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ManuelLuísGoucha.jpg

 

Imagem de aqui

 

"Entre outras observações, Manuel Luís Goucha não aceita que a juíza tenha dito que ele se “põe a jeito de piadas”, nomeadamente por ter “atitudes e roupas coloridas, próprias do universo feminino”."

 

Não tinha ouvido falar deste caso, aliás, não gosto lá muito do Goucha e tirando a sua participação num dos programas sobre candidatos a chefes de cozinha, não me lembro de ter visto outro dos programas em que ele aparece... mas isso não me impede de achar que tal como qualquer outra pessoa, ele tem direito à sua vida privada e merece o mesmo respeito que qualquer outra pessoa.

 

O caso remonta a 28 de Dezembro de 2009, no programa da RTP2 “5 para a meia-noite”, Goucha, que poucos dias antes tinha revelado a sua homossexualidade,  foi eleito por Filomena Cautela como a  “a apresentadora do ano”, concorria com  Cláudia Vieira e Carolina Patrocínio.

 

O apresentador não gostou e decidiu processar o programa, foi aí que apareceu a juíza citada acima que pelos vistos tem um modo muito peculiar de interpretar as leis e que baseada entre outras coisas no facto de  ele ter" atitudes e roupas coloridas, próprias do universo feminino", decidiu  a favor dos apresentadores do programa e contra Goucha.

 

Entendo a revolta de Manuel luís Goucha e entendo muito bem a sua decisão de apresentar queixa contra o estado português. Até posso conseguir entender o que se passou no 5 para a meia noite, que afinal era um programa em que se fazia humor, nem sempre bem conseguido, mas humor, mas não há forma de conseguir entender os comentários da juíza.

 

A forma como a juíza se expressa é claramente discriminatória e preconceituosa, que alguém se vista de forma mais ou menos vistosa ou que diga mais ou menos piadas, não pode ser motivo nem de preconceito nem de discriminação. Eu não percebo nada de leis, mas não estou a ver qual é a lei que permite que uma pessoa seja achincalhada devido à forma como se veste, se expressa ou aos seus gostos e preferências sexuais.

 

Depois de casos como este, ou como este de que falei aqui, ou de este outro de que falei aqui, ou este outro de que falei aqui, é caso para perguntar: O que se passa com os juízes deste país?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:41

Referendar o quê? a discriminação!

por Jorge Soares, em 05.11.09

 Referendar a discriminação!

 

Já fez um ano que sobre casamentos disse, neste post, o seguinte:

 

"Para mim o facto de viver em sociedade significa que os meus direitos terminam exactamente onde começam os das pessoas que me rodeiam e evidentemente  espero que o resto do mundo se comporte assim quando olha para mim. Dito isto, a mim faz-me alguma confusão que a discussão da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo levante tanta poeira. Do meu ponto de vista, a pessoa com quem nos queremos casar é algo do foro pessoal, quando eu me casei com a P. só lhe perguntei a ela se  queria casar comigo, porque só  ela e a mim nos interessava o assunto, não me passou pela cabeça perguntar a mais ninguém e muito menos que haveria uma lei que permitiria ou não o casamento."

 

Esta semana dei por mim incrédulo a ler noticias em que alguém sugeria um referendo para decidir sobre este assunto, desculpem?... um referendo???!!!!!...  mas estamos parvos ou quê?

 

Sempre achei todo este assunto uma questão de discriminação, cada vez me faz mais confusão porque é que o facto de duas pessoas se casarem pode incomodar tanta gente? E acho ainda mais ridículo aqueles que dizem que essas pessoas até podem viver juntas e ter direitos, mas não se podem casar... afinal, que diferença faz um papel? O que os incomoda é o facto de as pessoas assinarem um papel? E querem fazer um referendo para ver se eles podem ou não assinar o papel?, mas estão todos parvos ou quê?

 

Nestes dias nos comentários deste post  do Pedro no Vilaforte, alguém falava da perca do  conceito de família,  repito aqui o que disse lá:

 

Para mim o conceito de família não tem nada a ver com casamento, sempre existiram famílias muito antes de existirem casamentos, o casamento é só um papel, um contrato assinado entre duas pessoas, que é perfeitamente dispensável para qualquer família. O que define o conceito família não é o papel que as pessoas assinaram, é a partilha e a convivência e para isso não é preciso papel nenhum assinado.

 

Toda esta discussão à volta dos direitos das pessoas a casarem-se ou não, não passa de conservadorismo triste e de um enorme sinal de que existe neste país muita gente que se escuda em supostos valores para discriminar quem não pensa ou age de acordo como eles. E pensava eu que tudo isso tinha acabado há 35 anos atrás, há coisas que demoram mesmo muito tempo a mudar.

 

Evidentemente esta sugestão de referendar este assunto é de quem já esgotou os argumentos válidos para poder discutir e se tenta socorrer do suposto conservadorismo do povo para impor os seus pontos de vista.

