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Salários, João Baião vai ganhar 25000 Euros

 

Imagem de aqui 

 

 

Está a levantar celeuma que o governo se prepare para gastar meio milhão de Euros por ano em salários só para os três principais directores do novo Banco do Fomento, sendo que um deles irá ganhar mais de 13 mil Euros por mês.

 

Assim de repente, num país onde o salário médio anda à volta dos 800 Euros por mês, 13 mil Euros parece um salário exorbitante, é claro que estamos a falar de alguém que terá a enorme responsabilidade de presidir a um banco do Estado.  Podemos também perguntar para que precisa o país de um banco de fomento quando já existe algo chamado Caixa Geral de de depósitos... mas isso é outra história.

 

Pelo que percebi, as três pessoas em questão tinham cargos de relevo em bancos privados e teriam de certeza salários a condizer com a importância desses cargos, sei que muita gente acha que as pessoas deveriam ir trabalhar para o estado com espírito de missão, mas também é verdade que sempre que alguém me vem com essa ideia eu pergunto se a pessoa deixaria o seu emprego para ir para o estado ganhar menos que aquilo que ganha... ainda estou á espera do primeiro que diga que sim.

 

Para vermos como as coisas são relativas, li esta semana que O João Baião vai deixar a RTP para ir trabalhar para a SIC, onde irá ganhar qualquer coisa como 25 mil Euros por mês a apresentar programas de televisão, mais do dobro do que ganhava na RTP. Não vi ninguém escandalizado com isso, 25 mil Euros é quase o dobro do que irá ganhar o presidente do Banco... alguém quer comparar o nível de responsabilidade?

 

Dei por mim a pensar como são relativas as coisas, um entertainer ganha o dobro do presidente de um banco do estado... visto por este prisma o salário do banqueiro parece-me pouco para a sua importância... a menos que os salários se calculem com base no número de vezes que se aparece nas revistas cor de rosa....

 

É claro que a comparação não faz muito sentido, a SIC é uma empresa privada e paga o que entender... mas a RTP é uma empresa Pública e pelo que percebi o salário do Baião seria qualquer coisa acima dos 10 mil Euros... o que evidentemente à primeira vista parece um absurdo... se nos esquecermos que a SIC lhe vai pagar os tais 25 mil ...

 

Tudo na vida é relativo, mas será que queremos mesmo um banco com um presidente que ganhe o salário mínimo ou uma pequena parte do que ganharia nos bancos privados?

 

A minha visão de tudo isto é a seguinte: Tudo depende evidentemente do ponto de vista, mas parece-me que  o que está errado não é o senhor ir ganhar os 13 mil Euros, o que está mesmo muito errado é que o salário mínimo seja uma miséria e a média dos salários do resto dos portugueses sejam os tais 800 Euros por mês.

 

Jorge Soares

publicado às 22:51

Onde está o nosso dinheiro?

 

Imagem do El País 

 

É (Era?) suposto ser a moeda do futuro, uma alternativa às moedas e aos bancos tradicionais, estava na moda e até já havia empresas como a Amazon em que já se podia utilizar para as compras online.... Tem a particularidade de ser completamente virtual e de não ter por trás mais garantia que essa, é virtual e não é controlada por ninguém. 

 

Teve um enorme impulso após a crise monetária do Chipre quando muita gente começou a desconfiar da solidez dos paraísos fiscais, em Janeiro 1 bitcoin valia mais de 800 Euros.

 

O problema é que era tão virtual e tão livre de control de paises e instituições, que tal como era fácil de prever, podia simplesmente desaparecer quando alguém decidisse desligar o interruptor de alguns servidores...

 

E foi precisamente isso que aconteceu, alguém dsligou, não o botão, mas sim o principal site onde estavam "guardadas" as moedas de muita gente e de um segundo para o outro qualquer coisa como 750 mil bitcoins, mais de 250 milhões de Euros, desapareceram no ar virtual da internet.

 

É claro que aquilo que tornava a moeda virtual tão aparentemente forte e atractiva para tanta gente, é na realidade o seu ponto mais fraco, quem lá tinha o dinheiro guardado não tem para onde reclamar e as probabilidades de reaver nem que seja uma única moeda, são tão virtuais como o era o Bitcoin.

