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assunção cristas.jpg

 

"De que adianta falar de motivos?

Às vezes basta um só,

às vezes nem juntando todos"

José Saramago

 

"faz sentido olhar para estes critérios" - usados para definir os contratos de associação - "e decidir se, nalguns casos, não deve ser a escola privada ou do setor cooperativo a ser sacrificada, mas deve ser a escola pública que, claramente, não [deve] abrir mais uma turma"

 

Desde ontem que anda a circular um vídeo da manifestação do fim de semana em que um grupo de meninos usa um slogan singular : "Cá não há misturas é tudo boa gente""  Pois é, não há misturas, e aqui reside um dos principais problemas dos contratos de associação, não há misturas e não há os mesmos direitos para todos... os luxos e privilégios são só para alguns, só os filhos de boa gente, escolhidos a dedo e de preferência bons alunos, não há colégio fino que se preze que não queira  ficar bem naquela aberração que se chama ranking das escolas.

 

Assunção Cristas veio agora defender que se é para sacrificar que se sacrifique a escola pública.  Assunção Cristas esteve no governo uma legislatura inteira, o mesmo governo que fechou centenas de escolas pelo país todo e que de uma penada decidiu terminar com o programa de reabilitação e acondicionamento de escolas que tinha transitado dos governos anteriores.

 

Bom ou mau, a verdade é que foi graças a esse programa que centenas de escolas viram as suas condições melhorarem, infelizmente, como esse programa foi simplesmente cancelado pelo governo anterior, existem muitas outras centenas onde tudo está por fazer.

 

Agora percebemos porquê, para que gastar dinheiro em escolas onde cabem todos? Pobres, ricos, brancos, negros, ciganos, emigrantes, refugiados, se esse dinheiro é necessário para manter abertos e com todos os luxos os colégios onde vão os meninos bons e onde não há misturas?

 

Eu não tenho nada contra os colégios privados, acho que quem tem possibilidades pode e deve escolher o tipo de educação que quer dar aos seus filhos, felizmente somos um país livre e democrático, se as pessoas acham que o melhor é um colégio privado e o podem pagar, estão no seu direito. 

 

O que eu não percebo mesmo é porque tem que ser o governo a pagar a existência desses colégios quando o dinheiro pode e deve ser aplicado em melhorar a qualidade do ensino público, aquele onde felizmente há misturas e onde devem caber todos, até  mesmo os que não são filhos de boa gente.... porque as crianças não conseguem escolher os pais que lhes cabem em sorte.

 

Há milhares de empresas privadas em Portugal, são elas que dão emprego aos portugueses e garantem o funcionamento da  economia, essas empresas, pelo menos a maioria, sobrevivem com o que produzem e não estão à espera de que seja o estado com os impostos de todos nós, a financiar os seu funcionamento, porque é que os colégios finos hão de ser diferentes de outra empresa qualquer?

 

Jorge Soares

 

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publicado às 23:25

A escola pública e o direito a escolher.

por Jorge Soares, em 09.05.16

escolas.jpg

 

Imagem de aqui 

 

Tenho três filhos, dois estão na escola pública, um está numa escola privada porque não "há" lugar para ele na pública. Já tivemos experiências boas e más com a escola pública e com as privadas e posso dizer que sei do que falo.

 

Há pouco no telejornal um grupo de pessoas ia entregar cartas ao primeiro ministro, cartas a pedir a manutenção dos contratos de associação entre o ministério de educação e as escolas privadas. Entre as pessoas que foram entrevistadas duas ou três diziam que o governo lhes tem que garantir o direito a escolher o tipo de educação que elas querem dar aos filhos.... para ser sincero não percebi onde lhes foi retirado esse direito, mas já lá vamos.

 

As pessoas não percebem que a questão não é essa, não tem nada a ver com direitos de escolha, tem sim a ver com todos termos direito a uma educação digna, de excelência e igual para todos, e não,  não é de certeza este modelo de financiamento que estas pessoas tanto defendem, que garante esse direito.

 

Há uns dias o meu filho participou num jogo de basket contra o Estoril Baket, esta equipa joga no Pavilhão da Escola Salesiana de Manique. Um pavilhão com todas as condições, bastante melhor que o pavilhão municipal de Setúbal, ao lado do pavilhão havia uma piscina coberta, do outro lado havia um campo de futebol relvado e uma pista de atletismo sintética. O resto das instalações da escola estavam ao mesmo nível.

