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O que vai acontecer à Grécia? E à Europa?

por Jorge Soares, em 27.06.15

syriza.jpg

 

Imagem de aqui

 

Por estes dias o futuro da Grécia anda mais ou menos em bolandas no Ping Pong que teimam em jogar os senhores do Eurogrupo e os do governo grego liderado pelo Tsipras.

 

Num destes dias alguém me perguntava que tão importante poderia ser para Portugal e os portugueses o que por lá se decidir... fiquei a pensar e tive que admitir que tenho muita dificuldade em perceber.. os meus parcos conhecimentos de economia e finanças não chegam para tanto... 

 

A julgar pela montanha Russa em que tem andado as bolsas mundiais nos últimos dias,  sobem ou descem ao sabor do optimismo grego ou do pessimismo dos senhores da Europa, não é difícil perceber que pelo menos os juros da nossa dívida, e portanto o que temos a pagar agora e por muito tempo, são muito afectados por tudo isto.

 

Ao ouvir as noticias e os comentários de um e outro lado, o que me parece é que a corda só ainda não partiu porque nem o governo Grego nem a Europa querem ficar com o ónus da culpa de causarem a saída do primeiro país do Euro, e só isso tem mantido as negociações. 

 

O governo Grego do Tsipras e Varoufakis está amarrado às promessas eleitorais que levaram o Syriza ao poder e que os comprometem numa rotura com o passado e na luta contra a austeridade, a Europa está presa aos tratados e obrigações e evidentemente não pode entregar o dinheiro de que a Grécia tanto precisa sem que exista a garantia de que este irá ser utilizado de uma forma responsável.

 

Em Jogo estão neste momento pouco mais de sete mil milhões de Euros da última tranche do segundo resgate Grego, mas mesmo que cheguem a acordo e o dinheiro chegue à Grécia, a questão que se coloca é: O que irá acontecer a seguir?

 

Os juros da dívida Grega estão acima dos 10%, caso não se chegue a acordo, a Grécia terá que abandonar o Euro e criar uma moeda própria, mas o que fará a seguir? Onde irá arranjar financiamento para conseguir fazer ressurgir a sua economia?

 

Caso cheguem a acordo, este dinheiro fresco dará algum descanso  ao governo grego, mas o que farão a seguir? Com os juros tão altos terá de certeza que negociar um novo resgate, mas isso implicará voltar a negociar com estes mesmos senhores e novas condições e austeridade, como ficará o governo do Syriza na fotografia? Como encararão os gregos esse novo resgate?

 

Não se vislumbra uma saída fácil para a Grécia, nem para a Europa.. .e nada disto parece ser bom para o nosso futuro, há muito quem aposte que a seguir à Grécia se seguirá Portugal... apesar do bonito panorama que o nosso governo teima em pintar.

 

Jorge Soares

publicado às 10:00

Imagem do Pontos de vista

 

Não ando nos meus dias e isso nota-se até na forma como às vezes deixo passar as conversas e prefiro estar calado a entrar em discussões que no fim não me levam a lado nenhum.

 

Um destes dias à hora do almoço discutia-se o Eurogrupo e as decisões sobre a Grécia, havia alguém espantado em como Grécia não só não quer pagar a dívida, como se prepara para a seguir a não pagar, pedir mais dinheiro a quem "ficou a arder"

 

Ainda esbocei um "mas ninguém disse que eles não querem pagar...", a pessoa estava com tanta atenção à sua sabedoria que (felizmente) não me ouviu, 

 

Há muito quem pense como ele, assim como há muita gente que acha que a saída do Euro significa não pagar as dívidas, deve ser o que pensam alguns iluminados que acham que Portugal deve voltar ao escudo, eu sinceramente não percebo o que tem uma coisa a ver com a outra.

 

Saindo ou continuando no Euro as dívidas vão continuar a existir, seja para Portugal ou para a Grécia. Se a Grécia sair do Euro vai deixar de estar tão controlada, vai ter liberdade para fazer orçamentos mais liberais e não ter tantas preocupações com défices e rácios, mas por outro lado irá ter muitas mais dificuldades em ter crédito. Em lugar de ter uma moeda forte passará a ter uma que poderá desvalorizar para obter liquidez, mas como a sua dívida continuará em Euros ou em último caso em Dólares, o que vai acontecer é que esta irá aumentar de forma exponencial e além disso, como tem uma balança comercial negativa, a inflação tomará conta do país e a população verá o seu salário e as suas poupanças desaparecer ao ritmo que aumentam os preços dos bens importados.

