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Catarina Marcelino e o Facebook

 

 

Imagem algures do Facebook

 

Confesso, nunca tinha ouvido falar da senhora deputada Catarina Marcelino, apesar de que ela até foi eleita pelo distrito de Setúbal, são os defeitos do nosso sistema eleitoral.

 

A imagem acima andou o dia todo a rondar pelo Facebook, não dei grande importância, eu escrevo com erros no Facebook, escrevo muitas vezes com erros no mail e nos dias em que estou a despachar e o corrector do Sapo não anda nos seus dias, dou erros aqui no Blog... Ao fim do dia fiquei intrigado com o insistir da coisa e fui ver o porquê de tanto barulho.... fiquei esclarecido quando percebi que Catarina Marcelino é deputada, é do PS e é apoiante de António Costa.

 

São estes os perigos do Facebook, quando eu apesar dos avisos do browser escrevo um erro no Facebook, haverá uma ou duas pessoas que esboçam um sorriso, às vezes há uma ou outra alma caridosa que me avisa (muito obrigado) dos erros que escapam ao dicionário do SAPO, mas a coisa não passa a mais, eu não sou deputado nem figura pública e poucos se importam se depois de todos estes anos ainda meto palavras em castelhano pelo meio dos textos.

 

Quando se é figura pública e se escreve um texto como o que vemos acima, evidentemente a coisa não pode passar em claro e vai haver muita gente que se vai aproveitar da situação.

 

A senhora deputada esclarece num post do seu Facebook, que diga-se de passagem também tem alguns erros, que sofre de dislexia... eu tenho um filho disléxico, entendo as dificuldades na escrita de Catarina Marcelino, o que já não entendo é que tendo ela consciência dessas dificuldades e sabendo que tudo o que publicar será analisado por quem não gosta dela, não tenha o cuidado de passar por um corrector ortográfico o que coloca na internet. A maioria dos browsers tem verificação automática e sublinha a vermelho os erros ortográficos, se não tem esta opção activa, sendo disléxica deveria ter.

 

Evidentemente a dislexia e as dificuldades em escrever correctamente não impedem ninguém de ser deputado e de fazer um bom trabalho na representação de quem a elegeu, mas neste caso a dislexia não explica tudo. A Catarina Marcelino foi neste caso vitima, para além da doença,  da sua falta de cuidado e dos perigos do Facebook.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:32

Hiperactividade, a visão de uma professora

por Jorge Soares, em 16.12.11

Hiperactividade

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Em todas as profissões há melhores e piores profissionais, os professores não são excepção, à medida que os nossos filhos vão crescendo vamos tendo a consciência plena disso, nós já passamos por quase tudo, desde a menina que achava que qualquer criança que saía um bocadinho da norma dela era um problema, tinha que ser avaliada e se possivel medicada, até à senhora professora à moda antiga, super disciplinadora, que levava a turma com mão de ferro, mas que olhava para qualquer diferença, cor da pele incluída, de lado, passando pela professora que tinha consciência plena do problema e que sabia como lidar com ele.

 

Com o tempo a sensação que fica é que a maioria não sabe ou não quer saber, já seja porque não se preocupa, porque simplesmente desistiram, ou porque se acham acima do problema... felizmente há excepções,.... hoje a Marta deixou-me um comentário ao meu post sobre a hiperactividade de terça-feira passada que não posso deixar de partilhar porque é importante termos a visão do outro lado. Obrigado Marta.

 

 

Jorge:
Voltei aqui porque este é um tema que me toca e gostaria de deixar aqui umas palavras, ainda que breves que o tempo é de avaliações e, DT de uma turma complicada, o tempo voa.


Já fui professora de vários alunos com as mesmas características do teu filho e este ano, tenho outro menino que,como referes, tem uma dificuldade enorme em se concentrar e trabalhar com algum silêncio. E, refira-se, em deixar trabalhar a turma.


Se é um desafio? Enorme e saberás melhor do que eu do que falo, mas é preciso nunca esquecer que não é algo intencional, muito menos reflecte directamente pouca vontade de colaborar.


Ou de aprender.


É mesmo mais forte que eles e, portanto, por muito difícil e exigente que seja no dia a dia, há que contextualizá-lo.


A maioria dos professores entende, conhece as particularidades desta doença e trabalha no sentido de os integrar e minimizar os impactos para ele e para os outros. E tudo deve ser feito no sentido de os incluir e socializar, eu sei.