 

Acontece que a Escola Salesiana de Manique é uma das escolas com contrato de associação e é uma das escolas a que aqueles pais, que não sabem ou não querem saber mas que na realidade são uns privilegiados, se acham com direito a escolher.

 

Mas qual é a realidade do resto do país?

 

A equipa de basket onde joga o meu filho utiliza, por especial favor da câmara municipal,  para treinos e jogos o pavilhão de uma das escolas de Setúbal, basicamente são quatro paredes, um telhado  e pouco mais.

 

A minha filha mais velha está no Liceu de Setúbal, no inicio do ano escolar uma parte do telhado pavilhão caiu, como não há dinheiro para a reparação,  nos dias de chuva não há educação física, nos dias em que não chove as aulas são ao ar livre, esteja frio ou calor.

 

É claro que todos os pais que fomos ver o jogo a Manique estávamos de acordo, aquela era a escola ideal para os nossos filhos, o problema é que não há uma escola daquelas com contrato de associação em Setúbal e para quem cá mora já é uma sorte se conseguir escolher a escola pública onde colocar os seus filhos.

 

Aqueles pais que iam entregar cartas ao primeiro ministro acham que  o estado lhes deve garantir o direito a escolher o tipo de educação que querem para os seus filhos, eu concordo, a eles e a todos nós. O problema é que antes de se chegar a esse ponto, há muitas outras coisas para resolver e garantir. Por exemplo, garantir que há dinheiro para reparar o pavilhão do liceu de Setúbal para que os alunos possam ter todas as aulas de educação física a que tem direito.

 

Em lugar de gastar milhões a financiar escolas privadas de luxo, o estado deve garantir que existam escolas públicas com condições mínimas. Qual é a lógica de se fazerem contratos de associação com escolas privadas em cidades onde há ensino público suficiente?

 

A maneira do estado garantir uma educação pública eficiente e igual para todos não é financiando escolas privadas de luxo, é usando o dinheiro para melhorar o ensino público.

 

Já me esquecia,  evidentemente todo o mundo tem direito a escolher entre as publicas e as privadas, basta que se disponha a pagar, que foi o que eu fiz quando percebi que na pública neste momento não "há" lugar para o meu filho e que a resposta era nas privadas..

 

Jorge Soares

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publicado às 23:29

É o Outono estúpidos!

por Jorge Soares, em 22.09.14

Chuva em Lisboa

 

Imagem do Expresso

 

 

Vinha a caminho de casa e na Antena 1 alguém se queixava de que os senhores do IPMA (instituto Português do mar e da atmosfera) não tinham colocado Lisboa em aviso Laranja só em amarelo e portanto quem devia tomar atenção a estas coisas tinha sido apanhado desprevenido e o resultado foi o caos.

 

Como não ouvi a noticia toda não sei quem era o senhor que estava a falar, imagino que fosse alguém da protecção civil. Fiquei na duvida, se estivesse o aviso laranja o que teriam eles feito diferente para evitar que a conjugação de muita  chuva com a Praia mar resultasse em inundações ? Ou que o excesso de chuva tivesse convertido a praça de Espanha num lago? Tinham ido limpar as sarjetas hoje de manhã? Não deviam ter tratado disso há umas semanas atrás?

 

Entretanto quando cheguei a caso deparei-me com uma noticia que diz: "PSD quer saber de quem é a culpa das inundações em Lisboa". Assim de repente isto já faz mais sentido, ou não fosse o presidente da câmara candidato a candidato a primeiro ministro pelo partido da oposição.

 

Como não podia deixar de ser, entramos no jogo do empurra, os senhores da câmara culpam os meteorologistas pelas inundações, o governo culpa a câmara, só não percebo duas coisas:

 

1- Porque é que ninguém culpa o São Pedro?

 

2- Porque é que ainda ninguém veio pedir desculpa pela chuva a mais e/ou pelas inundações?

 

Tudo isto é muito engraçado e serve para desviar a atenção do que realmente interessa, pena é que o pedido de desculpas do ministro da educação ainda não tenha servido para que a minha filha, quase 15 dias depois do começo das aulas, tenha professor de matemática... e ela tem sorte, só lhe falta um professor, segundo a RTP, faltam colocar 5 mil professores e não é de certeza por falta de candidatos, segundo a mesma notícia da televisão pública há uns 40 000 (???!!!!) candidatos aos lugares... como é que é possível que ainda haja pelo país fora dezenas de turmas sem nenhum professor?