 

Há quem veja algo de positivo nisto tudo, eu sinceramente não consigo ver onde estará esse lado positivo, e também não acho que alguma vez a Grécia abandone o Euro..a menos que seja para aderir ao rublo.... mas para isso o preço do petróleo terá que aumentar muito mesmo..

 

Quer isto dizer que a única solução é a Troika e a austeridade? Não, é claro que não, assim como acho que a Grécia não sairá do Euro, também acho que nas condições actuais, nunca conseguirá pagar a sua dívida, o mesmo se aplica a Portugal, como é que com um crescimento de 1 ou 2 % se consegue gerar riqueza para pagar juros  de 4 ou 5%? A resposta é simples, não se consegue, é impossível.

 

Mesmo com a austeridade e os impostos brutais dos últimos anos, a dívida Portuguesa não parou de aumentar,  da Grega nem se fala, como é  possível que alguma vez se amortize?

 

Não sei se será agora, se será daqui a uns anos, mas mais tarde ou mais cedo alguém vai ter que parar para pensar noutro caminho qualquer para se conseguir sair deste circulo vicioso de divida que  tem juros que geram dívida que geram juros que geram dívida. 

 

Diz a imagem acima que as revoluções começam sempre em ruas sem saída, acho que a Europa chegou a uma dessas ruas agora só falta mesmo tirar as cadeiras aos velhos do Restelo que insistem em esconder o muro.

 

Jorge Soares

publicado às 23:04

Um imposto "Google" para pagar a crise?

por Jorge Soares, em 03.12.14

georgeosborne.jpg

 

Imagem de aqui 

Descansem, ainda não foi desta que o ministério das finanças se lembrou de taxar a utilziação do google .. nem passou a ser verdade aquele post que anda sempre a circular e que diz o Facebook vai passar a ser pago.

 

A noticia é do El Mundo e diz que o senhor ali da fotografia, George Osborne de seu nome e que é o secretário do tesouro Britânico, o ministro das finanças lá do sitio, anunciou que o Reino unido vai taxar com um imposto de 25 % as empresas que com artifícios legais, desviam a facturação para países como a Irlanda ou o Luxemburgo de modo a não pagar os devidos impostos.

 

Há uns tempos li algures um artigo que dizia que a filial da Google espanhola teve prejuízos de vários milhões de Euros, isto apesar dos  negócios do gigante informático em Espanha  orçarem em Milhares  de milhões de Euros. Isto porque toda a facturação da empresa vem da filial Irlandesa, ficando em Espanha apenas os custos.

 

É precisamente este tipo de coisas que a Grã Bretanha pretende atacar. A Google, a Apple, o Facebook, a Amazon, Starbucks, as empresas de apostas online, tudo negócios que movimentam milhares de milhões de Euros em todo o mundo e que  na maior parte dos casos deixam zero à economia dos países de onde vem o lucro.

 

Portugal não é excepção, todas estas empresas tem negócios por cá, fazem negócio com o nosso dinheiro e a sua contribuição para a economia do país se não é zero, andará lá perto... 

 

Se realmente se concretizar, o imposto "Google" será uma autêntica pedrada no charco, não me parece que alguma destas empresas se possa dar ao luxo de abandonar um mercado como o inglês, se outros países seguirem o exemplo, de certeza que o que terminará por acontecer é que terminarão os truques fiscais e em lugar de empresas sedeadas em paraísos fiscais, serão as filiais das empresas em cada país a facturar e os impostos passarão a ser pagos em cada país e não onde dá mais jeito... com um bocado de sorte, serão mesmo os ricos a pagar a a crise... os ricos a sério.