 

O Mt.Gox, era  maior site de compra e venda de bitcoins e hoje foi simplesmente desligado da rede, isto depois de se ter verificado que durante meses ou anos alguém tinha estado a retirar de forma fraudulenta "moedas" de lá sem que aparentemente dessem pela falta delas. Por muito que outros sites tentem demarcar-se do assunto, a verdade é que depois de hoje dificilmente alguém voltará a confiar numa moeda que é tão  mas tão virtual, que basta desligar um site na internet para que esta desapareça.

 

E ainda há quem fale mal dos nossos bancos.

 

Jorge Soares

publicado às 22:32

Receber o país de tanga e entregar nu

por Jorge Soares, em 03.12.13

Dívida Pública

Imagem de aqui

 

Há muito que O  BE e o PCP clamam que a solução para a crise passa por uma renegociação da dívida, a maioria no governo e o PS sempre se escusaram a aceitar sequer falar deste assunto, para este governo até agora só existia um caminho, a austeridade. 

 

Cortar nos salários, cortar nos direitos dos trabalhadores, cortar nas pensões, aumentar impostos, privatizar as empresas do estado, vender os serviços... era este o caminho seguido à risca e sem desvios. Até hoje, porque hoje ficamos a conhecer uma nova maneira, chutar o problema para a frente, de preferência para lá das eleições, quem vier a seguir que se amanhe.

 

Pela ministra dos sawps, ficamos a saber que o governo renegociou uma parte da dívida que o país tem que amortizar durante o ano que vem, qualquer coisa como 6000 milhões de Euros... Só que para mim renegociar uma dívida deveria significar arranjar um compromisso em que se facilite a vida a quem deve de modo a tornar mais fácil o seu pagamento. Para o governo, renegociar significa fazer um novo contrato em que se fica a dever o mesmo e se tem que pagar juros mais altos e durante mais tempo.

 

Não está escrito em lado nenhum, mas está à vista que a maioria destes créditos são dos bancos nacionais, Caixa Geral de depósitos incluída, que recebem o dinheiro do BCE a taxas irrisórias, muito abaixo de 1%, e agora (aceitaram?) renegociar com o estado com juros à volta dos 5% e evidentemente lucros milionários à custa dos nossos sacrifícios.

 

2014 e 2015 são anos de eleições, logo, não dá muito jeito aumentar ainda mais a austeridade, entendemos isso, mas era bom que alguém fosse pensando como é que em 2017 e 2018 se vai resolver mais este problema... quem vier a seguir que se amanhe.

 

Ou seja ,este governo é mesmo original, tal como todos os anteriores deita a culpa da situação do país para a herança recebida, mas se recebeu o país de tanga está-se mesmo a ver que o vai entregar nu.

 

Jorge Soares

publicado às 23:16

Carnaval no Chipre

 

Imagem do Público 

 

Quantas vezes ouvimos a frase, "Os ricos que paguem a crise"? No Chipre é isso que vai acontecer, uma das condições da Troika para o empréstimo de dez mil milhões de Euros é que seja aplicado um imposto imediato de 10% sobre todos os depósitos bancários superiores a cem mil Euros. Para os depósitos inferiores a este valor o imposto é de 6,5 %. Em contrapartida os depositantes ficam com acções dos bancos.

 

O Chipre é uma espécie de paraíso fiscal para os ricos da Rússia que utilizam os bancos da pequena ilha no mediterrâneo para esconder os negócios obscuros e lavagem de dinheiro, calcula-se que perto de um quarto de todo o dinheiro existente nos bancos pertença a cidadãos russos e Gregos, estes últimos depositaram a sua riqueza no Chipre para fugir a uma hipotética saída da Grécia do Euro. É  precisamente este dinheiro que a troika tenta apanhar com esta medida.

 

Para terem uma ideia da quantidade de dinheiro que existe nos bancos cipriotas, o governo calcula que irá obter quase seis mil milhões de Euros com esta medida, mais de metade do resgate Europeu. O que significa que os bancos tem depósitos superiores a sessenta mil milhões de Euros, quase três vezes o valor do PIB do país,  isto num país com menos de oitocentos mil habitantes é mesmo muito dinheiro. 

