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ausência

por Jorge Soares, em 22.08.13

ausência

 

 Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Ausência

 

Um deserto sem água

Numa noite sem lua

Num país sem nome

Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero

Nenhuma ausência é mais funda que a tua

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 
Num fim de tarde no Jardim do Bonfim
Setúbal
Outubro de 2012
Jorge Soares

publicado às 17:17

Adeus ao Outono

por Jorge Soares, em 27.12.12

Adeus ao Outono

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Adeus

 

É um adeus ... 
Não vale a pena sofismar a hora! 
É tarde nos meus olhos e nos teus ... 
Agora, 
O remédio é partir discretamente, 
Sem palavras, 
Sem lágrimas, 
Sem gestos. 
De que servem lamentos e protestos 
Contra o destino? 
Cego assassino 
A que nenhum poder 
Limita a crueldade, 
Só o pode vencer a humanidade 
Da nossa lucidez desencantada. 
Antes da iniquidade Consumada, 
Um poema de líquido pudor, 
Um sorriso de amor, 
E mais nada

 

Miguel Torga

 

Uma solitária folha de cerejeira que resistiu mesmo até aos últimos dias do Outono.

Portalegre

Dezembro de 2011

Jorge Soares

publicado às 18:52

Uma pequena folha

por Jorge Soares, em 25.10.12

O Outono

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Tu eras também uma pequena folha 
que tremia no meu peito. 
O vento da vida pôs-te ali. 
A princípio não te vi: não soube

que ias comigo, 
até que as tuas raízes 
atravessaram o meu peito, 
se uniram aos fios do meu sangue, 
falaram pela minha boca, 
floresceram comigo.

 

Pablo Neruda

 

 

Desculpem lá mas hoje não me apetece mais que disfrutar da beleza das coisas, gosto do Outono..e das folhas caídas.

 

Setúbal, Outubro de 2012

Jorge Soares

publicado às 22:32

por Jorge Soares, em 30.08.10

Folha sobre os seixos no Portinho da Arrábida

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

 

Não fui, na infância, como os outros

e nunca vi como outros viam.

Minhas paixões eu não podia

tirar de fonte igual à deles;

e era outra a origem da tristeza,

e era outro o canto, que acordava

o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sozinho.

Assim, na minha infância, na alba

da tormentosa vida, ergueu-se,

no bem, no mal, de cada abismo,

a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,

da rubra escarpa da montanha,

do sol, que todo me envolvia

em outonais clarões dourados;

e dos relâmpagos vermelhos

que o céu inteiro incendiavam;

e do trovão, da tempestade,

daquela nuvem que se alteava,

só, no amplo azul do céu puríssimo,

como um demôno, ante meus olhos.

 

Edgar Allan Poe

 

Tradução de Oscar Mendes

 

Portinho da Arrábida, Setúbal

Janeiro de 2010

Jorge Soares

publicado às 20:25


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