 

Jorge Soares

publicado às 23:17

O que tem de mal os vistos Gold?

por Jorge Soares, em 16.11.14

Miguel Macedo.jpg

 

Imagem do Público

 

Aplauda-se a atitude de Miguel Macedo, ao contrário do que tantas vezes acontece neste país, por uma vez a culpa não morre solteira e há alguém que assume a sua responsabilidade política. A maioria dos detidos estavam à frente de organismos que estão na dependência directa do ministério da administração interna e independentemente da sua ligação ou não ao caso, e há noticias que o ligam a uma das empresas investigadas, a verdade é que existe uma clara responsabilidade política e louve-se a honestidade de a assumir.

 

Há pouco a minha meia laranja perguntava-me se eu sou a favor ou contra os vistos Gold, eu sou a favor, acho que é uma forma como outra qualquer de atrair investimento para o país, acho tão válido como isentar de impostos durante uma série de anos as empresas que criam um determinado número de empregos.

 

As últimas noticias falam de mais de mil milhões de Euros que entraram no país até agora, dinheiro que permitiu a sobrevivência de empresas de imobiliário, de empresas de construção civil e que permitiu a alguns bancos respirar...

 

É claro que no meio de tudo isto há coisas que falharam, pelos vistos alguns destes vistos não foram atribuídos da forma mais clara, tal como alguns dos negócios não terão sido feitos da melhor maneira...louve-se a capacidade do estado em detectar que assim foi e em levar ao banco dos réus quem prevaricou.

 

Mas isto que dizer que o programa é mau e que se deve acabar com ele? Quanto a mim não, eu não tenho nada contra quem cá quer investir, nem tenho nada contra quem ajuda a reanimar a economia, o estado tem que saber separar o trigo do joio, tem que saber avaliar a proveniência do dinheiro que é investido e tem que saber evitar a corrupção, mas isso não é só neste caso, é em todos os casos.

 

Percebo que alguma oposição se tente agarrar a tudo para criticar o governo, mas sinceramente, não consigo perceber como é que não se consegue ver que há coisas positivas e que este é um dos poucos programas que serviu mesmo para ajudar a economia.

 

E não, eu não gosto do Paulo Portas nem do CDS/PP.

 

Jorge Soares

publicado às 22:30

Para que serve o Banco de Portugal?

por Jorge Soares, em 04.08.14

Henricartoon

 

Imagem do HenriCartoon

 

Na sexta feira passada eu perguntava "Quanto tempo dura o BES?", ainda nem tive tempo de responder aos comentários do post, mas a resposta não demorou, tal como eu previa no fim do post, o BES já era!

 

Ontem era dia de encerramento da Feira de Santiago em Setúbal, e encerrou em grande com um concerto de Pedro Abrunhosa que terminou madrugada dentro, não ouvi a declaração de Carlos Costa nem os diversos comentários dos economistas, sei que há neste momento opiniões para todos os gostos, há quem aplauda a solução e quem ache que simplesmente se deveria ter deixado o banco falir.

 

Depois de tudo o que já ouvi e li, continuo na minha, deixar falir o segundo maior banco do país seria o mesmo que convidar a Troika a vir cá passar o natal, as consequências para o estado e para a economia seriam de tal ordem que o melhor era arranjar casa para os senhores da Troika se mudarem para cá por muito tempo.

 

Não sei se a solução encontrada será a melhor ou não, mas não tenho dúvidas que será de certeza muito melhor que deixar milhares e milhares de pessoas com contas e créditos penduradas num banco falido.

 

quem ache que se deveria deixar falir e usar a fortuna da família Espírito Santo para pagar, esquecem-se que essa fortuna estava na sua maior parte nos 20% que eles tinham no BES, 20% que há três meses equivaliam a quase 2 mil milhões de Euros e que agora valem 0. É claro que eles tem mais bens, mas a verdade é que esses outros bens valem migalhas em comparação com o dinheiro e os créditos que existem no BES.

 

Encontrada a solução, resta agora apurar responsabilidades, não só as responsabilidades criminais de quem com uma gestão e decisões fraudulentas, levou o banco a esta situação, mas também as responsabilidades de quem deveria supervisionar e evitar que isto chegasse a este ponto e que pelos vistos esteve a olhar para outro lado durante anos. 

