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O que são afectos?

por Jorge Soares, em 13.04.16

colegiomilitar.jpg

 

Imagem de aqui

 

Afecto

substantivo masculino

1. Impulso do ânimo; sua manifestação.

2. Sentimento, paixão.

3. Amizade, amor, simpatia.

Retirado de Priberam
 
 
Li há dois ou três dias o artigo do observador sobre o colégio militar, na altura  o que me chamou a atenção foi o título (A vida no Colégio Militar: “Parece um Big Brother”) e a questão dos afectos.  
 
E chamou-me a atenção porque a meio do texto um dos entrevistados reconhece que apesar de ser desaconselhado, namora com uma das miúdas que também é interna no colégio e evidentemente isso é normal, mas quando "Um aluno tentou acarinhar outro aluno" “Passados 30 segundos, toda a gente sabia"
 
Toda a gente sabia e ninguém descansou até conseguirem excluir do colégio esse aluno. Como dizia hoje alguém no Facebook, "Ser homossexual não limita, não castra e não torna ninguém menos capaz de pegar numa arma ou de cumprir ordens, nem faz de ninguém mais fraco ou cobarde."
 
Não, o problema são mesmo os afectos, mais concretamente quando os afectos são entre duas pessoas do mesmo sexo, isto porque aparentemente os afectos entre alunos e alunas não são um problema, caso contrário não seriam reconhecidos tão facilmente na entrevista... sim, eu sei, o rapaz diz que ... "“Sou amigo dela cá dentro e lá fora temos a nossa vida. Ao fim de semana fazemos as nossas coisinhas”.... e porque é que isso não pode ser válido para dois namorados do mesmo sexo?
 
O problema mesmo é que o colégio militar é uma instituição de outro tempo, um tempo em que a homossexualidade não era aceite e onde qualquer pessoa que tivesse o valor de admitir que tinha  gostos e preferências diferentes era marcada e posta de lado.
 
Felizmente cada vez vivemos menos nesse tempo, mas ainda há quem insista em viver outros tempos. É suposto o colégio militar ser uma instituição onde se educam e formam pessoas, será que em lugar de ajudar e apoiar a descriminação dos homossexuais a instituição não deveria ensinar os restantes alunos a aceitar cada um como é e com as suas diferenças?
 
Sabem noutra coisa que reparei no artigo? O colégio militar agora é misto, e até foram entrevistadas algumas das internas, mas reparem bem nas fotografias que aparecem, a quem é dado destaque?
 
Li aqui o seguinte: Homofobia, medo de que os homens gays te tratem do modo que tu tratas as mulheres.... 
 
Pois.
 
Jorge Soares
 

publicado às 08:31

Os afectos, o amor, não se compra nem se vende

por Jorge Soares, em 19.03.12

Adopção, os afectos não se compram nem se vendem

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Um ano depois da entrada em vigor do apadrinhamento civil, tida como uma oportunidade de oferecer uma família a crianças que estão em instituições, o debate recomeça. O número de candidatos foi “residual” e o próprio mentor da lei teme que não ter atribuído um subsídio possa ter sido um erro. 

 

Foi em Novembro de 2010 que eu aqui escrevi o seguinte:

 

O apadrinhamento civil nasceu há um ano atrás, ante a impossibilidade de fazer a justiça, a segurança social e o acolhimento funcionar a uma só voz e em prol dos benefícios das crianças, o Estado decidiu tirar um coelho da cartola, uma solução que fica a meio entre o acolhimento familiar e a adopção, que não é nem carne nem peixe e que supostamente deveria funcionar como a solução milagrosa para esvaziar os centros de acolhimento. 

