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Imagem do Pontos de vista

 

Raif Badawi é blogguer e co-fundador do site Rede Liberal Saudita, segundo quem o condenou é culpado de: ser activista dos direitos humanos, ateu, criticar o poder dos líderes religiosos da Arábia Saudita e a sua ingerência na vida politica no país. Por estes crimes foi condenado a 10 anos de prisão e a receber 1000 chicotadas que deverão ser dadas em público ao longo de 20 semanas. A mulher e os dois filhos fugiram entretanto para o Canadá com medo de represálias por parte das autoridades sauditas e/ou fanáticos religiosos.

 

Há uma semana atrás recebeu as primeiras 50, na sexta feira passada, a pedido dos médicos da prisão,  foram adiadas as segundas 50 devido a que as feridas das primeiras ainda não tinham sarado o suficiente.

 

Tal como Raif eu sou blogguer, quem me lê sabe que sou ateu, que muitas vezes critico os lideres religiosos portugueses e mundiais, e é habitual criticar o governo e o presidente da república... felizmente vivo num país onde ainda existe liberdade de expressão, é possível pensar, ter opinião e onde os castigos com chicotadas foram abolidos algures no século XIX quando por cá terminou a idade média.

 

Há muita gente que não percebeu o porquê da gigantesca manifestação em Paris, ou o que significa "Je suis Charlie", aqui está a explicação. Tal como explicava há pouco à minha filha adolescente e blogguer recente, se cedermos agora, se formos na conversa idiota do "Eles estavam a pedi-las", o mais certo é que a seguir usem a força para calar os bloguers ocidentais, depois serão os jornais normais, e quando dermos por nós  terminaremos todos em silêncio com medo das chicotadas.

 

A liberdade de expressão é um bem precioso, a maioria das pessoas nem dá pela sua existência no dia a dia, em Portugal, como em muitos outros países, custou muitas vidas e muito sofrimento para poder ser conquistada, é portanto um direito do qual não podemos de forma alguma abrir mão.

 

A Amnistia Internacional já condenou esta pena e tem em curso uma campanha e uma petição que exige a libertação imediata do ativista.

 

#FreeRaif

Jorge Soares

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publicado às 20:59

Venezuela, entre a ditadura e a guerra civil

por Jorge Soares, em 16.02.14

Venezuela

 

Imagem do Público 

 

Quando é que um regime que foi eleito pelo povo perde a legitimidade?

 

O que teme um governo que para além de manter toda a comunicação social publica e privada controlada, decide retirar das plataformas de cabo e da internet o sinal de um canal internacional que está a transmitir em directo, ao contrário dos canais nacionais, as manifestações e protestos organizados pelos estudantes em todo o país?

 

Na única noticia que vi na televisão portuguesa sobre o que está a passar em Caracas, ouvi Nicolás Maduro ameaçar o povo e a oposição com a radicalização da revolução e a utilização das armas para a defender, se os protestos continuarem.

 

Durante muito tempo defendi Chaves, não pela forma como governava mas sim pela legitimidade dos seus governos, confesso que não pude evitar sentir um arrepío na espinha ao ouvir aquelas palavras da boca de um presidente da República de um país onde supostamente existe uma democracia. Que tipo de governante ameaça o seu povo com a utilização das armas para o fazer calar?

 

Os protestos que se iniciaram nos estados Andinos da Venezuela e que rápidamente se estenderam a Caracas e a  praticamente todo o país, são contra as super degradadas condições económicas que derivam de uma inflação de mais de 50% e contra as condições de insegurança que pioram todos os dias e que convertem o país no segundo a nível mundial no número de homicídios.

 

O que faz Nicolás Maduro ante esta situação? Envia grupos paramilitares armados para enfrentar as manifestações. Força o encerramento dos jornais impressos ao não autorizar a importação de papel, controla os meios de comunicação  nacionais ameaçando com o encerramento a quem difunda noticias que mostrem a situação real do país e corta o sinal aos canais internacionais, chegou inclusivamente a impedir a difusão de fotografias no Twitter para evitar que os estudantes  o utilizem, e às restantes redes sociais, para mostrar ao país e ao mundo o que se passa nas ruas... Neste momento existe na Venezuela uma censura de facto.

