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Imagem da RTP

"Os trabalhadores eventuais são contratados ao turno e, quando fazem mais do que um ou dois turnos, podem ser contratados e despedidos duas e três vezes no mesmo dia” (retirado de aqui)

 

Segundo a mesma noticia esta situação mantém-se desde há pelo menos 25 anos, 25 anos? Há pessoas que se sujeitam a isto durante anos e anos?  

 

Eu consigo perceber que alguém se sujeite a algo assim por necessidade durante uns meses até arranjar um emprego a sério, mas durante anos e anos? Porquê? Estas pessoas pagam segurança social? Tem direito a férias, a subsídios de natal e de férias? Será que um dia terão direito a reforma? São muitas perguntas... 

 

Imagino que nada disto seja ilegal, mas como é que o estado permite tal coisa? Como é que uma empresa que é tão importante para o porto de Setúbal, para as empresas que o utilizam e até para a economia do país, pode funcionar há anos e anos sem ter o mínimo de funcionários para garantir o seu funcionamento?

 

Todos ouvimos falar dos funcionários em greve, mas será que realmente isto é uma greve? Afinal nenhuma daquelas pessoas tem emprego, para todos os efeitos são desempregados, se o contrato é feito e desfeito todos os dias, se não se apresentam ao trabalho não estão em greve, estão desempregados. É válido um pré-aviso de greve que se refere a pessoas que não são empregadas da empresa?

 

Tudo isto é no mínimo bizarro, pode ser legal, mas não é de certeza ético, não pode ser ético contratar e despedir dezenas de pessoas todos os dias e por um único dia. Se as leis o permitem então as leis estão erradas e alguém as devia mudar.

 

Hoje havia deputados do bloco de esquerda e do PCP entre os manifestantes que foram retirados pela policia da entrada do porto, percebo o objectivo de lá estarem, mas espero sinceramente que esse apoio se continue a manifestar sobre a forma de projectos de alteração à lei de modo a que no futuro nada disto seja permitido. Se não o fizerem então só lá estiveram para tirar vantagem política da luta dos trabalhadores.

Jorge Soares

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publicado às 22:05

Afinal para que serve esta greve dos pilotos?

por Jorge Soares, em 04.05.15

greve.jpg

 

Imagem de aqui

 

Vamos no terceiro dos 10 dias de greve, há pouco aquele senhor magrinho do sindicato dizia no telejornal que dos mais de mil pilotos, há uns 300 a trabalhar.... , no mesmo telejornal a TAP diz que se realizaram 70% dos voos.

 

Conclusão número 1 de quem não percebe muito do assunto, a TAP tem pilotos a mais, se em altura de greve consegue fazer 70% dos voos com um terço dos pilotos.... se calhar com um bocadinho de esforço e alguma organização, conseguia fazer todos os voos com metade dos pilotos... não?

 

Agora a sério, alguém me explica qual é mesmo o objectivo desta greve? Se bem me lembro a greve marcada para a altura do natal era contra a privatização, agora pelos vistos valores mais altos se levantam, os pilotos querem ter direito aos 20% da empresa que pelos vistos algures no passado lhes foi prometido... 

 

Assim de repente a simples vista o que parece é que para eles a privatização deixou de ser um problema, desde que lhes calhe a fatia suficiente do bolo... e 20% é uma fatia enorme, que seria evidentemente controlada pelo sindicato e pelos senhores que lá estão.

 

No fim esta greve só serve mesmo para terminar de afundar uma empresa que há muito que está ligada à máquina e para a que não restam muitas alternativas. Já seja este governo ou o que se segue, terá que ser feita a  escolha. Ou há alguém com muito dinheiro que pegue na empresa, assuma as dívidas e injecte o capital suficiente para a renovação da frota e tudo o mais que será necessário, ou obrigatoriamente vai haver uma cura de emagrecimento e aí se calhar os tais 300 pilotos que agora asseguram os voos até serão a mais... infelizmente com os pilotos irão também uma boa parte dos mais de 10000 empregados da empresa... 

