Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Porque: "A vida é feita de pequenos nadas" -Sergio Godinho - e "Viver é uma das coisas mais difíceis do mundo, a maioria das pessoas limita-se a existir!"

A notícia é do SOL e fala de mais um daqueles estudos que agora abundam. A mim fez-me lembrar a conversa angustiada da mãe de um dos colegas dos meus filhos. Um dia deu por ela a sentir que o filho de 8 anos conseguia falar de sexo nuns termos e com um vocabulário técnico que até a ela a deixavam para além de muito corada, á nora. Um dos coleguinhas tinha televisão no quarto e os pais, assinantes do cabo, tinham um daqueles pacotes que incluem os canais para adultos. Sem o menor controlo, ele passava as noites a "instruir-se" e durante o dia na escola "instruía" os colegas.
Durante muitos anos cá em casa só houve um televisor na sala, agora há dois, o segundo está na cozinha. Há uma norma que diz que só pode estar um ligado.. norma que no geral se cumpre... os conflitos resolvem-se com horários.. ou com o voto de qualidade dos adultos. Somos 5, e não me lembro da televisão ser um problema. Faz-me confusão haver casas onde há mais televisores que habitantes.
Diz a notícia que mais de 50% das crianças consultadas já viram programas com bolinha vermelha ou com cenas de violência explícita, a mim não me estranha assim tanto, a maioria das crianças que conheço têm televisão no quarto. Alguém me explica como é que se controla o que vê ou não uma criança que tem uma televisão só para si?... sobretudo se a essa mesma hora o pai estiver a ver o futebol na sala e a mãe a telenovela na cozinha ou no quarto. É claro que não se controla nada, nem isso nem o que ele vê no DVD ou no computador que, evidentemente, também estão no quarto.
Cá em casa a guerra dos morangos com açúcar começou andavam eles na primeira classe, por decreto não viam, é claro que chegavam a casa e sabiam de cor tudo o que acontecia por lá.. todos os colegas viam e não falavam de outra coisa na escola.. isto com 6 anos. É claro que a guerra continua, mas é uma guerra perdida, chega-se a um ponto que é difícil explicar porquê não podem ver o que TODOS os colegas vêem, o decreto abrandou.. mas não se livram de me ouvir.
Em si a notícia não traz nada de novo, a violência, os conteúdos para adultos e o restante lixo televisivo fazem parte da cultura em que vivemos, cabe aos pais saberem educar, gerir e controlar o que vêem ou não os seus filhos, pelos vistos a maioria não o faz da forma mais adequada, mas nem isso é nada de novo... mesmo assim mais grave da notícia está nos últimos parágrafo que dizem o seguinte:
"Inquiridas sobre a sua reacção quando são contrariadas pelos pais - em termos de não poder jogar em consolas ou no computador - as crianças responderam maioritariamente que tentavam convencê-los ou, numa proporção ligeiramente inferior, que se resignavam e não agiriam em relação a isso.
Ao analisar os resultados estratificados por sexo, verifica-se que na opção mais escolhida - «partes tudo lá em casa» - a quase totalidade das crianças que optaram por esta resposta são do sexo masculino."
Lá está, o estudo vale o que vale... mas não deixa de ser preocupante.
Jorge Soares