 

Aceitam-se sugestões para  coisas que não interessam a ninguém para serem referendadas.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:33

HIV - ou a falta de justiça que temos

por Jorge Soares, em 03.10.08

Quebra cabeças de arame

 

Nos últimos dias e a propósito de casamentos, tem-se falado muito de descriminação no nosso país, infelizmente a descriminação não se esgota nos casamentos, vai muito mais além, aliada desta vez à ignorância.

 

Este post da Sonia chamou-me a atenção para esta noticia do Publico. Já aqui tinha falado sobre isto, a minha opinião não mudou entretanto, vou copiar aqui o post que fiz no dia 20 de Novembro do ano passado.... as minhas desculpas a quem já o leu.

 

 

O caso do dia é a sentença que dá razão a um Hotel no despedimento de um cozinheiro simplesmente porque era HIV - positivo, isto apesar de todas os pareceres científicos que dizem que a probabilidade de alguém apanhar o vírus através do seu contagio, andar na mesma ordem de grandeza que a de se ganhar o Euromilhões.
 
Isto tudo fez-me recordar uma pessoa que conheci por acaso e de maneira efémera, há muitos anos atrás.
 
Algures no ano 1992 ou 93, estava eu na loja da Valentim de Carvalho no Rossio... acho que já não existe, e acercou-se a mim um jovem, teria mais ou menos a minha idade, tinha um alicate e arame de cobre na mão, enquanto falava ia moldando o arame. Disse o nome, e que era portador do HIV, falou-me do vírus, e das dificuldades que sentia, ele e os portadores, para poder viver na nossa sociedade.
 
No fim da conversa, ele tinha moldado um quebra-cabeças de arame, e disse-me que era para mim, não custava nada, mas que agradecia se eu o pudesse ajudar com algum dinheiro, não era fácil a vida para ele, não conseguia arranjar emprego.
 
Eu era um estudante deslocado em Lisboa e sem muitas posses, ofereci-lhe 500 Escudos, e algumas palavras, para a média eu era uma pessoa informada sobre o assunto, disse-lhe isso e algumas outras coisas, lembro-me de no fim lhe ter apertado a mão e senti que ele ficou surpreendido, comovido, percebi que ele não estava à espera de aquele aperto de mão.
 
Ora isto foi em 1992 ou 93, na altura não existia a informação que existe agora, não sei o que terá acontecido com aquele ser humano, como não sei o que aconteceu com o quebra-cabeças de arame, de vez em quando lembro-me dele. Estamos em 2007, passou muito tempo, vivemos na era da informação, do google, todos deveríamos saber que o HIV é só mais um vírus, como é possível que três juízes dêem uma sentença destas?
 
E já agora, o que é que estes juízes acham que esta pessoa deve fazer para viver?, ir pela rua com arame de cobre e um alicate a fazer quebra cabeças?
 
Justiça, procura-se!
 
Jorge
PS:imagem retirada da internet
 
 

 

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publicado às 20:58

Adopção:Mudar mentalidades, é preciso!

por Jorge Soares, em 30.03.08

Mãos

 

Esta semana recebi um email de uma pessoa que é candidata individual à adopção e que me dizia o seguinte:

 

"Sou candidata singular a adopção. Inscrita desde Janeiro de 2005.

As técnicas disseram-me que os casais me passariam à frente"

Esta é uma das questões que mais vezes me fazem: os casais tem preferência sobre os candidatos individuais? É difícil responder, com base na lei, a resposta é não, na hora da entrega de uma criança a lei não distingue entre um casal e um candidato individual, portanto, e dado que supostamente existe uma base de dados nacional e uma lista de candidatos aprovados, a resposta a esta pergunta deveria ser: não, os casais não passam à frente dos candidatos individuais.

Mas a realidade é que o processo de adopção depende completamente das técnicas da segurança social, eu sempre achei que precisamente por este motivo,a famosa lista nacional nunca seria implementada. Se as técnicas olham de lado para os candidatos singulares..... não há nada a fazer, é uma questão de mentalidades, pessoas que olham de lado para mães e pais solteiros, pessoas que avaliam os outros por si  mesmas e que portanto descriminam, acham que os casais tem preferência. Sim, porque a técnica que disse que os casais passam à frente, está a descriminar.

Por acaso um dos melhores pais que conheço, é um senhor que foi candidato individual não só num, como em dois casos de adopção, um pai que adoptou primeiro uma criança de 6 anos, de outra raça...e passados uns anos, adoptou uma segunda criança e tem dois filhos maravilhosos que são a inveja de todos os que os conhecem. E é um pai solteiro, e foi candidato individual, felizmente para ele e para os filhos, as técnicas que o avaliaram não o descriminaram. Por outro lado, conheço mais de um caso de casais, avaliados e completamente aprovados como candidatos idóneos, a quem foram entregues crianças, e que terminaram por as devolver..... mas disso prefiro não falar.

É preciso mudar mentalidades, é preciso aceitar que as pessoas tem direito a viver a sua vida da maneira que preferirem e que se preferem viver sozinhas e serem mães e pais solteiros, já seja por adopção ou não, tem todo o direito a isso e não podem ser descriminados.


O grupo de email em que participo e donde se trata o tema da adopção é: nós-adoptamos

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet

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publicado às 15:09


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