 

Como é que com tudo o que está a aparecer agora, o BES conseguiu passar com boa nota nos testes a que foi submetido há bem pouco tempo?

 

Depois do que aconteceu com o BPN e agora com o BES, a questão que se coloca e que seria bom que alguém respondesse é: Para que serve o Banco de Portugal?

 

Jorge Soares

publicado às 23:49

Quanto tempo dura o BES?

por Jorge Soares, em 01.08.14

Bes

 

 

Imagem do Henricartoon 

 

Há uns 15 dias o Banco de Portugal assegurava que não havia problema nenhum com o BES, o problema era só mesmo com o GES, uns dias depois já diziam que afinal poderia haver algum problema mas que o banco tinha dinheiro mais que suficiente para tapar o buraco, com a entrada dos novos gestores a mensagem passou a ser que se esse dinheiro não chegasse haveria gente com vontade de investir no banco para tapar o buraco.

 

No inicio desta semana o buraco chegou aos 3500 milhões, hoje já se fala da intervenção do estado e já há quem diga que os mais de seis mil milhões que restam do acordo com a Troika não vão ser suficientes, começo a ter medo do que virá a seguir... será que o BES dura até ao fim da semana que vem?

 

Comparado com o BES o BPN era muito pequeno e é difícil saber onde está o fundo do buraco financeiro que restou depois da nacionalização, não sou economista e tenho algumas dificuldades em imaginar quais seriam, para o país e para todos nós, as consequências da falência do segundo maior banco do país.

 

Há quem aposte que a nacionalização vá acontecer brevemente, há quem grite a todo pulmão que o estado não deve meter as mãos nas asneiras dos privados e que deverão ser estes a pagar os prejuízos. Eu acho que deixar o banco falir está fora de questão, para além de que teria sempre que ser o estado a cobrir os depósitos até cem mil euros, as consequências na economia seriam de tal forma graves que teríamos de certeza a troika de volta antes do natal.

 

Com tudo isto, já seja pela nacionalização ou pela falência, o BES já era, resta saber quanto tempo demorará a ser tomada a decisão e ditada a sentença.

 

Jorge Soares

publicado às 23:33

Trabalho infantil

 

Imagem de aqui

 

Se não podes vencê-los, une-te a eles, deve ter sido este o pensamento de Evo Morales e dos deputados Bolivianos que aprovaram uma lei que permite o trabalho infantil a partir dos 10 anos de idade.

 

O trabalho infantil é uma realidade na Bolívia, há mais de 500 000 crianças que trabalham nos mais variados sectores da economia, desde o a economia informal até ao duro trabalho nas profundezas das minas. A anterior lei que regulava as condições de trabalho no país só permitia o emprego de crianças a partir dos 14 anos, a que acaba de ser aprovada pelo parlamento boliviano e promulgada pelo vice presidente Alvaro García, baixou a idade legal para se trabalhar  para os 10 anos sobe o pretexto que esta lei se adequa mais à realidade do país (??).

 

Ou seja, como não conseguem combater a precariedade e a realidade de haver crianças a trabalhar à vista de todos, a solução não é fazer aplicar a lei, a solução é inventar uma lei que torne o ilegal em legal.

 

A Bolívia é certamente um dos países mais pobres da América Latina, 55% da população é de origem indígena e Evo Morales, que é o primeiro e único presidente da América Latina que não é descendente de Europeus e sim dos aborigenes que viviam no país antes da chegada de Colombo à América, foi eleito principalmente com os votos desta parte da população. Uma das suas primeiras afirmações após tomar posse foi: "Os 500 anos de colonialismo terminaram e a era da autonomia já começou."

 

Para quem tem uma ideia do nível de vida da maior parte da população boliviana, esta afirmação faz algum sentido, mas a julgar por leis como esta que acaba de ser aprovada, ou como aquela ideia de fazer girar os relógios ao contrário de que falei aqui, não sei se Evo e os governantes bolivianos fazem ideia do que é o melhor para os seus concidadãos, alguém me explica de que forma  estas medidas podem contribuir para melhorar o nível de vida da população do país, seja esta nativa ou descendente de europeus?.

