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O nosso futuro é isto?

por Jorge Soares, em 06.05.14

Cecília Gonçalves

 

Imagem do Público

 

O assunto é a praxe e é tratado no Público há opiniões a favor e em contra e ideias para todos os gostos, a menina da fotografia chama-se Cecília Gonçalves e tem umas ideias no mínimo originais, podem ouvir aqui, senão vejamos:

 

“ ... a praxe não é humilhação mas está presente … é normal, é aceitável, é compreensível”;
“ao longos das nossas vidas vamos ser humilhados das mais diversas formas”;
“um dia, num futuro emprego, o meu patrão poderá chamar-me de incompetente e eu terei de saber aceitá-lo”;
“os nossos professores chamam-nos ignorantes e nós temos de limitarmo-nos aos silêncio”;
“a praxe ensina-nos (…) que na vida há uma hierarquia natural e que nós vamos ter de aceitá-la”;
“a praxe ensina-nos (…) a igualdade para com os nossos semelhantes caloiros e a desigualdade perante o superior“;
“Todos os anos morrem pessoas afogadas em rios (…) e até nas suas banheiras”;
“Eles morreram na sequência de uma onda e não no ritual de praxe porque embora estivessem numa actividade praxista, podiam não o estar e morrerem na mesma”;
-“A praxe envolve humilhação, envolve gritos, envolve estar de quatro (…)”;

 

Se repararmos bem ela começa por dizer que a praxe não é humilhação, mas depois passa uma boa parte do tempo a explicar como devemos aceitar ser humilhados ao longo da vida, já seja pelos colegas mais velhos, pelos professores ou pelos patrões... segundo ela,  a praxe não é humilhação, mas se fosse era a mesma coisa.

 

Para ela existe uma hierarquia natural e portanto ser humilhado pelos "superiores" também é natural... aposto que era isso que ensinavam aos escravos, ou aos negros quando havia apartheid na África do Sul.

 

Resta saber onde está para ela o limite da hierarquia, até onde pode chegar a humilhação?

 

Triste mesmo é que é este o futuro do nosso país, ela é estudante universitária, é suposto ter educação, é suposto saber articular duas frases de jeito, é suposto ter capacidade para pensar que a humilhação não é aceitável não só nas praxes como em tudo o resto da vida...

 

Não sei se ela terá grande futuro como estudante ou profissional, mas de certeza que haverá algures um psiquiatra qualquer que lhe explique que o que ela sente se chama masoquismo.... e é só mais uma forma de ir pela vida, não é nem pode ser o normal da sociedade em que vivemos.

 

Jorge Soares

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publicado às 16:36


8 comentários

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De Pedro Silva a 06.05.2014 às 19:19

Grande Jorge eu sobre este assunto já fiz correr muita tinta e cansei-me de falar nisto, mas como tenho uma enorme consideração pela tua pessoa vou abrir uma pequena execpção.

Eu participei neste trabalho do Jornal Público. Jornal que diga-se de passagem não convive lá muito bem com este fenómeno de nome Praxe (basta ver o que foi este publicando sobre o caso do Meco e o que escreveram os seus Cronistas sobre a Praxe), mas o meu depoimento ficou de fora.

Talvez por ser demasiado light e verdadeiro o que eu relatei não lhes interessou. Já certos depoimentos que roçam a estupidez como "estourei com dois ovos na cabeça do Presidente da Associação de Estudantes" ou "a Praxe foi o dia mais divertido e nojento da minha Vida" foram publicados. O que me leva a perceber que o Jornal não estava muito interessado senão no disparate pegado porque, infelizmente é o que vende,

“ao longos das nossas vidas vamos ser humilhados das mais diversas formas”;
“um dia, num futuro emprego, o meu patrão poderá chamar-me de incompetente e eu terei de saber aceitá-lo”;
“os nossos professores chamam-nos ignorantes e nós temos de limitarmo-nos aos silêncio”;

E isto meu caro amigo, infelizmente é uma dura realidade.

