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Uma saída limpa, ou, o inferno é em Portugal

por Jorge Soares, em 07.05.14

O inferno é em Portugal

 

Imagem do Público

 

Não há outro inferno para o homem além da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes.

Marquês de Sade

 

Há coisas que são difíceis de entender, a fotografia do Público mostra uma senhora com um cancro em estado avançado que saiu do hospital Joaquim Urbano, no Porto, directamente para a rua. É verdade que foi ela que insistiu em deixar o hospital, mas também é verdade que alguém lhe passou a alta hospitalar e a deixou sair mesmo sabendo que esta não tinha para onde ir e que iria terminar na rua.

 

"Metida sozinha num táxi, foi parar, desamparada, às escadas da igreja do Carvalhido, na rua onde o marido arruma carros. Aguentou-se ali, deitada, umas cinco horas, até ser transportada pela polícia para um quarto numa pensão de Cedofeita, arranjado pela mesma Segurança Social que lhes cortara o rendimento social de inserção, deixando-os sem capacidade de pagar uma renda."

 

Quando leio coisas destas não  posso deixar de me lembrar do célebre "custe o que custar" com que Pedro Passos Coelho nos avisou do que se avizinhava, desde então temos vindo todos os dias a descobrir do que estava o primeiro ministro a falar naquele dia.

 

A verdade é que a política de austeridade imposta pela Troika e aplicada pelo governo de Passos Coelho significou um retrocesso de décadas ao nível da saúde, da segurança social e das políticas sociais. Situações como a relatada pela noticia do Público são impensáveis em qualquer país civilizado mas a verdade é que acontecem todos os dias em Portugal.

 

A solução encontrada à pressa foi um quarto numa pensão algures no Porto, mas haveria que perguntar-se como espera a segurança social que esta família, pai, mãe e um filho adolescente, sobreviva quando um dos elementos tem uma doença em estado avançado que lhe impede de quase tudo, e  outro tem como profissão arrumar carros nas ruas da cidade? Está-se mesmo a ver que se existe inferno, esta família já lá está.

 

É isto a que chamamos saída limpa? 

 

Jorge Soares

publicado às 22:05

Hospital

 

Imagem do Público

 

Há pouco na Antena 1, a  presidente da associação portuguesa de gestores hospitalares dizia que neste momento e em nome da lei dos compromissos tudo se atrasa. Para poupar nas despesas, atrasam-se ou reduzem-se os exames, atrasam-se as consultas, atrasam-se ou reduzem-se as cirurgias.

 

Isto tudo a propósito da doente do hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra)  que esteve um ano à espera de uma consulta e outro ano à espera de um exame, uma colonoscopia até finalmente lhe foi detectado um cancro, com todo este tempo de espera, o cancro evoluiu de tal forma que já não é tratável.

 

Ou seja, no fim, os atrasos, ou a lei dos compromissos, ou a austeridade do estado, ou o ministério da saúde, ou o governo, ou a Troika e as medidas que impôs, ou todos juntos, condenaram a senhora à morte.

 

Agora foi aberto um inquérito, há quem tente dar explicações, e quem peça responsabilidades mas a verdade é que nada disto irá servir para que o tempo possa voltar para trás e nada disto irá servir de consolo a quem foi retirada a esperança de ter uma cura.

 

Ficou célebre aquela frase do Primeiro Ministro "Vamos cumprir as metas custe o que custar", este é só mais um exemplo do que senhor queria dizer. 

 

A realidade é que o custe o que custar custou a vida a quem teve que esperar pelos atrasos dos hospitais, quantas outras vidas estará a custar todos os dias?

 

Há pessoas que esperam 24 horas para serem atendidas nas urgências dos hospitais públicos, há outras que passam dias seguidos nos corredores dos hospitais à espera de uma cama onde serem internados, é este o estado da saúde em Portugal... é este o verdadeiro significado daquele  "custe o que custar"

 

Gostava de poder perguntar ao senhor ministro se ele é capaz de enfrentar esta doente e olhos nos olhos dizer a quem resta pouco tempo de vida que os sacrifícios valeram a pena.... valeram a pena para quê e para quem?

