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Conto - Não tenha pressa

por Jorge Soares, em 14.09.13

Não tenha pressa


Para Phillipe

 

Sinto decepcionar-lhe, mas não sou o mais sábio, tampouco o mais experiente. Gostaria de ter tanto mais para ensinar-lhe, mas, assim como todas as demais pessoas, sou limitado e imperfeito. E está tudo bem, pois isto é inevitável.

 

É inevitável que não saibamos, que tenhamos incertezas, que sejamos em vários momentos oprimidos pelas dúvidas e pelo medo.

 

Por isto, eu lhe digo: não tenha pressa.

 

Tudo se resolverá com o tempo, e, se não se resolver, é porque não tinha solução mesmo.

 

Se eu tivesse de lhe deixar um único legado, seria este conselho: não tenha pressa. Pois a vida é curta demais, frágil demais, insignificante demais. Hoje, está. Amanhã, não mais. Todos passamos e todos passarão, mas o tempo permanecerá seguindo adiante mesmo que não haja mais ninguém para computar os dias, meses e anos.

 

Não tenha pressa.

 

Viva cada instante e vivencie-os. É muito fácil ignorarmos as pequenas belezas cotidianas, enquanto miramos sonhos vindouros. O futuro está no futuro. Jamais chegará. É no presente onde nossas vidas se desenrolam. É no agora que nos encontramos e nos alegramos e sofremos. Por isto, não tenha pressa.

 

Sei que chegará a época na qual você será tomado por angústias do tamanho do mundo, quando seus objetivos parecerão inatingíveis e você chorará sozinho escondendo as lágrimas.

 

Alguns projetos realmente são irrealizáveis, mas não há como evitá-los e você só descobrirá isto na derrota. Não tema fracassar. São as perdas que concedem maior valor às vitórias. 

 

Não tenha pressa. Por mais que você caia, caia e caia, se você tiver paciência e determinação, fatalmente conseguirá se erguer e caminhar.

 

Hoje, você é tão pequenininho que até comer é um desafio. Este desafio será substituído por outros inúmeros, que sempre darão a impressão de serem muito maiores do que você. Não tenha pressa. Tente, erre, acerte. Aos poucos, você criará sua própria história e, ao olhar para trás, verá que tudo foi como teve de ser. Talvez até se arrependa de algo, mas terá de conviver com isto. Não se pode mudar o passado e, para muita gente, esta é a mais triste das verdades.

 

Não tenha pressa, pois a vida aparentará ser longa em vários momentos críticos. A chegada da idade adulta parecerá tardar demais. A tristeza parecerá interminável. O amor, que nunca virá. Que as dívidas são impagáveis. Todavia, você verá que tudo aos poucos entrará nos devidos lugares, que os medos eram ilusórios, que muito se resolve por conta própria, às vezes sem empreendermos esforço algum. Simplesmente ocorre.

 

Não tenha pressa e não desista. Muitos lhe dirão que não é possível, que você não foi feito para isto, que a vida não é assim. Você pode ouvi-los e se acomodar, passando o resto de seus dias remoendo migalhas. Ou você pode prestar atenção a mim e persistir, pois eu lhe digo que vale a pena e que o segredo está na persistência. Portanto, não tenha pressa.

 

Talvez, com o tempo, você consiga. Talvez não, mas está tudo bem também, pois assim é a vida.


Não tenha pressa, ou melhor, apresse-se.

 

Apresse-se para viver o hoje, para amar, para ser feliz, para beber todas as experiências e levá-las consigo na memória.

 

Apresse-se para descobrir quem você é, qual é a sua essência única, que o distingue dos demais, pois eu lhe asseguro, ninguém mais neste mundo é como você.

 

Apresse-se para ouvir, ver, ler, comer, conhecer pessoas, viajar, mergulhar de cara na vida e descobrir o que ela tem de melhor e de pior. Apresse-se para ter discernimento, possivelmente uma das qualidades mais essenciais.

