Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Apadrinhamento civil e adopção

por Jorge Soares, em 11.11.10

Apadrinhamento e adopção

 

O apadrinhamento civil nasceu há um ano atrás, ante a impossibilidade de fazer a justiça, a segurança social e o acolhimento funcionar a uma só voz e em prol dos benefícios das crianças, o Estado decidiu tirar um coelho da cartola, uma solução que fica a meio entre o acolhimento familiar e a adopção, que não é nem carne nem peixe e que supostamente deveria funcionar como a solução milagrosa para esvaziar os centros de acolhimento.

 

Vamos lá esclarecer umas coisas, em primeiro lugar e ao contrario daquilo que podemos ler na comunicação social, isto não é adopção, adoptar é ter um filho, nosso..e só nosso, um filho que leva os nossos apelidos, que é criado por nós segundo os nossos princípios,  as nossas ideias, as nossas crenças. Apadrinhar não é isso, nem tem nada  a ver com isso. Acreditem em mim, quem adopta é egoísta e não quer partilhar os seus filhos com ninguém, muito menos com famílias biológicas. Conheço muita gente que já adoptou ou que quer adoptar, até hoje, não encontrei uma única dessas pessoas que estivesse disposta a apadrinhar uma criança nestas condições.

 

Depois há muitas coisas por explicar, é suposto ser uma medida definitiva, a criança é entregue a alguém que passa a ser a nova família, mas o que acontece se um dia a família biológica decidir que quer o seu filho de volta?, como se vai gerir o conflito?, o que acontece se simplesmente a nova família decide ir viver para outra cidade, ou para outro país, não pode?, como se garante o acesso da família biológica à criança? colocam um processo em tribunal a exigir que o filho fique?.. mais processos em tribunal? Há muitas perguntas sem resposta, além disso devemos recordar que estamos a falar de crianças que foram retiradas muitas vezes à força a famílias disfuncionais... não precisamente de pessoas normais e cumpridoras da lei..se o fossem as crianças não estariam entregues ao estado.

 

Curiosamente esta semana o apadrinhamento foi noticia em toda a comunicação social, será que o foi porque alguém se fez estas perguntas?, algum jornalista leu a lei e decidiu questionar sobre tudo isto? Claro que não, foi noticia porque alguém se lembrou de que a lei não diz explicitamente que os casais de pessoas do mesmo sexo não podem apadrinhar. E claro, apareceram logo os arautos da defesa da moral e dos bons costumes a iniciar uma nova cruzada em favor das pobres crianças que vão ser obrigadas a levar com dois pais ou duas mães... É o país que temos, com tantos buracos na lei.. eles só viram o mais pequeno de todos. Raio de gente.

 

No meio de tudo isto achei engraçado que há quem pense que isto só funcionaria se o estado pagasse o serviço aos padrinhos... então e porque não pagar a quem adopta?... e a todos os pais? ou ser padrinho é mais difícil que ser pai?

 

Jorge Soares

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:46

Adopção

 

Sei que há muita gente que se pergunta porque é que ainda não falei do caso da Alexandra, a menina que foi com a mãe para a Russia,  os temas familia de acolhimento e adopção são recorrentes no blog e ao contrario do que já alguém comentou, este caso não me passou ao lado.

 

Ando há uns dias para pegar no assunto, ainda não o fiz por vários motivos, um dos quais foi a troca de comentários em que participei no Cheiro a  Pólvora e que me deixou a Pensar, a Carla Cruz, acusou-me de estar a defender as famílias adoptantes  e não as crianças... ora, isto é algo grave, e tive que ler, reler, olhar para trás e pensar. Não me parece que isso seja verdade.

 

Durante estes dias tenho lido e até comentado vários posts que falam do assunto, tirando o post de hoje do Cocó na Fralda, a maioria das pessoas limita-se a criticar a decisão do juiz, eu também critico, a lamentar que a criança tenha sido entregue à mãe, eu também lamento, e a achar que a criança devia ter ficado com a pretensa "família de acolhimento"... ora, aqui está a parte em que discordo completamente.

 

Para começar, aquele casal não é uma família de acolhimento, as famílias de acolhimento recebem as crianças da segurança social e são controladas por esta, esta criança foi entregue ao casal por um amigo da mãe, ninguém explicou porquê, ou a troco de quê, simplesmente foi-lhes entregue.