 

Um país só se começa a mudar com a educação do seu povo, afastar as crianças da escola para que estas comecem a trabalhar aos 10 anos de idade não me parece que vá contribuir minimamente para dar um melhor futuro nem às crianças nem ao país. 

 

E o mundo olha para o lado e finge que no pasa nada!

 

Para quem percebe Castellano:

 

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:54

Receber o país de tanga e entregar nu

por Jorge Soares, em 03.12.13

Dívida Pública

Imagem de aqui

 

Há muito que O  BE e o PCP clamam que a solução para a crise passa por uma renegociação da dívida, a maioria no governo e o PS sempre se escusaram a aceitar sequer falar deste assunto, para este governo até agora só existia um caminho, a austeridade. 

 

Cortar nos salários, cortar nos direitos dos trabalhadores, cortar nas pensões, aumentar impostos, privatizar as empresas do estado, vender os serviços... era este o caminho seguido à risca e sem desvios. Até hoje, porque hoje ficamos a conhecer uma nova maneira, chutar o problema para a frente, de preferência para lá das eleições, quem vier a seguir que se amanhe.

 

Pela ministra dos sawps, ficamos a saber que o governo renegociou uma parte da dívida que o país tem que amortizar durante o ano que vem, qualquer coisa como 6000 milhões de Euros... Só que para mim renegociar uma dívida deveria significar arranjar um compromisso em que se facilite a vida a quem deve de modo a tornar mais fácil o seu pagamento. Para o governo, renegociar significa fazer um novo contrato em que se fica a dever o mesmo e se tem que pagar juros mais altos e durante mais tempo.

 

Não está escrito em lado nenhum, mas está à vista que a maioria destes créditos são dos bancos nacionais, Caixa Geral de depósitos incluída, que recebem o dinheiro do BCE a taxas irrisórias, muito abaixo de 1%, e agora (aceitaram?) renegociar com o estado com juros à volta dos 5% e evidentemente lucros milionários à custa dos nossos sacrifícios.

 

2014 e 2015 são anos de eleições, logo, não dá muito jeito aumentar ainda mais a austeridade, entendemos isso, mas era bom que alguém fosse pensando como é que em 2017 e 2018 se vai resolver mais este problema... quem vier a seguir que se amanhe.

 

Ou seja ,este governo é mesmo original, tal como todos os anteriores deita a culpa da situação do país para a herança recebida, mas se recebeu o país de tanga está-se mesmo a ver que o vai entregar nu.

 

Jorge Soares

publicado às 23:16

João César das Neves

 

Imagem do DN

 

É curioso porque na mesma semana em que ouvi dois ou três economistas dizerem que tivemos um trimestre com crescimento positivo graças ao chumbo do tribunal constitucional que devolveu aos trabalhadores uma parte do seu salário e isso fez aumentar o consumo, ouvi hoje este senhor dizer que "aumentar o salário mínimo é um crime".

 

Eu percebo pouco de economia, mas a mim parece-me que o que impulsa o consumo é o dinheiro, quando as pessoas tem mais dinheiro gastam mais, quando as pessoas gastam mais, as empresas precisam de produzir mais, para produzir mais as empresas precisam de mais pessoas, e isso irá fazer com que diminua o desemprego. Mas é claro que há muitas formas de olhar para o assunto, este senhor olha para o assunto de outra maneira... ele deve ser da mesma escola daquele empresário de que falei no outro dia, o que preferia perder encomendas a pagar melhores salários e assim arranjar mão de obra... também acho que está à vista onde esse tipo de mentalidades nos tem levado.

 

Pelos vistos há quem ache que devemos voltar uns 30 anos atrás, ao tempo em que éramos competitivos porque os nossos salários eram os mais pobres da Europa, deve ser alguma teoria nova, porque se olharmos para os restantes países da Europa o que vemos é que os que estão em melhor situação financeira, até há quem tenha um enorme superávit, são os que tem os salários mais elevados.

 

Portugal é dentro da União Europeia um dos países com o salário mínimo mais baixo, onde é que isso nos levou até agora? Ao sucesso ou à penúria?

