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Nicolás Maduro

Imagem do Público 

 

Das muitas coisas que li e ouvi sobre o facto de Nicolás Maduro ter ficado como presidente interino após a morte de Hugo Chavez, uma das que mais em chamou a atenção foi:

 

El problema no es tener un chofer de autobus como presidente de la república, el verdadero problema es que tenemos milhares de ingenieros que solo consiguen ser choferes de autobus.

 

Nicolás Maduro começou a sua carreira como sindicalista, era condutor de autocarros e com a chegada ao poder de Chavez conseguiu ter a esperteza e os contactos suficientes para ascender até à vice-presidência da República. O facto de ter sido nomeado por Chavez como o seu sucessor fez dele o novo presidente da República, mas bastaram duas semana de campanha politica para se perceber que não tem nem o carisma, nem a habilidade politica, nem o sentido de estado para ser presidente da Venezuela. 

 

Maduro começou a campanha eleitoral com 15% de vantagem nas sondagens, à medida que os dias iam passando e ele se ia mostrando, a diferença ia diminuindo à mesma velocidade com que o eleitorado se ia apercebendo da sua verdadeira personalidade. Tivesse a campanha eleitoral durado dois ou três dias mais .....

 

Mas dizem os resultados oficiais que Maduro ganhou e que pelo menos durante os próximos seis anos será ele a dirigir os destinos da democracia mais antiga da América Latina. Hugo Chavez esteve no poder durante quase 15 anos, um período em que se é verdade que uma boa parte da população teve uma melhoria significativa nas suas condições de vida, também é verdade que cada vez mais a economia depende do Petróleo. De um país industrial e quase auto-suficiente, passou-se para um país em que mais de 90% do que se consome é importado. Um país sem industria, sem agricultura e que apesar de ter uma população muito jovem, é cada vez mais um país sem futuro.

 

O resultado das eleições e o radicalismo abraçado por cada um dos lados da barricada mostram uma sociedade profundamente dividida. O facto de o governo ter decidido ignorar os apelos de Capriles à recontagem dos votos, a pressa em marcar para hoje mesmo a tomada de posse do novo presidente e os imensos rumores sobre fraudes eleitorais, vão deixar para sempre uma mancha negra sobre a legitimidade de Nicolás Maduro para governar.

 

Hoje a Venezuela é sobretudo uma sociedade marcada pela corrupção e pela violência extrema, em cada fim de semana há mais de cem mortos devido à criminalidade comum. Se já era uma sociedade dividida, depois de tudo o que aconteceu nos últimos dias vai ser uma sociedade em que uma boa parte se sente enganada pelo poder politico.

 

Durante a campanha eleitoral Nicolás Maduro mostrou ser capaz de pouco mais do que  invocar o nome de Chavez e repetir o as suas frases qual oração religiosa. Ficou conhecido pelo numero de vezes que repetia o nome de Chavez durante o seu discurso, as maldições que invocava para assustar a quem votasse em Capriles e por falar com os passarinhos...

 

Espero estar enganado, mas cada vez mais a Venezuela é um país a cair de Maduro...  e sinceramente não sei se haverá forma de o amparar numa queda que será de certeza absoluta num buraco muito profundo

 

Jorge Soares

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publicado às 21:10

Morreu Hugo Chavez, Viva a Venezuela

por Jorge Soares, em 05.03.13

Morreu Hugo Chavez

 

Imagem do Público 

 

Morreu o homem que mudou a face da Venezuela e de uma parte da América Latina, para muitos um ditador, para muitos outros o único governante que chegou ao poder e olhou para os pobres e esquecidos de um país em que praticamente só havia duas classes sociais, os ricos e os outros.

 

Conseguiu fazer-se eleger numas eleições livres e democráticas em 1999 e manter-se no poder até hoje num país em que os mandatos presidenciais estavam limitados a um máximo de dois precisamente para evitar o aparecimento de figuras como ele. O seu governo socialista e dirigido principalmente aos mais pobres, não conseguiu evitar que a situação social da população piorasse sendo que hoje em dia Caracas é umas das cidades mais perigosas do mundo onde em cada fim de semana são assassinadas mais de cem pessoas.