 

Apresse-se para sorrir, pois a vida é fugaz como um relâmpago.

 

Apressar-se e não ter pressa não são oposições. Pertencem às nossas contradições humanas.

 

Deixo-lhe estes conselhos, mesmo sabendo que talvez você não os escute, mesmo que você venha a desconfiar que eu não esteja vivendo sob tais preceitos.

 

Então, um dia, você também terá um pequeno nos braços e desejará poupar-lhe de todos os sofrimentos e mágoas. Também se sentará e refletirá sobre uma porção de advertências, de admoestações, de ensinamentos. Também se sentirá impotente, como se estivesse tentando abraçar o ar.

 

Neste dia, você se recordará de mim.

 

Henry Alfred Bugalho

 

Retirado de Samizdat

publicado às 21:19

Conto: A Mulher do Alfaiate

por Jorge Soares, em 29.09.12

A Mulher do Alfaiate

Inspirado na pintura La costurera de Diego Velásquez


Armando se abaixou para pegar as chaves e creeeec, as calças se rasgaram de cima a baixo bem nos fundilhos. Naquela hora, ele amaldiçoou o fato de não ter cumprido a promessa de ir à academia para perder os quilos que ganhou depois de se casar. Algumas pessoas o olhavam, certamente avistavam a cueca azul através do rasgo.

 

Ele retirou o paletó e, segurando as mãos atrás das costas, tentou disfarçar. Embrenhou-se por algumas ruas menos movimentadas e se perdeu numa parte daquela vizinhança que desconhecia. Muitas casinhas residenciais, com muros baixos e cachorros bravos tentando atacar pelos vãos dos portões. Ele avistou o cartaz dependurado na fachada de uma delas:

 

Alfaiate

Ternos sob medida

Fazemos pequenos reparos


Como não havia campainha, Armando bateu três palmas:

— Ô, de casa!

Por entre as cortinas na janela, uma mulher fez um sinal para que ele entrasse.

Ele a encontrou costurando um vestido.

— O senhor pode aguardar um pouco? O meu marido já volta — o alfaiate ia pelas manhãs ao Centro para comprar material.

— Desculpa, mas tenho um pouco de pressa, estava a caminho do trabalho quando... — Armando se virou, mostrando o rasgo nas calças.

Ela riu, mas logo tapou a boca com as mãos.

— Vai, pode rir! Eu também estaria rindo se não fosse comigo — e ele tentou dar uma gargalhada, mas soou tão artificial que pensou que até poderia tê-la ofendido.

— Nisto eu posso dar um jeito, é só tirar as calças que resolvo num minuto.

Ele procurou por um provador, ou um banheiro, mas ali só havia cadeiras, uma mesa, a máquina de costura, linhas, alfinetes e outros instrumentos de alfaiataria.

— Não precisa ter vergonha, tire as calças.

 

Se estivesse diante do marido, o alfaiate, não seria tão embaraçante. Apenas três mulheres haviam visto Armando de cuecas: a mãe, a primeira namorada com quem ele perdeu a virgindade e a esposa. Se você já esteve na mesma situação que ele, tendo de tirar as calças diante de uma mulher totalmente desconhecida, deve entender como ele se sentiu. Armando virou-se de costas para ela, desafivelou o cinto e desceu as calças. Pelo reflexo da janela, percebeu que a costureira examinava-o. Muito constrangedor!

Sem se virar, ele estendeu as calças para ela.

— Agora, sente-se aí enquanto eu faço o reparo — e Armando obedeceu, cruzando as pernas como uma moça, para não exibir suas partes.