 

Qual seria o efeito de uma medida destas em Portugal?, muito pouco.  Por cá a maioria da população tem dívidas, a nossa mania de termos todos casa própria e o crédito fácil, há muito que nos fizeram esquecer o que é poupar, nós não temos dinheiro nos bancos por isso dificilmente alguém se lembraria de uma medida destas... Ao contrário do Chipre, é muito mais efectivo cortar nos salários e aumentar os impostos.... se calhar a maioria de nós preferia mesmo que aplicassem uma medida destas que pouco ou nada nos afectaria, a ver os nossos salários a serem reduzidos todos os anos... ou seja, Os ricos que paguem a crise.

 

Mas tudo isto não deixa de ser assustador, a mensagem que se está a passar aos europeus é a de que os bancos não são um lugar seguro para se ter o dinheiro, e se até aqui quem tinha algum o colocava rapidamente num Off - shore qualquer, a partir de agora vamos assistir a uma corrida aos Off-Shores .... e há quem diga que isto é o principio do fim da economia da Europa e da união europeia.

 

Jorge Soares

publicado às 22:15

O mito da crise da Islândia

por Jorge Soares, em 21.10.12

Na Islândia

 

Ando há meses a ouvir falar da Islândia, segundo a crença popular, quando deram pela crise os Islandeses mandaram os políticos para a prisão, fizeram um referendo onde decidiram que não iam pagar as dividas dos bancos e com isto deram a volta por cima e agora são um país próspero.

 

Como não acredito em milagres, dei-me ao trabalho de investigar e é claro que o que descobri é que o único de verdade no que as pessoas dizem é o facto de realmente eles terem dado a volta à crise, o resto são mitos.

 

Vejamos, a Islândia é um pequeno país, tem 320 mil habitantes, até 2008 tinha uma economia próspera, todo o mundo tinha um nível de vida muito elevado e uma enorme facilidade de chegar ao crédito. Com muito dinheiro disponível, os bancos investiram no imobiliário americano e na divida de países terceiros. Com a crise americana de 2008, os bancos foram ao fundo e com eles a economia do país.

 

Aqui está a primeira diferença com a nossa crise, a da Islândia é puramente financeira, os bancos tem problemas mas o estado é sólido, a nossa crise é basicamente ao contrário, exceptuando o BPN, os nossos bancos são mais ou menos sólidos, ao contrario do estado que tem graves problemas estruturais.

 

O que fez a Islândia para atacar a crise? Nacionalizou os bancos e pediu dinheiro ao FMI e à China para os refinanciar. Depois desvalorizou a moeda em 50%. É claro que uma desvalorização da moeda levou a que muita gente tivesse problemas para pagar os créditos, as prestações duplicaram e os bens aumentaram 50%, mas como o nível de vida era muito elevado, as pessoas passaram a ter menos dinheiro, mas continuaram a conseguir pagar e continuar a comprar as coisas, o que fez com que a economia continuasse a funcionar e até a crescer.

 

Por cá também se nacionalizou um banco, mas acho que todos estamos de acordo em que em lugar de resolver o que quer que fosse, isso contribuiu e muito para aumentar o buraco nas contas do estado.

 

A nossa crise é completamente estrutural, não tem nada a ver com a crise da Islândia, e não há receitas iguais para crises diferentes, aliás, nem para crises iguais. Além disso, é muito diferente tratar das contas de um país de 320 mil habitantes ou de um de 10 milhões... 

 

Por fim, é verdade que na Islândia levaram o ex primeiro ministro ao banco dos réus, mas o que não se diz por cá é que  este foi ilibado de todas as acusações. Também é verdade que fizeram um referendo sobre pagarem ou não algumas dívidas dos bancos... mas ninguém tem dúvidas que o dinheiro que a China e o FMI injectaram nos bancos nacionalizados é para se pagar.

 

Há quem ache que uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade, mas comparar a crise da Islândia e o que por lá se passou com o que se passa por cá é ou ignorância ou pura demagogia.

 

Na passada sexta na RTP o programa Sexta às 9 falaram do milagre Islandês.. podem ver o vídeo aqui:

 

 
Jorge Soares

publicado às 22:06

 

 

 Para onde vai o nosso dinheiro

 

Imagem de aqui 

 

Chama-se Victoria Grant, é canadiana e tem 12 anos. No passado dia 27 de Abril em Filadélfia, Estados Unidos , ela proferiu um discurso numa conferência sobre o sistema bancário na América, onde explicou à audiência a razão pela qual os bancos não estão a funcionar bem. .. ouçam com atenção:

 

 

Na barra inferior há um botão que tem CC, carregando lá activamos as legendas em espanhol.