 

De resto, o senhor chega a contradizer-se, por um lado diz que não devemos aumentar os salários, e por outro diz que os jovens decidem emigrar porque "esquecemo-nos de criar empregos altamente qualificados", ora, como é que se criam empregos altamente qualificados se a ideia é manter os salários baixos?


O senhor também diz que "o Tribunal Constitucional não tem estado a funcionar em termos jurídicos, mas políticos" , e não será exactamente o contrário? O tribunal constitucional limita-se a olhhar para o orçamento de estado desde o ponto de vista legal e há quem, como ele, ache que o deveria fazer desde o ponto de vista político e/ou económico?

 

O senhor diz também que a maioria dos reformados não são pobres... ora, tendo em conta que a reforma média paga pela segurança social anda à volta dos 400 Euros... e que o limite da pobreza anda à volta dos 350 Euros... não sei onde foi ele buscar os seus dados, mas de certeza que não foi ao nosso país.

 

Numa coisa concordo com ele, há muita gente a falar em nome dos pobres, mas poucos representam mesmo os pobres... eu diria mais, os pobres tem falado pouco, principalmente na altura das eleições.. por isso é que gente como este senhor ainda tem voz....e não é precisamente para defender os pobres.


Mas em que país é que este senhor vive?

 

 

 

Jorge Soares

publicado às 21:03

Porque é que estamos presos à Troika?

por Jorge Soares, em 24.10.13

Troika

Imagem de Aqui

 

Tenho estado a semana toda a ouvir falar de programas cautelares e de novos resgates, sinceramente acho que andam todos a gozar connosco, ouço governo e oposição falar e até parece que eles estão mesmo a discutir as coisas, como se alguém tivesse alguma dúvida do que se segue.

 

Vejamos, o acordo assinado com a Troika acaba em Setembro do ano que vem. acordo que se iniciou em 2011, que já levou um quarto dos salários e do poder de compra de todos nós, são muitos milhares de milhões de Euros que saíram de circulação e que com isso nos levaram mais ou menos ao mesmo sitio onde estávamos antes.

 

Todos nos recordamos que na altura em que isto começou umas empresas americanas disseram que nós éramos lixo, bom, depois deste tempo todo, de tanta austeridade e bom comportamento, alguém ouviu falar de nos terem subido o rating? Não, pois não?

 

Pois é, para essas empresas continuamos a ser lixo, isso a nós comuns mortais que somos esmifrados pelo governo e pela Troika, pouco ou nada nos diz, mas diz muito aos mercados.

 

A maioria dos países a sério está impedida por lei de comprar divida com rating de risco, países como o Brasil, a França ou a Alemanha, nunca vão comprar a nossa dívida, logo, estamos à mercê dos especuladores, que evidentemente só compram se os juros forem algo de jeito... é também por isto que os juros não descem.

 

Não há forma de evitarmos ter que pedir dinheiro, quer dizer, haver há, se deixarmos de pagar divida e juros se calhar não precisamos de pedir tanto dinheiro, mas aí  passamos a ser párias e além de ninguém nos dar mais crédito, ninguém nos dá ou vende nada... e alguém imagina este país a funcionar dois dias sem matérias primas?

 

Podem apostar o que quiserem, daqui a um ano estamos num programa cautelar. A ameaça com o segundo resgate não é mais que chantagem emocional do governo sobre o tribunal constitucional, a austeridade está a levar-nos a todos à miséria mas está a fazer algum efeito, o problema é que também está a levar o investimento e sem investimento não há crescimento e sem crescimento não há como criar emprego e deixar de ter défice.. e enquanto tivermos défice, temos que continuar a pedir emprestado.

 

É claro que há uma terceira alternativa, renegociar e re-estructurar a divida, baixar os juros e alargar os prazos... mas dessa ninguém quer ouvir falar, nem por cá nem na Europa, nem no clube dos credores... isso seria mexer no queijo de muita gente, incluindo os bancos nacionais, e ninguém gosta que lhe mexam no seu queijo (leia-se nos seus lucros)

 

É por isto e só por isto, que estamos e vamos continuar a estar presos à Troika, mesmo que daqui a um ano Troika passe a ser de uma só entidade.

 

Jorge Soares

publicado às 23:11


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