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Brittany Maynard

 

Imagem de aqui 

 

Já aqui falei da eutanásia (auto link) e do direito a morrer-se com dignidade mais que uma vez. Para mim é simples, todos temos direito a viver com um mínimo de dignidade, quando esse direito não está garantido e quando a vida se resume a um enorme sofrimento sem mais perspectivas que esperar que a morte siga o seu caminho, deveríamos ter direito a escolher não continuar a viver em sofrimento.

 

Brittanny Maynard tem 29 anos, em Janeiro foi-lhe diagnosticado um cancro cerebral e os médicos deram-lhe pouco mais de seis meses de vida. Em fase terminal da doença e sabendo que o seu estado físico só irá piorar, Brittanny decidiu que ia escolher o dia e a hora da sua morte...

 

Irei morrer no andar de cima, no quarto que divido com o meu marido, com ele e minha mãe ao meu lado, e falecer pacificamente com a música que eu gosto no fundo

 

A morte é a única coisa certa na vida e Brittany decidiu que quer que a sua morte não tenha o sofrimento atroz porque passam a maioria dos doentes em fase terminal e decidiu que não ia obrigar a que as pessoas que amam a que sofressem tudo isso por ela e com ela.

 

Se pensarmos bem faz todo o sentido, todos sofremos com a morte das pessoas que amamos, não há como não passar por isso, mas não será justo que se pudermos tentemos evitar o sofrimento adicional de que quem nos ama sofra connosco dia a dia à medida que a nossa vida se vai tornando penosa até que já nem damos porque continuamos a viver?

 

Só podemos saber como vamos reagir às coisas quando realmente passarmos por elas, espero sinceramente nunca ter que tomar uma decisão destas para mim ou algum dos meus seres queridos, mas sou completamente a favor do direito à vida e à morte com dignidade.

 

A questão da dignidade levou a que Brittany se juntasse à Compassion & Choices (‘Compaixão e Escolhas’), um grupo que luta pela descriminalização da eutanásia. e sabendo que morrerá em breve, aceitou ser a protagonista de uma campanha pelo direito ao suicídio assistido para pacientes em estado terminal.... vejam o vídeo:

 

 

Jorge Soares

publicado às 22:55

Eluana

 

 

"Manter alguém a respirar durante 17 anos simplesmente porque está ligado a uma máquina fará algum sentido? qual? na esperança de um milagre?, na esperança que a medicina evolua tanto que seja possível refazer o funcionamento do cérebro?  E nesse caso, onde está o limite do aceitável?, 20 anos?, 30?... 50? "

 

Escrevi o parágrafo acima em 2009  neste post  a propósito da morte por eutanásia de Eluana, uma jovem mulher que "vivia" há 17 anos em estado vegetativo. 

 

Hoje na Bélgica foi aprovada por maioria uma lei que alarga a possibilidade de Eutanásia aos menores de idade. Se olharmos para este assunto sem preconceitos e perspectivas morais e/ou religiosas, a eutanásia não é mais que o direito a podermos escolher se queremos viver e morrer com dignidade.

 

Para mim é claro, todos temos direito a viver com um mínimo de dignidade, quando esse direito não está garantido e quando a vida se resume a um enorme sofrimento sem mais perspectivas que esperar que a morte siga o seu caminho, deveríamos ter direito a escolher não continuar a viver em sofrimento.

 

Evidentemente isto deveria ser válido para qualquer pessoa sem importar condição social, credos, religiões ou idade. Eluana teve que esperar 17 anos para poder morrer, entretanto os seus familiares viveram 17 anos na dependência de um ser querido que estava ali mas que na realidade era como se já estivesse morto, respirava porque havia uma máquina que lhe insuflava ar para os pulmões, e porque havia outra máquina que de forma completamente artificial a alimentava, será isto viver?

 

Não fosse a Eutanásia e Eluana podia continuar ali ligada ás máquinas indefinidamente, poderia até viver muito mais que os seus familiares, chegaria uma altura em que simplesmente estaria ali, sem que ninguém desse por ela, é isso viver? É isso que queremos para os nossos seres queridos? E será que é isso que podemos alguma vez querer para os nossos filhos?

 

Só podemos saber como vamos reagir às coisas quando realmente passarmos por elas, espero sinceramente nunca ter que tomar uma decisão destas com nenhum dos meus seres queridos, mas sou completamente a favor do direito à vida e à morte com dignidade por isso aplaudo com ambas as mãos a aprovação desta lei na Bélgica, espero que algum dia este assunto se possa discutir por cá.

 

Jorge Soares

publicado às 22:34

A Eluana e a Eutanásia, o que podemos aprender?

por Jorge Soares, em 09.02.09

Eluana

 

Há uns dias atrás, no Vila Forte  o Pedro Oliveira neste post em que se falava de Eutanásia, perguntava:

 

"Para quando a discussão da Eutanásia sem preconceitos e desculpas da ética e da religião?"

 

Na altura eu não tinha ouvido falar da Eluana e da sua morte que promete deixar marcas não só na Itália mas em todo o mundo. Em Itália havia um contra-relógio entre os médicos que aceitaram cumprir os desejos da Eluana e da sua família e o governo de direita pressionado pela Igreja católica. ... Ganhou Eluana e finalmente pode ter paz, ela e os seus..... esperemos que com ela e com o seu exemplo, ganhem também muitas outras pessoas.

 

Eluana "vivia" há 17 anos em estado vegetativo, estava presa ao mundo de uma maneira artificial, não podemos dizer que sofria, sabemos que os seus familiares sofriam por eles e por ela, mas será que podemos dizer que vivia?

 

No post do Vila Forte, alguém dizia que antes de discutirmos a Eutanásia, devíamos discutir a melhoria dos cuidados paliativos e a ajuda à vida. Estou de acordo, no nosso país e no mundo em geral há muito para fazer em relação a cuidados paliativos e a cuidados médico... mas será que era justo manter indefinidamente Eluana presa a este mundo? Como dizia nos meus comentários, com os avanços da medicina chegará a altura em que será possível manter as pessoas a respirar indefinidamente... mas será que isso é viver? Será que algum de nós quer ser preservado a respirar para sempre?... Eu não.

 

Manter alguém a respirar durante 17 anos simplesmente porque está ligado a uma máquina fará algum sentido? qual? na esperança de um milagre?, na esperança que a medicina evolua tanto que seja possível refazer o funcionamento do cérebro?  E nesse caso, onde está o limite do aceitável?, 20 anos?, 30?... 50? 

 

Nunca fui pessoa de pensar na morte, já é tão difícil pensar na vida, mas acho que ao contrário do que seria de esperar, os avanços da medicina e as possibilidades de prolongar a vida de uma forma cada vez mais artificial, vão fazer com que a discussão sobre a eutanásia seja cada vez mais necessária, se é tão pacifico aceitarmos que todos temos direito a uma vida com dignidade, não teremos também direito a uma morte com dignidade?

 

A Eluana morreu hoje, ganhou a sua corrida contra a estupidez dos políticos e da igreja.... descansa em paz Eluana..e que  o teu exemplo sirva para que o mundo aprenda algo.

 

Já agora que falamos do Vila Forte, o Pedro pediu e eu deixo aqui a referência ao Primeiro Encontro da Blogosfera Portomosense

 

 

 

 Jorge

Imagem retirada de aqui:http://www.laici.it/writable\Immagini\eluanaenglarorv6.jpg

publicado às 21:41


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