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A MEO e a falta de respeito pelos clientes

por Jorge Soares, em 07.02.16

queixa.jpg

 

Imagem de aqui 

 

Sou cliente da MEO com o pacote M40, com um telemóvel extra pelo que pago 7.5 Euros por mês. No dia 23 de Dezembro roubaram o telemóvel ao meu filho, como tínhamos decidido passar o número dele para pré-pago, aproveitei a ligação para bloquear o número e pedi para retirarem o número do pacote. A pessoa que me atendeu garantiu-me que tinha bloqueado o número e a retirada do mesmo do pacote, inclusivamente ofereceu-se para o passar de imediato para um pacote de pré-pago, coisa que não aceitei (parvo!)

 

No inicio de Janeiro a minha meia laranja foi à loja da Meo no Alegro de Setúbal para tratar de um pré-pago para o miúdo, para nosso grande espanto na loja informam que o numero estava bloqueado mas que continuava ligado ao pacote e que teria que ser eu (o titular do contrato) a lá ir para passar o número para pré pago.

 

Fui à loja e ouvi o mesmo, como é habitual naquela loja, ali não tratam de nada que não sejam vendas, pelo que a menina que me atendeu ligou para o 19200 e passou-me o telefone, lá me voltei a explicar, e de novo me garantiram que tinham retirado o número. Como eu não ia pagar os sete Euros e meio por algo que tinha pedido no mês anterior, foi apresentada uma reclamação e foi-me garantido por quem me atendeu, que esta vez o assunto iria ser resolvido.

 

Passados dois ou três dias e como resposta à reclamação, recebo um telefonema em que me explicaram que tinha havido um erro informático e que efectivamente o número estaria retirado, que não me iriam cobrar os sete Euros e meio na factura de Janeiro e que me seria enviada uma nota de crédito pela diferença dos dias que já estavam facturados do mês de Dezembro. Nota de crédito que eu recebi em casa por correio.

 

Ontem liguei para a linha de apoio a pedir um esclarecimento sobre a factura e para meu grande espanto verifico que o número continua associado ao pacote, isto depois de 3 pessoas diferentes, uma delas em resposta à reclamação, me terem garantido que o número teria sido retirado do pacote.

 

De novo pedi que retirassem o número e de novo a menina do outro lado do telefone garantiu que estava feito, evidentemente fiz uma nova reclamação já que não quero pagar os sete euros e meio de algo que pedi para retirarem em Dezembro.

 

Hoje tive a resposta à reclamação, afinal tudo o que me tinham dito desde 23 de Dezembro para cá é mentira, porque supostamente não é possível retirar o número do pacote e queira ou não queira, vou ter que continuar a pagar os sete euros e meio para sempre.

 

Evidentemente o meu mau feitio veio ao de cima e fartei-me de barafustar, para nada, porque a senhora que me ligou não quer saber do que aconteceu antes ou do que me tinham dito as outra pessoas, ela só me ligou para dizer aquilo, o resto não era com ela... Também não me dá a resposta por escrito... eu é que tenho que voltar a reclamar por escrito. Quanto à resposta à reclamação e à nota de crédito que me enviaram, ela não sabe nada nem é da sua responsabilidade... 

 

Evidentemente a conversa descambou e ela chegou a pôr em causa que me tivessem dito o que quer que fosse, mesmo quando eu lhe lembrei que todas as chamadas são gravadas... é claro que eles não tem nada que ir ouvir, se me disseram que era possível o que agora não é é porque se enganaram.... quer dizer, me enganaram a mim.

 

Há muito que não me sentia tão enganado e até roubado, nunca ninguém me disse que não podia retirar o número extra, mas várias vezes me disseram que era possível e que o iam fazer, inclusivamente na resposta á primeira queixa foi-me garantido que o número já estaria retirado.

 

Se não podem retirar o número como é que me enviaram a nota de crédito do valor dos dias que eu teria pago a mais? É um mistério que evidentemente a senhora que me ligou hoje não tinha porque saber nem estava para averiguar.

 

Se isto não é uma enorme falta de respeito o que é?

