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Mandela

 

Imagem de Pontos de Vista

 

Haverá poucos homens no mundo que tenham dado tanto pelos seus e pelo seu país. Durante mais de 20 anos liderou uma campanha pacífica e não violenta contra o Governo da África do Sul e as suas políticas racistas. Com Oliver Tambo depois fundou um escritório de advocacia que dava aconselhamento a negros que não dispunham de representação.


Foi preso em 1956 junto com mais 150 pessoas e passou 27 anos da sua vida preso, tornou-se o prisioneiro mais famoso do mundo e mesmo de dentro da prisão nunca deixou de lutar pela liberdade dos seus. Ao fim de todo este tempo  surgiu como o líder do ANC (Congresso Nacional Africano)  e liderou este partido  para conduzir a transição da África do Sul para a democracia e a igualdade após 46 anos de um regime baseado no racismo e na segregação racial.


Foi o primeiro presidente da África do Sul eleito democraticamente e o primeiro presidente negro, em 1993 ganhou o Nobel da Paz. O Dia Nelson Mandela foi instituído em 2009 para celebrar a sua vida e a chamada à acção que fez ao longo da sua vida. Celebra-se a 18 de Julho e, propositadamente, não é um feriado para que inspire todas as pessoas em todo o mundo a trabalharem pelos valores que Nelson Mandela defendeu ao longo de toda a sua vida.

Hoje o mundo ficou mais pobre, morreu Madiba, um símbolo da democracia, da liberdade, da igualdade, o seu exemplo perdurará para sempre e a sua história servirá de farol a todos os que acreditam na liberdade e na igualdade entre todos os seres humanos


Jorge Soares

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publicado às 21:59

A Espanha foi melhor que nós

 

Imagem de Penálti do dia

 

Sabiam que no dicionário há 36 definições para perder? não acreditam?, podem ver aqui, começa em: 1. Deixar de ter alguma coisa útil, proveitosa ou necessária, que se possuía, por culpa ou descuido do possuidor, ou por contingência ou desgraça. e termina em 36. Cair em desuso.

 

Quanto a mim falta uma das mais importantes que seria 37 - Saber perder.

 

O jogo de ontem foi o primeiro que vi, tinha ouvido os outros na rádio, ao contrario da maioria do mundo eu não acho que tenha sido assim tão mau, não me sinto envergonhado nem com a derrota de ontem, nem com a prestação geral no Mundial.

 

Para mim a Espanha é a melhor selecção do campeonato do mundo, poderá nem ter as maiores estrelas, mas tem sem dúvida o melhor conjunto de jogadores, os que formam a equipa mais equilibrada e  jogam o melhor futebol. Dito isto, perder com a Espanha não é vergonha nenhuma.

 

Na fase inicial ficámos num dos grupos mais complicados, não perdemos com o Brasil e passamos à fase seguinte, não fizemos as figuras tristes que fizeram algumas das selecções com mais nome no mundo do futebol, quanto a mim foi uma prestação honrosa e queiramos ou não, com este grupo de jogadores e  tendo em conta alguns imponderáveis que tivemos durante os últimos meses, dificilmente algum treinador faria melhor.

 

Agora vamos passar semanas a discutir o treinador e as suas escolhas, quanto a mim ele só cometeu um erro grave, foi manter dentro do campo um capitão que só sabe olhar para o seu umbigo e que dificilmente poderá alguma vez ser uma voz de comando.  Como já é costume, o Cristiano Ronaldo passou ao lado deste mundial, a eterna exigência de ser o melhor, as comparações com Messi, o peso da camisola da selecção, são definitivamente fardos grandes demais para alguém que claramente vive ofuscado pelo brilho das luzes do sucesso e  longe da concentração que um evento como este exige de um atleta.

 

Acho que o Cristiano Ronaldo deveria pensar seriamente se quer mesmo jogar na selecção, a selecção deveria escolher outro capitão, um que possa ser um líder dentro do campo, um que se preocupe mais com o grupo e menos com o seu ego. Aquela birrinha de criança mimada no fim do jogo foi algo muito feio, seria feio em qualquer jogador, mas no capitão é muito pior.

 

Como li algures, depois deste mundial acho que ninguém tem dúvidas sobre o porquê elegeram o Leonel Messi e não o Cristiano como melhor jogador do mundo.

 

Saber perder é muito importante, saber aceitar que os outros podem ser melhores que nós é muito importante,  não podemos ganhar sempre porque realmente não somos os melhores e não vale a pena culpar os árbitros, a bola ou os treinadores, neste mundial, os outros foram melhores. Nós temos mau perder.

 

Update: Isto é mau perder

 

Jorge Soares

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publicado às 21:25

 

Crianças com Sida em África

Imagem de aqui

 

Passei o fim de semana no Alentejo a acampar, esta vez foi mesmo de tenda, acreditem ou não, sobre o que aconteceu no mundo nestes 3 dias, o único que segui foi o futebol, desde o jogo de Portugal contra o Brasil ouvido no rádio em viagem, até ao jogo desta tarde da Holanda.. ouvido no rádio e em viagem.

 

De resto, não havia jornais no parque, e todo o tempo era pouco para a boa conversa, para desfrutar da magnifica paisagem da barragem ou para as crianças. Bem que podia ter terminado o mundo... que dificilmente daríamos por isso...

