Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



assunção cristas.jpg

 

"De que adianta falar de motivos?

Às vezes basta um só,

às vezes nem juntando todos"

José Saramago

 

"faz sentido olhar para estes critérios" - usados para definir os contratos de associação - "e decidir se, nalguns casos, não deve ser a escola privada ou do setor cooperativo a ser sacrificada, mas deve ser a escola pública que, claramente, não [deve] abrir mais uma turma"

 

Desde ontem que anda a circular um vídeo da manifestação do fim de semana em que um grupo de meninos usa um slogan singular : "Cá não há misturas é tudo boa gente""  Pois é, não há misturas, e aqui reside um dos principais problemas dos contratos de associação, não há misturas e não há os mesmos direitos para todos... os luxos e privilégios são só para alguns, só os filhos de boa gente, escolhidos a dedo e de preferência bons alunos, não há colégio fino que se preze que não queira  ficar bem naquela aberração que se chama ranking das escolas.

 

Assunção Cristas veio agora defender que se é para sacrificar que se sacrifique a escola pública.  Assunção Cristas esteve no governo uma legislatura inteira, o mesmo governo que fechou centenas de escolas pelo país todo e que de uma penada decidiu terminar com o programa de reabilitação e acondicionamento de escolas que tinha transitado dos governos anteriores.

 

Bom ou mau, a verdade é que foi graças a esse programa que centenas de escolas viram as suas condições melhorarem, infelizmente, como esse programa foi simplesmente cancelado pelo governo anterior, existem muitas outras centenas onde tudo está por fazer.

 

Agora percebemos porquê, para que gastar dinheiro em escolas onde cabem todos? Pobres, ricos, brancos, negros, ciganos, emigrantes, refugiados, se esse dinheiro é necessário para manter abertos e com todos os luxos os colégios onde vão os meninos bons e onde não há misturas?

 

Eu não tenho nada contra os colégios privados, acho que quem tem possibilidades pode e deve escolher o tipo de educação que quer dar aos seus filhos, felizmente somos um país livre e democrático, se as pessoas acham que o melhor é um colégio privado e o podem pagar, estão no seu direito. 

 

O que eu não percebo mesmo é porque tem que ser o governo a pagar a existência desses colégios quando o dinheiro pode e deve ser aplicado em melhorar a qualidade do ensino público, aquele onde felizmente há misturas e onde devem caber todos, até  mesmo os que não são filhos de boa gente.... porque as crianças não conseguem escolher os pais que lhes cabem em sorte.

 

Há milhares de empresas privadas em Portugal, são elas que dão emprego aos portugueses e garantem o funcionamento da  economia, essas empresas, pelo menos a maioria, sobrevivem com o que produzem e não estão à espera de que seja o estado com os impostos de todos nós, a financiar os seu funcionamento, porque é que os colégios finos hão de ser diferentes de outra empresa qualquer?

 

Jorge Soares

 

publicado às 23:25

Repensar a educação em Portugal

por Jorge Soares, em 28.10.12

Repensar a educação em Portugal

 

Imagem do Público

 

A notícia é da semana passada, mas é algo de que já falamos cá em casa várias vezes e é um assunto que tinha pensado há bastante tempo cá para o blog.

 

Segundo o tribunal de Contas, cada aluno custa ao estado Português perto de 4500 Euros por ano, já seja no ensino público ou nas parecerias, sim estas também são parecerias, com os colégios privados.

 

Por acaso tinha ideia que nos tempos do Sócrates os números andavam acima dos cinco mil Euros, os cortes no número de professores e horários zero devem ter servido para poupar os 500 euros por aluno.

 

Cá em casa cada vez que ouvimos falar nisto fazemos sempre a mesma pergunta: porque é que o estado não nos pergunta se em vez de mandar os nossos filhos para a escola pública, preferimos receber os 5000 Euros por criança e com esse dinheiro escolhemos a escola privada onde queremos colocar os nossos filhos?

 

O nosso sistema de ensino não é evidentemente dos piores do mundo, mas quem como eu tem filhos na escola,s abe que há muitas coisas a repensar e a melhorar e que a cada ano que passa as coisas em vez de melhorarem vão piorando e a nós pais vão-nos crescendo as preocupações, as dores de cabeça e os cabelos brancos.

 

Não sou dos que acha que o ensino privado tem todas as virtudes e o público todos os defeitos, mas se me dessem a escolher, escolheria de certeza ficar com os 5000 Euros e com eles escolher a escola que me garantisse uma série de coisas que actualmente não tenho por garantidas na escola pública.

