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Educação - Trabalhar para o ranking

por Jorge Soares, em 07.05.15

ranking.jpg

 

Imagem de aqui

 

Não sei quando começou, mas pelo menos desde que a R. está no liceu de Setúbal, todos os anos no mês de Maio a disciplina Moral organiza com um grupo de alunos um fim de semana de acampamento na serra da Arrábida. Arranjam tendas, sacos cama, tudo o que é necessário, metem os miúdos num autocarro e rumam à zona de Picheleiros.

 

Durante o fim de semana os miúdos tem que montar as tendas, organizarem-se para cozinhar, fazer caminhadas pela serra, .. tudo isto com o objectivo de promover o convívio e a camaradagem.

 

Este ano a actividade estava marcada para o primeiro fim de semana de Maio, os miúdos já se estavam a organizar e a contar com mais um fim de semana de convívio, até que de repente tudo foi cancelado.

 

O director do liceu proíbe durante o terceiro período qualquer actividade organizada, mesmo que seja ao fim de semana... isto porque os miúdos tem é que se concentrar em estudar para tirar boas notas para o Ranking... .. sim, foi esta a explicação dada pela docente de moral aos miúdos.

 

Curiosamente parece que no inicio do ano quando a turma da R esteve até Novembro sem professora de matemática  o senhor não tinha essa preocupação, nem a teve quando na reunião do fim do primeiro período os pais nos indignamos com o facto de a turma ter tido menos de metade das aulas de matemática e exigimos saber o que faria o liceu para compensar essas aulas.... após consulta com a direcção resposta da directora de turma foi que não se podia fazer nada.

 

Sempre achei que o Ranking das escolas era uma enorme estupidez porque  compara realidades que dificilmente são comparáveis. Como se pode comparar uma escola com umas dezenas de alunos com uma com milhares? Como se pode comparar uma escola do Restelo com uma da Cova da Moura? Ou uma de Campo de Ourique com uma de um qualquer concelho do interior onde os miúdos por vezes demoram horas a chegar da aldeia onde vivem à escola?

 

Curiosamente na ultima reunião com os pais uma das coisas de que a directora de turma se queixou foi da falta de espírito de grupo da turma, houve inclusivamente uma mãe que sugeriu que se encontrasse a forma deles se encontrarem e conviverem fora da escola... alguém devia falar disso ao senhor director, há coisas mais importantes que os rankings, queremos que a escola forme pessoas, cidadãos, não máquinas.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:21

 

Imagem do Público

 

Alguém me deixou o seguinte comentário no Post "Quem se importa com os professores?":

 

"... a verdade, é que somos nós, os alunos de 12º ano, que vamos ficar extremamente prejudicados, porque uma greve a um exame de Português significa que todos os prazos vão ter que ser adiados, inclusive as datas de colocações na universidade e o início do ano lectivo para os alunos do primeiro ano de faculdade. Para não falar de que as próprias greves às avaliações já vão ser um enorme problema, porque os alunos devem ir todos a exame sem ter a nota, e depois? E aqueles que depois do exame feito descobrem que afinal não tinham nota e o exame é anulado? Esteve o aluno a perder tempo a estudar para um exame que não lhe vai contar para nada quando podia ter estado a estudar para outros?
Estas greves vão ser portanto, brincar com o nosso futuro, o futuro daqueles que são o próprio futuro da país."


Eu cheguei a Portugal em 89, vinha para entrar na faculdade, já ninguém se lembra mas o ano lectivo de 89-90 começou em Janeiro de 1990, foi sair do ano novo para as inscrições na faculdade, se não me engano quem corrigia as provas de acesso estava em greve e portanto não havia notas para ninguém .. nem entrada na faculdade... como era muito tempo sem fazer nada, arranjei emprego...  

 

Reparem, não estamos a falar de duas semanas de atraso num exame, estamos a falar de quase seis meses de atraso... se isso teve influência no meu futuro?, teve, é claro que teve, aqueles meses a trabalhar foram muito importantes para decidir o que queria fazer na vida.. e ainda hoje é isso que faço.... e sim, de Janeiro a Julho deram-se dois semestres nas faculdades, e não me lembro de ouvir queixas por isso.