 

Demais está dizer que se não for antes, quando terminar a fidelização vou passar para o que na altura for mais barato, afinal se na atenção ao cliente são todos iguais, pelo menos vou ficar a pagar o menos possível.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:00

Leitão à CDS

 

 

 

Imagem do DN

 

Antes demais um esclarecimento, não sou nem inscrito nem apoiante do CDS, e dificilmente apoiaria ou votaria em pessoas ligadas a este partido.

 

A noticia que acompanha a imagem retirada do Facebook do CDS Algarve é do DN e diz o seguinte:

 

"No domingo à tarde, depois do Congresso do CDS, em Oliveira do Bairro, Aveiro, um grupo de militantes centristas do Algarve parou para almoçar num restaurante da Mealhada, Meta dos Leitões. Agora queixam-se de terem pago mais refeições que aquelas que consumiram por serem apoiantes de Governo "que rouba"."

 

Podemos ainda ler o seguinte:

 

"Segundo os centristas, "solicitado o livro de reclamações o mesmo não foi facultado, a quantia cobrada a mais não foi devolvida, pelo que irá aquele grupo de algarvios apresentar queixa na justiça."

 

Evidentemente tudo isto fez as delicias da blogosfera, das redes sociais e dos habituais clientes dos comentários dos jornais online, a coisa até tinha piada se os senhores do restaurante se tivessem ficado pela intenção e pela brincadeira e no fim tivessem devolvido o dinheiro cobrado indevidamente. Mas o que aconteceu não foi isso, o que aconteceu é que os clientes pagaram dinheiro a mais, quando tentaram reclamar foram mal recebidos e ainda por cima foi-lhes negado o livro de reclamações que é suposto ser obrigatório por lei... assim à primeira vista a mim parece-me que os senhores foram roubados indecentemente.

 

Não percebo porque é que ao ser negado o livro de reclamações eles não pediram a presença imediata da policia, para que tomasse conta da situação, se calhar os responsáveis do restaurante tinham repensado o assunto e feito as contas como deve ser, a esta hora não seriam noticia de jornal pelas piores razões.

 

Infelizmente este tipo de situações acontece cada vez mais, há muita gente que se acha esperto e acima da lei, provavelmente quem fez as contas achou que clientes em clima de festa não reparam e vai de aí mete-se mais uns leitões e umas garrafas de espumante na conta. Resta saber se é só aos militantes filiados que eles enganam descaradamente, ou se quem votou PSD ou CDS também tem direito a ser comido nas contas em nome da má governação dos dois partidos...

 

Uma coisa é certa, há muito que não como leitão, mas quando o voltar a fazer já sei onde não vai ser... e quem pensar um bocadinho no assunto de certeza que irá concluir o mesmo que eu, afinal a vida não está como para sermos enganados e roubados desta forma

 

Resta saber o que dirão de tudo isto a ASAE e as entidades de inspecção económica.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:02

 

Miguel Torga, a Paga

Imagem da internet

 

De Miguel Torga, Contos da Montanha

 

A Paga

As falas doces com que o Arlindo levava a água ao seu moinho não lhas ensinara o pai, não, que era um santo. Mas vá lá fiar-se a gente em sanguinidades! Famílias boas, sãs, dão às vezes cada filho que até se fica maluco. Ali estava, à vista de todos, a demonstração. Sem maus exemplos em casa, nado e criado numa terra limpa como Vale de Mendiz, e Deus nos defendesse de semelhante boldrego! Rapariga em que pusesse o sentido, pronto. Tanto fazia saltar como correr: tinha que ser dele. E então não se contentava com qualquer! Só lhe apetecia o melhor.

Mesmo no povo, desgraçou a Arminda, uma cachopa tão dada, tão bonita, que cortava o coração vê-la depois, desprezada de toda a gente e comidinha dos males que lhe pegou. Em Guiães foi a filha do Bernardino, pelos modos a coisinha mais jeitosa que lá havia. Em Abaças, escolheu a Olímpia, uns dezanove anos que nem uma princesa.

Mas nenhuma como a Matilde, o ai Jesus de Litém. Descobriu-a na festa de S. Domingos, e já não a largou. O Rodrigo, o melhor amigo dele, bem o avisou: - Olha que ali, tudo o que não seja nó de altar...