 

Isto só por si constitui uma ilegalidade, as crianças não podem ser simplesmente entregues a pessoas, não é o caso, mas e se em vez de a tratarem bem, eles a maltratassem?, ou a vendessem, ou ela simplesmente desaparecesse?, afinal, ninguém sabia que ela estava com eles, tudo foi feito às escuras e contra a lei. 

 

Vamos lá ver, eu não digo que a criança não estava melhor com eles que com a mãe, de certeza que estava, o que eu digo, é que não podemos permitir que este tipo de coisas aconteça, porque estabelece uns péssimos precedentes, se este tipo de coisas passar a ser legal, vamos ter muita gente que em lugar de adoptar, vai passar a ir ali à esquina, arranja alguém que lhe trafique uma criança, ou que rapte uma para si, ou vai ao Brasil e numa das favelas compra um bebe, ou.... depois, basta esperar uns anos, ir ao tribunal e chamar a comunicação social para fazer uma telenovela, já vimos isto várias vezes... veja-se o caso Esmeralda que é exactamente igual a este.

 

Queremos ter um sistema paralelo de adopção em Portugal com compra e venda de crianças?, se a resposta é sim, avisem-me, que eu desisto já do meu processo de adopção e vou ali à esquina arranjar uma criança.

 

Acho que já contei isto aqui, quando estava no meu primeiro caso de adopção, alguém me tentou convencer a entrar por um esquema destes, alguém que até estava em posição de me arranjar uma criança, alguém que me tentou convencer que ir por esses caminhos era muito melhor que estar anos à espera para adoptar. Evidentemente, fiz-me o desentendido e passei a evitar essa pessoa, a vida dos meus filhos tem muito valor para mim como para os fazer passar por esquemas destes.... Sim, estou a falar a sério, este tipo de coisas acontece mesmo...e muito mais vezes que aquelas que queremos aceitar.

 

Portanto Carla, eu não olhei para o lado, também a mim me marcaram as lágrimas da Alexandra, também a mim me chocou a atitude parva da mãe a bater na criança na televisão, também a mim me chocam estas coisas, só que eu acho que o que se está a fazer, todos estes pedidos para mudar a lei, todo este barulho em favor das familias de acolhimento, é de quem não está por dentro das coisas, de quem não viu todas as perspectivas.

 

Estas coisas só vão mudar quando a segurança social passar a fazer realmente o seu papel, quando as leis forem cumpridas e as crianças deixarem de passar anos em acolhimento quando existe um tempo máximo para isso na lei, quando os juizes deixarem de dar primazia à família biológica, quando os centros de acolhimento fizerem o seu trabalho como deve ser.....e claro, quando as pessoas deixarem de entrar em esquemas para ter filhos que afinal não são seus.

 

Entetanto, em nome da Missão criança e após uma troca de mails com o Rui Martins colaborei na elaboração do texto  de uma petição online que diz o seguinte:

 

Por uma alteração legislativa que impeça que as crianças estejam mais de 6 meses em famílias de acolhimento e que, logo, os Tribunais não as retirem a estas ao fim de vários anos

 

Por favor vão lá assinar, é aqui:

 

http://www.gopetition.com/online/28059.html

 

Jorge Soares

PS:Agora podem bater à vontade, é para isso que existe o blog, para trocar ideias, e há muita gente com ideias.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:27

Ainda a adopção em Portugal

por Jorge Soares, em 30.03.09

Adopção de crianças

 

Este mês vou saltar o meu post sobre a nossa espera, o nosso processo foi a semana passada para Cabo Verde e  diz a minha meia laranja que lá para fim do Verão, devemos ter por cá um novo membro da família. Eu não sou nada de criar expectativas, prefiro limitar-me a esperar.

 

Entretanto, no meu post sobre a adopção por homossexuais, tive um comentário que entendo merece um post como resposta. A maioria das pessoas não sabe como realmente são as coisas, e um dos objectivos deste blog, também é tentar esclarecer. Vamos lá por partes, diz a Saia Justa o seguinte:

 

"Desculpa meter a colherada, mas deparei-me com este post e não resisti."