 

A Venezuela é um dos países com mais recursos naturais do mundo, é o terceiro produtor mundial de petróleo, apesar de nos últimos 10 anos terem quase destruído a industria petrolífera, continuam a entrar milhões de dólares todos os dias no país. Para onde vai todo esse dinheiro?, ninguém sabe.

 

Chavez, Maduro e o seu partido estão no governo há 15 anos, nestes 15 anos em lugar de melhorar, a situação económica piorou todos os dias.

 

Chavez chegou ao poder principalmente devido à enorme desigualdade que existia no país, passados 15 anos, os pobres continuam pobres, vivem praticamente nas mesmas condições em que viviam antes, a população do país praticamente duplicou, os ricos são os mesmos, os pobres são muitos mais e a desigualdade social, a insegurança e a corrupção aumentaram de forma dramática.

 

Hoje vi Nicolás Maduro ameaçar os estudantes e o país com a imposição do poder pela via das armas, o que vi não é digno de um presidente democraticamente eleito, é digno de um qualquer ditador de república das bananas do século passado...  

 

Em 1958 A Venezuela foi o primeira democracia da América latina, não me parece que o povo esteja disposto a ter a primeira ditadura do século XXI, esperemos que Chavez mande de novo algum passarinho cantar ao ouvido de Maduro e que lhe mostre que o povo está primeiro e que não vai aguentar muito mais.

 

Desde aqui, de todo coração desejo o melhor para um povo e um país que aprendi a amar e que levo no coração como o meu...

 

La lucha del  pueblo venezolano es por un país onde se pueda vivir con justicia, paz y libertad, por favor no se rindan!

 

Update: Vídeo - O que está a acontecer na Venezuela?

 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:08

Miguel Relvas ou Bárbara Reis, quem mente?

por Jorge Soares, em 25.05.12

Bárbara Reis foi ouvida nesta quinta-feira na ERC

Imagem do Público 

 

 

A directora do PÚBLICO, Bárbara Reis, reiterou nesta quinta-feira de manhã, na ERC, que Miguel Relvas “fez uma pressão” sobre o jornal com diversas ameaças, e contou que o ministro lhe disse depois ter “humildade suficiente para pedir desculpa” pelo telefonema que fizera à editora de Política. 

 

O ministro Miguel Relvas negou nesta quinta-feira de manhã, na ERC, ter feito ameaças à jornalista do PÚBLICO que tem escrito sobre as "secretas" e disse que é ele próprio quem se sente pressionado por o jornal lhe ter dado 32 minutos para responder a uma pergunta. 

 

Eu ouvi o senhor ministro dizer que não, que não tinha feito ameaças nenhumas e que o pedido de desculpas foi só pelo tom indelicado do telefonema, algum tempo depois ouvi a senhora ali da fotografia, Bárbara Reis de seu nome e directora do jornal Público,  a dizer que sim, que tinha havido ameaças de divulgação de dados da vida privada da jornalista, alguém perguntou quais dados, ao que ela respondeu que isso não interessava naquele momento.

 

Eu ouvi, ninguém me contou... agora a questão é, quem está a mentir?, porque do que eu ouvi, alguém está a mentir...e mentir é muito feio.

 

Entretanto parece que começaram os danos colaterais de tudo isto, Adelino Cunha, membro do gabinete do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, demitiu-se na sequência de terem aparecido nas investigações algumas mensagens telefónicas trocadas com o ex-espião Jorge Silva Carvalho.

 

Jorge Soares

 

PS: Aceitam-se apostas sobre o que dirá a ERC, aposto que eles entenderam outra coisa completamente diferente do que eu entendi.

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publicado às 11:52

Precários inflexiveis

 

Imagem do Público 

 

Aconteceu com os Precários Inflexiveis, mas podia acontecer comigo, porque também eu já aqui deixei patente a minha insatisfação com algumas empresas e serviços deste país.

 

Alguém enviou um mail a contar uma situação real com uma empresa (Axes Market), o mail é publicado num blog e na sequência há largas dezenas de pessoas que decidem dizer que já passaram pelo mesmo e que relatam um conjunto de situações no mínimo duvidosas. O que faz empresa em questão?, emite um comunicado a desmentir o que foi relatado?, processa as pessoas que estão a denegrir o seu nome? 