 

Hoje ao ouvir os comentários de pais e alunos, quase todos contra a greve e contra os professores, dei por mim a pensar em como é estranha a vida.. as pessoas acham que adiar duas semanas um exame porque os professores decidiram lutar pelos seus direitos é um atentado ao seu futuro.. as pobres criancinhas ficam com os planos de estudo estragados... estiveram a estudar para nada....

 

Então mas espera aí, eles estão à semanas a estudar e só porque adiam o exame duas semanas ficam com a vida estragada... então mas o que estudaram nos últimos dias esvazia-se se o exame não for hoje?.. fantástico.

 

É incrível como neste país as pessoas olham para o lado e esquecem tudo quando se sentem prejudicadas, de repente parece que todo o mundo menos  os professores esqueceu o estado lastimável em que está a nossa educação. Falta de segurança nas escolas, excesso de alunos nas turmas, falta de materiais, falta de dinheiro para aquecimento, salas em que chove lá dentro por falta de manutenção, escolas com cartões nas janelas porque não há dinheiro para vidros, etc, etc, etc... Tudo isso passa para segundo plano quando as criancinhas do 12º ano não podem fazer o exame no dia que estava marcado... fantástico.

 

E hoje pelos vistos valeu tudo, como li algures professores a  vigiarem exames para os quais não estavam preparados ; colaborarem em ilegalidades sem fim..trancarem as portas das salas para os alunos não saírem..e outros não entrarem...começaram os exames com 15 minutos de atraso...houve tolerância de 40 minutos..foram para refeitórios onde estavam 70 alunos...alguns vigilantes eram formadores dos Cursos Cef, de culinária...coadjuvante não existia..falavam com os alunos para os incentivar a continuarem...não se lembraram que estavam a ignorar um principio básico...a equidade.


Pelos vistos basta as pessoas se sentirem atingidas para esquecerem que os problemas que existem na educação nos afectam a todos de uma forma ou outra, não, não são os professores os únicos a serem afectados, porque todos temos filhos, irmãos, sobrinhos, amigos, conhecidos... que ou são alunos ou professores e é o futuro de todos eles que está em risco e é por esse futuro que se fazem greves... onde anda a consciência cívica deste povo?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:42

Quem se importa com os professores?

por Jorge Soares, em 06.06.13

Quem se importa com os professores

 

Imagem de aqui 

 

Não, não sou professor, mas tenho ouvido e lido com algum espanto a forma como o ministro da educação, alguns pais e hoje até Cavaco Silva, olham para a greve que se anuncia nos dias dos exames nacionais.

 

Cavaco e o ministro Nuno Crato acusam os professores de utilizarem os alunos, e há um coro de gente que pede para que a greve seja noutra altura... noutra altura quando? Uma greve que não prejudique ninguém serve para quê? Para que quem faz greve perca um dia de salário? Se não se prejudica ninguém, qual o efeito da greve?

 

O presidente da República que parece que só acorda para vir defender o governo, vem dizer que não se podem utilizar os alunos, que "os estudantes não podem ser meios para atingir fins”, mas por acaso os professores tem algum outro meio para manifestarem o seu desagrado e indignação que não seja este? 

 

Gostava de ouvir Cavaco Silva falar das condições quase surreais em que se dão aulas em Portugal, das escolas sem dinheiro para reparações, sem dinheiro para fotocópias, do facto de haver escolas onde os alunos tem de levar o papel higiénico de casa, dos roubos e da violência que acontecem dentro e fora dos recintos escolares, de alunas que são violadas pelos colegas de 13 anos... era disso que queríamos ouvir o presidente falar, mas não, ele preocupa-se é em atacar quem utiliza o seu direito à greve para se defender dos atropelos deste governo... se é para isso, mais valia continuar mesmo calado!

 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:47

Professor

Imagem de aqui

 

Ontem foi dia reunião de pais cá em Setúbal, e posso assegurar que foi das coisas mais surreais em que já me calhou participar.