 

Quanto á chuva, já ouviram falar do Outono, isso mesmo, é o Outono estúpidos, qualquer criancinha lhes pode explicar, o Outono é a estação das chuvas.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:55

Amianto

 

Imagem do Público 

 

As doenças relacionadas com o amianto – utilizado em larga escala na construção civil e noutras aplicações até aos anos 1990 – mataram pelo menos 231 pessoas em Portugal entre 2007 e 2012, segundo dados da Direcção-Geral de Saúde.

 

Há uns dias uma reportagem sobre os temporais mostrava uma escola em que a cobertura com amianto tinha sido levada pelo vento, os alunos foram retirados daquele pavilhão, mas no resto da escola as aulas continuavam como se nada fosse.

 

Entrevistada a directora do agrupamento, esta mostrava estar consciente dos perigos que aquela cobertura degrada representava, estavam previstas obras para se remover os materiais com amianto, não se sabia era para quando.

 

Ainda há coisas que me chocam, a forma descansada como aquelas declarações foram proferidas chocou-me, havia partes da cobertura espalhadas pelo recreio da escola, mas as crianças continuavam por ali, e havia aulas nos outros pavilhões, como se não estivéssemos a falar de uma substancia que comprovadamente mata dezenas de pessoas todos os anos em Portugal.

 

Hoje na RTP uma reportagem falava de novo no assunto, ninguém sabe quantas escolas ou edifícios públicos contém amianto, o levantamento está para ser feito há anos, mas está comprovado que os cancros causados por esta substância matam em média 39 pessoas por ano.

 

Desde há anos que se sabe dos perigos da exposição continua a esta substância para a saúde, assim como se sabe que uma grande parte das escolas tem esta substância nas suas coberturas,  e mesmo assim não se faz nada.

 

Quanto custa ao país o tratamento de um doente com cancro? quanto irá custar ao estado no futuro o tratamento das milhares de crianças, professores e auxiliares que estão expostos todos os dias a esta substância?  Não seria muito mais barato prevenir?, Não seria muito mais barato substituir as coberturas e demais materiais dos edifícios? Seria de certeza, até porque o sofrimento e a perca de vidas humanas não tem preço.

 

Não é obrigação do estado zelar pela saúde dos seus cidadãos? Então porque não o faz?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:43

Professores em regime de voluntariado para Arouca

Retirado da DRE 

 

É curioso, antes do Post sobre o André e o cancro de mama, (por favor vão ler) eu tinha pensado falar sobre um anuncio que saiu num dos jornais em que se pediam estagiários sem vencimento e/ou de empresários do calçado que pagam o salário mínimo e se queixam que não arranjam empregados... Já todos sabemos que em alturas como esta há sempre quem se aproveite para pagar o mínimo possível e até há quem não queira pagar nada a troco do trabalho.... mas juro que não me passava pela cabeça que o exemplo viesse do próprio estado..

 

O que vemos na imagem é real, não é brincadeira nenhuma, o ministério da educação, que deixou sem emprego milhares de professores contratados, propõem-se a contratar professores reformados em regime de voluntariado... 

 

Tendo em conta que a grande maioria dos professores quer ir o mais rapidamente possível para a reforma porque já não se sente com idade, capacidade nem paciência para aturar as os alunos que lhes calham em rifa, será que haverá alguém que está disposto a aceitar uma proposta como esta? E o que se pode esperar ou exigir a estes professores avós que vão trabalhar á borla e se calhar até pagar para dar aulas?

 

É mesmo este o modelo que o ministério da educação quer para o futuro das nossas escolas, regime de voluntariado?

 

O que podemos esperar de patrões e empresários quando o estado dá um exemplo destes?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:42

Para que serviram os Magalhães da e-escolinha?

por Jorge Soares, em 19.09.11

Para que serviram os Magalhães da e-escolinha?

Imagem de aqui

 

Foi noticia a semana passada, o ministério da educação suspendeu o programa de e-escolinhas e a inscrição para a entrega de mais Magalhães às crianças.

 

Não é novidade para ninguém que sempre fui contra este programa na forma em que ele foi implementado, estive a contar e se incluirmos aqueles em que falo sobre a (não) garantia dos pequenos computadores, são 6 os posts que escrevi sobre o assunto desde 2008 até agora.

