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Josefa, Morreu a combater o fogo

 

A culpa será dos incendiários, de quem lhes paga em nome de interesses mais ou menos obscuros, ou de quem não limpa a floresta como expliquei neste post a propósito dos incêndios em Oliveira de Azeméis. A culpa será do calor, da incúria de quem tem atitudes irresponsáveis e deploráveis, ou como dizia alguém nos comentários ao meu post,  poderá ser simplesmente uma forma de a natureza se renovar...

 

No fim, como todos os anos a culpa morrerá solteira, com as primeiras chuvas de Setembro por entre as cinzas começará a aparecer o verde da renovação e simplesmente esquecemos o inferno do verão... pelo menos até ao próximo verão e até ao próximo inferno. À medida que o verde desponta na floresta queimada serão esquecidos os problemas, a falta de meios, a má coordenação, a falta de acessos,  tudo....  A vida segue, e nós tentaremos seguir com ela.... quase todos, porque há pelo menos 2 pessoas para quem  a vida não segue, para os dois bombeiros que já morreram no combate ao inferno, a vida não segue, a vida terminou ali.. no combate.

 

Perderam-se duas vidas, para além de muita floresta e de alguns bens,  perdeu-se uma parte do futuro do nosso país.  A floresta renasce, renova-se, os bens substituem-se por outros... as vidas que se perderam não se recuperam nunca. Nesta altura deveríamos todos fazer um exame de consciência, parar para pensar....  o que fazer para evitar que estas coisas aconteçam?

 

"Josefa, 21 anos, a viver com a mãe. Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária. Acumulava trabalhos e não cargos - e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos. Afinal, um jovem daqueles que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes. Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatário de juventude. Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão. Daí não a conhecermos, à Josefa. Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela: "Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas." Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar... Aconteceu: anteontem, Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça. A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui. Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse: que há miúdos de 21 anos que são estudantes e trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos. Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das Josefas que são o sal da nossa terra?"

Por FERREIRA FERNANDES, Diário de Notícias

 

Um enorme bem haja  a todos os bombeiros que dia a dia arriscam as suas vidas para proteger as nossas e o nosso futuro..e por favor, tenham cuidado!

 

Jorge Soares

publicado às 20:30

Rua do Poço dos Negros:O Incêndio

por Jorge Soares, em 24.02.09

 

Incêndio do Chiado

http://amadeo.blog.com/repository/1217051/3449094.jpg

 

Como hoje, era Terça de Carnaval, tinha ido passar o Carnaval à terra,  mas tinha um exame na quarta-feira, tinha por isso vindo cedo durante o dia para Lisboa com a ideia de ainda dar uma olhadela nos apontamentos e claro, dormir e descansar do Carnaval. 

 

Depois do episódio do morto nas escadas de que falei no post do outro dia, a judiciaria tinha limpado a pensão do segundo andar e se exceptuarmos a "menina" barulhenta do terceiro andar, a calma tinha-se instalado no prédio. Por volta da meia noite comecei a ouvir um enorme estardalhaço, portas arrombadas, vidros partidos....  depois acalmou. Passados uns minutos ouvi um carro a travar na rua, alguém a gritar fogo e a campainha da rua a tocar desalmadamente.

 

Levantei-me e olhei pela minha janela, o fumo já tinha invadido o prédio e viam-se claramente as labaredas no segundo andar. Enfiei as calças e uma camisola e saí para o corredor.. onde o resto dos habitantes da casa já andava de um lado para o outro em Pijama.

 

Sair para as escadas estava fora de questão, eu talvez conseguisse chegar à rua, mas as restantes pessoas não. Entretanto chegaram os bombeiros, o fogo já era bem visível, principalmente da parte de trás do prédio. ...e eu estava a ver a coisa complicada. 

 

Passado algum tempo os bombeiros chegaram até ao apartamento, e mandaram vir uma auto escada,... podiam era ter ficado ali connosco. Colocaram a escada numa varanda encostada a uma grade, e nenhuma das outras pessoas conseguia subir para lá, tive que carregar em braços uma a uma. 

 

Entretanto os bombeiros lá conseguiram atacar o incêndio que para além de destruir o segundo andar e causar alguns estragos no terceiro, não alastrou. Por volta das 3 da manhã voltei ao meu quarto...... e não me lembro de ter dormido muito.

 

O incêndio do Chiado era algo que estava bem fresco, no sitio onde hoje está o centro comercial do Chiado havia um enorme buraco, na Rua Garret havia um passadiço para peões e tudo estava ainda destruído.... e eu passava lá quase todos os dias.... não, não foi fácil dormir..... ainda que desta vez não houve mortos nas escadas.

 

Não me lembro como me correu o exame do dia a seguir....

 

Jorge

 

 

publicado às 21:27


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