 

Não desculpo nada, agradeço, porque eu gosto de comentários!

 

"Primeiro, a questão da adopção em Portugal é complexa hipocrita e preconceituosa...." 

 

Na verdade, o processo de adopção é bem simples, é responder a um questionário, participar em 3 reuniões com assistentes sociais e esperar. Não é nada burocrático e até é bastante simples. Os processos não são hipócritas ou preconceituosas, as pessoas é que são, principalmente as pessoas que fazem parte da segurança social, mas também muitos dos candidatos.... por muito que eu respeite as opções e decisões de cada um.

 

"......

Existem listas de espera para adopção em Portugal de mais de 5 anos.

A burocracia é tanta que existem casais que optam por países da Ásia e Africa. Em Portugal não se pensa primeiro nos interesses da criança que deveria ser o objectivo mas nos “papeis” e nas (cunhas.) Sim cunha porque para alguns é tão fácil.."

 

Ora lá está, não existem listas de espera na adopção em Portugal, existem é pessoas que esperam muito tempo por uma criança. Uma lista de espera implica que alguém tem um número e tem que aguardar a sua vez... e isso é algo que não existe.  Existe um mito de que existe uma lista nacional de candidatos e uma lista nacional de crianças, mas acreditem isso é um mito, na realidade cada distrito continua a tratar dos seus candidatos e das suas crianças e por vezes quando tem crianças que não se adeqúem aos candidatos do seu distrito, então enviam a informação para os outros distritos... mas isso é por vezes, porque como vimos noutro comentário ao mesmo post que já referi, existem em Setúbal 3 crianças para as que supostamente não há candidatos e existem em Lisboa candidatos que supostamente aceitariam essas crianças...mas nem em Setúbal sabem dos candidatos nem em Lisboa sabem das crianças... logo, não existe lista nenhuma, o que existe sim é muito desleixo e ineficiência.

 

Quanto às cunhas e demais esquemas,... prefiro nem me pronunciar..afinal estamos em Portugal.

 

 

"Da parte dos pais adoptantes existem também vários requisitos que para quem faz questão de adoptar por amor não fazem sentido. Tais como olhos da cor X raça Y e idade W."

 

Ora aí está um tema polémico.... eu sou da opinião de que simplesmente as pessoas não deveriam poder escolher nada, quem queria adoptar adoptava, sem escolhas, sem preferências, sem nada. Era proposta uma criança, aceitava ou não.. ponto final. O principal motivo para que as pessoas tenham que esperar anos e para que existam crianças para as que nunca se encontra pais é precisamente esse, as escolhas.

 

"Também me parece estranho, que a um familiar directo (no caso de morte dos pais da criança) não se possa propor à adopção. Assim como não pode quem recebeu a criança como família de acolhimento. Estes últimos, porque se considerar ter feito uma prestação de serviços e ter sido remunerado para o fazer."

 

Na verdade as crianças só vão para adopção se não existir algum familiar que as queira, antes de determinar que o projecto de vida de uma criança é a adopção, o tribunal pergunta sempre à família alargada se não existe alguém que fique com ela.... e só no caso de ninguém da família a querer, é que vai para adopção.

 

Quanto às famílias de acolhimento, já debati isso aqui várias vezes, mas vou-me repetir.

 

1-As crianças que vão para acolhimento são crianças cujo projecto de vida não passa pela adopção. São crianças para as que o tribunal entende que deverá ser mantida a ligação com a família biológica.

 

2-As familias de acolhimento não podem adoptar porque em primeiro lugar o acolhimento é uma profissão, as famílias de acolhimento recebem mais de 500 Euros por mês por cada criança que acolhem, em segundo lugar, para adoptar é necessário passar pela avaliação, coisa que não acontece com as famílias de acolhimento. Em terceiro lugar, o acolhimento não deve ser utilizado como uma forma de saltar o processo e a espera,..e as famílias  de acolhimento sabem tudo isto quando se propõem a acolher crianças... principalmente a parte em que se diz que aquelas crianças nunca poderão ser seus filhos... a mim custa-me entender as telenovelas que de vez em quando se armam à volta disto.