 

Dos dois computadores que chegaram cá a casa há muito que não há noticias,  ambos avariaram e como a garantia pouco mais cobre que os discos, foram arrumados e esquecidos.

 

Quanto à sua utilização, um raramente chegou a ir para a escola, entre a falta de condições da sala de aulas e da escola e a falta de vontade e empenhamento da professora, nunca serviu para o propósito que foi pensado, para pouco mais foi utilizado que para o famoso jogo do pinguim. Cheguei a questionar a professora numa das reunião de fim de período, a senhora respondeu-me que ainda estava à espera que lhe entregassem o dela e sem ele não sabia o que dizer aos alunos... esclarecedor.

 

A R, tinha uma professora muito mais dinâmica, que ignorava a falta de condições da sala e da mesma escola e conseguiu aproveitar bastante.

 

Passado todo este tempo, continuo a achar que todo o programa foi um equivoco na forma em que foi pensado e realizado, para a maioria das crianças não passou de mais um brinquedo e o aproveitamento foi nulo. Por outro lado, a famosa robustez do portátil que fez Hugo Chavez atirar um para o chão e garantir que continuaria a funcionar, nunca passou de um mito, tudo era muito frágil e nada estava na garantia.

 

Li algures um apelo de uma professora (não consegui encontrar o blog, mas vou continuara  procurar) para que os computadores em lugar de serem entregues às crianças fossem entregues às escolas... se calhar seria uma boa ideia e uma forma de garantir a sua utilização. Resta saber que percentagem dos professores tem a sensibilidade e sobretudo a vontade de os utilizarem como ferramenta de apoio às aulas, a julgar pelo que vi nos últimos 3 anos nas escolas onde andaram os meus filhos, as condições são poucas ou inexistentes nas salas de aula e a vontade  de muitos professores será ainda menos.

 

Acredito que exista uma pequena percentagem de crianças para quem esta tenha sido a única forma de terem acesso a um computador, para esses fará todo o sentido uma reavaliação do programa, dos restantes a grande maioria tem acesso a computadores a sério em casa e o dinheiro do Magalhães é claramente dinheiro deitado ao lixo.

 

A parte do estado de todo o programa terá andado perto dos 500 milhões de Euros, sendo que neste momento há uma dívida de 65 milhões às operadoras, quantos dos Magalhães que foram entregues continuam a funcionar? Quantos serviram para o fim para que foram pensados?, quanto dos 500 milhões é dinheiro deitado ao lixo?

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:05

Escola das laranjeiras

Imagem da internet, recreio da Escola das Laranjeiras

 

Uma das consequências de ter mudado de casa, foi que com o cartão do cidadão veio um novo local de votação, antes era na Escola das Amoreiras, agora é na Escola das Laranjeiras... faz sentido, a escola das laranjeiras fica bem mais perto da nova morada... é verdade que também ficava mais perto da antiga.. mas já lá vamos.

 

As Amoreiras pertencem à freguesia de São Julião, as Laranjeiras à da Anunciada, a nova casa fica na fronteira... e a 100 metros da anterior.

 

Curiosamente se eu devo ir votar ás Laranjeiras, os meus filhos não podem frequentar essa escola, segundo as regras quem mora em São Julião frequenta as escolas do agrupamento do Bocage, quem mora na Anunciada frequenta as do agrupamento Lima de Freitas. Ora, a escola das Laranjeiras pertence ao Agrupamento Cetóbriga, que além desta escola, tem a escola do Jumbo, numa ponta cidade e a das praias do Sado, que não só é no lado completamente oposto de Setúbal, como é numa aldeia que fica a  Kms da cidade. É claro que pelo meio há uns 3 ou 4 agrupamentos e muitas escolas. 

 

Em que resulta tudo isto?, resulta que eu tenho 3 escolas num raio de uns 500 metros de casa, ao lado das laranjeiras está a de Montalvão, e os meus filhos têm que ir para outra que pode ficar a Kms, porque nenhuma das 3 pertence ao agrupamento da zona de residência, e há crianças que vêm da outra ponta da cidade para virem para as Laranjeiras, que está colocada na fronteira de duas freguesias que pelas moradas não pertencem ao seu agrupamento.

 

Confuso?.. pois, muito confuso. 

 

E o mesmo se aplica aos liceus, tenho 3 (três), sim três, que ficam num raio de 2 Kms, e a do agrupamento fica a quase 7, de novo na outra ponta... mas isto faz algum sentido?