 

Todo o discurso é sobre o sistema bancário do Canadá, mas no mundo global em que vivemos é válido para qualquer outro país ocidental, basta alterar algumas datas e o nome do país e aplica-se directamente a Portugal, ou à Grécia, ou à Espanha, ou a Itália.. ou à Alemanha,.. ou a  ... escolha o país que quiser.

 

“Já se interrogaram sobre o porquê de o Canadá estar tão endividado? Já se interrogaram sobre o porquê de os banqueiros dos maiores bancos privados estarem cada vez mais ricos e nós não?” 

Como é que on sistema bancário nos está a  roubar? ela explica “Eu explico-vos por que é que os bancos privados não estão a funcionar”,  segundo a Victoria, o governo financia-se junto dos bancos privados e depois continua a aumentar os impostos, para pagar os juros e a divida.

“Cada vez que os bancos concedem um empréstimo, é criado um novo cartão de crédito, há novos depósitos e dinheiro novo. Generalizando, todo o novo dinheiro que vem do banco assume a forma de empréstimo. Como os empréstimos são dívida, então no actual sistema todo o dinheiro é dívida”.

“Os bancos privados estão a defraudar e a roubar o povo canadiano e têm de ser travados. (…) Parecem os vendilhões do templo, pois manipulam a moeda para roubarem dinheiro ao povo”

Segunda ela, a solução terá que passar porque os bancos passem a pedir dinheiro directamente aos bancos centrais em lugar de à banca privada. “As pessoas pagariam então impostos justos para reembolsar o Banco do Canadá. Esse dinheiro dos impostos seria por sua vez reinjectado na nossa infra-estrutura económica. Os canadianos poderiam prosperar de novo, com dinheiro real como fundação da estrutura económica e não com dinheiro de dívida”.

“O que é evidente para mim, e só tenho 12 anos, é que estamos a ser defraudados e roubados pelo sistema bancário e um governo cúmplice”. E isso é doloroso, disse ela.

 

Esclarecidos?

 

Jorge Soares

publicado às 21:30

O que é o BCE

Imagem de aqui

 

Para quem tenha interesse em compreender como funciona o Banco Central Europeu...


Esta explicação ajudará a acabar de vez com as dúvidas sobre o que é o BCE e seus congéneres.

Que é o BCE?

- O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.

 

E donde veio o dinheiro do BCE?

- O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuíram com 30%.

 

E é muito, esse dinheiro?

- O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.

 

Então, se o BCE é o banco destes Estados pode emprestar dinheiro a Portugal, ou não? Como qualquer banco pode emprestar dinheiro a um ou outro dos seus acionistas.

- Não, não pode.

 

Porquê?!

- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.

 

Então, a quem pode o BCE emprestar dinheiro?

- A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.

 

Ah percebo, então Portugal, ou a Alemanha, quando precisa de dinheiro emprestado não vai ao BCE, vai aos outros bancos que por sua vez vão ao BCE.

- Pois.

 

Mas para quê complicar? Não era melhor Portugal ou a Grécia ou a Alemanha irem diretamente ao BCE?

- Bom... sim... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!

 

Agora não percebi!!..

- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.

 

Mas isso assim é um "negócio da China"! Só para irem a Bruxelas buscar o dinheiro!

- Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.

Isso é um verdadeiro roubo... com esse dinheiro escusava-se até de cortar nas pensões, no subsídio de desemprego ou de nos tirarem parte do 13º mês.

As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos acionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.

 

Mas quem é que manda no BCE e permite um escândalo destes?

- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.

 

Então, os Governos dão o nosso dinheiro ao BCE para eles emprestarem aos bancos a 1%, para depois estes emprestarem a 5 e a 7% aos Governos que são donos do BCE?

- Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6%, a 7 ou mais.

 

Então nós somos os donos do dinheiro e não podemos pedir ao nosso próprio banco!...

- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande acionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.

 

Mas, e os nossos Governos aceitam uma coisa dessas?

- Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.

 

Mas então eles não estão lá eleitos por nós?

- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta atual crise mundial, a maior de há um século para cá.

Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a

gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.

 

E onde o foram buscar?

- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?...

 

Mas meteram os responsáveis na cadeia?

- Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que

tinha direito.

 

E então como é? Comemos e calamos?

- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...

 

Por Fernando Sequeira 

publicado às 21:15


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