 

Para o estado parece que tudo pode esperar... senhor primeiro ministro, senhor ministro da saúde,  infelizmente a morte não espera.

 

Jorge Soares

publicado às 22:16

Doentes diabéticos passam 12 horas sem alimentação no hospital de Viseu

 

Imagem do DN 

 

O mesmo estado que assume as dívidas de Victor Baia e Duarte Lima ao BPN, é o que insiste nos cortes no orçamento da saúde que já levaram a que no Hospital de Viseu tenha sido retirado aos doentes diabéticos o suplemento alimentar que lhes era fornecido todos os dias por volta das 23 horas de forma a garantir que não entrassem em hipoglicemia.

 

Segundo os profissionais de saúde do Hospital, sem este reforço alimentar muitos dos doentes passam perto de 12 horas, desde as 8 da noite  às 8 da manhã, sem se alimentarem, sendo que já houve casos em que foram encontrados doentes descompensados. Para além da comida, foi também retirada a água engarrafada que era fornecida pelo hospital.

 

A diabetes é uma doença caracterizada pela incapacidade do organismo produzir insulina, ou de utilizá-la adequadamente, e pela presença de concentrações elevadas de glicose no sangue, uma vez que a insulina é a "chave" que abre a "porta" por onde a glicose entra nas células. Se houver falta de insulina a glicose permanece no sangue em vez de fornecer energia às células.

 

Para além dos tratamentos, uma alimentação cuidada e adequada é fundamental para reduzir os riscos das complicações a longo prazo.

 

Imagino que estas medidas estejam enquadradas no "Custe o que custar" a que se referia Pedro Passos Coelho quando garantia que seriam cumpridas as medidas da troika... 

 

Update: Segundo um comentário deixado neste post, nada disto é verdade, espero sinceramente que assim seja, tenho o DN por um jornal credível, mas prefiro dar o beneficio da dúvida ao hospital.

 

Jorge Soares

publicado às 21:22

O Tiago e o André já não se tratam

Imagem do Expresso

 

É verdade que aquilo que se passava no transporte de doentes era vergonhoso, qualquer desculpa era boa para se chamar os bombeiros e havia muito boa gente a utilizar as ambulâncias como transporte para ir ás compras, era mais que evidente que a situação não podia continuar, havia que por cobro aos abusos,  definir regras e prioridades.

 

O que na realidade aconteceu é que com a nova politica passamos do 80 em que os bombeiros eram choferes, para o 8 em que há doentes que deixam de ser tratados porque não tem mesmo condições. Na saúde a politica do custe o que custar do nosso primeiro ministro está na realidade a  custar vidas humanas.

 

As noticias são do Expresso, numa coluna que não sei bem porquê se chama "Solidariedade Expresso", para além de noticiarem os casos não vi em lado nenhum alguma solidariedade, e entre outros casos apresentava o da Família do Tiago e do André e o da Glória Lucas. Ambos tem em comum pessoas, seres humanos, que sofrem doenças que exigem acompanhamento e tratamento permanente e que devido às novas regras de transporte de doentes, deixaram de ser tratados.

 

É difícil acreditar que estas coisas aconteçam, é de pessoas que estamos a falar, num país em que o direito à saúde está inscrito na constituição, há pessoas que deixamos de tratar porque o governo de turno decidiu que a forma de poupar era cortar a direito... recuso-me a acreditar que este seja o caminho, tem de haver outra forma, uma forma em que não se deixem as pessoas à sua sorte.

 

"A última vez que fui à médica, já depois de algumas faltas, ela perguntou-me como é que eu quero ser tratada se não vou às consultas e não faço os exames. Eu perguntei-lhe como é que ela quer que eu faça se não tenho dinheiro. Ficou calada. E ficámos assim."

 

E Ficamos assim?

