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Porque: "A vida é feita de pequenos nadas" -Sergio Godinho - e "Viver é uma das coisas mais difíceis do mundo, a maioria das pessoas limita-se a existir!"

Já passou um mês desde que me retiraram os poucos parafusos que tinha, como foi em ambulatório mandaram-me para casa com 10 dias de baixa e ordem para lá voltar passados 15 dias para retirarem os agrafos.
Pelo meio fui ao centro de saúde para fazer o penso e sai de lá com a indicação de que poderia tomar banho sem muitos cuidados, pois poderia molhar o penso.
Quando voltei ao Hospital 15 dias depois, era evidente que molhar o penso não tinha sido boa ideia a ferida estava com um aspecto pavoroso. Lá decidiram não retirar os agrafos, receitaram antibiótico e ordem para regressar uma semana depois. Passado esse tempo a coisa não estava com melhor aspecto, mas o médico achou que estava na altura de retirar os agrafos e a enfermeira lá retirou. Fiquei com metade da ferida aberta e com um aspecto de fugir.
Hoje, um mês depois da operação, voltei lá. Era a mesma enfermeira, retirou o penso, ficou a olhar para a cicatriz e chamou o médico. Nos entretantos foi limpando a ferida.. a conversa foi mais ou menos assim:
-Está a doer?
-Não
-Mas não lhe dói ou está a fazer-se de forte?
-Bom, eu costumo ser resistente à dor, mas a verdade é que não me dói.
-Isso é mau, eu não gosto de feridas que não doem.
-,,,???!!!!! - estão a ver o meu ar aparvalhado?
Entretanto ela descobriu que os pontos internos não tinham sido absorvidos e dedicou-se a retirar a linha..e eu a olhar.
-Se a ferida tivesse curado, como é que isso saia?
-Sabe, era suposto serem absorvidos pelo seu organismo, mas eu suspeito que a linha foi comprada ali na loja chinesa da esquina...e depois acontece isto.
-...???!!!!!! agora estão a ver o meu ar aparvalhado?
Entretanto chegou o médico, após falarem sobre a ferida e a linha que ainda lá estava, ele pediu uma espátula e decidiu mexer, abre de um lado, corta do outro, raspa aqui, corta mais... aqui foi quando começou a doer e a enfermeira lá ficou feliz!
Mais conversa, o médico voltou às suas consultas e a enfermeira começa a fazer o penso, e aqui, eu começo a sentir calor, passados uns segundos escorria suor em bica, mais uns segundos e comecei a sentir que já não me segurava nos braços e que o mundo se estava a tornar distante. Mesmo quando ela estava a terminar, decidi pedir água, ela olhou para mim, devia ser tal a minha cor que de imediato me mandou deitar e não me deixou sair dali até ter a certeza que eu me segurava em pé.
Já me tinha acontecido algo parecido quando tirei os agrafos o ano passado, tal como contei no post Os agrafos, na altura achei que o facto de não ter tomado pequeno almoço explicava a situação, hoje a meio da manhã, antes de ir para o hospital, a médica do trabalho tinha-me medido a tensão e estava normal, é claro que o facto de não ter almoçado pode explicar algo... Nunca fui nada impressionável com estas coisas.... devo estar a ficar velho.
Jorge Soares