Não quis saber. Rapou do harmónio e abriu-o numa gargalhada.

- Borga, rapaziada! Haja alegria!

O poviléu, que não quer senão pândega, claro, a rodeá-lo, embasbacado.

Ora, isto de mulheres é o que se sabe. A tola, só por ver um fadista daqueles a derreter-se por ela, já pensava que tinha ali o rei de Portugal! A tia, a do Rito, no caminho, ainda lhe perguntou se não sabia que menino ele era. Sabia, e que ninguém se afligisse por via dela. E logo no Domingo seguinte, à tarde, toda desenganada a dar-lhe treta na fonte.

Moveu-se o povo. Tivesse tento na bola!

O mundo nunca parira rês de tão má qualidade. Ou já se não lembrava do que acontecera às outras?

Nada. Não ouvia ninguém. O que lá ia, lá ia. Águas passadas não tocavam moinho.

O rapaz assentara, falava-lhe com todo o respeito, e, tão certo como dois e dois serem quatro, recebia-a.

O manhosão, por sua vez, que também não, havia dúvidas nenhumas a tal respeito. Mal arranjasse a vida, casamento.

O mais mau é que ninguém lhe via arranjar essa tal vida. O Alfredo, o moleiro, a pedido de Litém, sondou a coisa em Vale de Mendiz, e voltou desanimado. Arraiais, tocatas, danças, e nada de onde se visse sair propósito de coisa séria. E como o namoro ia de vento em popa – um entusiasmo, uma loucura -, Litém, pela boca do prior, chamou a rapariga à pedra.

Pensasse no que andava a fazer. Fugisse das tentações. Desse uma cabeçada, e depois se queixasse. Tivesse vergonha na cara e tratasse de pôr os olhos num rapazinho da terra, honrado e trabalhador.

Mas a Matilde andava viradinha do miolo. Jurava sobre as falas do Arlindo como sobre os Evangelhos. Assim tivesse tão certa a salvação como ele nunca tentara pôr-lhe um dedo e só lhe falava em bem.

Com semelhante conversa, Litém resolveu aguardar. Não há como dar tempo ao tempo e deixar cada qual aprender à sua custa.

E viu-se o resultado. Um dia à noite, a Matilde prega-se em casa da Lúcia, põe-se a chorar, a chorar, e acaba por declarar tudo: o ladrão tinha-lho feito. Tantas loas lhe cantara, tantas juras, tantas promessas, que caíra como uma papalva.

Mas com quem o Arlindo se foi meter! Com os de Litém, gente capaz de limpar uma nódoa com as lágrimas de Cristo! Fiava-se talvez em o pai da rapariga ter idade e os dois irmãos, o Cândido e o A]bino, estarem no Rio. Ora oitenta anos em Litém. não tolhem um homem, e o mar já não é o que era dantes!

O justo, no desejo de compor aquilo, ainda o procurou, a saber que destino queria dar à filha. Meteu os pés pelas mãos, que não podia casar agora, que as vidas estavam muito más, e mais aldrabices. Olha lá que o velho lhe dissesse nada! Calou-se muito calado, virou-lhe as costas, e, nesse mesmo dia, carta para o Brasil.

Entretanto, a nova fora-se espalhando pelas redondezas. E ao cabo de algum tempo o nome da Matilde simbolizava apenas a façanha mais atrevida e gloriosa do farçola de Vale de Mendiz.

- Não as deita em cesto roto! Isso é que ele pode ter a certeza! - garantiu o Brás, que sempre acreditara numa justiça imanente. 

- Tantas há-de fazer...

- Já fez... - respondeu-lhe o Rodrigo, que, embora amigo e companheiro do Arlindo, não engolia aquela de se ter enganado. - Com os de Litém ninguém brinca...

Em Março, quando Vale de Mendiz se cobriu de camélias e mimosas, o Alfredo, à frente do macho carregado de sacas, deu a grande notícia: os filhos do Justo tinham chegado do Brasil.

- Os dois? - perguntaram todos. - Os dois de uma vez ?!