 

"Portugal trata muito mal as nossas crianças e a adopção é só uma das muitas realidades do pouco caso que por cá se faz ao nosso futuro, sim porque as crianças são o nosso futuro. E para agravar existem as tais (assistentes sociais) , que nem sim nem nim.. Na hora da verdade nunca sabem nada viram nada e a culpa morre sempre solteira."

 

Sim, Portugal trata muito mal as nossas crianças, o estado recebe as crianças ao seu cuidado e esquece a sua existência, ninguém sabe quantas crianças há institucionalizadas, ninguém sabe quantas tem projectos de vida, ninguém sabe se as instituições cumprem ou não as regras, ninguém se preocupa em fazer com que se cumpram as leis. Existem muitas instituições das que nunca saiu nenhuma criança para adopção, existem instituições que não informam o estado do abandono das crianças pelos pais. Ninguém sabe nada e ninguém parece preocupar-se minimamente.

 

Bom, quase ninguém, porque acaba de nascer a associação Missão Criança que tem como objectivo precisamente esse, as crianças que estão esquecidas pelo estado Português.. mas isso é algo de que já falarei.

 

Desculpem lá se me repeti, mas falar e esclarecer, nunca está demais.

 

Jorge

PS:Imagem retirada da internet

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:33

Adopção

 

Na Quarta feira eu li esta noticia , no DN, de imediato me lembrei do caso Esmeralda e de tudo o que andou à volta. Hoje, este post da  Sónia, levou-me a este Post do Luis Castro.

 

É claro que estes casos são muito tristes, como o resto do mundo eu estou indignado, mas ao contrario do resto do mundo, a mim o que me indigna não é o funcionamento da justiça, que ao contrario do caso Esmeralda por exemplo, aqui cumpriu o seu papel. Convém dizer que na noticia que eu li na edição em papel do DN dizia que a senhora tinha sido chamada à segurança social duas vezes e não se tinha apresentado... e então, a juíza decidiu jogar pelo seguro e tomou medidas... não fora a senhora fazer o mesmo que a outra e simplesmente desaparecer com a criança.

 

A mim o que me deixa indignado é o mau funcionamento da segurança social, que deixou que uma situação de acolhimento que deveria ter durado no máximo 6 meses se estendesse por 3 anos.... o que me indigna é que demorem 3 anos a definir o projecto de vida de uma criança, que se tivesse ido para adopção no prazo legal, agora não estaria a passar por isso.

 

É claro que não conheço as pessoas... mas vou deixar aqui, um post que escrevi em Novembro de 2007 sobre famílias de acolhimento. Devo dizer que mais de um ano depois, este é o post que mais visitas tem de todo o blog.

 

 
O que é uma família de acolhimento
 
Devo começar por esclarecer que tenho dois filhos, um  adoptivo e outro  biológico. Passei portanto por um processo de adopção e conheço muitas pessoas que adoptaram, sei portanto como pode ser complicado, doloroso e por vezes humilhante todo o processo.
 
Há uns 5 ou seis anos atrás, estive numa reunião promovida pela governadora civil de Setúbal em que estavam famílias adoptantes, casais candidatos à adopção e famílias de acolhimento, cada um contou a sua historia  e no fim a Sra. Governadora tirou as suas conclusões que seriam utilizadas na discussão da nova lei.
 
De tudo o que ouvi, retive algumas coisas, em primeiro lugar os processos de adopção eram complicados, não era só o nosso, era assim em 95% dos casos. Em segundo lugar, fiquei com a ideia que as famílias de acolhimento que ali estavam tinham optado por essa via com a esperança que isso lhes abrisse as portas para uma futura adopção. Aliás, uma das senhoras que ali estava confessou isso mesmo, que se tinha candidatado para família de acolhimento porque não reunia todas as condições necessárias para adoptar e tinha a esperança de poder ficar com a criança que lhe tinha sido entregue.
 
Mas afinal o que é uma família de acolhimento? vejamos o que diz a lei:
 
Decreto- Lei n.º 190/92 de 3 SET
 
O QUE É?
 
O acolhimento familiar é uma prestação de acção social que consiste em fazer acolher transitória e temporariamente, por famílias consideradas idóneas para a prestação desse serviço, crianças e jovens cuja família natural não esteja em condições de desempenhar a sua função socio-educativa .
 
