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Conto - A mulher e o gorila

por Jorge Soares, em 12.03.16

Monga-a-mulher-gorila-parque-guanabara-04.jpg

 

Imagem de aqui

 
 
... e o segredo é a sincronização. A mulher e o gorila têm que estar em marcações certinhas, para que a imagem de um sobreponha a do outro no reflexo do vidro. Só não é um truque mais velho do que o circo porque a lâmpada foi inventada por Thomas Edson somente no século 19, meu camarada. Mas é claro que é necessário ter luz! Eu te explico o funcionamento: em um cubículo fica a garota, trajes sumários, bem sensual, em outro, num ângulo de 90 graus e de frente para a plateia fica o cara fantasiado de gorila. No meio, perfazendo um ângulo de 45 graus, um vidro. No mais, basta um bom iluminador. No início, o público vê a imagem da mocinha de biquíni refletida no vidro. Quando a luz vai se apagando e simultaneamente vai se acendendo a do cubículo do gorila tem-se a impressão que a menina está se transformando no primata. É... primata. Um lance de escala zoológica, não estudou isso na escola? Desculpe, não quis ofendê-lo. Mas, onde é que eu estava? Ah... depois que o público está vendo só o gorila, remove-se o vidro, ele rompe o cadeado da jaula, sai correndo atrás dos expectadores, é contido pelo domador e o número acaba. Acho que essa gente que mora no cu do mundo — quando aparece um cirquinho mequetrefe é um acontecimento para a cidade — acredita realmente na mulher-gorila. Povinho ingênuo, hein? Como é que eu sei tudo isso? Fui o gorila durante anos em um espetáculo circense, ora.
 
 
Calor aqui, né? Que espelunca. Bebida horrível, música mais brega que Reginaldo Rossi. Mais uma branquinha? Por minha conta. Obrigado por me ouvir. As pessoas perderam a paciência de escutarem umas as outras. Sim, sou novo na cidade, difícil de me enturmar. Como eu ia dizendo, fiz o gorila durante um tempo no Circo Irmãos Graziani cujos proprietários na verdade eram dois paraguaios que usavam o nome de um atacante perna-de-pau da seleção italiana de 82. Vida boa, comida mais ou menos, trailer para dormir e um salariozinho para gastar na zona de cada cidade onde parávamos. Trabalho fácil. Bastava fazer uns ruídos de gorila, socar o peito e correr atrás dos idiotas. O que estragou foi quando a Giovana deu um chilique, deixou o circo e contrataram uma nova mulher-gorila. Mulherão, altona, cabelão descendo em cascata pelas costas, pele de marfim, peitões de americana de filme pornô e uma bunda incomensurável, bunda brasileira, carnuda, redonda, algo divinal. Gamei na hora. Foi uma merda. Todo dia ela de biquíni rebolando na câmara ao lado e eu de fantasia de gorila, transbordando tesão por todos os poros. Ela era safada, me dava trela e depois fugia, escorregadia feito um peixe ensaboado. Não sei por que esse negócio de peixe ensaboado. É verdade, fico divagando, fugindo da narrativa. Bom, fiquei meses nessa lenga-lenga, me declarei, disse estar apaixonado, o diabo a quatro. O máximo que ela me deixava era tocar naquelas mamonas assassinas, mas por cima do sutiã do biquíni antes da apresentação e mesmo assim tinha que pagar vinte contos para a ordinária. Isso, uma grandíssima piranha, você tem razão.
 
 
Meu mundo ruiu quando eu descobri que ela era amante de um dos Irmãos Graziani, o Paquito, se eu não me engano. Eram gêmeos idênticos. Envenenado de ciúmes, julgando-me traído toquei fogo no circo, literalmente. Um prejuízo enorme. Não, não morreu ninguém. Apenas dois pôneis e a pombinha do mágico. Do circo, não sobrou nada para contar história. Julgado, peguei cinco anos de tranca. Saí com dois. Réu primário, bom comportamento. O processo civil ainda corre na justiça. Temo pagar milhões de indenização para aqueles italianos de araque com sotaque espanhol.
 
