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Fui sabendo de mim

por Jorge Soares, em 20.08.13

fui sabendo de mim

 

 Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia

pedaços que saíram de mim
com o mistério de serem poucos
e valerem só quando os perdia


fui ficando
por umbrais
aquém do passo
que nunca ousei

eu vi
a árvore morta
e soube que mentia

MIA COUTO

publicado às 17:12

O tempo não é algo que possa voltar atrás

por Jorge Soares, em 12.08.13

O tempo

 

 Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Não importa em quantos pedaços partiram o teu coração, o mundo não pára para que os coles. O tempo não é algo que possa voltar atrás.

William Shakespeare

 

Bárcena Mayor, Cabuérniga, Astúrias

Agosto de 2012

Jorge Soares

publicado às 17:58

Uma praia nas Astúrias

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Acho que nunca aqui se falou de óculos, o que não deixa de ser estranho, isto porque dos 5 que moramos cá em casa, 4 usamos e para além de que bem que podíamos ser sócios da óptica, não somos mas consta-me que eles gostam mesmo muito de nós, há histórias que dariam não para um post, mas para um blog inteirinho só sobre o assunto.

 

A história que lhes quero contar hoje começou há dois anos atrás, quando as férias em lugar de nas nossas adoradas Astúrias, foram na Galiza.

 

No fim de um dia qualquer demos pela falta dos óculos do N. ao contrário da irmã mais velha, que nunca sabe onde está nada, o N. é quase o nosso amuleto da sorte, não só sabe onde costumam estar todas as suas coisas, como normalmente sabe onde estão ou podem estar as coisas do resto da família.. ainda não percebi se tem memória fotográfica, mais jeito para procurar, ou simplesmente tem muita sorte, mas o certo é que quando falta algo, todo o mundo pergunta ao N. se ele viu... e normalmente viu.

 

Naquele dia ele não tinha visto os óculos, depois de revirarmos a tenda o carro e meio parque de campismo, ele lá se lembrou que a última vez que os tinha visto tinha sido na praia. Já não me lembro se naquele dia voltamos à praia ou não, mas no dia seguinte fomos.. é claro que encontrar uns óculos na areia da praia é mais ou menos como encontrar uma agulha num palheiro... e evidentemente não encontramos nada. Também perguntamos no bar da praia, em vão.

 

No dia a seguir voltamos à praia e por descargo de consciência voltamos a perguntar no bar...e voilá, alguém tinha encontrado uns óculos enterrados na areia....

 

Este ano as férias foram mesmo nas Astúrias, num dos muitos dias em que andamos a vaguear de praia em praia, fomos parar a uma enseada cheia de gente, a praia era bonita e a água era de um azul turquesa e uma transparência que convidava ao mergulho... era quase tudo perfeito, excepto que em lugar de areia a praia era de seixos e por muito convidativa que fosse a água, era um suplicio chegar até ela..estivemos uns cinco minutos e decidimos procurar outro poiso.

 

Quando chegamos à praia seguinte demos pela falta dos óculos do N. nem ele se conseguia lembrar de os ter trazido, nem ninguém de o ter visto com óculos...  ele achava que não... Ainda recorremos à máquina fotográfica, mas não havia imagens com ele de frente, concluímos que deviam ter ficado na tenda e dispusemos-nos  a gozar as delicias do sol e da água quente do Mar Cantábrico.

 

Ao fim do dia e depois de revirarmos a tenda e o carro, concluímos que aquela vaga lembrança que ele tinha de tirar os óculos na praia e os colocar no boné, tinha sido mesmo o que tinha acontecido e a aquela hora estes estariam algures a rebolar entre as ondas na praia dos seixos.

 

Por descargo de consciência no dia a seguir passamos de novo pela praia e no bar fomos perguntar se alguém teria "encontrado unas gafas en la playa"... e por incrível que pareça os óculos estavam lá à nossa espera.

 

O N. é mesmo o rapaz com mais sorte do mundo.

 

Jorge

publicado às 22:10

Um poema não é uma coisa .....

por Jorge Soares, em 19.08.12

Um poema não é uma coisa .....

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Um poema não é uma coisa que se coloca sobre o teu dia como um condimento sobre o teu almoço. A vida de uma pessoa não tem material semelhante a nada que conheças. Existir é feito de peças impossíveis de copiar. E a poesia não entra nesse material único - a vida de uma pessoa - como o avião no ar ou o acidente do avião na terra dura. Um poema não é manso nem meigo, não é mau nem ilegal.


