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O País da Alexandra é o nosso país!

por Jorge Soares, em 09.04.14

Alexandra Lucas Coelho

 Imagem do Público

 

"Eu gostava de dizer ao actual Presidente da República, aqui representado hoje, que este país não é seu, nem do governo do seu partido. É do arquitecto Álvaro Siza, do cientista Sobrinho Simões, do ensaísta Eugénio Lisboa, de todas as vozes que me foram chegando, ao longo destes anos no Brasil, dando conta do pesadelo que o governo de Portugal se tornou: Siza dizendo que há a sensação de viver de novo em ditadura, Sobrinho Simões dizendo que este governo rebentou com tudo o que fora construído na investigação, Eugénio Lisboa, aos 82 anos, falando da “total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página”.

 

Este país é dos bolseiros da FCT que viram tudo interrompido; dos milhões de desempregados ou trabalhadores precários; dos novos emigrantes que vi chegarem ao Brasil, a mais bem formada geração de sempre, para darem tudo a outro país; dos muitos leitores que me foram escrevendo nestes três anos e meio de Brasil a perguntar que conselhos podia eu dar ao filho, à filha, ao amigo, que pensavam emigrar.

 

Eu estava no Brasil, para onde ninguém me tinha mandado, quando um membro do seu governo disse aquela coisa escandalosa, pois que os professores emigrassem. Ir para o mundo por nossa vontade é tão essencial como não ir para o mundo porque não temos alternativa.

 

Este país é de todos esses, os que partem porque querem, os que partem porque aqui se sentem a morrer, e levam um país melhor com eles, forte, bonito, inventivo. Conheci-os, estão lá no Rio de Janeiro, a fazerem mais pela imagem de Portugal, mais pela relação Portugal-Brasil, do que qualquer discurso oco dos políticos que neste momento nos governam. Contra o cliché do português, o português do inho e do ito, o Portugal do apoucamento. Estão lá, revirando a história do avesso, contra todo o mal que ela deixou, desde a colonização, da escravatura.

 

Este país é do Changuito, que em 2008 fundou uma livraria de poesia em Lisboa, e depois a levou para o Rio de Janeiro sem qualquer ajuda pública, e acartou 7000 livros, uma tonelada, para um 11º andar, que era o que dava para pagar de aluguer, e depois os acartou de volta para casa, por tudo ter ficado demasiado caro. Este país é dele, que nunca se sentaria na mesma sala que o actual presidente da República.

 

E é de quem faz arte apesar do mercado, de quem luta para que haja cinema, de quem não cruzou os braços quando o governo no poder estava a acabar com o cinema em Portugal. Eu ouvi realizadores e produtores portugueses numa conferência de imprensa no Festival do Rio de Janeiro contarem aos jornalistas presentes como 2012 ia ser o ano sem cinema em Portugal. Eu fui vendo, à distância, autores, escritores, artistas sem dinheiro para pagarem dividas à segurança social, luz, água, renda de casa. E tanta gente esquecida. E ainda assim, de cada vez que eu chegava, Lisboa parecia-me pujante, as pessoas juntavam-se, inventavam, aos altos e baixos.

 

Não devo nada ao governo português no poder. Mas devo muito aos poetas, aos agricultores, ao Rui Horta que levou o mundo para Montemor-o-Novo, à Bárbara Bulhosa que fez a editora em que todos nós, seus autores, queremos estar, em cumplicidade e entrega, num mercado cada vez mais hostil, com margens canibais.

 

Os actuais governantes podem achar que o trabalho deles não é ouvir isto, mas o trabalho deles não é outro se não ouvir isto. Foi para ouvir isto, o que as pessoas têm a dizer, que foram eleitos, embora não por mim. Cargo público não é prémio, é compromisso.

 

Portugal talvez não viva 100 anos, talvez o planeta não viva 100 anos, tudo corre para acabar, sabemos, Mas enquanto isso estamos vivos, não somos sobreviventes."

 

Alexandra Lucas Coelho

 

Discurso proferido na entrega do prémio APE pelo romance E a Noite Roda

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publicado às 21:15

Cristiano Ronaldo e as vacas sagradas

por Jorge Soares, em 16.09.11


Cristiano Ronaldo e as vacas sagradas

Imagem de aqui

 

"A vaca sagrada é algo que está imune à crítica em virtude do seu elevado estatuto. Este termo é frequentemente utilizado para descrever algo que é excessivamente venerado a tal ponto que as pessoas têm medo de criticá-lo. Quando se discute uma vaca sagrada, a implicação é que deve ser manuseado com muito cuidado para evitar causar ofensa. Este termo é usado calão em muitos países de fala Inglesa, embora algumas pessoas acham ofensivo por causa de suas origens."