 
Agora, estou aqui, dentro desse cabaré infame, com a infeliz ali, razão da minha perdição, ex-mulher-gorila dos infernos, pendurada no poste, se rebolando para os clientes. Se chama pole dance? Esquisito. É inglês? Qual é o nome de guerra da vagabunda? Gigi? No circo se chamava Laurinda. Sei lá se esse é o nome verdadeiro da desgraçada. Soube que ela está de rabicho com um mágico, um tal de Mondrique, de um circo mais chinfrim que o Irmãos Graziani armado por estas bandas. Quer saber? Pego mais trinta anos mas me vingo desta mulher. Dizem que o novo macho dela tem poderes sobrenaturais? Pago pra ver!
 
Zulmar Lopes
 
 
Obs: terceiro conto publicado na antologia "Respeitável Público - Histórias de Circo e Outras  Tragédias" - Editora Penalux

 

Retirado de Samizdat

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publicado às 21:13

Conto - Para impedir os Corvos

por Jorge Soares, em 18.07.15

corvos.JPG

 

 
No equipamento de som antigo, a valsa continua. Acompanha grotescamente o mergulho do corpo no ar. Os gritos histéricos das pessoas misturam-se à música que sai das caixas, criando um caos em tons agudos. A queda se acelera e, por um instante, ela sente medo. Mas volta depressa a confiar na rede que vai jogá-la para o alto e para o alto, até que não haja mais perigo. Para isso aquela rede velha e ressecada está lá, logo mais abaixo. Para impedir que ela desabe como uma boneca de pano. Em pouco tempo, vai sentir as cordas trançadas aparando as suas costas, empurrando-a para cima, salvando o seu corpo miúdo e treinado. E assim que passar o susto, aqueles gritos infernais se tornarão aplausos. Mas não. Há agora, também, choro e correria. Ela ouve. Mas só consegue enxergar uma névoa vermelha. 
 
Por que é que vocês não calam a boca? Eu estou bem. Não estou sentindo nada. Só não consigo me levantar. Por favor, por favor, sem gritos. A minha cabeça está doendo. Vai passar. Eu preciso me levantar para vocês verem como está tudo bem. Eu sei que consigo. Se não fosse esta dor insuportável nas costas, me tirando o ar, eu já estaria em pé. Já sei. Vou rolar o corpo na rede e... De quem é esse sangue? Eu não gosto de sangue! Eu quero sair daqui! Vamos, vamos! Só um esforço... Mas por que é que as minhas pernas estão assim, jogadas para o lado, tortas como as pernas de uma contorcionista? Eu tenho que fazer alguma coisa! Preciso me levantar desta rede cheia de... areia? Areia? Meu Deus, eu estou no chão!
 
O corpo dela desarticulado. A rede arrebentada como um ninho podre. Os olhos recusando a luz exagerada. E um sonho engraçado. Uma cama de areia escura, molhada, com cheiro adocicado. E ela sendo sugada por aquela gosma úmida. Ao redor do leito traiçoeiro, corvos de várias cores voando em todas as direções, excitados, gralhando fino. E, de repente, ela voando. Os corvos resgatando-a, com seus bicos fortes, da cama de areia molhada, puxando-a pelos braços, pelas pernas. E os sentidos se apagando em dor.
 
Um cavalo relincha irritado. É tudo o que ela precisa para voltar a estar no agora. Os olhos abertos no escuro do picadeiro vazio. Vazio como suas pernas. Ela desiste de lutar com os pensamentos. São os mesmos, há 20 anos. A cada vez que as lembranças se impõem, a cada vez que a febre, a ânsia e a dor no peito desafiam o esquecimento, ela revê o seu túmulo de areia. 
 
Foram os corvos que não a deixaram dormir naquela noite. E ela aceitou. E fingiu. E morreu sem se deitar. Mas não bastou. A pior morte quebra sem levar. Minando, humilhando o sentido do bom. E já é tão pouco o que há de bom. Apenas um bebê com as mãozinhas para o ar. Uma menina brincando de roda. Uma jovem recebendo o primeiro beijo. E ela acreditando que tem um pacto com a morte. Por 20 anos. Pagando cada tributo sem gemer, sem blasfemar. Uma troca justa. Ela, personagem do chão ensanguentado, da rede podre, deformada, inválida, tendo sido capaz de gerar descendência. Guardiã do bom. Mas o destino insiste em novamente aparecer. E as trilhas que deveriam se afastar retornam à arena. Carma obsceno.
 