 

Basta olhar para o que aconteceu recentemente na Itália, onde a Alitália que até era maior que a TAP, simplesmente foi deixada cair pelo governo Italiano... e só continua a existir porque chegou alguém (a Etihad Airways) com interesses e dinheiro suficiente para a fazer ressuscitar... Os senhores do sindicatos dos pilotos deveriam olhar menos para o seu umbigo e os seus interesses e mais para a realidade, está mais que visto que esta greve não os leva a lado nenhum, até porque o que eles pedem simplesmente não é realista, ninguém lhes vai dar 20 da empresa, nem agora, nem nunca.

 

Por último, alguém me explica como é que um sindicato tem dinheiro suficiente para pagar a uma só pessoa aqueles valores absurdos de que se fala nesta noticia?  

Jorge Soares

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publicado às 21:52

Manifestantes a caminho da Ponte 25 de Abril

 

Imagem do Público

 

A de hoje foi uma greve geral a meio gás que quase terminava em grande. Ao fim da tarde um grupo de manifestantes numa manobra bem pensada e melhor planeada, trocou a esplanada em frente da Assembleia da república pela avenida da ponte. Foi tal a surpresa que nem os repórteres televisivos conseguiram chegar a tempo de dar a noticia em directo, tal como uma boa parte da policia ficaram presos no caos do trânsito e quando lá chegaram já a coisa havia terminado.

 

Eu estava a ouvir as noticias pela rádio e dei por mim a torcer para que a iniciativa tivesse sucesso, lembrei-me de imediato das imagens de dezenas de camiões parados na entrada da praça das portagens, de uma fila a perder de vista de carros parados ao longo da autoestrada do sul e de filas de policias de choque preparados para levarem tudo à frente, sem grande sucesso diga-se de pasagem. Numa altura em que não havia Ponte Vasco da Gama nem Comboio na Ponte, o país esteve literalmente parado durante dois dias. Terá sido esse o momento de viragem e o fim do reinado de Cavaco Silva e do PSD por uns bons anos.

 

É curioso, mas fez precisamente 20 anos na passada segunda feira sobre aqueles dias que de alguma forma mudaram o país, foi a 24 de Junho de 1994 que tudo começou.

 

A julgar pelas fotografias que pude ver por aí, a maioria dos manifestantes que hoje tentaram recriar esse momento, não terá idade para se recordar desses dias, ou para na altura ter tido a noção da importância do que ali se passou, mas é difícil não estabelecer um paralelismo entre o momento político de 1994 e o que vivemos hoje em dia.

 

Hoje, tal como acontecia em 1994, há muita gente que apesar da crise, dos impostos, da insistência por parte do governo da maioria em ir por um caminho que só leva a mais pobreza e desemprego, que continua a encolher os ombros e a olhar para o lado como se não fosse nada com eles, gente que quase de certeza apesar de tudo vai voltar a votar nos mesmos de sempre e contribuir para manter tudo como está..

 

Na altura aqueles acontecimentos serviram para que muita gente percebesse que era necessário mudar de rumo, se calhar é de algo assim que estamos a precisar, de algo que realmente faça as pessoas acordarem... não faço ideia de quem terá estado por trás da tentativa falhada de hoje, mas fiquei realmente com pena que tenha falhado... talvez para a próxima.

 

Já agora, foi sem dúvida nenhuma uma acção muito mais útil e inteligente que o apedrejamento da polícia em que terminou a greve geral de 14 de Novembro.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:24

 

Imagem do Público

 

Alguém me deixou o seguinte comentário no Post "Quem se importa com os professores?":

 

"... a verdade, é que somos nós, os alunos de 12º ano, que vamos ficar extremamente prejudicados, porque uma greve a um exame de Português significa que todos os prazos vão ter que ser adiados, inclusive as datas de colocações na universidade e o início do ano lectivo para os alunos do primeiro ano de faculdade. Para não falar de que as próprias greves às avaliações já vão ser um enorme problema, porque os alunos devem ir todos a exame sem ter a nota, e depois? E aqueles que depois do exame feito descobrem que afinal não tinham nota e o exame é anulado? Esteve o aluno a perder tempo a estudar para um exame que não lhe vai contar para nada quando podia ter estado a estudar para outros?
Estas greves vão ser portanto, brincar com o nosso futuro, o futuro daqueles que são o próprio futuro da país."