 

Mal me sentei reparei que duas das alunas da turma estavam na primeira fila, fiquei a pensar o que estariam elas ali a fazer, mal sabia eu que aquelas duas crianças devido à sua inocência e sinceridade, iam ser as protagonistas principais da reunião. Mas seu eu já estava espantado por elas ali estarem, fiquei de boca aberta quando a directora de turma em lugar de dar inicio à reunião, as chama ao quadro e lhes ordena que expliquem aos pais quais tinham sido as actividades do período.

 

Ou seja, senhora professora que estava ali para ter a reunião com os pais, delegou nas delegadas de turma, estamos a falar do sétimo ano, as informações aos pais. As pobres crianças lá fizeram o seu trabalho e a coisa nem estava a correr muito mal, até que quando elas se iam sentar, a professora lhes diz:

 

-Falta falarem sobre como tem sido o comportamento disciplinar.

-Pois.. o comportamento neste período, foi mau

-Mau como? - pergunta um dos pais.

-Mau, ... há um grupo de alunos que fala muito nas aulas

-Mas isso é em todas as aulas?

-Não, há aulas em que se portam bem.... outras em que se portam mais ou menos..e outras em que se portam mal e interrompem.

 

Aqui a coisa começou a aquecer, há pais que perguntam sobre o comportamento dos seus filhos e gera-se algum diálogo com as pobres miúdas.. até que se chega ao caso especifico da aula de matemática, e que alguém pergunta:

 

-Mas afinal como é que é na aula de matemática?

- A aula de matemática é onde se portam pior

-Mas é pior como? quem é que manda na aula de matemática?

-Muitas vezes quem manda são os alunos.

 

Aqui a professora deve ter percebido que a coisa tinha chegado longe demais, mandou sentar as miúdas e tentou mudar de assunto, mas o mal estava feito e  com os pais a tentarem perceber o que se passava, gerou-se um diálogo, com a professora sempre numa atitude de sobranceria evidente e a não disfarçar nada que ter pais preocupados e a questionar, era uma chatice.

 

Eu não sei os outros, mas eu não percebi nada, ante a questão sobre o que se estava a fazer para melhorar a situação, a resposta foi:

-Nós mudamos o mapa da sala várias vezes, os pais em casa tem que educar os seus filhos.

 

Ora muito bem, eles tem uma turma com problemas de disciplina.. e a solução é mudar o mapa da sala...

 

Eu tinha ideia que o papel da directora de turma é entre outras coisas, o de servir de ponte entre a escola e os pais, pelos vistos esta senhora acha que só ali está para distribuir as folhas com as notas, os problemas, a indisciplina dos alunos, o mau aproveitamento, os conflitos entre os colegas dela e os alunos, as questões dos pais, é tudo uma enorme chatice e ela não está para se chatear, quem tem que resolver as coisas é a direcção da escola, não ela....

 

Depois de uma discussão acalorada com um dos pais que tentou perceber porque é que o filho tem pouco aproveitamento quando sempre foi bom aluno, a senhora lá conseguiu prosseguir a reunião, passou uns cinco minutos a ler a acta da reunião de turma e distribuiu as fichas dos alunos

 

No fim, quando a senhora já se preparava para nos mandar embora, a questão do comportamento voltou, eu e vários outros pais a mostramos a nossa preocupação com a situação do comportamento nas aulas de matemática e a professora voltou a adoptar uma atitude de sobranceria, a responder com maus modos e a descartar-se completamente do problema.

 

Quando lhe fizemos notar que se os alunos se portavam bem nas aulas dela e de outros professores, talvez o problema não fosse só das crianças, a resposta foi: Eu não tenho nada com isso, é um problema entre a direcção da escola e a colega! ... quando eu questionei o que se estava a fazer para resolver a situação, a reposta foi, "Eu não sei , a direcção é que sabe!".

 

Ora, uma das principais queixas dos professores é que os pais não se interessam, esta apanhou com uma turma inteira de pais interessados... e hoje no rescaldo da reunião, disse aos alunos que isso era uma chatice, que para o ano não quer ser directora desta turma, só da outra em que os pais não questionam nem dão chatices.