Hoje, os corvos estão alertas. E os gritos histéricos querem voltar. Ensurdecedores. Há uma intenção de tudo outra vez. Por isso ela veio. Não que aguente olhar o picadeiro iluminado. Nem que consiga controlar a memória da dor. Ela veio se entender com a morte. Para livrar sua cria de uma sina imerecida. E quando o pé escorregar na barra, e quando a mão do parceiro falhar, e quando a malha colorida despencar em voo de serpentina, a rede firme se fará de útero. Haverá aplausos para a jovem trapezista. Flores entregues por um amante também jovem. E olhos de mãe. Guardiã.
 
Agora que o circo foi dormir, ela cumpre seu pacto. Entrega-se sem medo. Na cama de areia molhada, a morte se deita ao seu lado. E vigia. Para impedir os corvos. 
 
(este conto integra a antologia Respeitável Público — Histórias de circo e outras tragédias, Editora Penalux, 2015).

 

Cinthia Kriemler

 

Retirado de Samizdat

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publicado às 21:13

Pires de Lima acha que o parlamento é um circo

por Jorge Soares, em 07.11.14

piresdelima.jpg

 

Imagem do Diário Económico

 

Quando é que chegamos ao ponto em que vale tudo?

 

O ministro Pires de Lima, numa clara falta de respeito pelo lugar em que estava e por todos os portugueses ali representados,  achou que a tribuna do parlamento é o local ideal para se ir fazer Standup Comédia. E a presidente da assembleia da República o que fez ante esta triste figura? Nem sei se ela lá estava, mas imagino que tal como os senhores deputados da maioria, terá achado graça à triste figura do senhor.

 

Qual é a diferença entre a forma como o senhor se expressou e os famosos corninhos de Manuel Pinho? para mim nenhuma e se o senhor tivesse vergonha devia seguir o mesmo caminho que seguiu Manuel Pinho e demitir-se.

 

Eu sei que às vezes é difícil de acreditar, mas o parlamento ainda não é um circo e para ver palhaços haverá de certeza outros lugares mais apropriados... demita-se senhor ministro, porque definitivamente, pelo menos a mim, não me merece o menor respeito.

 

 

Jorge Soares

 