Eu cheguei a Portugal em 89, vinha para entrar na faculdade, já ninguém se lembra mas o ano lectivo de 89-90 começou em Janeiro de 1990, foi sair do ano novo para as inscrições na faculdade, se não me engano quem corrigia as provas de acesso estava em greve e portanto não havia notas para ninguém .. nem entrada na faculdade... como era muito tempo sem fazer nada, arranjei emprego...  

 

Reparem, não estamos a falar de duas semanas de atraso num exame, estamos a falar de quase seis meses de atraso... se isso teve influência no meu futuro?, teve, é claro que teve, aqueles meses a trabalhar foram muito importantes para decidir o que queria fazer na vida.. e ainda hoje é isso que faço.... e sim, de Janeiro a Julho deram-se dois semestres nas faculdades, e não me lembro de ouvir queixas por isso.

 

Hoje ao ouvir os comentários de pais e alunos, quase todos contra a greve e contra os professores, dei por mim a pensar em como é estranha a vida.. as pessoas acham que adiar duas semanas um exame porque os professores decidiram lutar pelos seus direitos é um atentado ao seu futuro.. as pobres criancinhas ficam com os planos de estudo estragados... estiveram a estudar para nada....

 

Então mas espera aí, eles estão à semanas a estudar e só porque adiam o exame duas semanas ficam com a vida estragada... então mas o que estudaram nos últimos dias esvazia-se se o exame não for hoje?.. fantástico.

 

É incrível como neste país as pessoas olham para o lado e esquecem tudo quando se sentem prejudicadas, de repente parece que todo o mundo menos  os professores esqueceu o estado lastimável em que está a nossa educação. Falta de segurança nas escolas, excesso de alunos nas turmas, falta de materiais, falta de dinheiro para aquecimento, salas em que chove lá dentro por falta de manutenção, escolas com cartões nas janelas porque não há dinheiro para vidros, etc, etc, etc... Tudo isso passa para segundo plano quando as criancinhas do 12º ano não podem fazer o exame no dia que estava marcado... fantástico.

 

E hoje pelos vistos valeu tudo, como li algures professores a  vigiarem exames para os quais não estavam preparados ; colaborarem em ilegalidades sem fim..trancarem as portas das salas para os alunos não saírem..e outros não entrarem...começaram os exames com 15 minutos de atraso...houve tolerância de 40 minutos..foram para refeitórios onde estavam 70 alunos...alguns vigilantes eram formadores dos Cursos Cef, de culinária...coadjuvante não existia..falavam com os alunos para os incentivar a continuarem...não se lembraram que estavam a ignorar um principio básico...a equidade.


Pelos vistos basta as pessoas se sentirem atingidas para esquecerem que os problemas que existem na educação nos afectam a todos de uma forma ou outra, não, não são os professores os únicos a serem afectados, porque todos temos filhos, irmãos, sobrinhos, amigos, conhecidos... que ou são alunos ou professores e é o futuro de todos eles que está em risco e é por esse futuro que se fazem greves... onde anda a consciência cívica deste povo?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:42

Quem se importa com os professores?

por Jorge Soares, em 06.06.13

Quem se importa com os professores

 

Imagem de aqui 

 

Não, não sou professor, mas tenho ouvido e lido com algum espanto a forma como o ministro da educação, alguns pais e hoje até Cavaco Silva, olham para a greve que se anuncia nos dias dos exames nacionais.

 

Cavaco e o ministro Nuno Crato acusam os professores de utilizarem os alunos, e há um coro de gente que pede para que a greve seja noutra altura... noutra altura quando? Uma greve que não prejudique ninguém serve para quê? Para que quem faz greve perca um dia de salário? Se não se prejudica ninguém, qual o efeito da greve?

