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O Magalhães: depois de um ano, qual o balanço?

por Jorge Soares, em 06.07.09

O Magalhães: depois de um ano, qual o balanço?

 

A telenovela com as garantias dos Magalhães cá de casa vai dar pano para mangas, ainda não é altura para voltar ao assunto, mas o que se está a passar deixou-me a pensar.  Nem de propósito, hoje no Expresso Online havia um artigo bem interessante sobre o assunto, parece que à medida que se vai desembrulhando vai aumentando a trapalhada, é só mais uma deste governo.

 

Mas vamos ao que ia, desde o incio que eu achei que tudo isto era um enorme erro, há nas escolas deste país muitíssimas necessidades que bem poderiam ser resolvidas com uma parte do dinheiro gasto neste programa, já em Outubro no meu Post  "A fotocopiadora para a escola ou o Magalhães"  expressei essa ideia,agora não só a mantenho, como a reforço, e fala a voz da experiência, cá em casa há dois, ambos na mesma escola mas com resultados bastante diferentes ao nível da utilização e aproveitamento das tecnologias.

 

Vejamos, o Magalhães do N, chegou no inicio de Fevereiro, mas que eu me lembre, só no fim do ultimo período, bem nos últimos dias de aulas, ele foi levado para a sala. E  isso foi depois de na reunião de avaliação do segundo período, os pais terem questionado a professora sobre os motivos para a sua não utilização, ela defendeu-se com o facto de não ter sido distribuído um para os professores, ela nunca tinha visto um e não fazia a menor ideia sobre o que lá vinha, não estava portanto preparada, nem ela nem a sala de aula. De facto, a escola dos meus filhos não tem tomadas eléctricas nas salas para mais que dois ou três computadores, não há rede wireless, nem as mínimas condições para a utilização em simultâneo de mais de duas dezenas de computadores.

 

É claro que achei que era uma questão de atitude, mas também é verdade que com computadores com bateria para pouco mais de uma hora, com uma professora sem motivação e sem condições minimas na sala de aula, não valia mesmo a pena. Conclusão, o Magalhães do N, enquanto funcionou, serviu para ele jogar o jogo do Pinguim e quando apertávamos com ele, algum dos jogos didácticos, do meu ponto de vista foi um completo desperdício de dinheiro, para mais quando cá em casa ele tinha acesso a um computador.

 

O Caso da R. é bem diferente, o computador chegou no inicio de Abril, mas uma professora bem mais proactiva, apesar das dificuldades da sala de aulas conseguiu tirar imenso proveito dele, e neste momento a miúda consegue fazer algumas coisas, principalmente multimédia, com mais facilidade que eu. Neste caso o problema é outro,  ela farta-se de lhe dar utilização, tanta que temos que passar a vida  a ver o que apagamos, porque os 30 Gigas do disco são claramente insuficientes para o Windows, o Linux, todo o software e as dezenas de vídeos e power points que ela produz. É claro que com tanta utilização,as teclas saltaram  em pouco tempo, e agora, já percebi que vou ter outra guerra com os senhores da empresa de reparações, porque um teclado custa 39 Euros e ainda não sei se a garantia o cobre, mas tenho fortes suspeitas que será mais um caso para a DECO resolver..

 

Esta questão dos preços das reparações leva-me a outro problema, eu já tenho uma disputa com a atinformática que não sei como nem quando se vai resolver, já estive a ver, um monitor custa quase 90 Euros, e pelo que li, há muitos avariados, um teclado custa 39, e segundo a professora da R., há muitas teclas a saltar entre os computadores dos colegas dos meus filhos, uma motherboard custa 81 Euros, qual será a percentagem de pais que estão dispostos a pagar estas reparações? e mais quando a empresa que as faz tenta empurrar a culpa para os utilizadores e foge da garantia a sete pés.

 

Talvez eu esteja enganado, mas dada a fraca qualidade do material utilizado, eu diria que lá para o fim das férias uma larga maioria dos Magalhães estará impróprio para consumo, sendo que a maioria dos pais não estará disposto a pagar estes valores e mais quando as condições das escolas e a fraca vontade de alguns professores, faz com que não se veja utilização prática dos mesmos para mais que o já famoso jogo do pinguim.

 

Resumindo, continuo a achar que os largos milhões de Euros utilizados neste programa poderiam ter servido para melhorar em muito as condições das nossas escolas, o programa deveria ter sido restrito  às crianças cujos pais não tinham condições para terem computador em casa, o estado escusava de armar toda a trapalhada que armou com ajustes directos e fundações privadas com dinheiros publicos, poderia ter sido utilizado muito menos dinheiro em computadores com um nível mínimo de qualidade em lugar de financiar brinquedos caros para os filhos da classe média que até já tinham computador em casa.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:26


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