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publicado às 19:28

Conto - Voo

por Jorge Soares, em 14.12.13
Voo
Imagem de aqui
A escola circense tinha sido um bom lugar... Por um instante seus devaneios conseguiram encontrar um norte, um porto, um atracamento qualquer, qualquer lugar naquele mar de vastidão e loucura mental em que estava absorto naqueles dias. As escolas geralmente são, concluiu em seguida, não pelo que aprendemos nelas, tudo muito maçante, mas pelos amigos que conhecemos e por experiências como a Maria.
Maria... Maria era um ensandecimento que ele tinha. Mulher, em todo o aspecto forte e poderoso do termo, palavra que, parece, hipnotiza. A mulher mais determinada que um dia já conheceu, cheia de si, cheia de um declarado feminismo que lhe deixava ainda mais atraente... Uma trapezista!
Engraçado como esse nome dito assim deixava a mãe dela transloucada! Nunca aceitara a profissão da filha. Trapezista... Eles já tinham rido tanto disso num pretérito mais que perfeito que tiveram..., lembrava. Na verdade, tinham sido apenas amigos – para Maria, uma felicidade só, para ele, angústia. Era esse o seu pretérito mais que perfeito: imperfeito. Mas, pensando por outro lado, ao menos eram alguma coisa um do outro...
Os saltos de Maria eram tão perfeitos e calculados que se os organizadores de olimpíadas deixassem de ser pretensiosos e reconhecessem nas coisas de circo além de arte, esporte espetáculo, fariam isso só para satisfazer um intuito pré-concebido de premiar com os louros de Maratona a diva trapezista. Maria era. O que estava fora dela não era. O que não estava em Maria não estava no mundo. O mundo só é belo quando a nossos olhos ganha cor. Maria era a cor dos olhos dele.
As lembranças dela sempre eram determinantes, encorajantes, fortes, era uma amazona, seu signo?, se isso existisse, deveria ser o mesmo de Palas Atena, a diferença entre ambas era a lança e as armaduras; a lança de Maria, na realidade sua arma de guerra, era o trapézio, suas armaduras: as carnes duras do corpo.
Houve um momento quase fatal para ele, quando Maria, após um dia de exercícios e enquanto conversavam no quarto dela, dormiu. O corpo de atleta grega, espartana muito mais firme e rija que qualquer marmanjo da Hélade, refletindo os últimos raios amarelados do sol, o pequeno short que usava, todo florido (que contradição!, que bela complementação!), a blusinha quase transparente, os seios brancos e os mamilos rosados, de aço erguido, desafiando, desafetados de qualquer mansidão e pudor... Ele quando deu por si, já estava quase por cima dela. Maria, por debaixo, acordava de seu sono subitamente, num movimento involuntário de proteção, dando-lhe um soco! 
Não mais tentou.
Eram amigos. Amizade é amor na igualdade, amor desafetado da posse e do sexo, dizem. Quando cravada na desigualdade dos sexos, das mentes e dos corpos, nada mais seria que um embuste de Eros..., uma armadilha. Ele caíra. Ela, firme e forte era Maria, isto é, ela mesma, a trapezista mais determinada e dura que já conheceu.
Por algum instante, naquela época, chegara até mesmo a duvidar do gosto de Maria, do desejo dela, de sua opção sexual, ri vagamente ao se lembrar disso. Pensou que Safo, na ilha de Lesbos, também devia ter sido muito bela e determinada... E esse era um pensamento que lhe consumia, que lhe engolia por dentro, que lhe queimava como um ácido sulfúrico cinzento, pastoso e destruidor... 
Maria era um vulcão que crepitava dentro dele com larvas tão quentes quanto infernais. Naquela fase, ele estava em plena erupção. E aquele inferno era-lhe o céu.
A natureza parece que é má. Todos os seus hormônios desejavam Maria, todos os seus tremores internos, parece que ela tinha sido escolhida para a manutenção de sua existência, para a perpetuação de seus genes, de seu corpo, de seu ser, perto dela ele se esquecia de que um dia não mais seria. Ele simplesmente era, sem o quando, por quê, onde, pra onde, sem as idiotices da vida. E Maria? Maria era a indiferença travestida em amizade.
Suas dúvidas sobre Maria persistiram até que foram trabalhar naquele circo recém-chegado, chamado Grande Circo Brasileiro. Um nome pomposo bolado por um proprietário cheio de ego. Maria tinha sido contratada tão logo chegara. Na fila ainda, em pé, tinha chamado os olhares de seu Bernardo Brasileiro, o dono. Ele, sentado em sua cadeira, na frente de um birô velho e jocoso, levantou a vista e em vez de dizer “próximo!”, disse “você!” e apontou pra Maria. Ela, sem medo nenhum, furou uma fila de dez pessoas injustiçadas e sentou-se majestosa em sua frente.
Contratada. Palavra bonita quando se precisa de dinheiro. Levantar-se e ir-se embora? Não, ela olhou para seu Bernardo com o carinho que um gato nos olha quando tem fome e pediu que também contratasse o melhor amigo dela. O velho proprietário olhou, calculou com os olhos, as pestanas trêmulas, deu um mixoxo e assentiu com a cabeça. Maria conseguia tudo o que queria, desde sempre, graças a ela é que ele também estava devidamente contratado e trabalhando naquele tal Circo Brasileiro.
Feliz? Não, não, o pobre estava era afetado com aquelas palavras terríveis: “melhor amigo”...
E agora o instante terrível! Nunca esquecia com rigor de detalhes o momento em que adentraram primeira vez a lona do Grande Circo Brasileiro... Seu rosto transfigurava-se no instante exato em que sua memória vaidosa o guiava para essa parte da história sua. Na transfiguração, nenhum rosto judaico-bíblico, mas Mefistófeles, ele próprio, rogando promessas faustas. Ficava cabisbaixo. Pensar que...
No momento exato em que entraram pela lona do circo, saía Marcos, o equilibrista. Maria e Marcos toparam-se um no outro. Não lembra se ela bateu a cabeça, se tinha tomado algum remédio com efeitos colaterais gravosos, se as pílulas anticoncepcionais que tomava desde o dia em que tinha transado com o rapaz que foi concertar o telefone na casa dela tinham lhe feito mal, ou mesmo se algum mal olhado tinha sido jogado nela, mas o fato é que Maria o surpreendeu, o desiludiu, repentinamente, sem mais nem menos, como num sopro de vento, levantando poeira, e folhas secas de árvores, num redemoinho, e o diabo no meio...
O diabo é a cara que temos quando desgostamos das coisas. Deus?, é um clamor.
Mas ainda que clamasse, não haveria retorno ao eco de sua voz. Ela estava apaixonada. Perdida. Perdidamente. Doidamente. Severamente. Transloucada. O cupido encontrou-se com ela e as chamas que brotaram de sua seta eram maiores que as de Santa Tereza em êxtase!
Mas o que era aquilo? Tinham apenas se chocado, se topado, e já era suficiente? Ele que há tanto tempo a acompanhava, era o baú de seus segredos, o amigo, o irmão, o melhor amigo... A pessoa mais indicada para receber em cheio os dotes de seu amor, e ela, dura e impassível. Senhora de si, de sua vida, de seus sentimentos, de suas paixões mais secretas, determinada, feminista... Ora, esquecera-se de seu feminismo? Porque estava, então, tão vitimada com aquele homem que não lhe dava qualquer bola? Pensava. Poderia dar-lhe o braço, um dedo, qualquer coisa baixa que demonstrasse indiferença, mas não. Ante ao amor a gente é... Não é.
Marcos era também determinado, impassível, senhor de si, de seus sentimentos e de suas paixões. Nada na beleza de Maria, na essência de Maria, nas curvas de Maria, na existência de Maria, no firme modo como saltava no trapézio, de sua firmeza, nada em absoluto afetara sequer de longe o ímpeto de Marcos. E Maria, não obstante, só falava dele, só notava ele, só queria ele, só pensava nele... 
Lembrou-se que teve um momento em que ela chegou com uma história de que tinha sonhado com ele, e naquele instante já não aguentou mais! Levantou-se, virou-lhe as costas e saiu. Maria era um colibri no trapézio, leve e firme, mas um colibri que voara para outros braços. Os seus há tanto abertos, esperando, ansiosos, enquanto dizia para si “vem, colibri”, mas ora!, o mundo dá voltas e numa dessas voltas a gente cai. Mas o que o deixava ainda mais preocupado era o fato de que os braços que a recebiam não estavam abertos. Ele a amava, pensava em seu bem-estar, se não seria com ele, ao menos que fosse com o outro, mas o outro...
Foi aí que aquilo... Ri amargamente até hoje quando se lembra disso. Assim, de supetão! Inesperadamente, de repente, num susto do qual até hoje não se recuperou, empalidece sempre que lembra: Marcos estava apaixonado também, repentinamente, imensuravelmente, intensamente, de supetão, depois de um rápido choque, na entrada da lona do circo..., só que por ele.
Poema homônimo de Edweine Loureiro: 
"Voo 
Diz o trapezista:
vem, colibri.Não te deixo cair... 
Mas, para seu terror,
a trapezista voou
rumo ao equilibrista,
que a abandonou".