 

A Venezuela é o terceiro produtor de Petróleo do mundo e um dos que tem maiores reservas, entram no país todos os dias muitos milhões de dólares, dinheiro que raramente chega à economia e à população porque nem Chavez nem ninguém conseguiram combater o maior flagelo do país, a corrupção.

 

Eu vivi 10 anos em Caracas na era pré Hugo Chavez, eu vivi na Venezuela quando por cada litro de leite que se comprava, o estado pagava três à empresa produtora, por cada bilhete de autocarro o estado pagava três à empresa de transportes, era uma economia subsidiada em que não havia inflação e era tudo baratíssimo.

 

Por outro lado, era um estado em que a corrupção era lei, não se pagavam multas, não se pagavam impostos e não se fazia absolutamente nada, desde tirar o bilhete de identidade a fazer qualquer negócio, sem untar as mãos a alguém.

 

Esta situação manteve-se assim durante muitos anos até que um dia o baixo preço de petróleo, a corrupção generalizada e a situação mundial fizeram com que as reservas do estado não fossem suficientes para continuar a manter uma economia artificial e então foi o caos. Sem os subsídios do estado o povo teve que passar a pagar os verdadeiros preços pelas coisas e a inflação galopante levou o pouco que restava da economia.

 

Ito durou 15 anos até que o povo se fartou, decidiu deixar de apostar nos mesmos de sempre e optou por mudar, foi aí que apareceu alguém que soube falar ao povo, aos pobres que são a maioria da população. Nessa altura eu já não vivia lá, mas se vivesse, de certeza que votaria nele, porque simplesmente o país não podia continuar a ser governado pelos mesmos de sempre, os que o tinham levado  até aquela situação.

 

Hugo Chavez era um demagogo, um homem sem qualquer sentido de estado, e não foi capaz de tirar o país do enorme buraco donde ele se encontra, mas a verdade é que ele foi eleito em 5 ou 6 eleições, ganhou dois referendos e sempre com percentagens acima de 70% dos votos.

 

Neste momento a Venezuela é um autêntico saco de gatos e deve haver muita gente a afiar as facas, avizinham-se tempos tempestuosos para o país e para quem por lá sobrevive, que terão de certeza absoluta reflexos na vida do mundo inteiro, afinal é de lá que vem uma boa parte do petróleo que alimenta a economia americana e até a nossa.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:33

Hugo Chavez, Ditador?, Porquê?

por Jorge Soares, em 11.03.09

Venezuela, um país para querer

Imagem Retirada da internet

 

É muito fácil fazer juízos valor quando estamos comodamente sentados em nossa casa, olhamos para o televisor, ouvimos as noticias que nos são debitadas, sentimo-nos donos do nosso primeiro mundo e claro, achamos que tudo o que sai da esfera daquilo que conhecemos e damos por garantido é terceiro mundo ou em ultimo caso, republica das bananas.

 

Cada vez que leio ou ouço algo sobre o Hugo Chavez, presidente  da Venezuela,  penso, mais um que olhou para a televisão, viu as noticias e agora fala de cor.

 

A maioria das pessoas não sabe, mas a Venezuela é a Democracia mais antiga da América Latina, ainda em Portugal o homem não tinha caído da cadeira e as pessoas eram enviadas para o Tarrafal e já havia Democracia na Venezuela. A democracia foi instituída em 1958... portanto, quando Hugo Chavez foi eleito por primeira vez em 1999, havia democracia há 41 anos no país.... muito tempo.

 

Eu vivi lá 10 anos, tempo mais que suficiente para perceber que aquela Democracia que tanto agradava à Europa e aos Estados Unidos, tinha que mudar. Era uma Democracia em que dois partidos se sucediam no poder cada 5 anos, 5 anos governavam-se uns, para nos 5 anos seguintes se governarem outros. Sim, porque ali ninguém governava, mas todo o mundo se  governava. Era o tempo do "Yo no quiero que me deem, yo lo que quiero és que me pongam donde hay".

