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Morrerias por uma ideia?

por Jorge Soares, em 10.01.15

liberdade.jpg

 

Há uma linha invisível entre heroísmo e estupidez...

Dizem que foram os gregos que, pela primeira vez na história do Ocidente, defenderam com unhas e dentes a liberdade contra a servidão.


As cidades-estados gregas, entre elas Esparta e Atenas, chocaram-se contra o monstruoso exército persa, liderado primeiro por Dario e, posteriormente, por Xerxes.


Conta a história (de Heródoto) que a liberdade venceu: ideologicamente, com a morte suicida dos trezentos bravos espartanos e de seus aliados na Batalha de Termópilas, e militarmente, com a engenhosa estratégia naval dos atenienses em Salamina.


Os homens livres preservaram sua liberdade, e o seu direito de terem escravos - pois sim!, os homens livres da Grécia tinham seus escravos, com os mais ricos dos atenienses possuindo até 50 servos.

E na História Ocidental esta dinâmica foi preservada durante muitos séculos. Ainda hoje muitos de nós são escravos: do dinheiro, da comodidade, do luxo, da ostentação, das corporações, do trabalho, inclusive escravos até de princípios que pouco correspondem à realidade.

Pensa-se no Ocidente como livre, democrático, justo e tolerante. É a mentira que repetimos dia após dia para convencermos a nós mesmos.


O problema fica realmente evidente quando tentamos definir o que cada uma destas qualidades realmente quer dizer e, para isto, centenas de tratados já foram escritos. São alguns dos principais temas que ocuparam as mentes dos filósofos de todos os tempos, mas particularmente da Modernidade em diante.



O que é liberdade? O que é justiça? É possível uma sociedade verdadeiramente democrática?



O Iluminismo francês forneceu as bases teóricas para algumas das maiores transformações sociais dos últimos séculos, da Revolução Americana, passando pela própria Revolução Francesa, e por todos os movimentos independentistas da América Latina. A revolução burguesa serviu até como referência para a revolução do proletariado, à qual esta se opunha.



As ideias que movem o mundo. As ideias que transformam a sociedade. As ideias que às vezes até nos impedem de ver as coisas como elas realmente são.

Eu acreditava que a era digital, com tamanha informação disponível, com comunicação sem fronteiras, inevitavelmente nos tornaria mais tolerantes, muito mais aptos a compreender e aceitar a diversidade.


Pelo contrário...


Entramos com os dois pés numa nova era de intolerância e ódio, e tudo que se diz, escreve-se, publica-se, canta-se e mostra-se é recebido com ira e palavras ásperas.


Todos têm opiniões sobre tudo, mas as opiniões alheias estão sempre equivocadas. E, para isto, não basta apenas discordar, é necessário defender até a morte a "verdade".


É preciso tornar-se um mártir da verdade e do que é correto.



Mas este é um segundo problema insolúvel. O que é afinal a verdade?


Ela está aqui, ali ou algures? Quem tem acesso a ela? Existe uma única verdade inequívoca, ou teria ela mil facetas fragmentadas e contraditórias?



Onde você vê liberdade, eu vejo servidão.


Onde você vê tolerância, percebo cada vez mais o discurso de ódio que de tempos em tempos ressurge.


Onde você vê uma imprensa livre, eu me assusto como a manipulação da mídia.


Onde você vê a verdade, eu postulo questão infinitas e insolúveis.



Eu não morreria por ideia alguma, pois elas são tão efêmeras e impalpáveis e indefiníveis quanto as ideias contrárias.


Morrerei apenas porque é inevitável, do modo como for.

 

Henry Bugalho

 

Retirado de Samizdat

publicado às 20:02

bebes terroristas

 

Imagem de aqui

 

A noticia é do Público e começa assim:

 

"O Governo britânico, chefiado pelo conservador David Cameron, tem preparado um projecto de lei que pretende que os professores, incluindo os educadores de infância, detectem se há crianças nas suas salas que correm o risco de serem seduzidas pelo terrorismo.

O documento que menciona os infantários acompanha a Lei Anti-Terrorismo e Segurança preparada pelo Home Office (ministério do interior) e está no Parlamento, diz o jornal The Telegraph. Nele, os infantários e outros lugares onde se educam crianças de pouca idade (amas, por exemplo) são identificados como alvos, a par das restantes escolas e universidades."

 

É nestas alturas que sabemos que os terroristas estão a ganhar a guerra, quando um governo democrático decide que professores e educadores devem fazer de espiões é porque deixou de acreditar que esses mesmos professores são capazes de formar cidadãos íntegros e respeitadores.