Retirado de:
http://www.pcd.pt/biblioteca/imprimir.php?action=completo&id=27&id_doc=40&id_cat=11
 
Chamo a atenção para a parte donde diz, transitória e temporariamente, ora, o que acontece é que as crianças são entregues às famílias de acolhimento e depois tanto a segurança social como as famílias se esquecem da parte do provisório, e todo o mundo espera que seja definitivo. Ora, se é para ser definitivo, a criança deve ser encaminhada para a adopção, para as famílias que passam pelo processo e que são avaliadas e aprovadas como candidatos idóneos.
 
Do meu ponto de vista, se passado um ano a família biológica não se mostra capaz de acolher os seus filhos, então as crianças devem ser encaminhadas para a adopção, ponto final. Deixar uma criança seis anos numa situação transitória e temporaria é um crime, até porque mais tarde ou mais cedo isto pode acontecer.
 
Por outro lado, aquela família tinha plena consciência de que a situação era transitória e que isto poderia acontecer, aquela criança não lhes tinha sido entregue em adopção, eles eram família de acolhimento, portanto não percebo porque aquele papel de coitadinhos e tanto barulho na comunicação social. E eles sabiam que não podiam adoptar aquela criança, simplesmente porque ela não estava para adopção.
 
Lamento se estou a ser injusto com alguém, mas a verdade é que há sempre outro ponto de vista, este é o meu.
 
 
Como dizia na minha resposta ao Luis no Cheiro a Polvora, esperei 4 anos para adoptar o meu filho e adoptei uma criança de cor e com problemas de saúde, neste momento estou no segundo processo de adopção e além de ter de repetir todo o processo de avaliação, dizem-me que tenho que esperar mais uns 4 anos para uma criança até aos 6 anos sem descriminação de raça.

Este casal terá esperado uns meses, e receberam um bebe branco e saudável, o sonho de 95 % das pessoas que querem adoptar. É evidente que sabiam que era só por seis meses... mas as pessoas jogam com a incompetência e o desleixo da segurança social...e depois, quando são chamadas a entregar a criança, já seja porque vai ser devolvida à família ou porque finalmente vai para a adopção.... não aparecem e quando a criança é finalmente retirada...chamam a comunicação social e é o que vimos aqui. Há muita gente que vai pelo mundo e em lugar de ir pela estrada segue os atalhos... é por isso que à partida as pessoas são informadas que não podem adoptar.... para que saibam que o acolhimento não pode ser um atalho para a adopção.
 
Jorge

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:31

Como o governo aposta no modelo errado

por Jorge Soares, em 10.09.08

Crianças

 

Como estou com mais tempo tenho estado com alguma atenção aos logs do blog, nos últimos dois dias tive algumas dezenas de entradas de leitores que chegaram até aqui desde o google pesquisando por familia de acolhimento ou por adopção. Por norma isto acontece cada vez que algum destes temas está em destaque nos meios de comunicação, esta vez não foi a excepção, além de um programa na RTP sobre centros de acolhimento, encontrei esta noticia.

 

Não vi a reportagem na RTP, mas a noticia da Rádio Renascença chamou-me a atenção, porque do meu ponto de vista, o governo está a apostar e a gastar dinheiro no modelo errado, está-se a apostar no problema e não na solução.

 

Até 2006 existiam em Portugal 15000 crianças depositadas em centros de acolhimento, e o ritmo de crescimento era de aproximadamente 1000 por ano, desde o ano passado a segurança Social fala de  11000 sem que ninguém tenha explicado o que aconteceu ás restantes. 

 

Certo é que o país tem institucionalizadas milhares de crianças, destas, aproximadamente 1000 tem como projecto de vida a entrega para adopção, as restantes tem como projecto de vida o limbo das instituições. O estado vai gastar entre 12 e 15 milhões de Euros para reforçar este modelo, um modelo em que as crianças são entregues ao estado e ficam esquecidas, em que as crianças passam toda a sua vida nos centros de acolhimento, sem direito a uma família e sem direito a sonhar. Será isto o que queremos para as crianças?

 

O modelo dos centros de acolhimento tal como está é completamente errado, porque as crianças ficam perdidas em instituições que não se preocupam com definir projectos de vida, instituições que recebem muito dinheiro por cada criança e portanto não tem interesse em que estas saiam.