 

O presidente da República que parece que só acorda para vir defender o governo, vem dizer que não se podem utilizar os alunos, que "os estudantes não podem ser meios para atingir fins”, mas por acaso os professores tem algum outro meio para manifestarem o seu desagrado e indignação que não seja este? 

 

Gostava de ouvir Cavaco Silva falar das condições quase surreais em que se dão aulas em Portugal, das escolas sem dinheiro para reparações, sem dinheiro para fotocópias, do facto de haver escolas onde os alunos tem de levar o papel higiénico de casa, dos roubos e da violência que acontecem dentro e fora dos recintos escolares, de alunas que são violadas pelos colegas de 13 anos... era disso que queríamos ouvir o presidente falar, mas não, ele preocupa-se é em atacar quem utiliza o seu direito à greve para se defender dos atropelos deste governo... se é para isso, mais valia continuar mesmo calado!

 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:47

Violência em frente ao parlamento

Imagem do Público

 

aqui falei do assunto, faz-me confusão que ao contrário de todas as outras manifestações que ocorrem no país, as que ocorrem frente ao parlamento terminem sempre em violência. Há sempre quem dia que a culpa é da polícia, que está lá só para provocar, mas acho que esta vez foi muito claro quem provocou a quem.

 

Não faço ideia quem ou o quê estará por trás daquele grupo de idiotas que insiste em provocar a polícia até que esta responda, há quem ache que aquilo é um jogo eles derribam as grades para provocar, que é só um medir de forças sem objectivos,.... bom, acho que sobre isso também estamos conversados, ninguém desfaz uma calçada e atira pedras insistentemente à polícia só por desporto... sejamos claros, a ideia era mesmo provocar o suficiente para que acontecesse o que aconteceu, para ter motivos para dar largas ao seu afã destruidor.

 

Tenho o maior respeito por quem se se manifesta e mostra o seu desagrado pelas medidas do governo e pela situação do país, mas o que aconteceu ontem ao fim do dia excedeu todos os limites e não tem desculpa... 

 

Aquele final de manifestação, não só não teve nada a ver com o resto do dia, como fez esquecer completamente que durante o dia houve uma greve geral a que muita gente aderiu. No fim a ideia que passou para o mundo, e eu vi as noticias desde Madrid, é que a greve  teve pouca adesão e que terminou em violência.... aqueles senhores que atiraram as pedras fizeram sem dúvida nenhuma um belo serviço ao governo.

 

É claro que nada justifica a forma como a polícia resolveu o assunto, arremeter contra tudo e contra todos de forma cega e sem controlo, não pode ser a forma de actuar da polícia de um estado de direito... é evidente que aquela não era a forma de actuar, num estado de direito, numa democracia com quase 40 anos, isto não pode acontecer.

 

Se de um lado está um bando de idiotas que só ali está para causar confusão sem se importar com a situação do país e para prejudicar quem se manifesta de forma ordeira e sincera, do outro não pode estar um bando de fulanos enraivecidos que ataca de forma cega e por pura vingança.

 

Não pertenço a nenhum partido nem a nenhuma das plataformas que costumam convocar as manifestações, mas do meu ponto de vista estas manifestações tem que ser repensadas, isto não pode acontecer, quem se manifesta de forma ordeira não pode ser refém de um bando de idiotas que na sua maior parte nem faz ideia de porque ali está aquela gente toda..

 

A violência gera violência, e todos sabemos que se não se controla este grupo de gente que só quer armar confusão e se está a lixar para o resto, a próxima vez será pior e chegará o dia em que não haverá forma de controlar a situação e todos sairemos a perder.