 

Resta dizer que estamos a falar da escola com melhor ranking do distrito de Setúbal... soubessem as vezes que já nos arrependemos de ter mandado para lá a pobre miúda. Esta é a escola que temos.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:25

 

Noticia da RTP

 

Este é um daqueles casos em que as imagens falam por si, há coisas que temos que ver para acreditar, por incrível que pareça havia uma professora dentro da sala... é difícil de acreditar, mas é verdade.

 

Na noticia da RTP não conseguimos ver as caras, mas no vídeo original que foi parar ao Youtube, todas estavam à vista, alguém me explica como é que depois disto há só um aluno suspenso?, o que filmou, então e os outros? o que praticamente se despe dentro da sala?, e todos os outros que se comportam como animais dentro de uma escola?  Será que é mais grave filmar que comportar-se como um energúmeno e não mostrar o menor respeito pela escola, a professora ou os colegas?

 

É esta a educação que estamos a dar aos nossos filhos?, são estes energúmenos que representam o futuro do nosso país?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:17

 

 

"Sou professora na escola de Vila Real, digo no frigorífico, porque as temperaturas dentro da escola são inferiores às da rua. Na primeira 3ªfeira do ano tive aulas toda a tarde e apesar de estar enregelada e a meio da tarde me ter sentido febril, como tinha reunião de encarregados de educação só sai da escola às 20 horas. Quando cheguei a casa estava com temperatura e nos dias seguintes fiquei mesmo sem voz, no entanto graças à colaboração dos alunos consegui dar as minhas aulas. Mas todos os dias há alunos a faltar e alguns professores que não se aguentam de pé. Ainda bem que o estatuto do aluno mudou e as faltas justificadas já não contam para efeitos de testes de recuperação, se isto tivesse acontecido no ano anterior para além de doentes ainda estaríamos sobrecarregados de trabalho…

Mas o que me levou a escrever este comentário é que, segundo o ministério da educação, não há escolas públicas a rebentar pelas costuras, porque eles resolvem isso com 30 alunos ou mais por turma, já tive uma com 32…
Quanto às distâncias nem imaginam o que as crianças de Trás-os-Montes passam – 20 km não é nada – caminhos em mau estado e estreitos e no Inverno, devido ao gelo, extremamente perigosos, ou pensam que as aldeias são todas acessíveis pelo IP4 ? Em muitas aldeias têm mesmo que andar 3 ou mais Km para apanhar o transporte…
Sabem que há crianças que a única refeição em condições é a que comem na escola e, por vezes, nem agasalho adequado trazem para suportar o frio? Sabem a que preço está o pão? E o leite? E as batatas? E o arroz?
Deixo-vos um tema de discussão sobre o Portugal real!!!"

 

O comentário acima foi-me deixado no post da passada quinta feira em que se falava do financiamento das escolas privadas. Ao contrario do que diz a Leamar, eu não acho que o Ministério da Educação esteja a lançar as pessoas umas contra as outras. Estamos a falar de um protocolo que foi pensado e assinado há muitos anos atrás quando as condições das escolas, da educação e até do país eram outras. Acredito que como diz a Leamar, existam escolas destas que são uma verdadeira mais valia e o garante de uma educação de qualidade para muita gente, mas a percepção que tenho, até pelo que conheço aqui em Setúbal, é que na maioria dos casos, estas são escolas para as elites, onde dificilmente se consegue uma vaga a menos que se tenham muitas cunhas e onde  a maioria das pessoas paga um balurdio por condições que afinal não diferem muito das escolas públicas da cidade...e eu falo por experiência... não quero alongar muito o post, mas a coisa terminou quando numa reunião de pais eu disse às senhoras freiras que elas não eram sérias...e não eram.

