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Helena e Teresa casadas uma com a outra

 

Li no Público, A Teresa e a Helena casaram (uma com a outra), li e ouvi muita gente, muitos arautos da desgraça  que achavam que esta união entre dois seres humanos que simplesmente querem seguir a sua vida com os mesmos direitos que todos  os demais, seria o fim do sagrado sacramento do matrimónio. Pois eu, heterossexual casado e pai de filhos, não sinto nada, minto, sinto alegria por elas, não as conheço de lado nenhum, mas consigo sentir a alegria daqueles momentos em que se faz justiça,  em que as coisas são como devem ser, nem mais, nem menos.

 

É claro que haverá muita gente com azia, toda aquela gente que previa o fim da instituição casamento, o fim das relações normais, o fim da família... mas a azia é algo que tem cura fácil, e o mundo segue, e o meu casamento seguirá como até aqui, tão válido como qualquer outro e tão moral e justo como o delas.

 

Hoje Portugal conseguiu provar  ao mundo que pode ser um país tão justo como outro qualquer, um país que sabe respeitar o direito dos seus cidadãos a serem iguais,  nem mais nem menos, só iguais, porque elas são iguais a mim, iguais aos meus filhos, iguais a ti...pronto, está bem, elas tem alguns gostos diferentes, mas quem não os tem?

 

Li no Ionline que vão continuar a lutar, agora querem adoptar, prevejo uma luta bem mais difícil, porque ao contrário do casamento em que uma lei fez tudo mudar, na adopção não é só de uma lei que se trata, na adopção é de pessoas que estamos a falar, pessoas que apesar de todas as normas e leis, decidem quem pode ou não ter filhos... mesmo que mudem esta lei parva que dá direitos com uma mão e os tira com a outra, ninguém muda a mentalidade retrógrada da maioria das pessoas deste país.

 

Ainda a semana passada uma mãe contava que as assistentes sociais lhe tinham dito que o facto de ela já ser mãe a mandaria para o fim da lista, porque os casais jovens e sem filhos  estão sempre primeiro, isto apesar de não existir lei nenhuma que diga tal coisa. Para a segurança social a única lei que conta é o livre arbítrio dos seus funcionários.

 

Sou a favor da adopção por qualquer pessoa com capacidade para amar e criar um filho, mas prevejo um caminho muito difícil para este ou outro casal homossexual. Terão que esperar 4 anos para poderem entregar a candidatura, mesmo que já vivam em união de facto há 10 anos, ninguém lhes vai aceitar a candidatura antes dos 4 anos de casadas, depois, e no caso de a lei já ter mudado, passarão muito tempo a ser avaliadas, quase de certeza serão aprovadas, e depois, estarão anos, 5, 6, 7.. os anos que forem precisos até desistirem ou atingirem o limite de idade e nunca adoptarão... É claro que irão perguntar, reclamar, apresentar exemplos de casais que se inscreveram depois delas... de nada lhes vai servir, porque em ultimo caso há a resposta tipo... a resposta que cala qualquer reclamação: a adopção consiste em encontrar os pais certos para a criança e não o contrário. .... acreditem gostava sinceramente de estar enganado, mas as mentalidades não se mudam por decreto.

 

Jorge Soares

publicado às 21:07

 Discriminação e preconceito

Imagem da internet

 

"O grande problema é que a maioria dos preconceitos têm por base a ignorância, o total desconhecimento do que verdadeiramente está por detrás de alguns estereótipos e acima de tudo uma grande falta de respeito pelo outro e total convencimento de que nós "os heterossexuais" é que somos os verdadeiros e merecedores de total respeito. E infelizmente isto não se passa apenas com a sexualidade! O que é diferente… é menor! Muitas pessoas só realmente entenderão algumas coisas se um dia tiverem alguém que amam verdadeiramente, por exemplo um filho, e este for alvo de preconceito, discriminação, ideias absolutamente estereotipadas… e cuidado… porque para ser alvo de tudo isto nem precisa ser homossexual, basta ser deficiente físico, mental… entre muitas outras coisas… 

 

 Infelizmente muitas pessoas continuam amarradas nos seus fantasmas (Uuuii que horror homossexual…. Ainda se pega!!!) que lhe foram incutidos socialmente e que nunca pararam para questionar e testar a validade dos mesmos. Mas enfim… ainda nos falta muito quando falamos de verdadeiro respeito pelo OUTRO!"

 

Telma Sousa no Blog Vila Forte

 

Como é bom de ver, este comentário foi feito a propósito da discussão sobre o casamento entre homossexuais, mas eu lembro-me de ter dito e/ou lido palavras muito parecidas com estas a propósito uma discussão muito diferente, mas que no fundo tratava do mesmo, discriminação. Foi há uns dois anos atrás quando no grupo de mail nós adoptamos se discutia o facto de haver muita gente que só quer adoptar crianças brancas e que se recusa sequer  a aceitar que uma criança é uma criança e todas merecem amor e carinho. Nessa altura senti que no fundo, era o meu filho que estavam a rejeitar, foi quando escrevi este post

 

Se há coisa que não suporto é a discriminação, seja ela do tipo que for, na altura fiquei irritado com o mundo, fora de mim. Toda esta discussão sobre família e casamentos já não me consegue irritar, hoje dei por mim a rir-me de alguns comentários no post do Vila forte, há argumentos que que só podem ser mesmo anedota, mas tudo isto me deixa muito triste, porque entre as parvoíces de uns e os argumentos mesquinhos de outros, pouco a pouco vou descobrindo que vivo num mundo muito mais conservador e virado para o seu umbigo que aquilo que eu podia imaginar e só me pergunto contra quê arremeterão a seguir.


Acho que foi Bretch que disse estas palavras:

 

Primeiro vieram buscar os Judeus,

não me importei, eu não sou Judeu

depois foram  os ciganos, 

não me importei, não sou cigano

Depois vieram buscar os comunistas 

Não me importei.

Não era comigo.

Quando vieram buscar os socialistas

Não me importei.

Não era comigo.

Quando vieram buscar, os padres, os homosexuais...

Não me importei.

Não era comigo.

Quando me vieram buscar a mim,

Já era tarde demais!, não restava ninguém para se importar!

 

Jorge Soares

 

publicado às 22:21


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