 

Diz a noticia que as crianças ficam institucionalizadas até um ano, talvez fiquem até um ano nos centros de emergência, a verdade é que há milhares de criança que vivem institucionalizadas toda a sua vida e só saem dos centros quando são adultos. Entretanto há milhares de candidatos à adopção que esperam e desesperam por uma criança.

 

O estado deveria apostar em definir o projecto de vida de cada uma das crianças que tem a seu cargo e através disto no encerramento de centros de acolhimento. Reforçar a rede de centros de acolhimento sem apostar nos projectos de vida das crianças e sem se preocupar em que estas tenham uma família é uma aberração.

 

Quantas famílias carenciadas poderiam ser ajudadas com estes 15 milhões de euros?

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:43

Adopção:Respondendo a um comentário!

por Jorge Soares, em 05.05.08
Adopção

Segundo o  Analitycs do google , o que traz mais pessoas a este blog são os posts sobre adopção e famílias de acolhimento. Costumo falar do tema porque é algo com que lido no meu dia a dia, sou pai biológico e adoptivo, sei que é um tema complicado, que as pessoas se sentem sozinhas, que não tem informação e que muitas vezes precisam de falar, de ouvir, e de ser ouvidas...eu sei, passei por isso e portanto sei como é.

Quanto às famílias de acolhimento, é um tema que não me agrada muito... porque para ser sincero não me agrada o conceito..apesar de achar que muitas vezes faz sentido....e que se calhar em muitos casos é o melhor para crianças sem perspectivas de irem para adopção.

Esta semana recebi um comentário a este post que é de 18 de Fevereiro, na realidade foi uma resposta a um comentário de uma amiga...  e diz assim:

"Desculpe mas não concordo consigo a pais biologicos k amao os seus filhos nao teem a culpa de nascerem pobres por isso e k a seguranca social os tira aos pais biologicos para os levarem para as instituicoes para serem adoptados.isto e a nossa justica em portugal k é bom so para as pessoas k teem dinheiro.E estao a sofrer por estarem longe dos seus filhos."

Vamos lá ver:

1- Em Portugal não se retiram filhos a famílias por estas serem pobres, retiram-se filhos por negligência e maus tratos, e isso não tem nada a ver com pobreza, apesar de irem muitas vezes de mão dada.

2-Quem retira os filhos aos pais biológicos não é a Segurança Social, são os tribunais, a segurança social sinaliza as crianças,... muitas vezes tarde e a más horas... como sabemos por vários casos com fim muito triste.

3-Mesmo que uma criança seja retirada a uma família , basta alguém aparecer uma vez cada 3 meses, mesmo que seja um simples telefonema, para que essa criança  NUNCA, vá para adopção.... e isso muitas vezes significa que a criança esteja institucionalizada até aos 18 anos.... infelizmente... porque qualquer criança está melhor com uma familia que tenha amor para lhe dar que num centro de acolhimento.

Agora, retirem as vossas conclusões!


Jorge
PS:Imagem retirada da Internet

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:45

O lobo mau e a "drograda"

por Jorge Soares, em 09.12.07

Ao passar pelo site do DN, deparei-me com este artigo da Fernanda Câncio , que recomendo vivamente a todos.

 

Desde o inicio do caso Esmeralda que eu estive contra a corrente, eu sempre achei toda a historia muito mal contada e continuo a achar que a comunicação social deste pais fez, e continua a fazer, um péssimo trabalho. Ao invés de informar tentou formar uma opinião completamente parcial sobre o assunto.

 

Sobre este assunto tive enormes discussões já seja pessoalmente ou no grupo de mail donde se trata o tema adopção em que costumo participar. Desde o primeiro momento eu achei que deveriam entregar a criança ao pai, e por vários motivos a saber: Em primeiro lugar, porque a lei deve ser para se cumprir, se há uma ordem do tribunal, esta deve ser cumprida, porque caso contrario, é a anarquia.

 

Em segundo lugar, porque acho que a adopção é um assunto muito serio, para alguém poder adoptar uma criança, deve haver todo um processo de avaliação, não podemos ir simplesmente à esquina trazer uma criança e ficar com ela, caso contrario isto torna-se simplesmente num negocio e breve estamos a escolher as crianças pela fotografia na internet.