Lembro-me que certa vez numa Assembleia Geral de Estudantes resolvi expor a forma abusiva como um Professor dava as suas aulas ditando a matéria durante três horas e no final quase que me bateram e disseram-me que não podiam fazer nada.

Tive também outro Professor que só passava os Alunos à Cadeira se esta fosse a última de que necessitavam para terminar a sua Licenciatura.

Houve outro que publicou as notas do exame e depois foi de férias deixando a questão da correcção e revisão de prova para Setembro e quem quis fazer o recurso lixou-se porque o professor foi de férias...

Todas estas situações eram do conhecimento das Autoridades Competentes. Alguém fez alguma coisa perante esta constante humilhação dos Alunos? Não. O remédio era comer e calar.

No meu estágio profissional passei por coisas muito más. Expus a quem de direito e ainda tive direito a um Procedimento Disciplinar que terminou com uma chamada de atenção.

Como vês a lógica da rapariga não é assim tão distorcida como parece.

E quanto ao resto não generalizes. Eu fui Praxista durante o meu tempo de Curso e não me arrependo de nada e nunca fiz cenas rídiculas nem humilhei seja quem for.

Como tudo na Vida há gente estúpida, outra menos estúpida, sensata, menos sensata, etc., etc.

Aquele abraço!!!
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De Jorge Soares a 06.05.2014 às 22:57

Pedro, eu também já aqui falei várias vezes sobre as praxes ... e diga-se de passagem que eu também não sou dos apologistas da coisa... não é que a devam proibir, mas sim deve haver quem ponha mão nos muitos abusos que se cometem

Propositadamente tentei passar ao lado do tema, não é isso que interessa no que diz a moçoila, o que interessa é o conteúdo vazio e a enorme enxurrada de parvoíces.

Sabes qual é a diferença entre tu ou eu e ela? Tal como tu também a mim já me aconteceu fazer queixas de professores, eu passei pela universidade duas vezes e de ambas as vezes decidi que não me ia calar ante atropelos de professores...

Para ela o normal é que os professores abusem e humilhem os alunos e isso não é motivo de indignação.

Talvez nem tu nem eu tenhamos ganho grande coisa com as queixas, mas pelo menos ficamos com a nossa consciência limpa e ambos sabemos que o normal não é as pessoas serem humilhadas, o normal é que as pessoas actuem com respeito pelo outro, e isso deve ser verdade sempre ao longo das nossas vidas... praxes incluídas digo eu.

Abraço
Jorge

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De Bento 2014 a 06.05.2014 às 22:17

"Doutores na asneira, na ciência burros". Os analfabetos estruturais do século passado tinham mais sabedoria que os analfabetos funcionais do nosso tempo. E o futuro parece prometer engrossar este caudal poluente intragável.
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De Jorge Soares a 06.05.2014 às 22:57

Disso não há duvida nenhuma, e é cada vez mais verdade.

Jorge Soares
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De Estrabucha a 07.05.2014 às 12:16

Na vida há uma hierarquia natural sim senhora, concordo com a Cecília. Mas é triste que a Cecília o tenha percebido na praxe e não em casa, quando os nossos pais são os nossos primeiros superiores hierárquicos. A culpa não é só das Cecilias, a culpa também é dos pais que criam os miúdos assim.
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De Jorge Soares a 07.05.2014 às 22:39

Uma coisa é a hierarquia, é evidente que em quase tudo na vida há hierarquias, e outra muita diferente é o respeito, ou a falta dele, pelos nossos semelhantes.

Acho que a jovem e muita gente neste país, confunde hierarquia e comando com prepotência e humilhação. Mas concordo, tudo isto faz parte da enorme falta de educação cívica que cada vez mais assola este país....


Jorge
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De naterradosplatanos a 07.05.2014 às 19:23

Tanta aleivosia! Bem merece (só ela!) que lhe apareça pela vida tudo o que ela agora não rejeita. Sou mãzinha, eu sei mas merece que eu lhe deseje isto!
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De Jorge Soares a 07.05.2014 às 22:40

Concordo... há gente que merece o que lhe acontece, porque se pôs a jeito.

Jorge

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