Este meu aluno deste ano, passa ainda pelo processo de divórcio altamente litigioso entre os pais e, portanto, pedir-lhe que se acalme assemelha-se uma quase impossibilidade. Como directora de turma e receptora de todas as queixas, procuro ser assertiva e escolher os momentos que pedem, de facto, uma intervenção minha ou uma convocatória dos EE à escola. 


Até agora tenho conseguido atenuar os percalços e "acalmar" os ânimos , os do menino inclusivé.


Posso dizer-te que até a técnica da respiração abdominal e umas noções de Yoga tenho sugerido e treinado na turma e ele sempre participa na medida que vai conseguindo... Tem sido engraçado vê-lo tentar ficar quieto e, pelo canto do olho, ir olhando para os outros ;)


Outro dia desapareceu a meio da aula e fui dar com ele debaixo da banca do laboratório. Tive que conter-me muito para não rir (não fossem os outros querer imitá-lo depois), porque ele é muito engraçado.


Há que entender as características e as dificuldades que uma criança dessas passa, há que olhar com atenção os seus olhos e perceber que, às vezes, eles não conseguem nem ter os olhos focados num mesmo objecto por mais que uns segundos...


É um verdadeiro jogo de paciência, de harmonização entre interesses que se chocam e as necesidades de pedagogia diferenciada destas crianças. E tentamos corresponder.


Mas depois são todas aquelas pressões de cumprimentos de programas e metas de aprendizagem e sucesso educativo...E avaliações cegas.E toneladas de papéis que nos tiram energias...


Estamos atentos Jorge e tenho a certeza que muitos pensam (e agem) como eu.


Desculpa-me o lençol,mas tinha que dizer algo e tentar ser solidária com pais que nos pedem ajuda.


Nesse caso, contigo.

 

Marta M 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:15

Crianças hiperactivas

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

De vez em quando fico a pensar que os professores do meu filho deviam passar um fim de semana com ele... um fim de semana em que ele não tomasse a medicação, um ou dois dias em que pudessem lidar com o normal de uma criança com esta doença, talvez assim percebessem que não, que eles não são assim porque são malcriados, que não são assim porque são do contra, ou porque não lhes apetece fazer o que o professor manda.

 

Talvez se eles vissem e sentissem como é difícil para estas crianças estarem un segundo quietas, se vissem e sentissem o que passam alguns pais todos os dias, tentassem olhar para o assunto de outra forma e não tentassem resolver tudo com castigos, faltas disciplinares e baixas notas.

 

O N. desde o segundo ano que está sinalizado com hiperactividade, défice de atenção e dislexia, desde essa altura que a escola tem conhecimento e que ele está sujeito a apoio e condições especiais de avaliação de acordo com  o Decreto-lei 3/2008.

 

A lei diz que após a notificação, deverá ser elaborado um plano de apoio e avaliação específico e de acordo com as necessidades, a verdade é que salvo raras excepções, a maioria dos professores insiste em ver o assunto como um problema disciplinar e muito raramente elaboram planos de avaliação específicos. 

 

Num destes dias o N. teve uma prova de avaliação de matemática que para além de ocorrer ao fim da tarde, quando já passou o efeito da medicação, tinha mais de 40 alíneas... é claro que correu muito mal, mas havia alguma hipótese de correr bem?

 

Um dos maiores problemas do N. é com o inglês, apesar das muitas horas de estudo em casa, do apoio no centro de estudo e das aulas, não conseguiu fazer nada no teste... crianças hiperactivas e com dislexia dificilmente conseguem decorar... quando a P. tentou falar com a professora esta insistiu em que o problema era falta de estudo... e ela nem acreditava que ele tivesse dislexia.... Fantástico, andamos nós anos a gastar rios de dinheiro em especialistas, ele foi testado e avaliado por especialistas em dislexia, por psicólogos, por pedo-psiquiatras... e agora aparece uma professora de inglês que mandou esta gente toda às urtigas.. porque ela é que percebe do assunto... e avalia-o como a todos os outros alunos.

 

Infelizmente não há forma de contornar os horários das escolas, o horário é à tarde e não há volta a dar, dar-lhe a medicação a meio do dia está fora de questão, porque nesse caso, para além de que não consegue estudar ou fazer o que quer que seja durante a manhã, à noite não dorme. Resta-nos tentar que a escola entenda o problema e que aplique o que está na lei de modo a minimizar o problema, infelizmente a grande maioria dos professores insiste em olhar para estas crianças de lado, sem entender que o que ali está é uma doença como outra qualquer, não é um problema disciplinar. Ou será que como dizia a minha meia laranja um destes dias:

 

Será que chamam:

um pai de um filho cego para se queixarem que ele não vê para o quadro?