- Olarila! -Então o Arlindo que se acautele. Mas nada parecia bulir naquele princípio de primavera. A Matilde há muito que calara as lamúrias; o pai, a todos que lhe falavam no caso, respondia secamente que a filha dele não era melhor do que as demais; e os irmãos encheram a irmã de prendas, tratavam-na como uma rainha, e nem por sombras falavam no sucedido.

- A mim até a alma se me apertava com tal sossego - dizia de vez em quando o Rodrigo.

- Os de Litém engolirem uma pastilha assim!

- Que pastilha?! Eu quis, a rapariga quis, quem tem lá nada com isso?

Farroncas. No fundo, também ele, Arlindo, andava de coração como a noite. Bem sabia que não se vem de repente do Brasil sem uma razão qualquer, e que se quisessem resolver o caso a bem já o teriam procurado.

Entrou Abril, passou Maio, principiou Junho, e o mesmo fado corrido.

- Estou varado! - desabafava o Rodrigo.

- Palavra que estou varado!

Mas em Agosto, no dia de S. Domingos, quando o Arlindo estava nas suas sete quintas - Ó Arlindo, toca lá isto, Ó Arlindo, toca lá aquilo! -, chega-se o Rodrigo ao pé dele e segreda-lhe:

- Os Justos de Litém, estão aí. O pai e os filhos...

Os dedos do meliante até se pregaram às teclas da sanfona.

- E ela?

- Ela veio cá o ano passado, e bem lhe chegou...

Já tinha saldo a procissão e quem rodeava a estúrdia enchia os ouvidos de som para o regresso a casa. E, como a música esmoreceu, foram debandando e descendo a serra. Agora a festa era para os que tivessem contas velhas a ajustar.

Começou então no adro um drama surdo, só interior. Os dois companheiros do Arlindo, o Rodrigo e o Gaspar, embora estroinas também, não estavam dispostos a arriscar um cabelo naquele sarilho.

- Quem as faz que as desfaça - dizia o Rodrigo, sempre que lhe falavam no caso.

E o Arlindo, à medida que a roda ia diminuindo, tinha a estranha sensação de que todos fugiam dele e o deixavam sozinho no mundo. Na ânsia de os reter, mudava de música. Pior. A instabilidade das melodias pegava-se à assistência.

Os Justos, sentados no fundo da escadaria, como a impedir-lhe a retirada, não mexiam um dedo. E a rarefacção do povo era ainda mais opressiva.

Começava a cair a noite dos lados de Constantim. As últimas vendeiras tinham partido já. A pipa de vinho, que o Pé-Tolo tivera à sombra do sobreiro, descia o monte vazia, aos solavancos no carro.

Ao fim de duas horas de suores frios, durante as quais o Arlindo puxara pelo harmónio como um galeriano, os Justos ergueram-se e deixaram a passagem livre.

- Bem, vamos andando... - disse o Arlindo, exausto. - Os homens não querem nada...

- Parece que não...

Meteram-se os três a caminho, aliviados duma carga que pesava a vida do Arlindo. Só no fundo do monte, quando o Rodrigo olhou para trás, é que viu que os Justos vinham em cima deles, calados.

- Isto dá grande desgraça, eu seja cego - avisou o Gaspar, transido. - E, se fosse por outra coisa, tinhas-me aqui. Assim, não. Lá te avém...

Iam já nas inatas do Infantado, quando os perseguidores cortaram por um atalho e se chegaram.

- Queremos uma palavrinha em particular aqui ao senhor Arlindo...

O Rodrigo, numa irresistível solidariedade humana que se tem com qualquer condenado no momento da expiação, ainda arranjou coragem para refilar:

- Três para dizerem uma palavra a um homem só?!

Mas, sem mais rodeios, um dos Justos deitou as mãos às abas do casaco do Arlindo, enquanto os outros dois, de pistola na mão, insistiam numa palavrinha muito em particular àquele cavalheiro.

O Rodrigo e o Gaspar, à vista de tais argumentos, foram andando.

E no dia seguinte, de manhã, o Arlindo entrou em Vale de Mendiz numa manta, capado.

 
Retirado de Contos de Aula

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publicado às 21:12


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