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O verdadeiro espírito da adopção

por Jorge Soares, em 13.01.13

Adopção de crianças mais velhas

Imagem de aqui


 

"Fui candidata e assim me tornei mãe, a mais feliz do mundo.


Dei este passo pelo meu desejo profundo de ser mãe, mas de coração completamente aberto: quero ser a mãe de quem me quiser para mãe.

Sem questões de género, etnia, idade, saúde... Foi rápido? Foi. É pequenino, branquinho, saudável? Não.


É o meu filho que amo perdidamente, porque assim meu coração o quis ter e sobretudo porque o coração dele assim me quis..."


Sofia G. (num comentário a este post)

 

É este o verdadeiro espirito da adopção... bom, pelo menos deveria ser.


Para quem possa interessar, recebi 3 emails em resposta ao post sobre aquela criança que espera uma família, pessoas que ainda não são candidatos à adopção mas que sonham com o ser.

 

Pelos mails que recebi tenho alguma esperança na vontade das pessoas, mas dada a minha experiência com o funcionamento da segurança social e a forma de agir e pensar de algumas assistentes sociais, tenho sérias dúvidas que esta criança possa vir a ter uma família... afinal não há muita gente que queira um filho de 13 anos.

 

É claro que podia ser diferente, mas para isso todos devíamos pensar como a Sofia e olhar para a adopção como sendo a forma de encontrar uma família para uma criança, infelizmente a realidade é outra, em Portugal a adopção é a forma de encontrar uma criança para uma família... e por isso há crianças como esta.. mais de 500, que esperam por algo que nunca vai acontecer

 

Jorge Soares

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publicado às 22:54

Adopção, palavras de uma mãe, para reflectir

por Jorge Soares, em 15.02.12

Adopção

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

O seguinte texto foi-me deixado num comentário ao Post Ainda as adopções falhadas e as crianças devolvidas  que copiei para o Nós Adoptamos. Apesar de olhar para o tema de forma diferente e até discordar de algumas das coisas, entendi copiar todo o texto já que representa a opinião de alguém que, imagino eu, passou ou está a passar por uma situação complicada, são palavras fortes, para ser lidas e reflectidas, com tempo voltarei ao assunto, por agora, deixo as palavras da Estrela.

 

Tenho estado a pesquisar sobre este caso e cheguei a isto: E pena haver tantos comentários de quem nunca adoptou, e para mais de quem não teve de passar anos em tratamentos de infertilidade até desembocar na adopção, não como a única resposta, mas com a esperança de que ao fim de tanto tempo tinha o direito de ser pai e mãe, construir uma família e ser feliz.

 

Mas como nada é perfeito, muito menos neste país, até os sinais de alerta dos novos pais, e dos novos filhos são ignorados por todas as técnicas do caso. A verdade é que nem todas as crianças, para não dizer quase todas... são abandonadas pela família, pelo contrário, mas são retiradas e nem sempre da forma mais correcta.

 

Depois, a Lei da adopção em Portugal é tão boa que foi alterada recentemente, e continua a ser insuficiente e pobre. As instituições que acolhem as crianças não lhes dão o apoio necessário, pelo menos a que tive oportunidade de conhecer, nem a nível alimentar, médico ou higiénico, quanto mais acompanhamento psicológico! Não as preparam para a possibilidade de virem a ser adoptadas, não lhe perguntam se o querem, não respeitam a sua vontade, mas a resposta que me deram é "são crianças, não sabem o que querem!" mesmo que queiram voltar para a instituição, o local onde sabem que a mãe prometeu ir buscá-los, e desesperam porque agora ela não sabe onde eles estão, mas estiveram lá 2 anos, e ela não foi...continuam há espera, até hoje, já se passaram anos, sofrem eles e nós pais também, nada podemos fazer.