Um pai de um filho surdo para se queixarem que ele não ouviu a campainha do recreio, ou um ditado?

Um pai de um filho paraplégico para se queixarem que ele não conseguiu correr os 100 metros ?

Um pai de um filho com muletas para se queixarem que ele é sempre o último a entrar?

 

Então porque é que se chama todas as semanas um pai de um filho hiperactivo com défice de atenção para se queixarem

- que ele não está quieto na carteira

- que ele se distrai com facilidade

- que ele se esquece dos tpcs ?????

 

Jorge Soares

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publicado às 22:31

Hipercatividade e défice de atenção

Imagem de aqui

 

 

Ao contrário dos nossos receios, a passagem da primária para o ciclo do N. está a correr de vento em popa, está completamente adaptado à nova escola, aos novos colegas, aos muitos professores e aos novos hábitos em geral. Não era necessário, mas tudo isto prova que a nossa insistência para que repetisse o 4º ano foi mesmo a melhor decisão,  até agora o aproveitamento nas aulas tem sido bastante bom e até tivemos elogios da professora de matemática.

 

Mas é claro que todos sabemos que a hiperactividade, o défice de atenção e a dislexia, são doenças que o vão acompanhar para toda a vida, podemos tentar tratar e minimizar os problemas mas não há milagres. Esta semana tivemos um vislumbre de como é a realidade. Num dos dias houve um recado da directora de turma que queria falar com a mãe. Após um breve interrogatório, ficámos a saber que teria havido uma resposta mais ríspida a uma das professoras o que resultou numa falta disciplinar.

 

Aconteceu que nesse dia a mãe saiu de casa mais cedo e sem supervisão directa, o N. esqueceu-se de tomar o comprimido de Metilfenidato (Ritalina ou Concerta). Sem a medicação ele é uma criança irrequieta, teimoso, com tendência para a oposição, que não consegue estar quieto mais que dois ou 3 minutos.  Mesmo para nós pais é difícil, durante as férias retirámos a medicação e acreditem, muitas vezes chegávamos ao fim do dia a maldizer a decisão. Para professores que tem que lidar com mais 20 crianças na sala de aulas, uma criança destas é um elemento de destabilização constante e nem todos tem a mesma sensibilidade para a questão.

 

Passados 4 ou 5 anos do inicio da medicação, para mim continua a ser complicado, eu estou consciente dos benefícios que esta traz para ele, e mesmo acreditando que não haverá efeitos secundários que deixem sequelas, há coisas que saltam à vista. No dia em que ele não tomou a medicação chegou a casa ao fim do dia e caiu na cama redondo de sono, nos outros dias, muitas vezes são duas ou três da manhã e ele ainda anda às voltas na cama. Acho que ninguém tem dúvidas sobre  a importância do sono e do descanso para o correcto desenvolvimento de uma criança... a verdade é que as  crianças medicadas com Metilfenidato não dormem o suficiente.

 

A maioria dos médicos combate esta falta de sono com mais químicos, como eles não tem sono dão-se medicamentos para o sono em doses que vão aumentando à medida que estes vão perdendo efeito.

 

O outro efeito evidente é a falta de apetite, principalmente ao almoço, o que resulta em crianças que não dormem o suficiente e se alimentam mal. Com tudo isto não é de admirar que um dos efeitos secundários comprovados, 1 em cada 10 doentes, são os atrasos no desenvolvimento, se eles não comem e não dormem....

 

Para mim está muito claro que a medicação é essencial para que o meu filho tenha uma vida mais ou menos equilibrada e para que possa minimizar os efeitos de problema, ele não é mal educado nem um diabinho mal formado, é uma criança com doenças reais que sabemos que o vão acompanhar para toda a vida.

 

Mas também é claro que os medicamentos não o vão curar, só minimizam os sintomas, o que significa que ele os  terá que tomar a vida toda e que os riscos de entrar numa espiral de dependência são reais.

 

Felizmente para ele a directora de turma é uma pessoa experiente, ponderada e consciente da realidade dos problemas deste tipo de crianças e o episódio desta semana apesar de ter servido de aviso,  não passou disso.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:45


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