 

Gamado algures da internet

 

Hoje, depois de ler os mais de 200 comentários ao meu post de ontem, dei por mim a pensar que vivo no país errado, as vacas sagradas são uns animais esqueléticos que vivem na Índia, andam por ali e ninguém lhes pode tocar, quem o faz é de imediato condenado.... pensava eu que desde há uns 35 anos para cá as vacas sagradas tinham sido banidas da sociedade portuguesa... pelos vistos, estou enganado.. elas existem.. vivem em Madrid, jogam futebol e acredita-se que são bonitas.

 

O meu post de ontem foi escrito após ter lido uma noticia do Público, do meu ponto de vista com base nessa noticia é impossível saber se as declarações citadas foram feitas em tom irónico ou não, impossível para mim, porque parece que há muita gente que lê aquilo e é capaz de jurar.. "ele estava a ser irónico!!!!"....

 

Alguém me vai ter que explicar como é que chegam a essa brilhante conclusão. É claro que basta ler o meu post para perceber que eu sim estava a ser irónico, mas isso ninguém viu, o que muita gente viu foi que eu estava a atacar uma vaca sagrada e isso é um sacrilégio... ainda por cima uma vaca sagrada que é portuguesa, joga à bola, tem montes de massa e leva o nome do país muito longe.... Pelos vistos o Cristiano Ronaldo pode dizer o que lhe apetecer, mesmo os maiores disparates, ele é rico, joga à bola e portanto é intocável...

 

O Cristiano Ronaldo é um produto da sociedade em que vivemos, não lhe retiro o mérito, se chegou onde chegou é porque trabalha e se esforça para ser o melhor, se o é ou não é uma discussão que a mim me parece uma parvoice e que não faz sentido..mas isso sou eu. Agora, o Cristiano Ronaldo e os seus fãs tem que entender que a fama não traz só benesses, além de abrir as portas para os sítios chics, as miúdas giras, os contratos publicitários com muitos zeros, vender roupa, a fama também traz coisas negativas, entre elas está o ser-se constantemente sujeito ao escrutínio público, ele tem que estar preparado para ver tudo o que diz amplificado, tirado do contexto, deturpado, etc, etc,etc.

 

No meio de 200 comentários apareceu de tudo, desde os defensores acérrimos do CR7, até aos mais ferrenhos detractores e de repente, um post que era suposto ser algo humorístico e divertido, converteu-se num ataque feroz de parte a parte.. e não houve água na fervura que acalmasse as hostes..e eu juro que utilizei todas as minhas reservas de paciência.

 

Não há grandes lições a tirar de tudo isto, como dizia alguém nos comentários ao post de sexta feira passada ,  é triste descobrir que como sociedade afinal ainda não evoluimos tanto assim, mas há algo que quero deixar bem claro, para mim não há vacas sagradas, o blog é meu e nele falo do que entendo, e não me importa se é o Cristiano Ronaldo, o primeiro ministro ou Cavaco Silva, aceito que se discutam as minhas ideias, mas não aceito que alguém me diga do que posso falar ou não.

 

Jorge Soares

PS:Com o devido respeito pelas vacas que evidentemente não tem culpa nenhuma da estupidez das pessoas

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publicado às 22:20

A luta desceu ao nível do humor parvo

por Jorge Soares, em 22.03.11

 

A luta não passa de humor barato

 

A noticia é do Público e diz que os Homens da Luta ridicularizam o Miguel Sousa Tavares, já disse aqui que não vou à bola com o trabalho destes senhores, não sei se é da minha falta de sentido de humor ou da falta de humor deles, o defeito será meu, o mundo não pode estar errado e eu certo.

 

O que penso sobre o vídeo está plasmado em parte num comentário que alguém deixou na página do Público e que entre outras coisas diz o seguinte:

 

"1) A dupla Jel-Vasco tinha piada, mesmo muita piada. Foram uma autêntica lufada de ar fresco no humor em Portugal, com o seu característico humor negro, sem contemplações. Desde que venceram o festival da canção (o que já era de resto provável, já no ano passado tinham tentado concorrer), entraram numa espiral de soberba e arrogância que chega a dar pena. Perderam a piada toda porque passaram a levar-se a sério. E tornaram-se numa caricatura, semelhante àquelas que representam;

 

2) Tanta conversa de democracia e de liberdade e depois não são capazes de aceitar e respeitar uma opinião diferente das suas. Afinal que tipo de liberdade de expressão é que defendem?