 

Passou um ano e meio e tal como era previsível, não há noticia de uma única criança que tenha saído da tutela do estado por esta via, mas ao contrário do que possa pensar Guilherme de Oliveira, isso não se deve à questão económica, nem a falta de divulgação da medida, deve-se sim a que tal como era de prever, quem quer adoptar quer filhos seus, não os quer partilhar com ninguém e muito menos com famílias que na sua maioria são disfuncionais e problemáticas. Convém recordar que a maioria destas crianças estão nos centros de acolhimento porque foram retiradas, muitas vezes à força, à  família.

 

Mas o que realmente me chocou na noticia do Público, foi o facto de Guilherme de Oliveira acreditar que a questão se poderia resolver se pelo meio se metesse um subsidio. O coração, a vontade de amar, a vontade de criar e educar, não é algo que se possa comprar, ou se tem, ou não se tem.

 

É verdade que não podemos olhar para esta questão desde o ponto de vista da caridade, estamos a falar de crianças, de seres humanos que merecem todo o amor e carinho que se lhes possa dar e isso não se consegue com caridades, mas também não se pode ir para o extremo oposto, a solução não pode ser a compra de afectos... porque os afectos não se compram. Fico horrorizado só de pensar que se passem a  entregar as crianças a pessoas que só as recebem porque com elas vem 300 ou 400 Euros por mês, e que na primeira contrariedade ou na primeira falha do subsidio, as devolvam sem pena nem agravo.

 

Está na altura que Guilherme de Oliveira e o estado reconheçam que esta solução não tem pés nem cabeça, a solução para as quase 10000 crianças institucionalizadas tem que passar em primeiro lugar por uma revisão das leis de protecção de menores, por uma revisão e adequação dos processos, não é admissível que as crianças passem anos e anos no Limbo porque há juízes e/ou centros de acolhimento que não atam nem desatam os seus processos. Em segundo lugar, por uma mudança de mentalidades em toda a sociedade, desde as famílias biológicas aos candidatos à adopção, passando pela segurança social... 

 

Eu tenho dois filhos adoptados e um biológico, nem para o biológico nem para os adoptados precisei de incentivo financeiro, a minha vontade de amar, de ser pai, bastou-me... porque haveria alguém de precisar de um incentivo financeiro para distribuir afectos?

 

Jorge Soares

 

 

publicado às 21:18

Hoje vou roubar as palavras e o título do post no Quinta da Ribeira

 

Fabian, o protagonista deste vídeo, vestiu uma roupa de urso carinhoso e foi para a rua tentar conseguir alguns abraços. O facto é que o Fabian, muitas das vezes que viaja de autocarro, tem o assento ao seu lado vazio. O vídeo foi feito pela ‘Pro Infirmis’ e tenta mostrar a verdadeira atitude das pessoas, perante as aparências.

 

Qual é o problema das pessoas? É preciso disfarce para aproximar as pessoas?

 

Veja o vídeo até ao fim... só assim entenderá!

 

 

 

O Vídeo fez-me recordar o Rafael, de que falei no post de segunda feira,  e os motivos que o fizeram terminar com a sua vida quando ela práticamente ainda nem tinha começado.

 

O Rafael morreu porque era diferente e porque o mundo à sua volta não soube aceitar e entender a sua diferença, quando me deparo com coisas destas fico sempre com um nó na garganta. Talvez porque também eu já senti o que é de um certo modo ser diferente, talvez porque tenho 3 filhos todos diferentes entre si e muito diferentes do mundo que os rodeia, talvez porque tenho consciência de que somos uma sociedade que não sabe respeitar as diferenças.

 

Olhamos para vídeo e no fim ficamos sempre com a dúvida, quantas daquelas pessoas seriam capazes de abraçar o Fabian se ele não tivesse o disfarce vestido? Quantos de nós o faríamos? Somos capazes de educar os nossos filhos para que o futuro da sociedade seja melhor e não sejam necessários disfarces?... atendendo à forma como o Rafael morreu, acho que não.

 

Qual é o problema das pessoas? É preciso  um disfarce para as aproximar?

 

Jorge Soares

publicado às 21:18


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