 

É claro que quem elogía a forma de actuar da polícia só pode estar a gozar com o povo e é tão culpado como quem atira pedras... 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:38

A greve geral vista desde Madrid

por Jorge Soares, em 14.11.12

Grevista ferido em Valência

 

Imagem do El País 

 

Por uma daquelas coisas da vida, hoje dia de greve geral, estou em Madrid, e a verdade é que se não fossem as noticias na televisão, eu diria que aqui... "No Pasa nada!"

 

Ontem ao fim do dia havia um aviso no elevador do hotel a chamar a atenção para o dia de greve e a pedir desculpa antecipada por qualquer transtorno, aviso infundado, porque pelo menos que eu desse por ela, estava tudo a funcionar normalmente, desde o pequeno almoço à limpeza dos quartos.

 

Vim a um evento organizado por uma empresa de Software, evento no que estão a participar mais de 11 mil pessoas que chegaram de todo o mundo. A logística necessária para fazer funcionar um evento destes é como podem imaginar, gigantesca, dezenas de autocarros que funcionaram o dia todo, centenas de pessoas no evento para: limpeza, catering, serviços... e tudo funcionou exactamente como no dia de ontem.

 

Na ida para o Local do evento, no parque de feiras de Madrid, e no regresso ao hotel verifiquei que havia muitíssimos táxis na rua, havia dezenas à espera de clientes na saída do local do evento, vi autocarros dos transportes urbanos de Madrid e pareceu-me que a maioria do comércio estava a funcionar... é verdade que tanto o local do evento como o hotel no que estou são longe do centro.

 

Entretanto na televisão falam de muitos feridos, de dezenas de detidos e de uma participação de 75% na greve.... 

 

Acabo de ouvir na Sexta, um dos canais de noticias cá do sitio, que a greve em Portugal teve pouca participação.... que não é bem o mesmo que se diz no Público.

 

Agora vou ali jantar... algures para os lados do Santiago Bernabéu segundo entendi, já volto com mais noticias frescas.

 

Jorge Soares

 

Update: O jantar num restaurante do Paseo La Castellana, bem perto do estádio do Real Madrid correu muito bem, parece que há noticias de guerra civil perto das cortes cá do sitio... mas deve ser mesmo lá, porque no resto da cidade... NO PASA NADA!!!!

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publicado às 18:11

Porque não fiz greve?!

por Jorge Soares, em 24.11.11

Não queremos esta?, queremos qual?

 

Imagem do Público

 

Imagino que muita gente irá achar isto um contra-senso, eu que passo a vida a dizer que somos nós que devemos fazer as coisas acontecer, que não nos podemos calar, hoje, eu fui do contra e fui trabalhar.

 

Na verdade, não foi bem ser do contra, na empresa em que trabalho a adesão foi de zero por cento, não dei pela falta de ninguém. Não sei quais os motivos dos meus colegas, a greve não foi motivo de conversa, nem hoje nem durante os dias anteriores... mas vamos ao que ia:

 

Porque não fiz greve?

 

Em primeiro lugar porque acho que a empresa em que trabalho não merece que eu faça greve, é uma empresa Portuguesa que exporta 100% da produção, que se preocupa com os empregados, que paga religiosamente dois dias antes do fim do Mês, e que na maior parte dos 15 anos em que lá trabalhei até agora, pagou 15 e até mais salários aos seus empregados. Uma empresa que cumpre com os seus funcionários, com o país e com os clientes e que ia ser a única prejudicada com um dia de paragem.

 

Em segundo lugar, há muito que deixei de acreditar em sindicatos e em greves, acho que só há um lugar em que podemos fazer a diferença, é nas urnas.  Onde estava no dia das eleições  a maiora das pessoas que hoje fez greve?, porque não foram votar?...e se foram, porque é que os três partidos que governaram o país nos últmos 35 anos, somaram mais de 80% dos votos? De que serve ir para a rua fazer manifestações, fazer greves, atirar pedras à policia, tentar queimar repartições públicas, se depois temos 50% de abstenção e quem vai votar vota nos mesmos de sempre? Olhamos ali para a fotografia e pensamos, não queremos esta Democracia?, queremos qual?, mas se não vamos votar podemos aspirar a quê?