 

Lentamente, a costureira passou a linha na agulha e começou a coser. As mãos eram delicadas e brancas, o olhar sempre fixo no trabalho, a respiração suave. A vergonha de Armando começava a passar e, pela primeira vez, ele reparou como a costureira era bonita. Sua blusa tinha um decote grande e ele podia ver as alças do sutiã e uma medalhinha da Nossa Senhora sobre o seu colo. Uma recordação de infância: de sua mãe sentada na sala, diante da TV, costurando as suas meias; uma memória tão singela que Armando quase se levantou para abraçar a costureira. Dois anos que sua mãe morrera. Mas logo lhe ocorreu uma outra cena: ele enfiando a mão dentro daquela blusa, puxando os seios para fora e beijando-os, chupando-os, podia até escutar os arfar de excitação da costureira enquanto a outra mão buscava espaço por dentro da saia, pelo meio das pernas, puxando a calcinha para o lado e penetrando-a lentamente. Ela gemia, gemia, gemia, e Armando teve uma ereção.

 

— Pronto! — ela disse, entregando-lhe as calças, mas Armando não queria, não podia se levantar — Aqui está.

Ainda sentado, ele a pegou, e dirigiu-lhe os olhos desesperados.

— Não vai prová-la? Ou vai embora apenas de cuecas? — ela riu.

Sem mais opções, Armando se ergueu e a costureira pode ver o que ele ocultava. Ela recuou, assustada, como se visse uma surucucu ou uma jararaca no mato. Depois se virou, fingindo que arrumava a mesa.

Ele não disse nada, apenas se vestiu, deixou o dinheiro na cadeira e sumiu. Acredito que ele até corria, de tanto constrangimento.

 

No entanto, mais tarde, na hora de dormir, Armando voltou a pensar na costureira, no colo branco, nos seios dela, em seus dedos penetrando-a, em como ele a segurava nos braços, levava-a para um quartinho nos fundos daquela casa, e transavam como cães, de quatro, ele puxando-lhe os cabelos enquanto ela encarava-o com o canto dos olhos e lambia os lábios. A esposa de Armando dormia ao seu lado, quase uma estranha para ele nestes últimos anos, com quem não conseguia conversar, sem sexo há mais de três meses. Ele até tentou despertá-la, roçando o pau duro contra ela, mas a esposa lhe pediu para deixá-la em paz, até mandou que ele se fodesse por tê-la acordado.

 

Quando Armando apareceu novamente, na manhã seguinte, a costureira não acreditou. A caminho do trabalho, ele se debateu contra esta ideia, chegou a ensaiar a entrada no elevador da firma umas cinco vezes, mas, por fim, retornou àquela região do bairro, à procura da casa do alfaiate. Ele rasgou uma das mangas de sua camisa, como pretexto.

 

— Você não vai acreditar, mas tive outro probleminha hoje — ele resmungou, bastante desconcertado. Armando mostrou-lhe a manga de camisa rasgada.

— Não prefere esperar pelo meu marido? — ela disse. A presença de Armando a perturbava.

— Não tenho tempo. Tenho de ir ao trabalho — e ele começou a tirar a camisa. A respiração dela se acelerou. Ela mexeu nos cabelos, e evitava fitá-lo. Armando se aproximou e segurou suas mãos.

— Você é um anjo, sabia? — mas ela não respondeu.

Ele chegou mais perto e sussurrou no ouvido dela.

— Pensei a noite toda em você. Acho que estou enlouquecendo — e ele beijou pescoço dela e mordiscou a orelha. A costureira estremeceu.

— Meu marido... Meu marido... — ela balbuciava, enquanto enlaçava Armando num abraço.

Eles se beijaram e, aquilo que Armando tanto imaginara nas últimas horas, se tornava realidade, no entanto, todo o tempo, mesmo enquanto ele a penetrava de pé num canto da lavanderia, ela gemia.

— Meu marido... Ai, meu Deus, o meu marido!

Assim, todas as manhãs, antes de ir ao escritório, Armando passava na casa do alfaiate para transar com a esposa dele.

— Vamos fugir — um dia a costureira sugeriu — Vou largar meu marido, você deixa sua mulher e vamos ser felizes juntos.

— Jamais daria certo — ele respondeu, contrariado — Somos tão diferentes. E você não é como minha mulher...