 

Porque não um ensino só com escolas privadas e com cheques educação que os país utilizariam na escola que lhes desse as melhores garantias?

 

É um sistema que já existe em alguns países e que está mais que provado que funciona.

 

É claro que haveria alguns problemas a resolver, nomeadamente a forma de garantir que haveria escolas disponíveis em todo o país, não seria fácil convencer os privados a abrir escolas nas aldeias do interior desertificado. Seria também necessário garantir que mesmo os alunos mais problemáticos teriam acesso à escola.. mas de certeza que quem já utiliza este sistema já terá arranjado forma de resolver estes problemas.

 

O estado teria evidentemente que ter um papel fiscalizador de modo a garantir padrões elevados, mas para além de definir as regras, finalizaria aí o seu papel, sendo que mesmo a contratação dos professores seria feita pela escola e caberia aos pais exigir a qualidade, coisa que neste momento é impossível....

 

Para quem acha que os 5000 euros não chegavam para pagar os colégios privados, em Setúbal e se exceptuarmos as elites, dava.. além disso, se todas as escolas fossem privadas, aumentaria de certeza a concorrência e os preços iriam descer.

 

 Jorge Soares

publicado às 22:28

 

 

"Sou professora na escola de Vila Real, digo no frigorífico, porque as temperaturas dentro da escola são inferiores às da rua. Na primeira 3ªfeira do ano tive aulas toda a tarde e apesar de estar enregelada e a meio da tarde me ter sentido febril, como tinha reunião de encarregados de educação só sai da escola às 20 horas. Quando cheguei a casa estava com temperatura e nos dias seguintes fiquei mesmo sem voz, no entanto graças à colaboração dos alunos consegui dar as minhas aulas. Mas todos os dias há alunos a faltar e alguns professores que não se aguentam de pé. Ainda bem que o estatuto do aluno mudou e as faltas justificadas já não contam para efeitos de testes de recuperação, se isto tivesse acontecido no ano anterior para além de doentes ainda estaríamos sobrecarregados de trabalho…

Mas o que me levou a escrever este comentário é que, segundo o ministério da educação, não há escolas públicas a rebentar pelas costuras, porque eles resolvem isso com 30 alunos ou mais por turma, já tive uma com 32…
Quanto às distâncias nem imaginam o que as crianças de Trás-os-Montes passam – 20 km não é nada – caminhos em mau estado e estreitos e no Inverno, devido ao gelo, extremamente perigosos, ou pensam que as aldeias são todas acessíveis pelo IP4 ? Em muitas aldeias têm mesmo que andar 3 ou mais Km para apanhar o transporte…
Sabem que há crianças que a única refeição em condições é a que comem na escola e, por vezes, nem agasalho adequado trazem para suportar o frio? Sabem a que preço está o pão? E o leite? E as batatas? E o arroz?
Deixo-vos um tema de discussão sobre o Portugal real!!!"

 

O comentário acima foi-me deixado no post da passada quinta feira em que se falava do financiamento das escolas privadas. Ao contrario do que diz a Leamar, eu não acho que o Ministério da Educação esteja a lançar as pessoas umas contra as outras. Estamos a falar de um protocolo que foi pensado e assinado há muitos anos atrás quando as condições das escolas, da educação e até do país eram outras. Acredito que como diz a Leamar, existam escolas destas que são uma verdadeira mais valia e o garante de uma educação de qualidade para muita gente, mas a percepção que tenho, até pelo que conheço aqui em Setúbal, é que na maioria dos casos, estas são escolas para as elites, onde dificilmente se consegue uma vaga a menos que se tenham muitas cunhas e onde  a maioria das pessoas paga um balurdio por condições que afinal não diferem muito das escolas públicas da cidade...e eu falo por experiência... não quero alongar muito o post, mas a coisa terminou quando numa reunião de pais eu disse às senhoras freiras que elas não eram sérias...e não eram.

 

Não é necessário ler o comentário desta professora da Escola de Vila Real para percebermos que apesar de as coisas terem melhorado bastante, falta muito por fazer nas nossas escolas, e como disse no outro post, acho que o governo em lugar de estar a financiar escolas privadas, tem que utilizar esse dinheiro para melhorar o ensino público e garantir que todas as crianças tem acesso a escolas dignas e com um mínimo de condições.

 

Jorge Soares

publicado às 21:56


Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D