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J. tem 15 anos e vive há 16 meses na ala pedopsiquiátrica do Hospital Dona Estefânia. A doença que a levou a ser internada nesta unidade já foi estabilizada e os médicos deram-lhe alta clínica há mais de um ano.

 

Há noticias que são difíceis de digerir, esta é muito difícil, até porque há o que está escrito preto no branco e o que está escrito nas entrelinhas.

 

O que está escrito preto no Branco é que uma jovem de 15 anos está há mais de um ano encerrada numa enfermaria de um hospital, onde partilha os seus dias com  "doentes agudos com perturbações mentais", isto porque a CPCJ considera que a sua família, na noticia falam da mãe, não está em condições de a acolher em segurança e não haverá vagas para ela em nenhuma das mais de cem instituições que há neste país.

 

Para quem não sabe em Portugal há mais, muito mais de cem instituições de acolhimento, e por incrível que pareça não há em nenhuma uma vaga para esta jovem que está assim condenada a viver os seus dias entre médicos, enfermeiros e pessoas doentes.

 

Não sai, raramente tem visitas, não vai à escola e os únicos jovens da sua idade com quem se dá são os tais  "doentes agudos com perturbações mentais"... se eu não mandar os meus filhos para a escola de certeza que me cai em cima a CPCJ e a segurança social de Setúbal e haverá até quem me ameace com os institucionalizar, mas pelos vistos isso não se aplica aos jovens que estão à guarda do estado.

 

O que não está escrito preto no branco e se percebe nas entrelinhas é que o verdadeiro problema não será realmente a falta de vagas nas instituições, o problema será que não há vagas para ela devido aos seus antecedentes de problemas psiquiátricos, se fosse uma jovem normal e sem problemas, de certeza que haveria vagas.... que nesse caso não seriam necessárias, pois não fossem os seus problemas estaria com a família... fantástico não é? 

 

É assim que o estado e a segurança social tratam dos jovens que tem ao seu cargo, não é por isso de estranhar que existam mais de 8000 jovens e crianças institucionalizadas, ora se demoram mais de um ano em arranjar solução para uma jovem que está a perder a sua vida encerrada num hospital...

 

Há mais alguém que  pense que tudo isto não passa de uma forma de maus tratos do estado para alguém que está à sua guarda? Qual é a CPCJ que protege as crianças dos maus tratos do estado?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:41

Então e o superior interesse das crianças?

por Jorge Soares, em 10.12.14

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Imagem do Sol

 

Acho que já o disse antes em algum post, não gosto da expressão "Superior interesse da criança", não gosto porque na maior parte dos casos ela é usada na conveniência dos adultos e não na verdadeira defesa das crianças... mas hoje lembrei-me dela, talvez porque neste caso ninguém a utilizou.

 

O caso é simples de explicar, há dois ou três dias a GNR mandou parar um carro (não sei em que circunstâncias) e verificou que lá dentro iam uma mãe e 4 filhos, dois deles ainda bebes e os outros dois de 5 e oito anos. Após os devidos testes verificou-se que a senhora ia a conduzir com uma taxa de álcool de 2.27, a seguir parou outro carro onde ia o pai das crianças, após os testes verificou-se que o senhor ia a conduzir  com uma taxa de álcool de 1.4. Como o limite é 0.8, e estavam ambos embriagados, as crianças forma encaminhadas para um centro de acolhimento.

 

Li algures que a família já estaria sinalizada pela comissão de protecção de menores tendo sido aberto um processo de promoção e protecção que foi entregue em Novembro, no Tribunal de Família e Menores da Comarca de Aveiro. Entretanto, após mais este episódio, foi-lhes sugerido que deixassem as crianças institucionalizadas até que eles resolvessem os seus problemas e organizassem a sua vida, coisa que não aceitaram e portanto, após a cura da bebedeira, estas foram-lhes entregues.

 

Vamos supor que não tinha aparecido a GNR e a senhora se tinha estampado contra uma parede com as crianças dentro do carro.... de quem seria a responsabilidade?... E se amanhã a senhora voltar a beber e voltar a conduzir ébria com as crianças dentro do carro e se estampar?... não vamos todos bater em quem lhe devolveu as crianças?

 

Eu sei que são muitos ses, mas será que neste caso o superior interesse daquelas 4 crianças não seria mesmo estarem institucionalizadas?

 

Mas sabem o que mais me irrita, é ler alguns comentários às noticias e ver como há tanta gente que acha que as crianças estão bem mesmo é com os pais... mesmo que estes bebam uns copos de vez em quando... até porque há quem beba muito mais e se aguente em pé.

 

Voltando à frase do titulo do post, qual acham que será mesmo o superior interesse destas 4 crianças? será ficar com pais que ébrios conduzem carros com eles lá dentro ou estar  institucionalizados para sua protecção?

 

Jorge Soares

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publicado às 23:27

 

Crianças em risco

 

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Li a noticia no DN à hora do almoço,  um país não é mais que o reflexo do seu povo, da sua cultura.. ou da falta dela. Haverá quem questione até que ponto o que se passa numa aldeia perdida de Covilhã poderá ser o espelho em que nos vemos reflectidos todos os dias... talvez sim, talvez não, mas depois do que li hoje, depois de  na sexta feira ter ouvido uma assistente social a queixar-se de que um Juiz não decide uma medida de protecção a uma criança e prolonga o limbo em que esta vive,  porque tem medo que os pais vão para a comunicação social..., eu já não sei qual será mesmo o país real.

 

"A GNR da Covilhã retirou esta segunda-feira da aldeia de Verdelhos, Covilhã, três assistentes sociais e uma professora, depois de terem sido ameaçadas pela população .."

 

Tinham lá ido " para encaminhar para a instituição duas filhas de uma residente, com 4 e 7 anos, na sequência de queixas por maus tratos e abandono."

 

Partimos do principio que a decisão de institucionalizar uma criança não é tomada de ânimo leve, imagino que antes de chegar a este ponto, teve que haver uma denuncia à CPCJ,  houve uma investigação, visitas à família e só após se ter concluído que existia perigo real para as crianças, se decidiu pela medida de protecção.  Quero acreditar que uma medida destas não se toma em cima do joelho e que é sempre em beneficio das crianças.

 

Já nem questiono o facto de a mãe tentar impedir que levem as crianças, quem maltrata e abandona os filhos não costuma ter consciência do que faz, mas a atitude do resto da população deixa-me a pensar. Estamos a falar de uma aldeia, onde as pessoas se conhecem e sabem o que se passa, não estamos a falar dos vizinhos a anónimos que mal se  encontram no elevador. Quem tenta impedir a aplicação de uma medida de protecção a uma criança, não só é irresponsável, como é conivente com o que de mal se passa com a criança.

 

Mas quanto a mim, tão grave como os factos é o desfecho de tudo isso, porque após todo o barulho formado e a intervenção da GNR, as crianças que iam ser institucionalizadas, "ficaram ao cuidado «de uma família idónea em Verdelhos» que se ofereceu para cuidar delas"

 

Ficaram?, por decisão de quem? como é que se retiram as crianças aos pais e se entregam aos vizinhos?, quem decide pela idoneidade desta família?, quem garante que os pais que as maltratavam não as vão continuar a maltratar mal as assistentes sociais saiam da aldeia protegidas pela GNR? Mas este tipo de decisões é tomada em arraial popular?, não deveria ser tomada pela CPCJ após a verificação das condições da família idónea?

 

Que conclusão podemos tirar de tudo isto?, é assim que se protegem as crianças em risco em Portugal?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:09


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