Mario Filipe Cavalcanti

 

Retirado de Samizdat

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publicado às 17:44

Eu, deus, o papa, a igreja católica e o circo

por Jorge Soares, em 18.05.10

Considero-me uma pessoa de mente aberta e apesar do meu mau feitio, tolerante, tenho uma maneira muito minha de ver o mundo e sempre que possível, tento ver um pouco mais além.. sei que não sou dono da verdade e há muito que aprendi que qualquer palavra tem sempre pelo menos  três significados: o de quem a disse,  de quem ouviu e do dicionário.

 

Tenho este blog há 3 anos, já aqui se falou de tudo um pouco mas há temas recorrentes, a religião é um deles, é algo que faz parte do mundo em que vivemos e do nosso dia a dia. A maioria dos meus leitores já sabe que para mim Deus não existe, Ponto final!, mas também sabe que  sou uma pessoa que pelo menos no blog, tenho algum bom senso e que sobretudo, respeito as crenças dos outros.

 

Mas respeitar não é deixar de ter opinião e de a emitir. O post da passada segunda feira, o dos 75 milhões de Euros, pretendia ser uma crítica ao governo e à forma como em 3 ou 4 dias deitou fora 75 Milhões de Euros, e a como ao mesmo tempo que dava tolerâncias de ponto anunciava aumentos de impostos que nos vão penalizar a todos. No post classifiquei tudo o que rodeou esta visita como um circo... esqueci de pedir desculpa aos artistas de circo que são pessoas decentes, mas disse aquilo que entendia, porque na verdade, a mim tudo me pareceu um enorme circo.