 

Quem será o idiota do ministério da educação ou da DREL, que faz estas divisões de agrupamentos?.. porque é que as regras que são aplicadas para o local de votação, não são as que se utilizam para a definição das escolas?, porque é que fazem os pais andarem Kms para chegar à escola quando há escolas a meia dúzia de passos de suas casas?

 

É claro que depois a malta arranja esquemas com as moradas, tudo isto é um convite ao esquema!

 

Jorge Soares

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publicado às 22:47

Educar é dar o exemplo
Imagem de aqui
 
No outro dia nos comentários de um post do Sentaqui em que se falava sobre pagar ou não impostos, a Marta deixou o seguinte comentário:
 
"... pela parte que me toca, penso sempre no exemplo que dou aos meus filhos (e aos meus alunos que também contam muito) e jamais fujo aos meus deveres de cidadã."
 
Principio sábio o da Marta, se eu for um cidadão exemplar haverá de certeza muito mais probabilidade de os meus filhos também o serem.
 
Vem isto a propósito de um assunto que à medida que se acerca o fim do ano escolar se vai tornando cada vez mais importante por estes lados, a R. vai concluir o 6º ano e vai chegando a altura de escolher a escola que se vai seguir.  Escolher é como quem diz, supostamente existem regras definidas para a colocação dos alunos nas escolas públicas, regras que tem a ver com a morada e o agrupamento, regras que deveriam garantir que cada aluno fosse parar à escola mais próxima da sua residência, ou da do trabalho dos pais.
 
Na realidade não é nada disso que acontece, desde a cunha até moradas fictícias, passando por contratos com empresas de telemóveis que garantam uma factura para uma morada de uma loja qualquer ou até de uma loja vazia, já ouvi quase de tudo.
 
No nosso caso a escola mais próxima da nossa morada é o Liceu de Setúbal, que é a escola com melhor ranking do Distrito, logo, a mais procurada, e segundo nos vão dizendo as probabilidades da R. lá ir parar serão 0, isto apesar de lá andarem alunos que vivem em alguns casos na outra ponta da cidade e até em Azeitão, a uns 10 Kms.
 
É claro que há sempre a hipótese de fazermos como os outros e utilizarmos um esquema, que no nosso caso até seria fácil, a R. anda no conservatório e  teria prioridade, acontece que ela já decidiu que vai desistir da música, o que a deixa de fora, mas não faltou quem a aconselhasse a só desistir depois do inicio das aulas, de modo a garantir a vaga  no liceu. .. 
 
Lá tivemos que lhe explicar que além de isso não ser honesto, iria contribuir para tirar o lugar no conservatório a alguém que goste mesmo de música, e mesmo que as suas amigas façam isso, nós não fazemos... porque isso não é exemplo que se dê aos filhos.
 
Em Setúbal há escolas suficientes para todos os alunos, mas há muito que faz falta uma enorme volta e muita moralização na forma como as crianças são colocadas, todo o mundo conhece os esquemas, todo o mundo conhece alguém que sabe das cunhas, não percebo é porque ninguém faz nada para mudar a situação.
 
Jorge Soares

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publicado às 21:55

Em Setúbal as crianças não foram às cantinas escolares abertas no natal

Imagem do Público

 

Há noticias que nos deixam a pensar, nós como humanos temos tendência a criar imagens e estereótipos, Setúbal tem colada a si uma imagem de desemprego, pobreza e até miséria que por muito tempo que passe não muda. Imagem que é alimentada pela comunicação social e, como vimos ontem num dos debates entre candidatos à presidência da República, até aproveitada politicamente. A mim faz-me alguma confusão, porque não é essa a imagem que tenho da cidade onde vivo nem dos seus habitantes.

 

A medida foi anunciada pela presidente da câmara e teve direito a noticia em jornais e telejornais,  Setúbal irá manter abertas as cantinas das escolas durante a época do natal, a medida foi tomada porque "os professores tinham alertado o município para o facto de haver dezenas de crianças com carências alimentares", muitas destas crianças não teriam condições para tomar outras refeições fora da escola.