 

Não é necessário ler o comentário desta professora da Escola de Vila Real para percebermos que apesar de as coisas terem melhorado bastante, falta muito por fazer nas nossas escolas, e como disse no outro post, acho que o governo em lugar de estar a financiar escolas privadas, tem que utilizar esse dinheiro para melhorar o ensino público e garantir que todas as crianças tem acesso a escolas dignas e com um mínimo de condições.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:56

O grafitti nas escolas

 

A reportagem é interessante e está muito bem conseguida, fala de uma iniciativa que é de louvar e que sem dúvida deveria ser repetida em muitas outras escolas, mas a mim uma das coisas que me chamou realmente a atenção foram as condições em que está aquela escola e que são visíveis nas diversas partes que foram gravadas no recinto.

 

O que podemos ver são paredes e portas completamente cobertas de grafitti e num estado miserável, e confesso, a mim faz-me imensa confusão.

 

Dos meus tempos de Liceu, Liceo Carlos Soublette em Caracas, lembro-me de mais de uma vez andar a pintar paredes com alguns dos meus colegas, na entrada havia uma parede enorme com um mapa do país com cada um dos estados pintados da sua cor e uma frase de Simon Bolivar ao lado. Esse mural era mantido impecável e repintado todos os anos... por nós.

 

Naquela altura ainda era o tempo das vacas gordas na Venezuela e não faltava dinheiro para a educação, acho que nos faziam pintar algumas das paredes para nos dar consciência que a escola era de todos e que portanto a tínhamos que cuidar... e nós cuidávamos... e não havia um grafitti ou uma frase numa parede em toda a escola. Porque para além de mais, nós respeitávamos o recinto da escola. Depois de ver a reportagem fui dar uma volta pelo google... encontrei algumas fotografias actuais do meu liceu... as paredes continuam limpas... e até há uma fotografia de alunos a pintar.

 

Ver as paredes daquela escola de Lisboa fez-me pensarem  que tipo de respeito tem os alunos actuais pelo recinto escolar, como é que se deixa chegar as instalações de uma escola até aquele estado?

 

Queremos tanto ser um país desenvolvido, um país da linha da frente... como? se as nossas escolas tem aspecto de zonas de guerra?...de uma guerra perdida!

 

O Programa é o 30 minutos e foi na RTP 1 no dia 15 de Janeiro, podem ver aqui

 

Jorge Soares

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publicado às 21:31

TPM - (sindrome da) Tensão pré-menstrual

por Jorge Soares, em 07.12.10

TPM - Tensão pré menstrual

Imagem de Sabe-Tudo

 

TPM

 

"A tensão pré-menstrual (conhecida pela sigla TPM) é uma síndrome que atinge as mulheres e que ocorre, em maior ou menor grau, nos dias que antecedem a menstruação. É caracterizada por uma irritabilidade e ansiedade mais acentuadas, bem como manifestações físicas, como por exemplo dor nas mamas, distensão abdominal e cefaléia. Decorre da retenção de sódio e água ." - do Wikipédia

 

Não, não se assustem, não é de mim que vou falar, quer dizer, no fim, quem leva com elas sou eu na mesma.. mas pronto, há coisas que vem com o nosso Karma e para as quais não há muito a fazer. A mim, não me bastava ter que levar  com uma, agora são duas...

 

Eu já cá falei do assunto, as duas maiores cá de casa, são tão parecidas que até chateia... e claro, são tão parecidas que de vez em quando a coisa dá faisca.  Ultimamente as coisas tem andado de novo a modos que em equilíbrio precário, principalmente porque a R. insiste em defraudar as expectativas escolares da mãe. A P. sempre foi a melhor aluna da turma, desde o pré-escolar até ao ultimo ano da faculdade, a estudante (quase) perfeita com as notas perfeitas. A R. é uma despassarada, há tantas coisas na vida e acontecem todas ao mesmo tempo, estar com atenção às aulas é um exercício mais ou menos complicado... mesmo assim as coisas entram.. o problema maior  é que também é muito difícil estar com atenção nos exames... que não são para fazer, são para despachar.... é claro que isto tudo raramente dá para mais que um bom... Não há notas negativas... mas para a mãe que foi aluna perfeita a vida toda... bom não chega.

