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Quando não sentir dores é mau ........

por Jorge Soares, em 23.11.09

 

A enfermeira e as minhas dores

 

Já passou um mês desde que me retiraram os poucos parafusos que tinha, como foi em ambulatório mandaram-me para casa com 10 dias de baixa e ordem para lá voltar passados 15 dias para retirarem os agrafos.

 

Pelo meio fui ao centro de saúde para fazer o penso e sai de lá com a indicação de que poderia tomar banho sem muitos cuidados, pois poderia molhar o penso.

 

Quando voltei ao Hospital 15 dias depois, era evidente que molhar o penso não tinha sido boa ideia a ferida estava com um aspecto pavoroso. Lá decidiram não retirar os agrafos, receitaram antibiótico e ordem para  regressar uma semana depois. Passado esse tempo a coisa não estava com melhor aspecto, mas o médico achou que estava na altura de retirar os agrafos e a enfermeira lá retirou. Fiquei com metade da ferida aberta e com um aspecto de fugir.

 

Hoje, um mês depois da operação, voltei lá. Era a mesma enfermeira, retirou o penso, ficou a olhar para a cicatriz e chamou o médico. Nos entretantos foi limpando a ferida..  a conversa foi mais ou menos assim:

 

-Está a doer?

-Não

-Mas não lhe dói ou está a fazer-se de forte?

-Bom, eu costumo ser resistente à dor, mas a verdade é que não me dói.

-Isso é mau, eu não gosto de feridas que não doem.

-,,,???!!!!! - estão a ver o meu ar aparvalhado?

 

Entretanto ela descobriu que os pontos internos não tinham sido absorvidos e dedicou-se a retirar a linha..e eu a olhar.

 

-Se a ferida tivesse curado, como é que isso saia?

-Sabe, era suposto serem absorvidos pelo seu organismo, mas eu suspeito que a linha foi comprada ali na loja chinesa da esquina...e depois acontece isto.

-...???!!!!!! agora estão a ver o meu ar aparvalhado?

 

Entretanto chegou o médico, após falarem sobre a ferida e a linha que ainda lá estava, ele pediu uma espátula e decidiu mexer, abre de um lado, corta do outro, raspa aqui, corta mais... aqui foi quando começou a doer e a enfermeira lá ficou feliz!

 

Mais conversa, o médico voltou às suas consultas e a enfermeira começa a fazer o penso, e aqui, eu começo a sentir calor, passados uns segundos escorria suor em bica, mais uns segundos e comecei a sentir que já não me segurava nos braços e que o mundo se estava a tornar distante. Mesmo quando ela estava a terminar, decidi pedir água, ela olhou para mim, devia ser tal a minha cor que de imediato me mandou deitar e não me deixou sair dali até ter a certeza que eu me segurava em pé.

 

Já me tinha acontecido algo parecido quando tirei os agrafos o ano passado, tal como contei no post Os agrafos, na altura achei que o facto de não ter tomado pequeno almoço explicava a situação, hoje a meio da manhã, antes de ir para o hospital,  a médica do trabalho tinha-me medido a tensão e  estava normal, é claro que o facto de não ter almoçado pode explicar algo... Nunca fui nada impressionável com estas coisas.... devo estar a ficar velho.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:48

Os agrafos

por Jorge Soares, em 15.09.08

Agrafos

Não sou pessoa que me impressione com a visão do Sangue, pelo menos com a visão do meu sangue, não me fez grande impressão estar acordado durante a operação e não me fez impressão nenhuma ver as duas cicatrizes uma de cada lado do tornozelo. Fez-me alguma espécie ver que em lugar dos comuns pontos que eu conhecia de quando tinha sido cozido em miúdo, haver duas filas de agrafos a segurar a pele.

 

Na passada Quarta-feira era dia de tirar os agrafos, por norma fico bem disposto e falador nestas alturas, faço piadas e brinco com as enfermeiras, imagino que seja uma forma como outra qualquer de espantar os nervos, mas a verdade é que para quem está de fora a imagem que passa é a de normalidade e boa disposição.

 

Cheguei cedo ao hospital e fui atendido rapidamente, era um enfermeiro, o mesmo que me tinha feito o penso na semana anterior. Não me senti lá muito falador, mas também não me sentia nervoso. Entrei, sentei-me na maca, o homem retirou as ligaduras e a tala e dispôs-se a retirar os agrafos. Começou por uma ponta e foi retirando um a um, a meio da coisa já eu suava em bica.. não estava calor nenhum, mas eu sentia grossas gotas de suor a descer pela minha cara. Ele ia retirando agrafos e eu comecei a sentir que o chão se estava a ir debaixo de mim. Não era a dor, na realidade quase não sentia nada, mas o suor aumentava e o mundo ia-se. Quando ele terminou com a primeira cicatriz achei por bem pedir água, ele olhou para mim e deve ter percebido pela minha cor o que se estava a passar. Mandou-me deitar e foi buscar a água, eu bebi, voltei a sentir o chão debaixo de mim e passei a suar menos.

 

Ele retirou os agrafos do outro lado com a mesma calma que os anteriores, disse-me que as cicatrizes estavam óptimas e perguntou se eu já estava melhor. Estava, fui directo ao bar, tomei um café e comi um bolo enorme.... mas quando cheguei à porta do hospital a recepcionista disse-me que eu estava branco...

 

Nunca na vida me tinha sentido assim, mas também nunca me tinham agrafado nem desagrafado um tornozelo.

 

Hoje é o dia de aniversario de Barbosa du Bocage, e é feriado em Setúbal, digam lá que o nascimento de um poeta não é um excelente motivo para um feriado municipal?

O Suspiro

Voai, brandos meninos tentadores,
Filhos de Vénus, deuses da ternura,
Adoçai-me a saudade amarga e dura,
Levai-me este suspiro aos meus amores:

Dizei-lhe que nasceu dos dissabores
Que influi nos corações a formosura;
Dizei-lhe que é penhor da fé mais pura,
Porção do mais leal dos amadores:

Se o fado para mim sempre mesquinho,
A outro of'rece o bem de que me afasta,
E em ais lhe envia Ulina o seu carinho:

Quando um deles soltar na esfera vasta,
Trazei-o a mim, torcendo-lhe o caminho;
Eu sou tão infeliz, que isso me basta.

                      Bocage

Jorge
PS:imagem reirada da internet

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publicado às 22:16


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