— Como assim?

— Não sei explicar... Você é apenas uma costureira — Armando disse e, na mesma hora, se arrependeu.

— Apenas uma costureira? O que você quer insinuar com isto?

— Não foi o que quis dizer...

— Acha que não sou boa o suficiente para ser sua mulher? Sou apenas um objeto no qual você mete este seu pinto mole? — e ela apanhou uma tesoura de costura, daquelas grandes, pretas, de ferro, e apontou para Armando — Não sou mulher pra você?

 

O alfaiate encontrou a esposa morta num canto do quarto, toda ensanguentada, os pulsos cortados. Nas mãos, apertando com uma força imensa, a tesoura de costura e uma recordação de Armando, que, naquele mesmo instante, chegava mutilado ao Pronto Socorro.

 

— Foi a costureira! — ele berrava — Queria apenas que ela costurasse as minhas calças... As minhas calças!


Henry Alfred Bugalho


Retirado de Samizdat

publicado às 20:55

Conto, O doutor "adevogado"

por Jorge Soares, em 15.09.12
(foto: http://www.flickr.com/photos/ferran-jorda/3497520295/)

 


O doutor apareceu pela primeira vez em casa numa noite de sábado, entrou, acomodou-se na sala e acendeu um cigarro. De terno, gravata e gel melequento no cabelo, e, de quando em quando, cofiava o bigodinho a la Clark Gable.