 

Não, a empresa que entretanto em poucos dias mudou de nome (Ambição Internacional Marketing) coloca uma providência cautelar para que os comentários sejam retirados do blog... note-se, a empresa em questão nunca exerceu qualquer direito de resposta,  nunca desmentiu o que ali era contado, nem no post nem nos comentários, não processou quem colocou o post ou os comentários, eles simplesmente optaram pelo mais fácil, se não podes contrariar a mensagem, mata o mensageiro.

 

O tribunal invocou o direito a manter o bom nome da empresa, decidiu que os donos do blog deveriam apagar todos os mais de 350 comentários que entretanto foram aparecendo. Apesar de reconhecer o “direito fundamental de liberdade de expressão e informação, cujo exercício não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura”, o tribunal sustenta que “tal direito de informação e crítica não é ilimitado”, na medida em que colide com o direito que os visados têm “a ver respeitada a sua honra” 

 

Ou seja, o tribunal decidiu que vale mais o direito da empresa a manter a sua honra que o direito que temos todos a relatar factos e acções praticados por esta, mesmo que estas acções violem leis e direitos. 

 

Então e no meio disto tudo, quem defende os direitos de quem se sente enganado e até burlado pela empresa? 

 

Como eu não acho que a liberdade de expressão é uma treta, aqui vão alguns dos comentários que foram deixados no post:

 

"Eu fui lá ontem,e achei que a empresa era séria,agora chama-se International Marketing Lda e encontra-se na Rua dos Fanqueiros Nº277 2ºesq,chamaram-me para ir lá hoje passar o dia e não sei o que fazer, sei que disseram-me o mesmo que vós disseram, mas não parece que estejam a enganar. mas hoje vou tirar isso a limpo com a Ana Santos"


"Boa tarde,

Fui a primeira entrevista ontem na rua dos fanqueiros e confirmo tudo o que está aqui, uma espanhola a falar a mil, fui "selecionado" para passar um dia com eles na segunda-feira, podem me explicar em que consiste o trabalho??"


"É para vendas porta-a-porta ou "peditórios", conforme a campanha com que estejam actualmente. É 100% à comissão, logo não tens direito a nenhum subsídio, ou seja, pagas a tua alimentação, roupa (que tem que ser formal!) e deslocações para o "escritório", e daí para o local para onde te enviem. Espera-se que trabalhes 12h/dia, de segunda a sábado.

Ah, e quando te vais embora não te pagam sequer as comissões das vendas que fizeste, que foi o que me aconteceu a mim."


"Olá a todos. Obrigada pelos vosso comentários. Recebi um mail de resposta à candidatura para o INTERNATIONAL MARKETING LDA, mas achei estranho a forma como estava redigido, centrando-se muito na "sorte" que se teve ao ser-se um dos escolhidos entre muitos. Também achei estranho o facto de termos de ser nós a telefonar-lhes e não oposto. Fui procurar na net informação sobre a empresa e não encontrei nada, deparei-me apenas com os vossos testemunhos.

Isto assusta-me muito. na realidade já existem empregos em que o patrão se aproveita do trabalhador perante a garantia do seu desespero em manter-se empregado. Questiono-me se não nos fizermos respeitar onde é que as injustiças laborais vão parar. O esquema dessa empresa parece-me um futuro negro que se pode multiplicar e tornar a realidade. Obrigada a todos."


"Só queria dizer, que fui a essa BF Group, e também passei o dia das 10h as 19h, com eles porta-a-porta, e rejeitei o que eles me pediam. Tou desempregado, mas hj vi um anuncio de emprego para essa international markting portugal, e obrigado pelos vossos testemunhos, mas assim ja n vou la fazer nada....."

 

Jorge Soares

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publicado às 22:23

Miguel Relvas, obviamente demita-se

por Jorge Soares, em 19.05.12

Miguel relvas e a pressão para calar a imprensa

Imagem do Público 

 

Num telefonema à editora de política do jornal, na quarta-feira, Miguel Relvas ameaçou fazer um blackout noticioso do Governo contra o jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira, de quem tinha recebido nesses dias um conjunto de perguntas relativas a contradições nas declarações que prestara, no dia anterior, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. 