 

Ontem saiu mais um bom... e mais uma daquelas discussões... porque se há coisa que aquelas duas não conseguem fazer é abdicar da última palavra... e a coisa aqueceu... a pobre R. é uma daquelas pré-adolescentes com pelo na venta... mas ainda há hierarquias cá em casa e está-se mesmo a ver quem tem imensos castigos.

 

Parece que ontem ficou a pensar no assunto, hoje de manhã foi pedir desculpa à mãe:

 

- Mãe, desculpa aquilo de ontem, sabes, eu estava com TPM

- Com quê?

- Com TPM - síndrome de tensão pré-menstrual!

-.........

 

Ai a minha vida!

 

Jorge Soares

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publicado às 22:30

Neste país há quem fabrique polémicas

 

Hoje foi dia de voltar ao trabalho e de voltar a ouvir as notícias bem cedo de manhã na rádio, a notícia do dia era sobre a possibilidade dos alunos com 15 anos poderem passar directamente do 8º para o 10º ano. Achei a coisa um bocado estranha, estar no 8º ano com 15 anos significa que se teve que repetir mais que um ano, são alunos com dificuldades evidentes, e que não vão fazer nada para o 10º ano a não ser contribuir para a estatística do sucesso escolar de que os nossos governos tanto se gabam.

 

Fiquei com a pulga atrás da orelha e na primeira oportunidade lá fui espreitar os jornais online. Os titulares alinhavam todos pelo mesmo diapasão da rádio, no ionline podemos ler o seguinte no titulo da notícia:

Polémica. Alunos com 15 anos vão poder saltar do 8.º para o 10.º ano

 

Assim de repente a coisa parecia mesmo a sério, mentira, não é nada a sério, lendo com mais detalhe encontramos o seguinte:

... é preciso que se autoproponham às provas nacionais de Português e de Matemática do final do 3.o ciclo, em Julho, e façam ainda os exames a nível de escola em todas as disciplinas do 9.o ano.Em caso de aproveitamento, transitam directamente para o 10.o ano,...

 

Isto é um bocadinho diferente de poderem saltar do 8º para o 10 ano só por terem 15 anos, os restantes jornais alinhavam pela mesma bitola. Ainda há bem pouco tempo debatíamos no facebook uma notícia que falava das muitas crianças que não vão à escola, estudam em casa com os pais e em determinada altura propõe-se a exame, no caso de aprovarem transitam de ano. Eu sou dos que acham que é importante as crianças irem à escola, porque há coisas da vida que não se aprendem nos livros, mas não tenho nada contra os pais que não querem sujeitar os seus filhos às condições actuais do nosso ensino. Isto é algo há muito permitido pelo ministério da educação e perfeitamente normal. Nem sei se só é válido para o ensino primário ou para todos os níveis, mas para mim faz todo o sentido. Se os alunos vão aos exames e tem aproveitamento, o que tem de mal que não vão à escola?

 

Se alguém está no 8º ano e consegue aprovar os exames nacionais e os exames das disciplinas do 9º ano, porque é que não pode transitar para o 10º?..tenha o aluno a idade que tenha, passar nos exames não é sinal de conhecimento e aproveitamento? Eu acho que esta é uma medida positiva e que deveria ser permitida não só para os alunos de 15 anos e sim para todos.

 

Há pouco ouvi no telejornal alguém do sindicato dos professores a criticar esta medida... bom, ou o sindicato não leu a notícia toda e se ficou pelas gordas, ou os professores estão com medo de que alguém mexa no seu queijo. No  Público podemos também ler as criticas da federação de pais... devem ser outros que também só leram as gordas, porque como pai a mim esta parece-me uma medida positiva.

 

Mas não são só estes que ficam mal na fotografia, o ministério ao vender uma medida destas nestas condições, também fica, porque todos sabemos que é quase impossível que exista algum aluno com as características apresentadas que estando no 8º ano consiga aprovar todas as disciplinas do 9º.. ou seja, é uma medida para encher páginas de jornais. Como disse acima, seria de louvar que fosse uma medida válida para todos os alunos independentemente  da idade e do ano.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:28

 

Imagem Henricartoon

 

Não há dúvida que cada país tem os dirigentes que merece... bem, pelo menos os países onde estes são elegidos democraticamente.  Na segunda feira passada todos ouvimos o Presidente da República dirigir-se ao país para vir dizer aquilo que era mais que evidente, ora, se o homem não tinha anunciado se aprovava a lei ou não antes do beija mão papal, era por demais evidente que a iria aprovar, se fosse para vetar, ele teria-o feito antes da visita papal, e depois fazia um figurão com o papa dizendo que tinha vetado a lei.... não?