 

Não aceitam a ajuda de nenhum técnico, ignoram a autoridade do adulto, usam-nos, rejeitam-nos, eles sim, desde o princípio rejeitaram-nos, até ao ponto de ir para um hospital por rejeitar a alimentação, por desistir de viver. E agora o que fazer? disseram que era a adaptação, que ao fim de 6 meses estaria tudo regularizado, ao fim desse tempo até um ano, e ao fim de 18 meses disseram que não tinham nada a ver com isso, estavam adoptados!

 

Os sonhos ficaram por isso mesmo, apenas a dor de não ter um filho que corra para nós à procura de um abraço, pergunto porquê e a respota não vem, ou tardiamente escuto "não sei".

 

As crianças deviam ser escutadas, olhadas com olhos de ver, nem todas querem uma casa onde há regras e figuras adultas, até porque as vítimas de abuso não têm isso escrito no processo, para não serem rejeitadas pelos candidatos. como se cura feridas que se desconhecem?

 

Quem ensina a quem vai pela primeira vez adoptar o que devia estar escrito, o que é que deviam mostrar e não está no processo? Eram estas perguntas que deviam fazer e pensar no sofrimento de quem toma estas decisões, na família alargada que os acolhe, ou não..."não havia lá mais pequenos?", "são tão grandes", "sabes lá se vão gostar de vocês!".

 

Quem vê crescer A BARRIGA, Dá mama, colo, ensina a falar, muda fraldas, dá biberão e recebe sorrisos, que É A ÚNICA MÃE, porque o pariu e o tem consigo nos braços não imagina a dor de todos os meses imaginar que está gravida enquanto decorre mais um tratamento de infertilidade, e depois adopta e é tratada como um alvo a abater.

 

São palavras fortes, eles não têm culpa não me escolheram, mas eu também não tive culpa, a não ser de ter a esperança de que viessem a gostar um pouco de nós em comparação com o que os amo. Agora podem indignar-se à vontade, principalmente porque escrevi muito!

 

Agradeço a vossa atenção, felizmente não conseguem ver as lágrimas. 

 

Estrela 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:21

Histórias de Adopção, crianças fora da idade

por Jorge Soares, em 21.12.11
Pelo direito a uma família

 

Eu ia colocar mais um vídeo de música portuguesa e quando estava mesmo a começar o post este vídeo chegou-me via email, com a seguinte mensagem:

 

"É só para partilhar um vídeo que me levou às lágrimas e que pode sensibilizar quem quer adoptar apenas bebés e não crianças mais velhas."

 



Obrigado Sofia, obrigado pela partilha.
Jorge Soares

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publicado às 22:18

Adoptar em Portugal..e o sonho vai morrendo

 

Ando há uns tempos a adiar o meu post mensal sobre a nossa espera, durante o verão a nossa esperança por um rápido desenrolar do nosso processo foi crescendo, as noticias eram animadoras.... até ao fim do verão... O verão passou, e nós esperamos. Esta semana a P. ligou para a segurança social de Setúbal, há um ano as perspectivas eram dois anos de espera, agora passou para três.. seria um balde de água fria... não fosse nós já estarmos habituados a este tipo de coisas.

 

Há pouco estava a ler este texto da Susana no blog  nós adoptamos e fiquei a pensar, em como se matam os sonhos. Porque a verdade é que à medida que o tempo vai passando, o sonho vai morrendo... os sonhos não morrem????!!!!... mas pouco a pouco vamos deixando de acreditar.... vamos tendo menos capacidade para sonhar.

 

O caso da Susana é muito especifico, ela quer uma criança até um ano, e todos sabemos que há muito poucas crianças com essas características, mas nós queremos uma criança até à idade escolar, sem descriminação de raça e deixamos claro que poderíamos aceitar uma criança com alguns problemas de saúde....