 

A economia era completamente subsidiada, até ao ponto em que por cada litro de leite que se vendia, o estado pagava 3 à empresa produtora, tudo era subsidiado, ninguém pagava impostos e absolutamente nada se fazia sem untar as mãos a alguém, desde o policia da rua até a qualquer funcionário publico, absolutamente tudo tinha um preço. 

 

Não era necessário ser muito esperto para se perceber que mais tarde ou mais cedo as coisas teriam que mudar, mais tarde ou mais cedo, de uma ou outra forma, teria que aparecer um Chavez, porque um país não pode existir assim. 

 

Chavez foi eleito por primeira vez em 1999, nessa altura eu já lá não estava, mas se estivesse, votava nele, simplesmente porque o país não podia continuar assim, o país precisava de ser governado...e não de quem se governasse a si. 

 

Chamar Ditador a Chavez, é avaliar a situação por aquilo que conhecemos, na verdade a situação deve ser avaliada desde o ponto de vista do povo da Venezuela, e o povo que na sua grande maioria vive em bairros precários, o povo que vive nas favelas de Caracas, o povo, esse já o elegeu em eleições livres e democráticas, duas vezes, ....e vai continuar a eleger, porque olhando para o lado, olhando para a oposição, o que se vê, é mais do que já lá tinha estado antes.... ou o vazio.

 

A Venezuela, além de um dos maiores produtores de Petróleo do Mundo, é um dos maiores produtores de Ferro, bauxita (alumínio), Ouro, Diamantes, etc, etc, etc. É um país com todas as condições., com todos os recursos,.. o que falta?.... pois... não sei!

 

Entretanto nestes ultimos dias esteve em Portugal o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, que está no Poder desde 1979 e as únicas eleições a que se submeteu, foram a origem de uma guerra civil que deixou milhares de mortos... não se sabe quando vão ser as eleições.....mas eu não ouvi ninguém chamar ditador a este senhor..... curioso a forma como avaliamos as coisas em Portugal.

 

Jorge

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publicado às 22:01

No hay mal que dure cien años..........

por Jorge Soares, em 02.12.07

O mundo

 

Passou o fim de semana, parece que o Hugo Chavez ganhou o referendo na Venezuela e vai governar até 2050...segundo ele!

 

Na venezuela há um ditado popular que diz, "No hay mal que dure cien años , ni cuerpo que lo aguente", há outro que diz "más vale malo conocido que bueno por conocer".

 

Sinceramente não sei se será bom ou mau para o país, a verdade é que uma vez mais o povo fez-se ouvir, e na Venezuela El pueblo es soberano" ainda que desta vez parece que o povo começou a acordar, se o Sim ganhou foi por muito pouco.

 

Entre as propostas apresentadas para alteração está uma que termina com a autonomia universitária , parece uma coisa simples, do que conheço do meio universitário Venezuelano, isso vai de certeza absoluta significar o encerramento das faculdades e muita agitação estudantil.

 

Estive inscrito perto de dois anos na UCV - Universidade Central de Venezuela, de esse ano e muito, mais de seis meses não houve aulas por greves, e lembro-me perfeitamente de um dia estarmos sentados na relva da Faculdade de ciências , de haver distúrbios na avenida ao lado e de uma bala ter passado tão perto de nós que a ouvimos assobiar...........e isto foi antes do Chavez . A autonomia universitária é um cavalo de batalha com muitas décadas e os estudantes venezuelanos não vão abrir mão dela de animo leve.

 

Amanhã estou de partida para New Jersey, quase três semanas de trabalho...assim, que a partir de amanhã teremos postais americanos

 

Jorge

PS:Tira da Mafalda retirada da Internet.

Ps2:Feliz natal a todos

Ps3:Não há PS3!

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publicado às 23:21


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