 

Não os vou maçar com a descrição do fim de semana, mas não se livram da maçada... vou deixar aqui algo que me tocou, porque é uma realidade que temos tendência a esquecer, e porque de vez em quando faz falta olhar para o mundo com olhos de ver.. que há mais mundos além do nosso... e pensado bem até faz sentido, não fosse o futebol, não fosse este mundial que se realiza em África, o mundo continuava a olhar para o lado.

 

Quando nada faz sentido

 

Tem 18 meses mas mal sabe andar. Tem movimentos lentos quando gatinha. Senta-se, serena, e olha-me inclinando a cabeça. Olhos semicerrados e sem sorrisos. Olha-me.


É pequena. Muito pequena. E noto-lhe a fragilidade quando chega à minha beira. Acabei de chegar e estende-me os dois braços. Não é um pedido... é uma urgência. Não é um capricho. É uma necessidade. Nunca me viu mas precisa que lhe dê o que não tem. Estende-me os braços e pego-a ao colo.


É excessivamente leve. Mantém os movimentos lentos quando encosta a sua cabeça à minha. Meto-lhe a mão debaixo da camisola. Faço festas por cima de pequenas feridas. Dezenas delas, espalhadas pelo corpo. Não sei o seu nome para a confortar mas falo com ela inglês. Seguro-lhe a mão gelada enquanto a deito no meu colo. Seguro-a como se fosse minha. Aconchega-se e agarra, com força, o meu dedo. Larga-o para conhecer o botão do meu casaco ou para me tocar no rosto.


Chamam-na por um nome zulu. Lamento a minha dificuldade em pronunciá-lo. Todos os seus gestos transportam uma lentidão assustadora. Olha-me reflexiva. Intensa. Por pouco adormece. Ficava ali uma vida. Eu dar-lhe-ia uma, se tivesse.


Seguro-a com a ferocidade de quem a disputa com o tempo e com a doença. Tem 18 meses e não chegará aos 20 anos. É seropositiva.

Sento-me no chão do refeitório e correm três, desengonçados, para o meu colo. Um em cada perna, enfiados no ângulo do ombro e do braço. O da direita adormeceu ali... sujo de arroz e carne, tombou nos meus braços de sono. O outro mexe-me nos óculos, curioso. Ao fundo, Amigo arrasta-se de quatro com os seus 6 ou 8 meses. Ninguém sabe muito bem... A mãe deu-lhe o nome de Amigo e deixou o Amigo na maternidade. Pequeno, sozinho e infectado com HIV. Amigo saiu da sala de partos... para aqui.


Falta-lhes tudo. Saúde e mimo. E aqui, fazem o que podem.


Sedentos de ternura, partem para a sesta. Já fizeram a medicação da manhã. Partem para a sesta e não me vêem partir. Melhor assim... Não os quero ver partir. Ninguém os quer ver partir... Hoje adormeço com um coração geneticamente dorido.

 

Rita Marrafa de Carvalho no Mundial à Parte

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publicado às 22:12

Mundial da África do sul

 

Faltam dois dias para o primeiro jogo do mundial de Futebol, ontem a noticia do dia era a lesão no ombro  do Nani, hoje a noticia do dia fala do mundo real, uma noticia que veio recordar que na África do Sul há vida para além do futebol, para o bem e para o mal.

 

Dois jornalistas portugueses e um espanhol que acompanham a selecção portuguesa de futebol no Mundial 2010 da África do Sul foram hoje assaltados por homens armados, mas estão bem.

 

Até hoje este tinha sido o mundial das vuvuzelas e do seu infernal barulho, hoje voltamos à triste realidade, a África do sul é um pais violento, morrem dezenas de pessoas diariamente, uma mulher é violada a cada 17 segundos. Até hoje a mensagem que os jornalistas tentavam passar era a de que se sentiam seguros. Não percebo muito bem qual pode ser a sensação de segurança que se pode ter num sitio em que o tempo todo se está rodeado de guardas armados, em que os hoteis estão rodeados de arame farpado electrificado.. mas era o que eles diziam, sentiam-se seguros. Parece que acordaram para a realidade, a meio da tarde mais de um questionava o facto de a Fifa ter entregue a organização do mundial  a um país com estes níveis de violência.

 

Hoje ao fim do dia os entrevistados eram os jornalistas, a questão era o que achavam sobre a ideia de um Mundial em África, os mesmos que ontem se sentiam seguros, hoje achavam que a FIFA tinha cometido um erro, África não está preparada para um mundial, não há condições nem segurança.

 

Eu vivi num país com as condições de segurança da África do sul, a verdade é que insegurança ou não a vida segue. Eventos como este são oportunidades para os países darem saltos em frente, dinheiro, infraestruturas, experiência em organizações.. tudo isto são coisas que ficam e que sem o Mundial demorariam anos, muitos anos a chegar. Nós em Portugal tivemos essa experiência com a Expo e com o Euro..será que sem a Expo haveria uma ponte Vasco da Gama? e como seria a zona oriental de Lisboa?

 

A resposta é sim, é muito positivo que o mundial se realize na África do sul, porque todos tomamos consciência de que existem outras realidades bem diferentes da nossa, sim, porque estes eventos deixam sempre coisas positivas e sim, porque em África vivem seres humanos que merecem ter a sua parte da vida.

 

E o próximo é no Brasil, um dos poucos países que pode rivalizar com a África do Sul quanto a níveis de insegurança.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:19


Ó pra mim!

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