 

Em terceiro lugar, porque há medida que ia lendo mais coisas sobre o caso, toda a historia ia ficando mais mal contada, e nem vou dizer aqui o que acho que aconteceu...porque eu acho mesmo que todo este caso é um caso de policia.

 

Com respeito a este ultimo caso da Iara , não me vou repetir, leiam por favor o meu post O que é uma família de acolhimento publicado há uns dias atrás.

 

Retirei o titulo do post do artigo do DN, chamou-me a atenção porque efectivamente é assim que o país vê este dois pais que tiveram a ousadia de tentarem fazer valer os seus direitos, somos um país com um povo mesquinho, que adora colocar rótulos nas pessoas, muitas vezes nem sabemos do que estamos a falar, e quando somos confrontados, mostramos a nossa ignorância e resolvemos a questão com, mas foi assim que disseram na televisão, acreditem eu ouvi esta resposta mais que uma vez, quando falava deste assunto.

 

Jorge

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:09

O que é uma Familia de acolhimento?

por Jorge Soares, em 30.11.07

Hoje fui confrontado com esta noticia do Publico, devo começar por esclarecer que tenho dois filhos, um é adoptivo e outro é biológico. Passei portanto por um processo de adopção e conheço muitas pessoas que adoptaram, sei portanto como pode ser complicado, doloroso e por vezes humilhante todo o processo.

 

Há uns 5 ou seis anos atrás, estive numa reunião promovida pela governadora civil de Setúbal em que estavam familias adoptantes, casais candidatos à adopção e familias de acolhimento, cada um contou a sua historia  e no fim a Sra. Governadora tirou as suas conclusões que seriam utilizadas na discussão da nova lei.

 

De tudo o que ouvi, retive algumas coisas, em primeiro lugar os processos de adopção eram complicados, não era só o nosso, era assim em 95% dos casos. Em segundo lugar, fiquei com a ideia que as famílias de acolhimento que ali estavam tinham optado por essa via com a esperança que isso lhes abrisse as portas para uma futura adopção. Aliás, uma das senhoras que ali estava confessou isso mesmo, que se tinha candidatado para família de acolhimento porque não reunia todas as condições necessarias para adoptar e tinha a esperança de poder ficar com a criança que lhe tinha sido entregue.

 

Mas afinal o que é uma família de acolhimento? vejamos o que diz a lei:

 

Decreto- Lei n.º 190/92 de 3 SET

O QUE É?

O acolhimento familiar é uma prestação de acção social que consiste em fazer acolher transitória e temporariamente, por famílias consideradas idóneas para a prestação desse serviço, crianças e jovens cuja família natural não esteja em condições de desempenhar a sua função socio-educativa .

 

Retirado de:

http://www.pcd.pt/biblioteca/imprimir.php?action=completo&id=27&id_doc=40&id_cat=11

 

Chamo a atenção para a parte donde diz, transitória e temporariamente, ora, o que acontece é que as crianças são entregues às famílias de acolhimento e depois tanto a segurança social como as famílias se esquecem da parte do provisório, e todo o mundo espera que seja definitivo. Ora, se é para ser definitivo, a criança deve ser encaminhada para a adopção, para as famílias que passam pelo processo e que são avaliadas e aprovadas como candidatos idóneos.

 

Do meu ponto de vista, se passado um ano a família biológica não se mostra capaz de acolher os seus filhos, então as crianças devem ser encaminhadas para a adopção, ponto final. Deixar uma criança seis anos numa situação transitória e temporaria é um crime, até porque mais tarde ou mais cedo isto pode acontecer.

 

Por outro lado, aquela família tinha plena consciência de que a situação era transitória e que isto poderia acontecer, aquela criança não lhes tinha sido entregue em adopção, eles eram família de acolhimento, portanto não percebo porque aquele papel de coitadinhos e tanto barulho na comunicação social. E eles sabiam que não podiam adoptar aquela criança, simplesmente porque ela não estava para adopção.

 

Lamento se estou a ser injusto com alguém, mas a verdade é que há sempre outro ponto de vista, este é o meu.

 

Jorge

 

Dá-me a tua mão

 

Imagem retirada de :http://atuleirus.weblog.com.pt/

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:39


Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D