 

Depois há algo que não percebo nem vou perceber, qual o papel dos piquetes de greve?, se a greve é um direito, o não a fazer também o é, porque é que há pessoas que utilizam o direito à greve, muitas vezes o vandalismo a violência e até a destruição, para não deixar que outras pessoas  utilizem o seu direito a não fazer greve?.. que sentido tem tudo isto?

 

Eu não sou dos que acha que não há alternativas às medidas que anunciou o governo, há alternativas, não são é aplicáveis por quem está no poder, porque em primeiro lugar não acreditam nelas, em segundo lugar sentem-se com a legitimidade de quem foi eleito com maioria absoluta, e em terceiro lugar, tem as mãos atadas por um acordo que assinaram com quem vai cá meter o dinheiro..... 

 

Como eu vejo as coisas há tempos para tudo, e estes não são tempos para greves... lamento se desiludi alguém, mas antes isso que meter um dia de férias ou vir para a rua falar de greves em empresas que na realidade utilizaram subterfúgios para dar um dia de folga que vai ser trabalhado noutra altura. E, sinceramente, eu acho que faço mais pelo país aqui neste cantinho todos os dias, que não indo trabalhar um dia... e agora estou a ser convencido, eu sei.

 

Já agora, aconselho uma visão algo diferente da mesma coisa, é da Suspeita, aqui

 

Jorge Soares

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publicado às 22:49

No fim, a greve serviu para quê?

por Jorge Soares, em 24.11.10

 

Greve?.. para quê?

 

Imagem do Público

 

Não fosse porque estive mais ou menos todo o dia ligado às noticias e não daria porque hoje houve uma greve geral em Portugal, por onde passei era um dia normal, desde a Bomba de gasolina em Setúbal até ao café em Loures, passando pelo transito de um dia normal e pelas portagens da Brisa e da Lusoponte, tudo em funcionamento normal. Na empresa onde trabalho a aderência à greve foi de 0%.

 

Há muito que as greves, as gerais ou as outras, são coisas de funcionário público, assim como o são as tolerâncias de ponto e algumas outras coisas. Alguém que como eu trabalha no sector privado pensa duas vezes antes de aderir a uma greve. No meu caso, aderir a uma greve significa logo à entrada ter um dia de absentismo, na empresa onde trabalho um dia de absentismo significa que no ano a seguir, em lugar dos 25 dias de férias passamos a ter 22, para além disso, leva 50% do valor do prémio anual de produtividade, sendo que o resto fica ao critério do chefe... e está-se mesmo a ver que a maioria dos chefes gosta mesmo de quem faz greve não é?.

 

É claro que no meu caso eu dava de barato os 3 dias de férias, o dinheiro do prémio ia custar um pouco mais, que qualquer coisa que venha a mais e ajude a amortizar dividas sabe sempre bem... mas para isso tinha que acreditar que esta greve fazia algum sentido ou teria algum efeito. Eu teria aderido com todo o gosto, se ela tivesse acontecido há uns dois meses atrás, quando o governo se preparava para cortar a direito e o PSD para fazer de conta que era contra, agora, depois do orçamento aprovado e das medidas decididas, esta greve serve para quê?

 

Dizem os sindicatos que foram 3 milhões, diz o governo que não foram não senhor, e no fim eu fico com a sensação que tudo se resume a uma guerra de números, retirando todo o sumo dos números, não resta mais nada..,. porque o número de milhões que o país perdeu com tudo isto, ninguém conta, Euros, milhões de Euros.. não deve interessar para nada.

 

Esta greve faria sentido se daqui a uns meses quando forem as eleições, toda esta gente que fez hoje greve chegasse lá e mostrasse o seu descontentamento não votando nos culpados, PS e PSD, isso é que era uma greve de jeito...

 

Jorge Soares

 

PS: Na Autoeuropa a adesão foi de 98%... pelos vistos 4% de aumento é pouco.. depois estranhem que as empresas se querem mudar para outros paises

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publicado às 21:49


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