 

Mas o que eu não entendo é porque é preciso fazer parar o país em frente ao televisor para vir anunciar uma coisa destas, quantas leis é que são aprovadas por mês?, Quantas delas são bem mais importantes para todos nós que esta? então porque é que para esta lei foi necessário aparecer no horário nobre da televisão com aquela cara de quem está a fazer um frete ao mundo?

 

Durante o seu mandato o homem apareceu 3 vezes no horário nobre para dizer coisas importantíssimas, vejamos: a primeira vez foi com a lei da autonomia, e o que veio ele dizer?  - Estão  a mexer no meu queijo!

 

A segunda vez foi no verão passado antes das eleições, e veio dizer: - Suspeito que alguém anda a ler os meus mails... O que ainda por cima se veio a provar que era mentira

 

A terceira vez foi agora para dizer: - Eu aprovo a lei, mas eu não gosto de gays! -- Como se fosse preciso a explicação, só faltou dizer, "nem eu nem o meu partido".

 

É ideia minha ou o homem de vez em quando precisa de atenção? Alguém fale com a Maria... é que não há pachorra!

 

Entretanto hoje no Blog 100 reféns encontrei o seguinte texto do Tiago Mesquita:

 

Portugal hipócrita: o país em que mais vale furtar e ser apanhado em vídeo do que ser fotografada a mostrar o pipi numa revista.

A comparação não será a ideal, alguns dirão que é pura demagogia. E até pode ser, admito e dou de barato. Mas pelo menos é elucidativa do tratamento algo desfasado que as nossas autoridades dão a dois casos, um mais grave que mete electrónica e outro mais divertido que envolve nudez. Pipi e os gravadores poder-se-ia chamar este filme.

No mesmo país em que assistimos ao furto de dois gravadores por um deputado da Nação sem que o acto tenha consequências profissionais para o senhor vemos uma professora ser suspensa de imediato porque mostrou o pipi e as maminhas na revista Playboy.

O mais grave é que o furto parece ter sido efectuado no interior das instalações da AR e ao que consta a professora não terá realizado a sessão fotográfica na sala de aula ou no recreio com a pequenada toda a bater palmas enquanto jogava à macaca.

O deputado Ricardo diz ter praticado "acção directa" para defender a honra, já a professora Bruna perdeu a honra ao praticar a "acção directa" de despir a roupinha.

Temos por um lado uma professora que não pode continuar a lidar com crianças porque meia Mirandela e alguma malta de Valpaços a viu nua na revista Playboy e por outro um deputado que pode continuar sentado no quentinho daAR depois de todo o país o ter visto "abafar" dois gravadores da revista Sábado. É justo.

Com isto podemos deduzir que para vermos o deputado Ricardo Rodrigues ser suspenso de funções seria provavelmente necessário que este pousasse nu para uma revista feminina ou fizesse um strip-tease durante a comissão de inquérito PT/TVI. A mesma comissão onde vemos o Sr. deputado insistentemente apelar à moral e à legalidade.

Uma coisa é certa, se a "Stôra" Bruna fosse deputada tenho a certeza que não furtaria gravadores ou máquinas fotográficas a jornalistas, até porque provavelmente estaria nua e não teria bolsos para esconder o material. Já o Sr. Deputado, a menos que faça um Lap dance a Mota Amaral não vejo forma de ser admoestado.

Posto isto e fazendo o ponto final de situação: ser professora e cumulativamente mostrar o pipi numa revista: NÃO. Ser deputado e furtar gravadores a jornalistas: SIM

 

Somos ou não somos um país insólito?

 

Jorge Soares

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publicado às 21:17


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