 

Eu concordo que é na escola que se deve começar a combater o terrorismo, mas não é de certeza colocando marcas nos jovens que se consegue isso, é com educação e princípios democráticos sólidos. Converter professores em espiões só vai servir para que os jovens deixem de confiar definitivamente nestes e se neguem a aceitar o que eles transmitem, isso sim vai contribuir para que os jovens estejam mais vulneráveis e influenciáveis por quem os tenta desviar dos caminhos da liberdade e democracia.

 

Já agora, como é que se detecta que uma criança de cinco anos tem tendências terroristas ou está próxima de ser seduzida pelo terrorismo? Será que a minha mais nova passava no teste?

 

É com leis como estas que se dão armas a quem tenta influenciar os jovens ocidentais e é por governos como este que há tantos jovens ingleses a combater pelo estado islâmico na Síria e no Iraque, disso eu não tenho dúvida nenhuma.

 

Jorge Soares

publicado às 22:28

A vitória do vazio de ideias

por Jorge Soares, em 27.05.14

Martin Sonnenborn

 

Imagem do Público 

 

O senhor ali da fotografia chama-se Martin Sonnenborn e foi 96º e último deputado ao parlamento europeu eleito pela Alemanha, é líder de um partido chamado "O partido" e cuja principal ideia política é não ter ideias nem conteúdos, a sua campanha eleitoral é feita de ataques a tudo o que mexe, seja de direita ou de esquerda e esta vez incluiu slogans como “Merkel é parva”.

 

Certo é que mesmo com este vazio de ideias e propostas, o senhor conseguiu ser eleito e nos próximos 5 anos estará em Bruxelas, presume-se que a esgotar a paciência ao resto dos eurodeputados.

 

Em Portugal não temos (ainda) "O partido", mas não deixamos de ter o vazio de ideias e propostas e em quase todas as eleições aparecem vários Sonnenborn's.

 

Hoje à hora do almoço discutíamos o fenómeno Marinho Pinto, a dada altura perguntei se algum dos presentes fazia ideia das propostas políticas ou sequer sobre qual o posicionamento político do senhor, se é de direita ou esquerda... éramos sete à volta da mesa, tudo pessoas minimamente cultas e informadas, nenhum fazia a menor ideia... 

 

A verdade é que para além das tiradas mais ou menos populistas, ninguém faz a menor ideia sobre quais são as ideias do senhor, onde se vai posicionar, quem vai apoiar, não é o vazio de ideias de Sonnenborn, mas na realidade não anda muito longe. 

 

Eu percebo que as pessoas estejam fartas dos partidos que nos tem governado e das suas falsas promessas, mas será que a solução é mesmo entregar um cheque em Branco a pessoas como o Marinho Pinto?

 

De resto, hoje saiu à luz nas redes sociais o seguinte:

 

O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, defendeu ontem no Parlamento que a violência doméstica não deveria ser crime público. Este modelo inviabiliza a desistência do processo ainda que a vítima assim o pretenda, argumentou o bastonário, pedindo que se deixe às vítimas o poder de acusar ou não.

 

São também conhecidas as ideias do senhor sobre a adopção, a co-adopção e os casamentos entre casais do mesmo sexo... e mesmo assim há quem vote nele... 

 

Por certo, em Novembro o senhor criticou os partidos políticos porque estes recebem três Euros por cada voto recebido, fico à espera do momento em que ele ou alguém do Movimento Partido da Terra, venha a público dizer que  não vão querer receber essas verbas correspondentes a estas eleições.

 

Jorge Soares

 

publicado às 22:05

 

Miguel relvas

 

Retirado do HenriCartoon

 

 

O vídeo abaixo contém uma entrevista dada por Miguel Relvas em 2011 quando ainda era oposição, é interessante ouvir o que são as opiniões das pessoas quando estão de um ou do outro lado da barricada do poder.

 

 

 

 

"Não se pode continuar impunemente a aumentar a gastar dinheiro atrás de dinheiro com esta ideia de que quando não há dinheiro se aumenta os impostos, temos de ter uma politica fiscal de exigência, não podemos continuar a achar que o caminho é sempre o de aumentar os impostos porque a partir desse principio as empresas ficam mais pobres e os cidadão ficam com mais problemas."


Fantástico como basta chegar ao poder para se esquecer todas as convicções e se fazer precisamente o contrário daquilo que se advogava quando se era oposição.


Jorge Soares

publicado às 22:04


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