 

Evidentemente o titulo do post é retórico, todos sabemos que neste país não existe a responsabilidade politica,  nem o Miguel Relvas se demite nem, o Passos Coelho vai achar que os factos são o suficientemente graves para o demitir.

 

Mas a verdade é que os factos são mesmo muito graves, que um ministro telefone a um jornal a fazer ameaças de blackout noticioso é grave, que no mesmo telefonema o ministro ameace divulgar detalhes da vida privada da jornalista é muito grave... e já agora, como é que o ministro sabe esses detalhes? mandou as secretas investigar os podres da senhora jornalista?

 

Num país com políticos sérios estas coisas não aconteciam, num país em que existissem responsabilidades politicas o ministro demitia-se, num país com políticos com vergonha, o chefe de governo demitia-o, num país com jornalismo a sério o telefonema teria sido de imediato denunciado, e as noticias tinham saído na mesma.

 

No país que temos, o ministro acha que um pedido de desculpas resolve o caso, o primeiro ministro assobia para o lado, o jornal não publica a noticia e só assume que o caso se passou quando este foi noticia noutros jornais.... este país é surreal e assim de repente o que tudo isto mostra, é que a censura está instalada.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:44

RDP, serviço público ou a voz do dono?

por Jorge Soares, em 24.01.12

RDP termina programa A voz do Tempo

 

Imagem do Público 

 

Uma crónica crítica em relação a Angola, do jornalista Pedro Rosa Mendes, terá levado a RDP a acabar com o espaço de opinião "Este Tempo", da Antena 1. 

 

Um destes dias alguém colocou no Facebook um vídeo que começava com uma imagem de Pedro Passos Coelho, se não me engano em fundo iam-se escutando frases deste sobre a situação do país e as medidas de austeridade, à medida que se ouviam as frases a imagem ia-se transfigurando até que no fim já se tinha convertido numa fotografia do Salazar. Na altura achei aquilo ridículo, não me parece que exista alguma hipótese de o tempo andar assim tão para trás.... mas ao ler notícias como esta começam a surgir algumas dúvidas sobre onde nos levará o caminho que a politica e este governo nos fazem seguir.

 

Como ouvinte da Antena 1 sinto-me triste e  preocupado, é preocupante sentir que a censura se vai instalando e as vozes criticas vão desaparecendo, gostava sinceramente de saber de onde veio a ordem de acabar com o programa, terá sido do ministério de Miguel Relvas ou da embaixada de Angola?... em qualquer dos casos é preocupante.

 

“para que serve uma rádio pública e um serviço público?” ... “Para dar voz às pessoas ou para ser a voz do dono?”.»

 

Raquel Freire na sua última crónica do programa Este tempo da RDP

 

Ouvir a crónica de Pedro Rosa Mendes 

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:00

Quem quer calar o Tintin e o Tom Sawyer?

por Jorge Soares, em 18.04.11

Quem quer censurar o Tintin?

 

É uma deficiência enorme da minha personalidade eu sei, devo ser das poucas pessoas da minha geração que passou ao lado do TinTin e do Asterix, eu gosto da Mafalda, serve?  Hergé morreu em 1983, a sua obra perdurará por muito tempo, sobreviveu a muitas gerações e espera-se que sobreviva a algumas mais ... ou não.

 

Hoje uma notícia do Público chamou a minha atenção:  "Tribunal de Bruxelas começa a julgar “Tintin no Congo” por racismo" A minha primeira ideia foi: Estes Belgas são muito à frente, vão levar um boneco de banda desenhada a tribunal... por cá nem os criminosos a sério conseguem condenar.  É claro que não é isso, alguém se sentiu ofendido com a forma mais ou menos racista em que são apresentados os nativos do Congo no livro impresso por primeira vez em 1931 e decidiu apresentar queixa, não contra o Hergé que a esta altura não se consegue levantar para ir falar com o juiz, e sim contra a editora para que o livro seja retirado de circulação.

 

Não é nada de novo, algures li que nos Estados Unidos vão mudar as falas do Tom Sawyer no clásico  Huckleberry Finn do Mark Twain, segundo os americanos a palavra Niger é muito forte e deverá ser substituída por slave. São os mesmos americanos que há uns anos substituíram as armas nas mãos dos polícias que perseguem o ET por telemóveis.. que quando o filme foi realizado ainda nem existiam. 

