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Deus não existe, ponto final!

por Jorge Soares, em 10.12.15

solidao.jpg

Imagem retirada da internet

 

O post de ontem deu muito que falar, pelos vistos um ateu é capaz de chatear muita gente (tanta intolerância) e gerar muitas  opiniões, já que estamos numa de recordações, o texto seguinte é de 11 de Dezembro de 2008 (aqui).

 

A propósito do post sobre o natal que escrevi há dois dias, recebi o seguinte comentário por email:

 

 "Espertinho o menino!...  "como é o vosso natal, falem-me do vosso natal..." ;-)) Ora nega lá que o que esperas mesmo é ver aí a malta  a dissertar sobre o primeiro parágrafo..."

 

O primeiro parágrafo falava sobre o facto de eu ser ateu e de "deus não existe, ponto final". A minha amiga Linda achou que o resto do post era para encher e que o verdadeiro motivo era este... pois não, a minha ideia era tentar perceber os sentimentos das pessoas sobre o natal... aquele parágrafo era só para explicar o contexto do meu sentimento sobre o natal.

 

Mas ela dizia mais, dizia o seguinte:

 

"Sabes que eu acho um nadinha pretensioso esse teu jeito de afirmar; "sou ateu, Deus não existe e ponto final"

Na minha modesta opinião, alguém que como tu, perentóriamente, se afirme assim, tem de provar que Deus não existe."

 

Qualquer tentativa de demonstração da existência ou não de deus é tempo perdido, porque algures vai esbarrar no "É uma questão de fé"... e isso é algo que não tem discussão. Sou sincero, eu não consigo perceber qualquer argumento que comece ou termine em, "é uma questão de fé", e portanto resta-me um só caminho, deus não existe, ponto final.

 

Fui batizado e educado na religião católica, catequese e comunhão solene incluida. Um dia dei por mim a pensar que aquilo não fazia sentido, primeiro deixou de fazer sentido tudo o que dizia respeito à igreja, a católica ou qualquer outra, aquele deus capaz de perdoar e de castigar, Jesus, a virgem, os santos, a criação, o pecado, nada fazia sentido. Com o tempo o próprio conceito de deus deixou de fazer sentido.

 

Dei por mim a pensar que as pessoas precisam de um deus porque se sentem sós, porque não conseguem encontrar carinho e apoio em quem os rodeia. O conceito de deus existe porque falhamos como seres humanos, porque não somos capazes de ajudar e apoiar as pessoas que estão à nossa volta. Muita gente se escuda na fé, vão à igreja, rezam, acreditam, mas não são capazes de dar um bocadinho de si para tornar mais leve e mais feliz a vida de quem os rodeia. Deus é tantas vezes a ultima esperança, porque já batemos a muitas portas e elas não se abriram, porque já apelamos a muitos sentimentos e só recebemos o vazio como resposta, ou porque já batemos tantas vezes com a cabeça na parede e não fomos capazes de aceitar a ajuda que se nos oferecia, que já não há quem seja capaz de nos ajudar.... nessa altura, deus é a resposta. Quando todas as pessoas à nossa volta nos falharam ou quando nós próprios falhamos, resta-nos a fé.

 

Devemos ter fé sim, mas é em nós, nas nossas capacidades e nas das pessoas de quem gostamos e devemos ter a humildade de suficiente para aceitar que somos simplesmente humanos e que por vezes precisamos de ajuda. A vida é dar e receber, mas é dar e receber de seres humanos como nós, não de um qualquer deus. Os primeiros humanos chamavam deus a tudo o que não conseguiam explicar, com o tempo tudo se foi explicando, agora, chamamos deus à nossa solidão.

 

Pronto, e agora podem dissertar à vontade.... sobre, deus não existe, ponto final!

 

           NATAL
"Leio o teu nome
Na página da noite:
Menino Deus...
E fico a meditar
No milagre dobrado
De ser Deus e ser menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?
Todos dias nascem
Meninos pobres em currais de gado.
Crianças que são ânsias alargadas
De horizontes pequenos.
Humanas alvoradas...
A divindade é o menos."
 
Miguel Torga 
(Obrigado Linda)

 

Jorge Soares

 

publicado às 22:32


1 comentário

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De Anónimo a 10.12.2015 às 23:10

e para acabar a dissertaçao, existe este mundo as coisas os seres. Ha seres que começam a existir ou deixam de existir, os entes contingentes, estes entes que têm a possibilidade de não existir, de não ser, em algum tempo não existiam, é impossível que tenham sempre existido.Se os entes têm a possibilidade de não ser, não ter existido em algum tempo nenhum desses entes existia. se nada existia, nada existiria hoje, aquilo que não existe não pode passar a existir por si mesmo. O que existe só pode começar a existir em virtude de um outro ente já existente, nada existindo, nada existiria. O que não é verdade, visto que as coisas os seres contingentes agora existem.Por isso não é verdade que nada existisse. Alguma coisa teria necessariamente que existir para dar, depois, existência aos entes contingentes, este ser necessário ou tem em si mesmo a razão de sua existência ou a tem de outro. Se a sua necessidade de existir dependesse de outro, formar-se-ia uma série indefinida de necessidades, este ser tem a razão de sua necessidade existencial em si mesmo.

Há coisas que mudam, uma pessoa ve isso a nossa volta,mas é impossível que uma coisa seja motor e móvel ao mesmo tempo e para a mesma perfeição. É impossível, pois, que uma coisa se mude a si mesma, tudo o que muda é mudado por outro, tudo o que se move é movido por outro. O movimento tem que partir de um ser ou ente que seja apenas acto,que tenha apenas potencia, mas a sequência de movimentos em tempo e espaço finitos tem que ser finita, o universo é finito no tempo pela teoria do Big Bang e a lei da entropia. O universo principiou e terá fim, não é infinito no tempo, esse primeiro ente não podia ter potência passiva nenhuma, porque se tivesse alguma ele seria movido por um anterior. Logo, o primeiro ente só tem acto. Ele é apenas acto,

Num axioma, não há efeitos sem causas, procurando a causa de tudo o que não é obra do homem a nossa razão terá que responder, portanto, o conhecimento não pode encontrar outra conclusão, senão a de que deus ou a força motriz criadora do universo existe. Por isso racionalmente pode-se chegar a conclusão da existencia de deus. o senhor não se consegue é livrar ddo conceito de um deus antropomorfico dos sentimentos de um deus humano.

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