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Conto - A Selva

por Jorge Soares, em 10.11.18

aselva.jpg

 

Há muito que os homens saíram da selva. Não lhes servia tanta incerteza, tanto perigo de vida. Aos poucos, com avanços e recuos, organizaram-se para autodefesa, assistência mútua, caça. Criaram normas de funcionamento coletivo do grupo, muitas vezes tácitas, outras bem expressas. Para evitar aproveitamentos egoístas. Para que o grupo fosse o lar de cada um. E afastaram-se da selva e das suas práticas ferozes.
 
 
Sem que o percebessem, os animais observavam-nos, curiosos, e acabaram por conseguir copiar o Conselho da Tribo. Pelo menos em alguns dos seus aspetos formais. Chamaram-lhe o Conselho da Selva e funciona desde então. Reúne-se uma vez por ano, ou a qualquer momento, em sessão extraordinária, a pedido de algum grupo. Geralmente, é apresentado um problema, levantada uma questão, feita uma queixa ou uma reivindicação. Segue-se alguma troca de ideias, muita algazarra, mas por fim o Conselho costuma concluir com uma declaração por maioria absoluta.
 
 
 
 
Joaquim Bispo
 
*
Imagem: Henri Rousseau (o alfandegário), Cavalo atacado por um jaguar, 1910.
 
Retirado de Samizdat

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publicado às 21:13

No século XXI há escravatura em Portugal!

por Jorge Soares, em 29.12.13

Escravatura

 

Imagem do Público 

 

Estava a ler a reportagem no Público Online, o relato era o de Dário, um Romeno que veio parar à apanha da Azeitona algures perto de Serpa, há medida que ia lendo só me conseguia lembrar do romance de Ferreira de Castro, A Selva, trocávamos a Azeitona pela Borracha e o Alentejo pela Amazónia e podíamos a estar a ler a mesma história. A diferença é que a Selva foi produto da imaginação do escritor de Ossela e a história de Dário é bem real e passou-se não no Brasil do século XIX e sim no Portugal da comunidade Europeia e em pleno século XXI.

 

Mas a história de Dário não é a única, há também a da Paulo Brito, um jovem Português de Penafiel que em 2008 foi levado para Espanha e obrigado a trabalhar durante meses a troco de ameaças  e agressões.

 

E haverá de certeza muitas mais histórias como estas, vivemos na época da informação, na época da comunicação, mas também numa época em que a necessidade e o desespero fazem muita gente partir à procura de melhores condições e cada vez mais, nem tudo o que luz é ouro.

 

Portugal foi pioneiro na abolição da escravatura, foi a 12 de Fevereiro de 1761, mas pelos vistos ainda não passou o tempo suficiente e estas coisas continuam a acontecer.

 

A noticia não diz, mas era bom que se soubesse quem está por trás de tudo isto, quem são os patrões das herdades onde em Portugal em pleno século XXI se tratam seres humanos desta forma e já agora qual a marca ou marcas de azeite que por lá são produzidas... ainda que isso pouco signifique, afinal é nestas condições que na China, no Bangladesh e noutros locais, são produzidas muitas das roupas e gadgets que tanto se venderam neste natal e não me parece que o mundo as deixe de comprar por isso.

 

Deixo aqui as palavras de Dário, para reflexão de todos nós:

 

 “Se virmos num dicionário, o escravo existiu sempre e hoje existe. O escravo não tem nenhum direito, tem direito a viver e a trabalhar. Não tem nada mesmo. ‘Escravatura’ é uma palavra feia mas está na moda. Agora que já fui vítima, percebi o que é ser escravo. Hoje pratica-se escravatura em todo o mundo, pratica-se escravatura dos velhos tempos. Estamos em 2013, no século XXI, dizemos que somos europeus mas uma parte de nós são escravos.”

 

Jorge Soares

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publicado às 21:31


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