Os homens não se medem pelos poemas que leram, mas talvez fosse melhor. O que é a fita métrica comparada com algo intenso? Há poemas que explicam trinta graus de uma vida e poemas que são um ofício de demolição completa: o edifício é trocado por outro, como se um edifício fosse uma camisa. Muda de vida ou, claro, muda de poema. 

Gonçalo M. Tavares, in A Perna Esquerda de Paris
Retirado de Há vida em Marta

 

Um raio de luz atravessa o fumo da fornalha do ferreiro.
Mazo de Meredo, Ribadeo, Astúrias, Espanha
Agosto de 2011
Jorge Soares

publicado às 17:42

Não te apresses: também a água deste rio é vagarosa ...

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Se eu definisse o tempo como um rio,



a comparação levar-me-ia a tirar-te

de dentro da sua água, e a inventar-te

uma casa. Poria uma escada encostada

à parede, e sentar-te-ias num dos seus

degraus, lendo o livro da vida. Dir-te-ia:

«Não te apresses: também a água deste

rio é vagarosa, como o tempo que os

teus dedos suspendem, antes de virar

cada página.» Passam as nuvens no céu;

nascem e morrem as flores do campo;

partem e regressam as aves; e tu lês

o livro, como se o tempo tivesse parado,

e o rio não corresse pelos teus olhos.

Nuno Júdice
Cascata no rio Suarón,
Mazo de Meredo, Vegadeo, Asturias
Agosto de 2011
Jorge Soares

publicado às 17:40

Todos os Caminhos me Servem

por Jorge Soares, em 13.08.12

Todos os Caminhos me Servem

Imagem minha do Momentos e Olhares 

 

Todos os Caminhos me Servem


Todos os caminhos me servem. 
Em todos serei o ébrio 
cabeceando nas esquinas. 
Uma rua deserta e o hálito 
das pessoas que se escondem, 
uma rua deserta e um rafeiro 
por companheiro. 

Ó mar que me sacode os cabelos 
que mulher alguma beijou, 
lágrimas que os meus olhos vertem 
no suor dos lagares, 
que uma onda vos misture 
e vos leve a morrer 
numa praia ignorada. 

Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"

 

No caminho de Santiago entre as praias do Arenal de Moris e Esparsa

Astúrias, Agosto de 2011

Jorge Soares


publicado às 17:28

À Beira de Água

por Jorge Soares, em 12.08.12

À Beira de Água

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Estive sempre sentado nesta pedra

escutando, por assim dizer, o silêncio.

Ou no lago cair um fiozinho de água.

O lago é o tanque daquela idade

em que não tinha o coração

magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,

dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,

tão feito de privação.) Estou onde

sempre estive: à beira de ser água.

Envelhecendo no rumor da bica

por onde corre apenas o silêncio.

 

Eugénio de Andrade

 

Rio Sualón, Vegadeo, Astúrias

Agosto de 2011

Jorge Soares

publicado às 17:27

Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,

Imagem minha do Momentos e Olhares 

 

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... 


Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, 
Mas porque a amo, e amo-a por isso, 
Porque quem ama nunca sabe o que ama 
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ... 


Amar é a eterna inocência, 
E a única inocência não pensar...

 

Alberto Caeiro in Guardador de rebanhos

 

Praia La Isla, Colunga, Astúrias, Espanha

Agosto de 2011

Jorge Soares

publicado às 17:26

Ausência

por Jorge Soares, em 10.08.12

Ausência

Imagem minha do Momentos e Olhares 

 

Ausência
 

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida 
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. 
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados 
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. 
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. 
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. 
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. 
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. 
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. 
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. 
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. 
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. 
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. 
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada. 
  

MORAES, Vinícius de. ANTOLOGIA POÉTICA.

 

 

La Concha de Artedo, Astúrias, Espanha

Agosto de 2011

Jorge Soares

publicado às 17:24

Busca

por Jorge Soares, em 09.08.12

Arenal de moris

Imagem minha do Momentos e Olhares 

 

Busca

 

Durante anos os procurei,
um amor, um lugar,
um sonho de casas eternas,
um cais de outrora quando se acendiam as
lâmpadas,
durante anos te procurei,
caminhante das estrelas solitárias, das
estrelas sem nome,
brilhando sobre as ilhas, sabe-se lá onde,
em que oceanos que levaste contigo,
no grande eclipse desta vida.

José Agostinho Baptista

 

Praia do Arenal de Moris, Caravia, Astúrias, Espanha

Agosto de 2011

Jorge Soares

publicado às 17:21


Ó pra mim!

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