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A pálida Luz da Manhã de Inverno

por Jorge Soares, em 26.12.12

Inverno

 

Imagem minha do Momentos e Olhares


A pálida Luz da Manhã de Inverno 

 

A pálida luz da manhã de inverno, 
O cais e a razão 
Não dão mais 'sperança, nem menos 'sperança sequer, 
Ao meu coração. 
O que tem que ser 
Será, quer eu queira que seja ou que não. 

No rumor do cais, no bulício do rio 
Na rua a acordar 
Não há mais sossego, nem menos sossego sequer, 
Para o meu 'sperar. 
O que tem que não ser 
Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar. 

 

Fernando Pessoa 

Poesias inéditas

 

Chegou o inverno

O Sado e o céu em Setúbal

Jorge Soares

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publicado às 18:51

Conto - Do céu

por Jorge Soares, em 01.12.12

Do céu

 

 

O moço era estranho.

 

Jogava futebol na divisão principal. Quando entrava em campo, fazia uns trejeitos com a mão direita sobre o peito. Ninguém se atrevia a perguntar-lhe se era tique ou comichão.

 

Às vezes, puxava um fio dourado, atado ao pescoço, donde pendia um T, e beijava-o. É certo que o nome dele é Teodoro, mas tanto narcisismo parecia um bocado bacoco.

 

Quando falhava um golo à boca da baliza, havia mais bizarria. Em vez de verificar as botas, olhava para o céu e levantava os braços. Após uma dessas vezes declarou que contava com uma graça que não surgiu. Aparentemente, era um auxílio que devia vir de cima. Ninguém entendeu que um jogador tão experiente esperasse que um golo que entrasse na baliza com ajuda externa pudesse ser validado pelo árbitro.

 

Era estranho.



Há quatro anos, foi vítima de uma daquelas coincidências em que alguns insistem em ver intencionalidade: quando levantou os olhos ao céu, em vez da graça esperada, veio uma garça. Foi atingido em cheio no olho direito por uma cagadela fétida e volumosa. A força do impacto e uma infeção posterior reduziram-lhe consideravelmente a visão.

 

Sem visão binocular, teve de abandonar o futebol e renunciar a qualquer outro desporto com bola. Agora dedica-se ao xadrez. Quem o quiser ver, vai encontrá-lo de cabeça baixa, atento ao tabuleiro, sem temer as armadilhas do acaso. No xadrez não há acasos, só a luta de duas mentes perante um jogo totalmente exposto. Nunca mais ninguém o viu a fazer trejeitos sobre o peito ou a levantar os olhos ao céu.

 

Joaquim Bispo

 

retirado de Samizdat

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publicado às 12:18

O Silêncio abre as mãos..

por Jorge Soares, em 02.04.12

Crepúsculo

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

Crepúsculo

 

Teus olhos, borboletas de oiro, ardentes 
Batendo as asas leves, irisadas, 
Poisam nos meus, suaves e cansadas 
Como em dois lírios roxos e dolentes... 

E os lírios fecham... Meu Amor, não sentes? 
Minha boca tem rosas desmaiadas, 
E as minhas pobres mãos são maceradas 
Como vagas saudades de doentes... 

O Silêncio abre as mãos... entorna rosas... 
Andam no ar carícias vaporosas 
Como pálidas sedas, arrastando... 

E a tua boca rubra ao pé da minha 
É na suavidade da tardinha 
Um coração ardente palpitando... 

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"

 

 

Alviães, Oliveira de Azemeis
Março de 2011
Jorge Soares

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publicado às 21:24

À noite há fadas pelo céu...

por Jorge Soares, em 09.08.11

O céu pintado pelas nuvens em Cambados

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

À noite,

Há fadas pelo céu,

Gigantes como eu,

Cuidado!

Há sombras na janela,

Peter Pan dança na estrela,

Não acordes na viagem.

Conta-me uma história

De tesouros e luar,

És capitão da Areia,

E pirata de Alto Mar

Agora,

As cortinas têm rostos,

São fantasmas bem-dispostos,

Cuidado!

O Super-homem está a caminho,

Traz o Panda e o Soldadinho,

Fecha os olhos e verás.

Às vezes

Há dragões que têm medo

E é esse o seu segredo,

Cuidado!

Vivem debaixo da cama,

Brincam com o Homem-aranha,

Vais levá-los no teu sono.

Conta-me uma história

De tesouros e luar,

És capitão da areia,

E pirata de alto mar

Conta-me uma história

Onde eu entro devagar,

És capitão da areia

Diz-me onde me vais levar

 

Pedro Abrunhosa

Capitães da Areia

Ouvir aqui

 

 

Cambados, Galiza, Espanha

Agosto de 2010

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publicado às 12:13


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