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Califa Tcham José 
 José Carlos Martins  Oscar

 

 Imagens do Público 

 

A reportagem do Público chama-se filhos do vento, já lhes chamaram portugueses suaves, podia chamar-se filhos da guerra, ou deixados para trás, ou .....

 

Hoje são adultos, tem vidas próprias, a suas próprias famílias, em comum tem todos a mesma origem, são filhos de militares portugueses que tal como dizia aquela canção dos delfins,  foram "Combater a selva sem saber porquê / e sentir o inferno a matar alguém / e quem regressou / guarda sensação / que lutou numa guerra sem razão... 


A maioria tem mais ou menos a minha idade, se a reportagem fosse sobre Moçambique quem sabe e algum deles não podia ser meu irmão, afinal o meu pai também lá esteve e também era um daqueles jovens que foram retirados do seu meio ambiente e enviados para o outro lado do mundo... sozinhos.

 

Cada um tem a sua história, há quem tenha dois e três irmãos, do mesmo pai ou de pais diferentes, e todos ficaram para trás quando esses pais voltaram a Portugal para seguiram as suas vidas esquecendo que deixavam para trás outras vidas.

 

Tal como diz alguém, eles são portugueses.. de sangue, mas não são, porque foram deixados para trás e com a derrota, esquecidos, agora são filhos de pai incógnito .. filhos da guerra.

 

É interessante ler os comentários, aqui, e ver como podem ser diferentes as perspectivas, dá para ver como passados todos estes anos ainda há feridas abertas, ainda há quem não perceba que nada daquilo fazia sentido e que o que estas pessoas querem é da mais elementar justiça,  eles não pedem nada, apenas querem saber quem são os seus pais.

 

Não vou aqui fazer juízos de valor sobre os pais destas pessoas, era bom que todos assumissem a sua responsabilidade... mas cada um tem a sua consciência e é a ela que deve apelar.

 

Eu acho que é uma excelente reportagem, e que fazem falta muitas mais reportagens como esta, porque tudo isto faz parte da nossa história e ao contrario do que tem acontecido nos últimos 40 anos, já é altura de assumirmos que as coisas aconteceram, as boas e as más.

 

Perguntei ao céu: será sempre assim? 
poderá o inverno nunca ter um fim? 
não sei responder 
só talvez lembrar 
o que alguém que voltou a veio contar... recordar... 
recordar... 
Aquele Inverno 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:25

Guiné às escuras

Imagem do Sorrisos sem Cor


"Someday perhaps the inner light will shine forth from us, and then we'll need no other light" Goethe

"A Guiné-Bissau é um país sem luz.


Menos de 1% dos guineenses tem acesso à energia eléctrica.


Para além desta dura realidade que deixa o país praticamente às escuras é preocupante o facto de não conseguirmos ver uma "luz" ao fundo do túnel para as muitas crianças que são vítimas de abandono e da falta de condições de saúde e que levam as suas jovens mães a não resistirem ao parto e a deixá-las sozinhas, frágeis e vulneráveis.


Apesar das dificuldades por que passam desde que nascem e de serem verdadeiras sobreviventes de um país que pouco ou nada tem para lhes oferecer, estas crianças têm "energia" de sobra.


Por todo lado podemos vê-las a correr nas ruas de terra vermelha, a jogar ao pega-pega e a brincar ao surumba-surumba.


Os seus brinquedos são inventados com peças que encontram aqui e ali, divertem-se empurrando pneus e fazem de qualquer roda um verdadeiro carro de corrida.


Aqui quase ninguém vê televisão, usa o computador ou tem acesso à internet.


Aqui a luz que vai brilhando é apenas a do sol que teima em nascer todos os dias.


Era nos olhos destas crianças que queria ver brilhar uma luz: a da alegria e da esperança num futuro melhor..."

 

Joana Cruz no Sorrisos sem Cor 

 

Vivemos tão centrados nas nossas coisas, no nosso mundo que temos tendência a esquecer que existem mundos para além do que conhecemos,  é difícil acreditar que em pleno século XXI, exista um país em que menos de 1% da população tem acesso a algo tão elementar como a energia eléctrica, mas a verdade é que esse país existe mesmo.  

 

Todos nós damos por garantidas muitas coisas, os nossos filhos não se imaginam a viver sem elas, nós não nos imaginamos a viver sem elas.. luz, água, telefone, televisão, internet,... tantas coisas..e há tanta gente que nunca as teve.

 

Tudo na vida é uma questão de perspectiva, todos os dias nos queixamos de que estamos mal, de que as coisas estão mal,  hoje quando lia o post da Joana dei por mim a sentir de novo o que senti quando fui buscar a minha filha a Cabo Verde, afinal nós temos tudo e era preciso tão pouco para fazer tanto por tanta gente.

 

Só indo lá, vendo, sentindo o que tem e não tem estes povos, conseguimos verdadeiramente entender termos como terceiro mundo e subdesenvolvimento e  perceber que afinal, nós somos uns privilegiados.

 

Por vezes precisamos de ver o mundo pelo olhar dos outros para nos situarmos na vida.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:29

Ainda a adopção em Cabo Verde

por Jorge Soares, em 17.04.11

Adopção em Cabo Verde

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Já passou um ano, a D. é a cada dia que passa uma miúda mais alegre e bem disposta, esteja em casa ou na rua, ela canta e dança o tempo todo. Para além disso, durante um ano não teve uma única constipação e com três anos é  de longe a mais arrumada, obediente e educada dos três.. mesmo tendo os outros 10 anos.... para uma criança que mudou de mundo de um dia para o outro, não podia haver melhor adaptação.

 

Durante este último ano foram muitos os mails que recebi de pessoas interessadas em adoptar em Cabo Verde, já aqui falei sobre os processos de adopção neste país, foi neste post cuja leitura recomendo, mesmo a quem não está interessado na adopção.

 

Cabo Verde adoptou a convenção de Haia a 1 de Janeiro de 2010, o nosso processo entrou em tribunal a 29 de Dezembro e por aquilo que vou sabendo, terá sido a D. a última criança a vir para Portugal. Com a adopção da convenção de Haia as regras de adopção irão necessariamente mudar, sendo que em principio iriam ficar muito parecidas com as que estão em vigor por cá.

 

Evidentemente tudo isto implica uma enorme reorganização a nível burocrática e de estruturas, basta recordar que no país não existe uma rede de acolhimento de crianças. Neste momento ninguém sabe muito bem como irão ficar as coisas, sei que durante o último ano foram vários os processos de casais portugueses que foram enviados pela autoridade central da adopção para as autoridades de Cabo Verde, processos que estarão em espera. 

 

Por conversas que tive com pessoas de equipas de adopção nacionais, sei que a segurança social não está consciente desta nova realidade, aliás, na sua maioria pouco sabem sobre a forma como se processa a adopção internacional em qualquer dos países.

 

De tudo isto, o meu conselho a quem pretende ir para a adopção internacional é, para além de contactarem a associação Meninos do Mundo, que pensem noutras alternativas, quando uma porta se fecha outras se abrem, esta semana podíamos ler no Sorriso sem cor um post sobre mais uma adopção na Guiné, e eu sei de  pelo menos duas adopções muito recentes em São Tomé. Este país tem a vantagem de que é de imediato decretada a adopção plena. Há ainda a hipótese de através da Bem Me Queres se adoptar na Bulgária, ainda que neste caso não seja um processo nada barato.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:25


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