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Os afectos, o amor, não se compra nem se vende

por Jorge Soares, em 19.03.12

Adopção, os afectos não se compram nem se vendem

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Um ano depois da entrada em vigor do apadrinhamento civil, tida como uma oportunidade de oferecer uma família a crianças que estão em instituições, o debate recomeça. O número de candidatos foi “residual” e o próprio mentor da lei teme que não ter atribuído um subsídio possa ter sido um erro. 

 

Foi em Novembro de 2010 que eu aqui escrevi o seguinte:

 

O apadrinhamento civil nasceu há um ano atrás, ante a impossibilidade de fazer a justiça, a segurança social e o acolhimento funcionar a uma só voz e em prol dos benefícios das crianças, o Estado decidiu tirar um coelho da cartola, uma solução que fica a meio entre o acolhimento familiar e a adopção, que não é nem carne nem peixe e que supostamente deveria funcionar como a solução milagrosa para esvaziar os centros de acolhimento. 

 

Passou um ano e meio e tal como era previsível, não há noticia de uma única criança que tenha saído da tutela do estado por esta via, mas ao contrário do que possa pensar Guilherme de Oliveira, isso não se deve à questão económica, nem a falta de divulgação da medida, deve-se sim a que tal como era de prever, quem quer adoptar quer filhos seus, não os quer partilhar com ninguém e muito menos com famílias que na sua maioria são disfuncionais e problemáticas. Convém recordar que a maioria destas crianças estão nos centros de acolhimento porque foram retiradas, muitas vezes à força, à  família.

 

Mas o que realmente me chocou na noticia do Público, foi o facto de Guilherme de Oliveira acreditar que a questão se poderia resolver se pelo meio se metesse um subsidio. O coração, a vontade de amar, a vontade de criar e educar, não é algo que se possa comprar, ou se tem, ou não se tem.

 

É verdade que não podemos olhar para esta questão desde o ponto de vista da caridade, estamos a falar de crianças, de seres humanos que merecem todo o amor e carinho que se lhes possa dar e isso não se consegue com caridades, mas também não se pode ir para o extremo oposto, a solução não pode ser a compra de afectos... porque os afectos não se compram. Fico horrorizado só de pensar que se passem a  entregar as crianças a pessoas que só as recebem porque com elas vem 300 ou 400 Euros por mês, e que na primeira contrariedade ou na primeira falha do subsidio, as devolvam sem pena nem agravo.

 

Está na altura que Guilherme de Oliveira e o estado reconheçam que esta solução não tem pés nem cabeça, a solução para as quase 10000 crianças institucionalizadas tem que passar em primeiro lugar por uma revisão das leis de protecção de menores, por uma revisão e adequação dos processos, não é admissível que as crianças passem anos e anos no Limbo porque há juízes e/ou centros de acolhimento que não atam nem desatam os seus processos. Em segundo lugar, por uma mudança de mentalidades em toda a sociedade, desde as famílias biológicas aos candidatos à adopção, passando pela segurança social... 

 

Eu tenho dois filhos adoptados e um biológico, nem para o biológico nem para os adoptados precisei de incentivo financeiro, a minha vontade de amar, de ser pai, bastou-me... porque haveria alguém de precisar de um incentivo financeiro para distribuir afectos?

 

Jorge Soares

 

 

publicado às 21:18

Apadrinhamento civil e adopção

por Jorge Soares, em 11.11.10

Apadrinhamento e adopção

 

O apadrinhamento civil nasceu há um ano atrás, ante a impossibilidade de fazer a justiça, a segurança social e o acolhimento funcionar a uma só voz e em prol dos benefícios das crianças, o Estado decidiu tirar um coelho da cartola, uma solução que fica a meio entre o acolhimento familiar e a adopção, que não é nem carne nem peixe e que supostamente deveria funcionar como a solução milagrosa para esvaziar os centros de acolhimento.

 

Vamos lá esclarecer umas coisas, em primeiro lugar e ao contrario daquilo que podemos ler na comunicação social, isto não é adopção, adoptar é ter um filho, nosso..e só nosso, um filho que leva os nossos apelidos, que é criado por nós segundo os nossos princípios,  as nossas ideias, as nossas crenças. Apadrinhar não é isso, nem tem nada  a ver com isso. Acreditem em mim, quem adopta é egoísta e não quer partilhar os seus filhos com ninguém, muito menos com famílias biológicas. Conheço muita gente que já adoptou ou que quer adoptar, até hoje, não encontrei uma única dessas pessoas que estivesse disposta a apadrinhar uma criança nestas condições.

 

Depois há muitas coisas por explicar, é suposto ser uma medida definitiva, a criança é entregue a alguém que passa a ser a nova família, mas o que acontece se um dia a família biológica decidir que quer o seu filho de volta?, como se vai gerir o conflito?, o que acontece se simplesmente a nova família decide ir viver para outra cidade, ou para outro país, não pode?, como se garante o acesso da família biológica à criança? colocam um processo em tribunal a exigir que o filho fique?.. mais processos em tribunal? Há muitas perguntas sem resposta, além disso devemos recordar que estamos a falar de crianças que foram retiradas muitas vezes à força a famílias disfuncionais... não precisamente de pessoas normais e cumpridoras da lei..se o fossem as crianças não estariam entregues ao estado.

 

Curiosamente esta semana o apadrinhamento foi noticia em toda a comunicação social, será que o foi porque alguém se fez estas perguntas?, algum jornalista leu a lei e decidiu questionar sobre tudo isto? Claro que não, foi noticia porque alguém se lembrou de que a lei não diz explicitamente que os casais de pessoas do mesmo sexo não podem apadrinhar. E claro, apareceram logo os arautos da defesa da moral e dos bons costumes a iniciar uma nova cruzada em favor das pobres crianças que vão ser obrigadas a levar com dois pais ou duas mães... É o país que temos, com tantos buracos na lei.. eles só viram o mais pequeno de todos. Raio de gente.

 

No meio de tudo isto achei engraçado que há quem pense que isto só funcionaria se o estado pagasse o serviço aos padrinhos... então e porque não pagar a quem adopta?... e a todos os pais? ou ser padrinho é mais difícil que ser pai?

 

Jorge Soares

publicado às 21:46


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