 

Na escola do Casal das Figueiras fizeram-se preparativos para serem dadas refeições a 50 crianças... hoje a noticia no público era:

Setúbal: refeitórios de escolas abertos nas férias de Natal ainda não receberam nenhuma criança carenciada

É isso, ao fim do segundo dia, das esperadas 50 crianças nenhuma se dirigiu à escola para almoçar, nem a esta escola nem ao Centro Paroquial da Anunciada, o outro local na cidade onde seriam dadas as refeições. Não me parece que se possa alegar desconhecimento da medida, esta foi noticia em tudo o que é meio de comunicação e imagino que terá sido anunciada ás crianças na escola. Haverá de certeza uma lição a tirar de tudo isto...

 

Eu sou da opinião que esta crise existe sobretudo na comunicação social, se calhar a realidade não é assim tão má... sobretudo se apesar dela, acontecem coisas como esta:

 

Entre 13 de Novembro e 19 de Dezembro registaram-se 17 milhões de pagamentos de compras por multibanco, no valor de 772 milhões de euros. Estes indicadores da SIBS revelam uma subida de 4,8 por cento em valor face a idêntico período de 2009, e um crescimento de sete por cento em número de operações.

 

Como é que explicamos noticias como estas? Pobres mas pouco!, será?

 

Jorge Soares

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publicado às 21:36

Crise já chegou aos colégios.. ou não!

 

Imagem do Público

 

O assunto estava destinado para o post de ontem.. ainda comecei a escrever, mas não estava a ser o meu post e decidi mudar de tema. Numa daquelas coisas da vida, hoje de manhã encontrei a seguinte notícia no Sol: A crise já chegou aos colégios, e  uns minutos depois o seguinte no Público: Crise não está a afectar as inscrições no ensino privado, no mínimo caricato.

 

Mas tudo isto vem a propósito de uma conversa com a minha meia laranja em que ela me falava de um colégio onde  para aceitarem as incrições no ciclo fazem duas entrevistas à criancinha, uma com a família e outra individual. Isto claro, para aqueles que seja lá por que meio, conseguem chegar até à fase das entrevistas, o que dadas as listas de espera.... não costuma ser muito fácil. Tudo isto para se ter o privilégio de se pagar para cima de uma fortuna de mensalidade.

 

Dei por mim a pensar como seria uma entrevista com o meu filho de 10 anos... não consegui imaginar, e concluí que neste nosso cada vez mais estranho país, é mais fácil entrar numa universidade, seja esta pública (88% de colocados na primeira fase)  ou privada, que num colégio.

 

Mas desengane-se quem pensa que isto é só para o ensino secundário, no outro dia um dos meus colegas contava a odisseia que passou para colocar o rebento mais novo, que ainda não tem dois anos,  no infantário de um destes colégios de elite de Lisboa. Depois de muito penar e de muitas consultas a ver quem tinha a melhor cunha ou as melhores ligações com a igreja católica.. conseguiu... não digo aqui quanto vai ele pagar por mês porque acho completamente obsceno.

 

Em Lisboa há uma já famosa escola que abre as inscrições no dia 2 de Janeiro de modo a ter os pais acampados à porta e a fazer a passagem de ano à chuva e ao frio. É claro que nunca falta a notícia nas televisões e a consequente publicidade gratuita.. alguém me explica porque não abrem as inscrições noutra altura qualquer?, porque é que tem que ser a 2 de Janeiro?

 

Os meus dois filhos mais velhos estão no ensino público, isto depois de duas tentativas falhadas de recorrermos ao ensino privado, a primeira ainda no infantário, terminou quando verificámos que num dos colégios com mais nome em Setúbal,  as condições eram tão más que as crianças nem à casa de banho conseguiam ir. Isto para já não falar de uma reunião com os pais que terminou quando eu já incrédulo me virei para as senhoras (freiras) e lhes disse alto e bom som e bem na cara, que elas não eram sérias.

 

É claro que tanto nos colégios como nas escolas públicas haverá de tudo, mas eu desconfio sempre da qualidade da educação quando vejo que os alunos de uma das escolas mais selectas desta cidade, onde se paga 600 ou 700 Euros por mês, andam no apoio ao estudo onde andam os meus e tem exactamente as mesmas dificuldades e problemas que tem os meus na escola pública. E andam os pais a recorrer ao crédito e a desbaratar as poupanças para isto (ver noticias).

 

Como dizia acima, neste estranho país é bem mais fácil entrar numa universidade que num colégio ou em algumas escolas públicas... mas pelo menos não se ouve (ainda)  falar de ensinos primários tirados ao Domingo de manhã....

 

Jorge Soares

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publicado às 21:17


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