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Porque: "A vida é feita de pequenos nadas" -Sergio Godinho - e "Viver é uma das coisas mais difíceis do mundo, a maioria das pessoas limita-se a existir!"
Imagem da Internet
O Senhor ali da fotografia é José Mujica,o presidente do Uruguai, habitual nas redes sociais em português onde é conhecido como o mais pobre presidente da República do mundo e o único que em lugar de andar em carros de luxo e com dezenas de guarda costas, se desloca todos os dias para o trabalho sozinho e num velho carocha azul escuro.
Por estes dias o senhor foi noticia, não por nada disto, mas sim porque por iniciativa sua e do seu partido, o Uruguai acaba de se converter no primeiro país do mundo que legalizou completamente a produção e o consumo de Marijuana.
O projecto de lei foi aprovado no senado após proposta do presidente Mujica e do seu partido e foi apresentada como uma forma revolucionária de combater o narcotráfico.
A droga será vendida nas farmácias com supervisão e controlo do governo, cada habitante poderá comprar até 40 gramas por mês e cultivar até 6 pés de plantas a nível individual, ou até 99 se agrupados em clubes com mais de 15 membros.
Esta decisão foi tomada depois do país ter concluído que estava claramente a perder a guerra contra o narcotráfico, a lei prevê também que "o enfoque preventivo e educativo (sobre a droga) deve estar incorporado aos sistemas formais e não formais de educação (…). Um mundo de incertezas, onde o os desafios diante dos riscos vinculados ao consumo problemático de drogas estejam presentes, exige fortalecer os factores de protecção”
Curiosamente as redes sociais portuguesas que tantas vezes mostram José Mujica e o Uruguai como um exemplo a seguir na forma de estar e governar, não fizeram eco desta noticia que já tem um mês... vá lá a gente perceber porquê.
Sou e sempre fui a favor da liberalização das drogas leves, acho que este é o caminho certo a seguir... apesar de não acreditar muito no que leio sobre José Mujica.
Curiosamente, ontem foi noticia que o Colorado, nos Estados Unidos, se tornou o primeiro estado americano onde desde o dia 1 de Janeiro os maiores de 21 anos podem comprar a droga legalmente... parece que mesmo no primeiro mundo há seguidores das ideias do velho guerrilheiro Uruguaio
Jorge Soares
Na semana passada quando escrevia o post sobre o céu em que vivemos, vieram-me à memória os meus tempos de estudante em Lisboa.
Depois de 15 dias a morar num quarto em Sete Rios e do episódio que contei naquele post sobre o Tu e o você mudei-me para um quarto na Rua do Poço dos negros. Há dias em que vou recordando factos e acho que poderia escrever um livro com algumas das coisas que me aconteceram nos quartos em que vivi em Lisboa.
Depois da primeira experiência falhada, a minha mãe lá na santa terrinha desencantou alguém que tinha família em Lisboa que tinha um quarto para alugar. Era um quarto minúsculo, com uma janela que dava para o interior do prédio, era num quarto andar de um prédio muito antigo e a precisar de obras. No inverno eu tiritava com o frio e no verão morria com o calor... mas era muito barato e as pessoas eram simpáticas. Felizmente o meu quarto ficava por baixo das aguas furtadas e não chovia lá dentro, mas na cozinha, na sala e em alguns dos outros quartos...chovia como na rua. Morei lá quatro anos, até que decidiram fazer obras no telhado e eu fui despejado.
Era um prédio com uma vizinhança pintoresa. No 3 andar vivia uma senhora que alugava quartos a meninas.... bom, pelo menos isso foi o que me disseram..... Com o tempo percebi que o termo meninas era mesmo eufemismo, no verão eu dormia com a janela aberta, e elas também, o resultado era que muitas noites eu acordava de madrugada com os gritos.... uma das meninas era extremamente barulhenta.... e tinha muitas visitas.
No segundo andar havia uma pensão de africanos, além do corrupio de entradas e saídas de pessoas, eram frequentes as zaragatas e as festas que entravam pela noite dentro.
No primeiro andar não havia problemas, soube muito mais tarde que vivia uma senhora sozinha, soube isto porque um dia ela morreu e o senhorio selou o apartamento, não fossem os do primeiro andar estender a pensão... mas sobre mortes neste prédio.... já falarei noutro dia... que também dá pano para mangas.
Como disse eram pessoas simpáticas, por especial favor eu pagava 10 contos pelo quarto, o apartamento era enorme, tinha uns 8 quartos, e eles pagavam 2 contos de aluguer..e passavam a vida a queixar-se quando o senhorio aumentava os 3 ou 4 % de lei. O raio do Homem não fazia obras.....
Como disse no outro dia, uma das coisas que mais me impressionou quando cheguei a Lisboa era a aparente facilidade com que decorriam os negócios da droga. De inicio eu achava estranho que fosse a hora a que fosse que eu chegasse a casa, nas ruas e vielas ali à volta havia uns fulanos que estavam por ali, nas portas de alguns prédios, com o tempo eu percebi que o negocio era ali, em plena luz do dia. De resto, com o meu ar de turista nórdico, bastava ir dar uma volta pela baixa de Lisboa para atrair as ofertas... .... somos um país estranho. Eu tinha vivido 10 anos em Caracas, estudei sempre em escolas publicas, o prédio onde morava era mesmo encostado a uma favela...e acreditem em mim, nunca vi ou ouvi alguém falar de consumo de drogas... cá...... enfim.
Jorge