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Curiosamente descobri a reportagem porque alguém  ligou para a R. a dizer que ela estava na televisão, ela é a que não é adoptada mas a vida é feita de coincidências. O programa foi gravado em época de férias universitárias e tiveram que arranjar miúdos para estar na aula com o Jorge, ela andava pelo ISEL naquela altura e lá foi fazer de aluna universitária.

 

A mim, como à maioria das pessoas que adoptou faz-nos sempre muita confusão ver como há pessoas que aceitam expor daquela forma a sua vida e nesta reportagem há muita gente que se expôs, o Jorge, os pais adoptivos, os pais biológicos... mas não era disso que queria falar.

 

Querer saber do seu passado e das suas origens é algo natural em todas as crianças adoptadas, mais tarde ou mais cedo todos passam por isso e é algo para o que os pais adoptivos temos que estar preparados. Cada criança é um caso e cada uma enfrenta o assunto de forma diferente, havendo quem comece a questionar mal dá  pelas diferenças e quem tente fugir ao assunto de modo a que ele não exista.

 

Cá em casa temos as duas versões, o curioso que chegava ao ponto de quando se chateava dizer que ia para a outra família e a que simplesmente ignora o assunto e até foge quando se fala de adopção.

 

A reportagem pode dar a ideia errada de que não é difícil encontrar os pais adoptivos, convém recordar que a grande maioria das crianças são retiradas à família biológica e muitas  vezes não há mesmo forma de saber de onde vieram, porque com o tempo as pessoas mudam de vida e de sitio e perdem-se as referências ou porque muitas vezes os pais adoptivos ou não sabem ou não querem dizer que sabem  

 

Aliás, se virmos com atenção, quem termina por encontrar a família do Jorge é a TVI, já agora gostava de saber como lá chegaram, convém recordar que estamos a falar de informação supostamente está protegida por lei.

 

Ninguém quer reconhecer, mas a nós pais este tema é algo que nos causa sempre alguma angustia, afinal é dos nossos filhos que se fala e pensar que eles possam querer saber de outros pais, de outra família, não é algo que se aceite com facilidade. Não há mãe nenhuma que aceite que os seus filhos possam ter outra mãe, a outra senhora, a que os pariu, é a progenitora, não é a mãe, mãe só há uma e essa é a que os criou...  E há mesmo  pais que se puderem evitar não dizem nem aos filhos nem a ninguém que aquela criança é adoptada.

 

Curiosamente isto foi tema de conversa no facebook logo a seguir à reportagem, alguém tentava confortar uma mãe incomodada com o que viu na reportagem, dizendo que o carinho que ela dava aos seus filhos iria fazer com que isso não lhe acontecesse... 

 

A verdade é que podemos dar todo o carinho do mundo, podemos educar e criar, fazer tudo por eles, dar-lhes tudo e todo o carinho do mundo,  mas tal como bem explicava o Jorge na reportagem, nada disso irá fazer a diferença, no fim, mais tarde ou mais cedo todos vão tentar fazer essa viagem.... mas também podemos ter a certeza que passado o momento, vai haver sempre uma volta, porque não há novidade que se sobreponha ao amor.

 

Jorge Soares

 

PS:Quem não viu pode ver aqui

publicado às 22:22


3 comentários

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De Tânia a 16.10.2015 às 12:20

Gostei! concordo plenamente...
Não podemos ter receio de adotar por ter medo que a criança um dia queira descobrir as suas origens biológicas. Como tu dizes, o amor sobrepõe-se a qualquer coisa!

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