 

Entretanto a raiva vai crescendo dentro de mim cada vez que sei de mais um caso de alguém que se inscreveu depois de nós e recebeu uma criança com as características que colocamos.... é uma raiva que vai crescendo devagarinho... é claro que todos estes casos são em Lisboa, mas será justo que as pessoas de Lisboa passem à frente de todo o resto do país?

 

Não me vou estender... só deixo aqui um comentário da mesma Susana

 

"Mais uma vez, ontem vi na SIC no novo programa da Fátima Lopes 2 mulheres que adoptaram crianças uma com 19 mêses e outra com 15 dias. Como é possivel adoptar uma criança com 15 dias? Então não nos dizem que até a criança ter o processo resolvido leva cerca de um ano? A Srª que adoptou a criança de 19 mêses esteve 4 anos à espera, a outra não sei porque não ouvi a reportagem desde o inicio. Ao ver estes testemunhos ainda me sinto mais revoltada e desmotivada."

 

Não há maneira absolutamente nenhuma de que alguém receba pela via legal, uma criança de 14 dias..... será que não há quem investigue estas coisas?

 

 

Porque 

não vens agora, que te quero 

E adias esta urgencia? 

Prometes-me o futuro e eu desespero 

O futuro é o disfarce da impotência.... 

 

Hoje, aqui, já, neste momento, 

Ou nunca mais. 

A sombra do alento é o desalento 

O desejo o imite dos mortais.

 

Miguel Torga

 

Jorge Soares

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publicado às 21:45

Adopção

imagem retirada da internet

 

 Esta semana recebi no meu email uma mensagem que chegou do grupo Nos Adoptamos

 e que entre outras coisas dizia o seguinte:

 

"Estamos a pensar adoptar uma criança entre os 5 e os 7 anos porque há  muitas crianças dessa faixa etária por adoptar e porque, pelo menos em  teoria, será um processo mais rápido. No entanto, uma pessoa conhecida aconselhou-nos a adoptar uma criança com 5 anos no máximo, porque após  essa idade já começam a ter uma personalidade bem vincada e mais  dificilmente moldável. Partilham desta opinião? O que é que a vossa  experiência vos diz?"

 

Há pessoas que ainda acreditam que as crianças são moldáveis, está-se mesmo a ver que não conhecem os meus filhos. O meu filho foi-me entregue com 1 ano, tenho uma filha biológica e pelos vistos devemos ser uns péssimos pais, porque cada um tem a sua personalidade..... que por certo são a antítese um do outro, e acreditem em mim, se eu pudesse mudava ambos. No outro dia e ante as queixas das professoras de um e de outro, a P. virou-se para uma das professoras e disse:

 

- Deus fez um péssimo trabalho com os meus filhos, conseguiu dar a mais a um exactamente o que deu de menos ao outro.

 

Uma criança é uma criança, não há duas iguais, conheço casos de adopção de bebés que à medida que crescem são uns autênticos terroristas e casos de crianças que foram adoptadas com 6 e 7 anos que são os filhos que todos sonhamos ter. 

 

A Sandra, na sua resposta ao email dizia o seguinte:

 

"Acho que as pessoas confundem a necessidade de 'impor regras' ou de ' estabelecer alguma disciplina ou organização' com o 'moldar a personalidade' ou 'obrigar a criança a obedecer cegamente'. A imposição de regras, de disciplina ou organização, mesmo com crianças teimosas como a minha ou desorganizadas ou qualquer outra coisa, acontecem naturalmente se lhes explicarmos o porquê dessas regras e disciplina, a função delas, o que acontece se não forem observadas. Não é necessário 'moldar' coisa nenhuma. Nem é necessário, nem sequer é possível. Daí essa observação não fazer sentido.

As crianças com cerca de 5, 6 ou 7 anos, começam é a desenvolver mais e melhor outras capacidades - de expressão, de pensamento abstracto, etc... Agora a personalidade não está em stand by e não se começa a desenvolver com mais afinco a partir de determinada idade! 