 

Publiquei o post no Facebook e tive o seguinte comentário:

 

"Antes do mais é de muito mau gosto apelidar de "circo" algo que só porque senão acredita, se julga no pleno direito de abusar nos adjectivos, simplesmente para agredir a ideologia a que se refere.
Pena é que seja pelo simples facto de não acreditar em Deus que dá o nome de circo ao acontecimento da vinda do Papa a Portugal.
Achar que se pode simplesmente apelidar de circo a uma crença que é alicerçada num homem como o Papa, e que é seguida por milhões de pessoas em todo o mundo. è no mínimo o que eu chamo de abusar da liberdade de expressão.
Passando por cima dos sentimentos dos outros.
A nossa liberdade de expressão vai até ao ponto em que respeitamos a liberdade/opinião/crença dos outros.
Sem os ofenderem.
Nem vou comentar o facto de escamotear o trabalho feito pela Igreja em prol dos mais necessitados, com o trabalho feito pelas centenas de movimentos da própria Igreja.
Pois como é normal numa pessoa que faz uma "dedicatória" destas ao Papa e consequentemente á Igreja, não tem o mínimo conhecimento do que ele é.
È de muito mau gosto e muito má indole apelidar seja o que for de Circo, só porque se é adverso a algo...."

 

Reparem bem na parte que diz  "abusar da liberdade de expressão" .. é importante. É evidente que todos temos direito a ter opinião e a do senhor é de respeitar tal como a minha.. eu respondi ao comentário no Facebook, como respondo aos que me fazem nos blogs... e para mim era assunto encerrado.

 

A meio da tarde achei muito estranho que alguém que tem como fotografia no Facebook um pendão do papa me enviasse um pedido de amizade, achei tão estranho que ao contrario do que costumo fazer com quem não conheço, aceitei e fui ver.. e encontrei o seguinte:

 

Comentário no facebook

 

Lembram-se do detalhe da liberdade de expressão?.. pois, eu é que abuso da liberdade de expressão. Não sou pessoa de odiar, há pessoas e coisas de que não gosto, há coisas que detesto, há momentos que detestei viver.. mas odiar... definitivamente não.. A Igreja católica merece-me o mesmo respeito que outra qualquer, é verdade que sou crítico sobre as suas práticas e sobre as opiniões de quem a governa... mas ser crítico e expressar opinião não é odiar. Depois de ler isto cheguei a pensar se não teria alguma vez exagerado.. talvez, mas a verdade é que para além de este mesmo senhor, nunca ninguém mostrou tal desagrado sobre as minhas palavras e eu sei, porque olho para os logs, que os posts sobre deus tem muitas visitas.

 

Não faço ideia se a mensagem foi colocada em algum outro lugar do facebook ou fora dele, sei sim que o dono do sítio onde foi publicado o retirou ao fim do dia e que ninguém me veio pedir contas.... o que só atesta a minha insignificância e já agora, a dele.

 

É claro que tudo isto é de péssimo mau gosto,  se alguém tem algo a dizer-me, agradeço que o faça directamente e de preferência aqui no blog... eu até gosto de uma boa polémica... falar nas costas das pessoas é feio... e além disso a época da inquisição já lá vai... para sorte minha 

 

E claro, não retiro uma vírgula de tudo o que já aqui escrevi sobre deus, religiões e a igreja católica.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:10

Hoje não ia haver post, estava a dar tempo a que quem é contra a co-incineração se desse valor para entrar na discussão do post de ontem, afinal, parece que 80% da nossa população é a favor.. pelo menos foi isso que retirei dos comentários..... ainda estão a tempo, vão lá e comentem... é aqui

 

Dizia eu que não ia haver post, mas há coisas que são más demais para as deixar passar, hoje foi o dia em que pelas mãos de Maria José Nogueira Pinto e Ricardo Gonçalves, o circo desceu à comissão Parlamentar da Saúde (noticia do Público)... deve ser a proximidade do natal.. época de circo.

 

Este tipo de situações é cada vez mais comum no nosso parlamento e curiosamente acontece quase sempre com deputados dos dois principais partidos..... os que tem mais deputados, imagino que os deputados dos partidos mais pequenos, como são menos tem mais que fazer que andar a espalhar vergonhas destas.

 

 

Figuras tristes de quem foi eleito pelo povo para representar o povo, como diz alguém no fim do vídeo, nem os palhaços nem os inimputáveis tem culpa alguma e são muito mais dignos que alguns senhores deputados

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:48


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