 

3) Miguel Sousa Tavares tem toda a razão quando defende que os homens da luta têm um discurso demagógico. Eu digo mais, o discurso é completamente vazio. Basta ver as exibições ridículas que o Jel tem andado a fazer nos telejornais. É impressionante a capacidade do homem em falar imenso e não dizer nada;

 

Nem sempre concordo com o que diz o Miguel Sousa Tavares, mas há algo que gosto nele, é frontal, diz o que pensa... isso leva a que muitas vezes diga coisas que não deve?, leva,.. mas ele também já mostrou que consegue reconhecer que errou e se for necessário faz o mea culpa.

 

Há muita gente que vê nos Homens da Luta contestação e reivindicação, eu não vejo nada disso, só vejo aproveitamento da situação, manifestação de 13 de Março incluída,  para fazer render o peixe deles, ou seja vender o seu suposto humor .... humor que ainda por cima não tem piada nenhuma.

 

 

 

 

 

Jorge Soares

 

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publicado às 14:26

Ao que leio nos jornais, parece que para alguma da nossa classe mais cultural, está na moda emigrar, há até quem esteja tão indignado com o nosso país que até ameaça com renunciar à cidadania Portuguesa.... 

 

Tudo isto fez-me voltar atrás, faz 30 anos estes dias em que também fiz o mesmo, é claro que na inocência dos meus 10 anos de idade, eu não estava nada chateado com o país e nem a novidade que era andar pela primeira vez de avião, naquele enorme 707 da TAP, me apagou a tristeza de deixar para trás o meu pequeno mundo que não ia muito mais além da minha aldeia.

 

Maria João PiresComo mudam os tempos, há 30 ou 40 anos as pessoas emigravam para poderem ter uma vida, um emprego, ou como no caso dos meus pais, para poderem educar os filhos. Faziam-se enormes sacrifícios para se poder sair do país, e depois durante anos e anos trabalhava-se de sol a sol para poder juntar uns tostões para a casinha na terra.. eram outros tempos e claro, outros emigrantes... no fundo, eram outros portugueses.

 

Sabem, a mim o discurso da Maria João Pires deu-me vontade de rir, não quero tirar valor ao seu trabalho, mas vamos lá ver: quem planeou o projecto, quem o implementou, quem escolheu a altura e o lugar, foi ela, aquilo correu mal, e a culpa é de quem?, do estado, é claro!!!!!! , o raio do estado não inventou mais dinheiro para lá colocar, vai de aí, a senhora decide  desistir de tudo e ir viver para o Brasil.... deixo desde já a promessa que lhe darei o meu aplauso quando souber que ela abriu um novo Belgais numa das favelas do Rio de Janeiro e o fizer funcionar com o dinheiro do estado brasileiro.Miguel Sousa Tavares

 

Quanto ao Miguel Sousa Tavares.... bom, esse eu percebo, convenhamos que há algumas razões válidas para se ir viver para o Brasil, principalmente quando somos um escritor de sucesso, temos muito dinheiro e algumas amigas que por lá vivem,,, desde que ele não deixe de escrever a coluna na Bola, verdadeira lança colocada por um portista no coração da imprensa benfiquista, ele pode ir viver para onde quiser,, é com o dinheiro dele e do trabalho dele.

 

SaramagoMas já que estou numa de criticar, achei imensa piada ao José Saramago, ele mostrou-se muito preocupado com as palavras da Maria João Pires, é preocupante que ela queira renunciar ao país... ele, que como todos sabemos, mora há anos ali para os lados de .... Lanzarote... ou seja, na Espanha.

 

 

Agora, eu achava mesmo piada a toda esta gente, era se eles renunciassem a vender as suas obras, já seja musicais ou poéticas, em Portugal... isso é que era ser coerencia, de resto, podem ir viver para onde bem lhes apeteça... e vai de aí eu ia sentir falta deles, porque gosto dos livros dos senhores e da musica da senhora.. mas lá eles eram capaz de renunciar ao nosso mercado!!!!!!!!

 

Jorge Soares

 

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publicado às 23:08


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