 

É claro que entramos no mundo do politicamente correcto, a televisão americana passa em horário nobre filmes e séries em que o crime é uma presença nua e crua, mas eles ficam indignados porque o Tom Sawyer chamava negro aos seus amigos... e alguém me explica em que é que negro é menos ofensivo para a dignidade das pessoas que escravo?

 

Não há nada pior para a humanidade que tentarmos mudar a história, só conseguimos lutar contra aquilo que conhecemos, se decidirmos ignorar que o racismo, o esclavagismo e muitos outros ismos existiram, o mais certo é que quando eles voltem a aflorar não os consigamos enfrentar. Há coisas que fazem parte do nosso passado como sociedade, elas aconteceram e devemos ter noção disso. Se vamos começar a cortar nos clássicos que até há pouco tempo víamos como inocentes, o que vai restar da arte e literatura depois de passarem pelo crivo desta censura disfarçada de bons costumes?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:05

Wikileaks.. algo vai muito mal no nosso mundo.

por Jorge Soares, em 16.12.10

Quem quer calar Assange?

 

Imagem do ionline

 

Nunca li o 1984 de George Orwell, sim, eu sei, é grave, mas não é preciso ter lido para conseguir imaginar que toda esta história criada à volta de Julian Assange e do Wikileaks será digna de um novo capitulo deste livro.

 

Há muito que sabíamos que Assange tinha sido acusado na Suécia de um crime de natureza sexual, acusação que teria sido arquivada há uns meses por alegadamente não ter pés nem cabeça, esta semana fomos esclarecidos, o caso foi reaberto e ficamos a saber que o senhor é acusado de ter tido relações sem preservativo.. acusação feita por duas senhoras que o convidaram a ir dormir com elas.

 

Entretanto Assange foi detido em Inglaterra e foram precisos dois juizes para decidir que o caso é o suficientemente parvo como para que ele possa ficar em liberdade. Na mesma Inglaterra onde um senhor Chamado Vale e Azevedo se refugiou depois de roubar o Benfica e mais meio mundo e de onde não há forma de o fazer regressar, e não me consta que tenha estado alguma vez preso... está-se mesmo a ver que ter sexo sem preservativo é muito mais grave que abusar da posição de advogado para roubar descaradamente.

 

Hoje ficamos a saber que a revista Time elegeu como homem do Ano o fundador do Facebooks, Mark Zuckerberg, isto depois de uma votação pelos seus leitores onde ele teve perto de 30000 votos, nada  que se compare aos mais 400.000 votos que teve Assange e que a revista ignorou num acto de vergonhosa censura.

 

Não me lembro de alguma vez ter lido a Time, mas não me parece que uma revista que presta uma vassalagem de este tipo ao estado, seja minimamente digna de confiança, quem é capaz de ignorar assim a opinião dos seus leitores é capaz de muito mais... não?

 

Tudo isto deixa um enorme amargo de boca, o que podemos ver é um estado soberano que supostamente é democrático e respeitador dos direitos humanos, que não duvida em lançar mãos de qualquer método, já seja directamente ou através de outros estados que também eles se dizem democráticos, para em lugar de esclarecer as noticias, tentar matar o mensageiro.... é ou não digno de Orwell?

 

Quem sabe um dia podemos ler no Wikileaks os documentos que deram origem a toda esta caça ao homem.... entretanto, algo vai muito mal no reino em que vivemos...e até eu que não tinha uma opinião formada sobre a legitimidade de se mostrarem assim os segredos.. começo a achar que sim... que eles devem mesmo ser mostrados.. quantos mais casos e embrulhadas como esta estarão para aparecer?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:06

Pode a playboy ser uma revista puritana?

por Jorge Soares, em 08.07.10

Capa da playboy... o envangelho segundo Saramago

 

Se eu fosse um crente diria que a esta hora o Saramago estaria a rir a bandeiras despregadas lá onde estivesse... segundo esta noticia do Ionline, esta terá sido a ultima capa da Playboy Portuguesa:

 

"Theresa Hennessy, vice-presidente da Playboy Entertainment, garante que a publicação das fotografias é “uma violação chocante das normas” e não teriam sido publicadas se a Playboy tivesse conhecimento antecipado. Em declarações ao site norte-americano Gawker, a responsável garante: “Devido a esta e a outras questões com os editores portugueses, estamos prestes a rescindir o nosso acordo.”