 

Jorge Soares

publicado às 22:31

Abraçar a Maternidade Alfredo da Costa

por Jorge Soares, em 09.04.12

Maternidade Alfredo da Costa

Imagem de Arranha no Trapo

 

Custe o que custar, foram as palavras do primeiro ministro, na altura poucos terão percebido o verdadeiro significado daquelas palavras, pouco a pouco vamos descobrindo, mas há coisas que são dificieis de entender, esta decisão de encerrar a Maternidade Alfredo da Costa é daquelas que não se conseguem entender.

 

A MAC é a maternidade do país onde se realiza o maior número de partos, é a que tem as melhores equipas, os melhores equipamentos, a que está melhor estruturada e mais capacitada nos cuidados a gravidezes de risco e neonatais, é para lá que são encaminhados os casos mais graves e complicados de todo o sul do país.

 

Encerrar uma unidade de referência como esta só pode ser explicado pela lógica do corte cego na despesa, para este governo cortes na despesa significa cortar a eito, sem lógica e completamente indiferente ao que isso significa ao nível da perca da qualidade dos cuidados de saúde básicos da população.

 

O nosso sistema de saúde está longe de ser perfeito, sobram os exemplos  de como a cada vez maior falta de meios nos obriga cada vez mais a recorrer aos seguros de saúde e aos privados para evitarmos esperas de meses e até anos por uma consulta e/ou uma cirurgia. Todos sabemos que faz falta muito trabalho e organização para se conseguir melhorar, mas não será de certeza com o encerramento das unidades de saúde de referência que isto irá melhorar. 

 

Já vimos neste post no que resulta o encerramento de valências hospitalares, quantas mais vidas serão necessárias para que estes senhores entendam que não é este o caminho a seguir?

 

Hoje o ministro da saúde veio confirmar que a maternidade será encerrada durante esta legislatura, amanhã dia 10 ao fim da tarde, Profissionais, utentes e familiares vão realizar um cordão humano junto à Maternidade em defesa da instituição e contra o seu encerramento.

 

Jorge Soares

publicado às 22:57

Helicóptero do Inem

Imagem da RTP

 

 

Foi em Chaves, mas podia ter sido em muitas outras localidades do interior do país e até em algumas do litoral, no Sábado uma mulher de 79 anos sentiu-se mal em plena rua em Chaves, chamado o INEM, os médicos contactaram o hospital de Chaves que recusou a doente já que desde o início do ano não dispõe do serviço de cardiologia. De seguida foi contactado o hospital de Vila Real que também recusou a doente por não dispor de vagas. Tudo isto enquanto a senhora estava a ter um ataque cardíaco em plena rua.

 

Entretanto foi transportada para o hospital de Chaves onde dada a gravidade do ataque cardíaco se decidiu que tinha mesmo que ir para Vila Real, foi chamado o helicóptero para fazer o transporte, este chegou quando a idosa já tinha falecido duas horas depois do primeiro alerta.

 

As poupanças na saúde tem um preço, neste caso o facto de não haver cardiologia em Chaves pagou esse preço na forma de uma vida humana.

 

Como é que se encerra um serviço num hospital sem garantir que os mais próximos tem capacidade suficiente para atender todos os casos? Quando em Vila Real dizem que não aceitam uma emergência cardíaca porque não há vagas, esperam o quê?, que transportem o doente para o Porto?, para Bragança?, para Braga?... e por acaso um doente cardíaco pode esperar até chegar de Chaves ao Porto?

 

Haverá de certeza muitos outros casos como este por todo o país,  casos que custarão muitas mais vidas, quem assume as responsabilidades?, onde estão os que decidiram que ao retirar a cardiologia de Chaves esta senhora não podía viver? vão asumir as suas responsabilidades neste caso?...será que era disto que o Primeiro ministro falava quando disse "Vamos cumprir as metas custe o que custar"? quantas vidas humanas estão encerradas nesta frase?

 

Jorge Soares

publicado às 21:23


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