Outra grande vantagem das crianças mais velhas é que já têm uma compreensão da realidade muito mais profunda e concreta do que as crianças mais novas (resultante do desenvolvimento de competências e não do desenvolvimento da personalidade) que, no meu caso, tornaram toda a integração e adaptação muito, mas muito mais fácil."

 

Normalmente estou de acordo com a Sandra, desta vez faço minhas as palavras dela...  literalmente.

 

Qualquer criança adoptada passou por um abandono, e isso vai viver com ela para o resto da sua vida. Podemos pensar que as crianças mais pequenas sofrem menos com isso, ou que são menos marcadas, a minha experiencia diz-me que isso não é verdade, o meu filho cresceu com o facto de ser adoptado, e à medida que ia crescendo e tomando consciência do que isso significa, ia reagindo... umas vezes melhor, outras pior, mas é algo que todos tem de enfrentar. Se pensarmos bem, uma criança mais velha já interiorizou o facto, na maioria das vezes já o aceitou e está tão desejosa de uma família, de amor e carinho, que se vai entregar de alma e coração aos novos pais.

 

Jorge

PS:Sandra, eu sei que plagiar é feio... obrigado

PS:O grupo de mail Nós adoptamos é um grupo de discussão onde participam, pais, candidatos e adoptados.

 

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publicado às 21:47

Adopção:Há quem brinque aos deuses!

por Jorge Soares, em 16.11.08

A espera

 

Hoje se calhar era um bom dia para estar calado, só que há um pequeno problema, eu não sei estar calado.... especialmente quando se trata de coisas que me revoltam.

 

Já todos ouvimos a lenga lenga de que os candidatos à adopção são uns desnaturados, só querem bebes, de preferência brancos, de olhos azuis e parecidos com eles. É claro que há  gente assim, mas também há muito boa gente que não é assim....

 

Há uns dias recebi um email em que alguém falava de uma criança mais velha que está num centro de acolhimento e para a que não há candidatos, como eu, muitas mais pessoas receberam esse email e de imediato apareceram candidatos para aquela criança, mais que um até. Estou a  falar de pessoas que passaram por um processo de avaliação e que estão à espera, como estou eu e outros milhares de candidatos neste país.

 

Ora, se temos uma criança que está à espera de uns pais e não há quem os encontre, uns pais que estão à espera de uma criança e que até aceitam aquela, o que pode correr mal? Bom, o que pode correr mal é a segurança social deste país, que além de não fazer o seu trabalho, que é encontrar uns pais para a criança, tenta impedir que aqueles pais que estão dispostos a ficar com ela, o façam. Sim, leram bem, há assistentes sociais que tentam impedir que aquela criança fique com aqueles pais.

 

Há pessoas neste país que brincam a ser deus, elas acham que podem decidir quem pode ficar com quem, e aí de quem tente sair um pouco do esquema..... As assistentes sociais não tinham ouvido falar daquela criança, por tanto ela não existe, e nem se preocupam em averiguar se existe ou não, para elas aqueles pais não tem direito a ela...mesmo que a mesma segurança social diga que não há outros candidatos dispostos a a adoptarem. Quem deu direito a esta senhoras a brincar aos deuses?

 

Estas coisas revoltam-me e assustam-me, porque eu não sei como reagiria numa situação destas, tal a revolta que sinto...e a verdade é que como candidato à adopção, eu estou sujeito a que me aconteça.... porque há pessoas que brincam a ser deus.....e depois há quem fale de listas nacionais.... tretas, se existisse uma lista nacional, elas teriam ouvido falar daquela criança e teriam visto se entre os seus candidatos havia alguém que estaria disposto a ficar com ela. O problema é que as assistentes sociais de cada distrito falam dos "seus" candidatos e das "suas" crianças. E andou o governo a mudar a lei e a pagar um balúrdio por uma lista nacional..... tretas!

 

Jorge

PS:Imagem retirada da internet.

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publicado às 21:23


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