, e não o podemos consultar, nem acompanhar que diligências estão a ser tomadas! Ficamos assim com a nossa vida em suspenso sem saber se neste momento estão a relembrar aquela senhora de que teve dois filhos, sem saber qual a reacção dela... isto se a encontrarem, e se não a encontrarem? quanto tempo levam a desistir de procurar? quanto tempo vamos ficar à espera, admitindo que no fim tudo vai correr bem?

Desculpe o desabafo, nem o conheço, mas não conheço ninguém que tenha adoptado, e parece-me que a nossa situação é absurda,......."

 

Quando terminei de ler o mail fiquei com um nó na garganta, porque eu sei a dor que uma situação destas causa,..eu sei a dor destes  pais, eu sei, passei por isso....... mas já falarei disso, para já deixo-vos com este apelo desta mãe, em forma de reflexão.

 

Agora só falta mesmo que encontrem os senhores, que estão há anos sem ver as crianças, e eles decidam que não autorizam e que depois vão  acampar para a porta do tribunal e levem a comunicação social atrás.

 

Há coisas pelas que as pessoas não deveriam ter que passar, e a dor da perspectiva de podermos perder um filho é algo que definitivamente ninguém merece passar, e muito menos assim, pela estupidez das pessoas...

 

 Jorge Soares

 

PS:Email copiado com autorização, alterei pequenas coisas de modo a evitar a identificação de pessoas e crianças.

 

 

publicado às 21:26

Socorrooooooo!

por Jorge Soares, em 17.05.09

Com o Magalhães a servir de máquina fotográfica

 

Vai fazer um ano que num post em que falava de genes e de mulheres escrevi o seguinte:

 

Por vezes pergunto-me como é que a natureza faz para entre os genes do pai e da mãe, escolher os conjuntos certos para um determinado filho. Como é que faz para entre todas as características contidas no genoma humano, escolher precisamente aqueles genes  e não outros.

 

Cá em casa tenho duas mulheres, que não podiam ser mais parecidas uma com a outra, nas virtudes.....e sobretudo nos defeitos.... como é que é possível que a filha tenha herdado todos os defeitos da mãe...... e ainda por cima, tenha misturado com os defeitos do pai?

 

Ter filhos é muito complicado, muito mesmo, longe de melhorar, a guerra entre a rainha e a princesa cá de casa, piora dia a dia, e claro que à medida que a guerra vai aumentando de tom, o meu papel de árbitro vai sendo mais e mais solicitado... o pior é que eu não tenho jeito nenhum para a diplomacia e convenhamos, que não é lá muito bom para a minha saúde meter-me no meio de duas guerreiras de garras afiadas.

 

Por norma tenho a mãe a queixar-se de que eu não faço nada e de que não a apoio, a verdade é que a mim a miúda raramente me responde assim, e também é verdade que eu sou muito mais duro com o N. que com a ela, o que não abona nada em meu favor... mas também é verdade que ela não faz 10% das asneiras.... tem é a língua mais afiada, especialmente com a mãe.

 

Há alturas em que me sinto perdido, sem saber se dar um berro e mandar ambas terem juízo, ou fugir porta fora antes que sobre para mim, depois dou por mim a pensar onde ficou aquela menina doce e amorosa, aquela miúda de que todo o mundo gostava e que a maioria das pessoas diziam que era uma criança que parecia estar sempre de bem com o mundo? 

 

Porque é que os nossos filhos crescem?.. e porque é que com eles crescem de forma acentuada os nossos defeitos e não as nossas virtudes?, ou será que como nos vemos ao espelho somos muito mais exigentes com eles porque queremos que eles sejam melhores que nós?

 

Vida complicada a de pai!

 

Jorge

 

 

publicado às 22:09

Ainda sobre a licença parental

por Jorge Soares, em 08.02.09

Adopção

 

Depois de ler a generalidade dos comentários ao meu post da semana passada em que falava da licença parental, a conclusão a que chegamos é que existe em Portugal um problema de cultura e mentalidade. 

 

Na Sexta Feira voltei a ouvir o programa A Viagem da Cegonha, nesse dia, decidiram ir à procura de casais grávidos e perguntar o que achavam da partilha do período de licença parental e o que iam fazer.

 

Entrevistaram alguns casais e em todos os casos as mulheres dizem que vão tirar os 5 meses elas e nem colocam a hipótese de o marido o fazer. Depois as pessoas escusam-se nas dificuldades profissionais e na resistência das empresas em aceder a que os homens gozem a licença. Havendo uma das grávidas que disse que ela ia gozar os 5 meses mas que o país deveria criar mecanismos para obrigar as empresas a cederem..... 

 

A mim parece-me que o problema começa logo porque as mulheres sentem que é um direito delas e não estão dispostas a abdicar disso. Quanto aos mecanismos para obrigar as empresas a cederem os direitos das pessoas, esses mecanismos existem, a mesma lei que diz que a mulher tem direito aos 5 meses, é a que diz que os homens podem tirar uma parte.... ora, se conseguimos convencer as empresas a cederem os direitos à mulher, porque é que não as conseguimos convencer a ceder os direitos ao homem?

 

Todos criticamos as empresas que não contratam mulheres porque elas vão engravidar e ficar de licença, mas quando aparece uma possibilidade que vai fazer com que esta discriminação diminua, são as próprias mulheres que se aferram aos 5 meses... não percebo.

 

Como diz a Sónia Morais Santos na conclusão do programa, há um longo caminho a percorrer, mas disto tudo e de alguns comentários que recebi, a mim parece-me que o principal problema vai ser convencer as mulheres a abdicar de algum do tempo... porque para convencer as empresas,..existe a lei. 

 

Já agora, como podemos ler no Cocó na Fralda, a Sónia Morais Santos está grávida.... será que ela vai partilhar a licença parental?

 

Jorge

publicado às 22:01


Ó pra mim!

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