Minha mãe, cheia de sorrisos, desapareceu no quarto para os preparativos finais, enquanto eu o espiava desde a penumbra do corredor.
Muitos homens haviam passado por aquele sofá nos últimos meses, muitos mesmo. Minha mãe parecia desesperada em encontrar um substituto para meu pai, e errava de senhor em senhor, crente que algum deles aceitaria uma viúva com um pirralho na barra da saia, e nos levaria para morar em algum casarão ou numa cobertura de luxo.
Ao escutar o ruído da gaveta da penteadeira se fechando, corri para minha cama e me cobri, fingindo que dormia. Mamãe veio, beijou a minha testa e me desejou boa-noite.
— Vou sair para dançar, mas não volto tarde.
Uma lagrimazinha escorreu, mas ela não deve tê-la visto. Eu me sentia tão fragilizado sozinho naquele apartamento. Bastava que ela saísse, trancando a porta atrás de si, que era como se todas as proteções ruíssem e eu houvesse sido lançado para a morte certa. A noite era silenciosa e assustadora. Cada estalo nos móveis, cada ranger de porta, cada goteira, cada assovio do vento ou miados de gatos nos telhados vários eram perigos mil. Agora todos os bandidos, psicopatas e assassinos à solta pelo mundo farejariam o meu medo e viriam me pegar. Eu estava só e desprotegido, simplesmente porque a minha mãe baixota e magrela não estava por perto.
Ela também deveria se sentir desamparada e justamente por isto que ansiava tanto por um novo marido. Um macho para controlar o lar. Um braço para proteger-nos tanto a ela quanto a mim.
Nada aconteceu, nenhum criminoso perigoso veio. Dormi, para despertar apenas com o barulho do trinco e do toc-toc do salto alto de mamãe nos tacos da sala.
Pela porta entreaberta do meu quarto, chegou até mim o odor de perfume e cigarro, e os passos descompassados denunciavam que ela deveria estar bêbada. Quis me levantar, mas tive medo. Mamãe ficava imprevisível quando bebia, e podia sobrar para mim, que nada havia feito de errado.
Demorei muito para voltar a dormir, escutando-a tomando banho e depois se jogando na cama. Tive muita pena dela, desejei que papai não houvesse morrido tão novo. Odiei a morte, tão cruel e injusta!
Naquela noite, tive certeza que não veria mais aquele sujeito de terno, gravata, gel e bigodinho ridículo, mas, no domingo seguinte, assim que saímos da missa, minha mãe se agachou e, mirando-me com ansiedade, disse:
— Vamos almoçar com um amigo meu. Quero que você se comporte. Jura pra mim?
Com o polegar, fiz o sinal da cruz sobre os lábios, e o doutor logo surgiu com um carrão, daqueles de magnatas. No banco de trás, eu brincava com o vidro elétrico, a primeira vez que via algo assim na vida.
— Não mexa, senão vai estragar! — minha mãe gritou, mas o senhor interveio:
— Deixe o menino... Não tem problema.
Mas preferi obedecer minha mãe, a autoridade máxima, pois havia jurado que me comportaria.
Já no restaurante, fomos servidos e comemos em silêncio.
— O doutor Orlando é adevogado — disse minha mãe com toda a pompa, adicionando uma vogal como ela sempre fazia quando queria ressaltar a importância de algo: papai havia sido o pisicólogo e minha tia era uma adiministradora.
— E você protege os bandidos? — perguntei, lembrando-me de um filme de tribunal que havia assistido na noite anterior.
— Não — riu o doutor Armando — a minha área é Cível, não Criminal.
— Ah — balbuciei, sem entender palavra, sendo fulminado pelo olhar repreensivo de minha mãe. Mesmo assim, admirei o doutor, de terno até no domingo, dia santificado de descanso. Devia ser importante e poderoso, trabalhando até em finais de semana.
Voltei a ver o doutor adevogado em outras ocasiões e ele reapareceu lá em casa, corretíssimo no sofá da sala, cigarro na mão e bebericando uma taça de licor.
— Mãe, você vai casar com o doutor? — perguntei uma noite.
Ela sorriu com acanhamento, mexendo no cabelo.
— Não sei, querido... Ainda não decidimos.
— Será que papai aprovaria?
— Acho que sim... — ela se engasgou, talvez com vontade de chorar — Ninguém nunca será como seu pai, mas a vida segue adiante. Não temos escolha.
— Queria tanto que ele ainda estivesse aqui.
— Eu sei.
Então, o doutor Orlando se tornou uma presença habitual. Dormia com minha mãe e eu podia até escutá-los rindo e gemendo no quarto dela. Tive ciúmes, raiva e desejei que, na manhã seguinte, eu despertasse já adulto, para pegar minhas trouxas e cair no mundo, sem ter de presenciar estas sem-vergonhices. O que meu pai diria?
Por outro lado, fascinava-me muito o doutor, tão fino e imponente. Cheguei até a sonhar em tornar-me um advogado quando crescesse, de terno, gel, cigarro e bigodinho. E quando isto ocorresse podia até visualizar minha mãe dizendo para os outros, cheia de orgulho de mim:
— Meu filho é um baita adevogado! Dos melhores!

Uma gritaria me despertou certa manhã.
Minha mãe discutia com o doutor Orlando, chamando-o de crápula, pústula e cafajeste. Ele retrucou à altura e saiu batendo a porta.
Transtornada, ela entrou em meu quarto e foi direto até o armário, de onde apanhou uma mala e nela lançou minhas roupas.
— Que foi, mãe? — cocei os olhos.
— Pegue suas coisas... Já!


Ela também arrumou as bagagens dela e, puxando-me pela mão, levou-me até a rodoviária. Sentada no portão de embarque, ela desabou a chorar, sem me explicar nada.


Meus avós nos receberam na casinha no interior e mamãe se trancou no quarto por dias, saindo apenas para tomar banho e beliscar o almoço, mal dizendo um ai.


Fui eu quem a encontrou inerte no chão gelado do banheiro, frasco vazio de comprimidos na mão. Pálida, lábios arroxeados, sem respirar.


O doutor Orlando, o ilustre advogado, não havia roubado somente os nossos bens, o apartamento, o carro e a poupança.


O que ele me tirou jamais poderei reconquistar.


Henry Alfred Bugalho


Retirado de Samizdat

publicado às 20:05


Ó pra mim!

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