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assunção cristas.jpg

 

"De que adianta falar de motivos?

Às vezes basta um só,

às vezes nem juntando todos"

José Saramago

 

"faz sentido olhar para estes critérios" - usados para definir os contratos de associação - "e decidir se, nalguns casos, não deve ser a escola privada ou do setor cooperativo a ser sacrificada, mas deve ser a escola pública que, claramente, não [deve] abrir mais uma turma"

 

Desde ontem que anda a circular um vídeo da manifestação do fim de semana em que um grupo de meninos usa um slogan singular : "Cá não há misturas é tudo boa gente""  Pois é, não há misturas, e aqui reside um dos principais problemas dos contratos de associação, não há misturas e não há os mesmos direitos para todos... os luxos e privilégios são só para alguns, só os filhos de boa gente, escolhidos a dedo e de preferência bons alunos, não há colégio fino que se preze que não queira  ficar bem naquela aberração que se chama ranking das escolas.

 

Assunção Cristas veio agora defender que se é para sacrificar que se sacrifique a escola pública.  Assunção Cristas esteve no governo uma legislatura inteira, o mesmo governo que fechou centenas de escolas pelo país todo e que de uma penada decidiu terminar com o programa de reabilitação e acondicionamento de escolas que tinha transitado dos governos anteriores.

 

Bom ou mau, a verdade é que foi graças a esse programa que centenas de escolas viram as suas condições melhorarem, infelizmente, como esse programa foi simplesmente cancelado pelo governo anterior, existem muitas outras centenas onde tudo está por fazer.

 

Agora percebemos porquê, para que gastar dinheiro em escolas onde cabem todos? Pobres, ricos, brancos, negros, ciganos, emigrantes, refugiados, se esse dinheiro é necessário para manter abertos e com todos os luxos os colégios onde vão os meninos bons e onde não há misturas?

 

Eu não tenho nada contra os colégios privados, acho que quem tem possibilidades pode e deve escolher o tipo de educação que quer dar aos seus filhos, felizmente somos um país livre e democrático, se as pessoas acham que o melhor é um colégio privado e o podem pagar, estão no seu direito. 

 

O que eu não percebo mesmo é porque tem que ser o governo a pagar a existência desses colégios quando o dinheiro pode e deve ser aplicado em melhorar a qualidade do ensino público, aquele onde felizmente há misturas e onde devem caber todos, até  mesmo os que não são filhos de boa gente.... porque as crianças não conseguem escolher os pais que lhes cabem em sorte.

 

Há milhares de empresas privadas em Portugal, são elas que dão emprego aos portugueses e garantem o funcionamento da  economia, essas empresas, pelo menos a maioria, sobrevivem com o que produzem e não estão à espera de que seja o estado com os impostos de todos nós, a financiar os seu funcionamento, porque é que os colégios finos hão de ser diferentes de outra empresa qualquer?

 

Jorge Soares

 

publicado às 23:25


44 comentários

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De MM a 01.06.2016 às 02:20

Não consegui deixar de comentar. É muita desinformação.
Só para enquadramento: sou contra os contratos de associação onde há vagas em escolas públicas.
No entanto muito me espanta dizer que em 2011 foram investidos 15 milhões numa só (só uma, apenas 1!!) escola, em Loures. Consigo garantir que isso é mentira, nenhuma escola custa 15 milhões em reabilitação/ampliação, só para referencia, uma EB 2/3 nova (sim, nova!) roda os 4 milhões. Em Loures só se fez nos últimos anos 1 escola EB2/3 nova, todas as outras intervenções foram de reabilitação/ampliação, logo muito menos onerosas que uma escola nova, obviamente.
Quanto à menina, situação sempre de lamentar, mas aconteceu fora da escola, no percurso casa/escola, onde não é sequer justo responsabilizar a escola (e os seus funcionários, dos auxiliares aos professores) que, por ser pública, não cuida dos alunos que a frequentam.
Também sei muito bem que as escolas públicas em zonas problemáticas, como na Apelação ou na Quinta do Mocho, não são fáceis de gerir, nem tão pouco fáceis de trabalhar. Mas sei igualmente que têm uma comunidade de professores e auxiliares que verdadeiramente se preocupam com as crianças, conhecem os seus contextos familiares, e confesso que fiquei verdadeiramente emocionada com a preocupação e empenho que a equipa de educadoras do Jardim de Infância da Apelação (localizado mesmo no centro do bairro) demonstra com as crianças que o frequentam, todas do mesmo bairro. Sensíveis ao ambiente familiar que têm e procurando todos os dias transmitir tudo o que de melhor têm para lhes dar, na esperança que no futuro a vida lhes seja menos madrasta.
É só isto. Nem tudo é mau no público, por vezes até nos sítios mais improváveis encontramos profissionais excepcionais.
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De Anónimo a 01.06.2016 às 09:48

A escola em questão trata-se da ESCOLA BÁSICA E SECUNDÁRIA D. MARTINHO VAZ DE CASTELO BRANCO (povoa de santa iria) os numeros da requalificação foram adiantados pelo CM (com uma pesquisa no google chega á noticia)

note-se qua não sou propriamente defensor que o estado delegue as suas responsabilidade no sector privado, sou até céptico em relação ao assunto. mas entre construir escolas publicas em áreas onde não está previsto crescimento demográfico apenas para favorecer empresas de construção ou liberalizar os contratos associativos para ajudar grupos de colégios privado acho que certamente se consegue um meio termo desprovido de ideologías políticas que sirva a todos.

cumprimentos
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De MM a 01.06.2016 às 14:34

Boa tarde,
Só como esclarecimento, a escola referida pertence ao município de Vila Franca de Xira, não de Loures. Compreendo a confusão, pois fica mesmo no limite do concelho. E a obra foi promovida pela Parque Escolar, não pelo Município, daí o valor exorbitante, pois os municípios não costumam ter empreitadas tão avultadas em escolas.
Quanto à questão da construção de escolas em zonas com pouco crescimento demográfico, concordo com o que refere. E mais um motivo para ao longo do tempo, exactamente pela redução demográfica que vivemos, que os contratos de associação vão reduzindo, pois cada vez mais se esbate a diferença de vagas nas escolas estatais e a quantidade de crianças residentes na área.
Cumprimentos

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