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O direito a fazer-se à vida

por Jorge Soares, em 02.09.15

refugiados.jpg

 

Imagem de aqui

 

Hoje de manhã enquanto ouvia a noticia de que a câmara de Lisboa está disposta a disponibilizar dinheiro e meios para apoiar refugiados que cheguem a Portugal, fiquei a pensar quanto tempo demoraria até ouvir alguém dizer que deveriam gastar esse dinheiro para ajudar pessoas de cá.... não demorou muito, à hora do almoço alguém tinha colocado a noticia no Facebook e lá estava a frase "Deveriam era usar esse dinheiro para ajudar portugueses"

 

Passei uns dias de férias na Croácia, a pouca televisão que vi foi principalmente canais de noticias em especial italianos, que passavam horas e horas a falar e a debater o drama dos migrantes e refugiados... talvez porque eles e os Gregos são quem não pode fugir ao assunto... não há como devolver as pessoas ao mar, só lhes resta tentar encontrar uma solução.

 

O que se tem visto nos últimos dias é para mim que sou Europeu e já estive no papel do emigrante que tem que sair do seu país para poder ter uma vida decente, vergonhoso. A maioria dos europeus olha para este problema como se não fosse seu, esquecem que é de seres humano que estamos a falar, de pessoas que por um motivo ou outro tiveram que deixar tudo para trás e muitas vezes colocando em perigo as suas vidas e as dos seus, ir à procura de um sitio onde se lhes permita viver.

 

Hoje alguém dizia que a ideia do espaço Schenguen tem os dias contados, que esta crise irá fazer com que os países se voltem a fechar dentro das suas fronteiras.... se calhar tem razão.... mas servirá de quê?

 

Nos anos 60 e 70 Havia muitas fronteiras na Europa, isso por acaso impediu que milhões de portugueses chegassem à França, à Suíça, à Alemanha, ao Luxemburgo? É claro que não, não impediu na altura e não irá de certeza impedir agora.... quando as pessoas estão desesperadas e se querem fazer à vida, não há fronteiras que as impeçam.

 

A Europa tem a memória curta, não foi assim há tanto tempo que estiveram no papel de quem agora cá chega, quantos irlandeses, ingleses, gregos, polacos, húngaros, etc, etc, há nos estados Unidos? Quantos Portugueses, espanhóis, Italianos, turcos, há na América do Sul?.... Já fomos ajudados e bem recebidos por todo o mundo, agora é a nossa vez de ajudar, não?

 

Há quem diga que nos últimos 4 anos mais de 200 mil jovens portugueses tiveram que emigrar... e se tivessem erguido muros para que eles não pudessem passar as fronteiras?

 

Jorge Soares

publicado às 22:27


5 comentários

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De Daniel a 03.09.2015 às 16:40

Espero que todos os que comentaram a favor de um abrir de portas escancarado para esta gente,sejam os primeiros a dirigir-se as entidades oficias oferecendo a sua casa para abrigar estes desgraçados e disponibilizarem-se para os sustentar a troco de nada!
Já agora façam também um pequeno execicio mental.
Se fosse ao contrário, Europeus a fugir na direcção dos paises de onde vem esta vaga de refugiados, será que nos iam aceitar tal como somos??
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De Jorge Soares a 03.09.2015 às 17:20

Esqueci uma parte, quando a minha família teve que emigrar não houve quem abrisse as portas, tivemos que ser nós a fazer com que elas se abrissem... é isso mesmo que esta gente toda quer, que lhes permitam ter uma vida em que possam construir o seu futuro.

Jorge Soares
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De Anonimo a 03.09.2015 às 21:29

Emigrar e uma coisa, multidoes a atravessar fronteiras a querer ir "exigir" ir para alemanha ou inglaterra (sao pobres) mas pedem a rica, nao sao emigrantes, sao gente que foge de algo que de outro modo nao fugia. O problema esta na terra deles mas nos temos que arcar com as consequencias, enquanto o isis continua a sua selvageria nos indignamo-nos com os mortos, e achamos que a europa e que tem que resolver o problema e nao o mundo, haja paciencia. Esta e a melhor entrada do isis na europa se ja tinhamos problemas com estas pessoas de segurança e terrorismo, que nao se integram e mantem os seus costumes e religiao imaginemos daqui a uns anos a situaçao explosiva que daqui pode vir, chamem-lhe racismo ou o que quiserem mas nao podemos acolher todos os que querem vir, criamos estruturas e apoios sociais que ja mal chegam para nos, imaginem entao acolher todos os que quiserem vir para ca.

Comparar isto com emigraçao e com os nossos emigrantes so por brincadeira.
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De Jorge Soares a 03.09.2015 às 22:57

E a sua solução é fechar a fronteira e deixar que o ISIS as mate a todas?

Jorge Soares
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De Anonimo a 03.09.2015 às 23:05

Nao, mas como se fez nas outras guerras aos refugiados? repartiam-se por algum continente? ou criaram-se campos de refugiados supervisionados pela onu nas proximidades e uma vez acabada a guerra voltavam a casa,

A sua ilusao de que depois de acolhidos por um pais vao voltar ao seu destino de partida nao passa disso uma ilusao.

Compreendo o drama humanitario e esse e o problema mais urgente,por isso talvez o nao incentivo a virem mais seria o acolhimento num campo de refugiados.

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