 

Apesar de nunca ter comprado a revista,  tenho seguido através da blogosfera os comentários às diferentes capas, que podem ver aqui, na minha opinião, na sua maioria de péssimo gosto e algumas, a primeira por exemplo, de mais que duvidosa qualidade fotográfica. Não vi todas, mas atrever-me-ia a dizer que esta foi das mais bem conseguidas. Quanto ao resto da reportagem... do que tenho visto na blogosfera estará ao nível do que é costume, cenas lésbicas incluídas, a única diferença é que em todas as fotografias o senhor que aparece na capa com a beleza nos braços, está a observar atentamente o que se passa... e claro, a estragar as fotografias.

 

Num país como o nosso em que o facto de uma professora ter aparecido na revista causou mais barulho que as vuvuzelas do futebol, era claro que esta capa iria causar um enorme reboliço. Faz-me um bocado de confusão.... bom, muita confusão, que os responsáveis de uma revista que faz do seu negocio o mostrar senhoras despidas de preconceitos e especialmente de roupas, venha agora dizer que teria censurado esta reportagem só porque junto às meninas despidas aparece uma imagem de um senhor que está atentamente a olhar para elas.

 

Senhores da playboy, há limites para o cinismo e a hipocrisia, estão agora armados em puritanos porquê?

 

Update: Responsáveis da Playboy portuguesa negam que a revista vá encerrar

Jorge Soares

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publicado às 17:25

Mafalda e a liberdade de expressão

 

Os portugueses somos definitivamente um povo estranho,  de repente parece que a crise, o orçamento, até o futebol, foram engolidos por uma ideia.... liberdade de expressão... na realidade foi tudo engolido por uma providência cautelar e umas edições de um jornal.... mas a malta faz de conta que todo este barulho é pela liberdade de expressão.

 

Para um país que viveu 40 anos a só ler, ouvir ou ver o que era permitido por uns senhores que utilizavam um lápis azul para decidir o que se passava ou não em Portugal e  no mundo, esta conversa sobre liberdade de expressão é um pouco estranha mesmo.. e que o país quase pare por causa da divulgação contra toda a lógica e as leis, da transcrição de umas escutas telefónicas, é de pasmar.

 

Na blogosfera circulou uma petição em prol da liberdade de expressão e para grande espanto meu, foi convocada uma manifestação de bloguers para o dia da entrega das assinaturas. Está visto que os promotores da coisa não conhecem este mundo virtual. Pensar que os bloguers iriam abandonar a segurança que lhes dá o anonimato que é estar por trás de um computador, para ir para a praça publica fazer barulho é estar mesmo a leste deste mundo. Isto para já não falar de que possa partir da blogosfera, o meio que em si personifica a liberdade de expressão e a democracia da comunicação, uma iniciativa destas, um completo contra-senso.

 

Confesso que a mim o facto de que as escutas apareçam assim na comunicação social, ao sabor dos interesses do momento, já sejam estes do governo ou da oposição, de uma forma completamente impune e ao arrepio de qualquer lógica, me causa alguns escalafrios. Que justiça temos que permite que estas coisas aconteçam? Existe... bem, deveria existir, algo chamado segredo de justiça, e que algo se chama presunção de inocência, e o direito à preservação da intimidade, de um momento para o outro tudo isto é simplesmente esquecido e as escutas aparecem nos jornais, ou no Youtube e todos passamos de espectadores a juízes em causa alheia. Quem tem o azar de ter telefonado na hora errada para o número errado, passa a condenado na praça pública num piscar de olhos e sem direito a recurso. 

 

Mas grave grave, é que eu vejo muita gente a pedir explicações e responsabilidades sobre o que aparece transcrito nos jornais... mas ainda não ouvi ninguém a tentar pedir explicações e investigações sobre como é que as escutas que estão em segredo de justiça vão parar aos jornais.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:47


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