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Das flores às vuvuzelas... recordar é viver!

por Jorge Soares, em 15.06.10

 

Flores silvestres da minha infância

 

Mais fotografias minhas no Momentos e olhares

 

 

Há uma série de assuntos sobre os quais quero aqui falar, mas hoje é um daqueles dias em que não me sinto capaz de alinhavar mais que duas frases seguidas... em lugar de escrever fui tentar colocar um pouco de ordem nas milhares de fotografias que tirei nos dois meses de licença...  e encontrei estas... que me fizeram recordar o quanto gosto de coisas simples.

 

Ali na fotografia elas parecem enormes, uma boa máquina e a lente adequada fazem milagres, na verdade são umas flores pequeninas e simples.  Fizeram-me regressar aos dias em que corria solto por montes e vales, na primavera elas invadiam todos os muros de pedra da aldeia, existem outras cores, mas o predominante eram este dois tons que consegui apanhar na fotografia. Os muros ficavam cobertos de branco e lilás.

 

Hoje foi dia de futebol... a coisa não correu lá muito bem e cheira-me que daqui para  a frente só vai piorar.... assim,  é melhor mudar de assunto.... falemos da já famosa e infernal vuvuzela.

 

O mundo acordou agora para esta gaita infernal, não sei se vão acreditar em mim ou não, mas a vuvuzela, ou uma coisa parecida, fez parte da minha infância. Tinha eu 6 ou 7 anos, o meu pai era mecânico numa empresa de autocarros, um dia de inverno entre o Natal e o Ano Novo, chegou a casa com uma corneta, não sei  onde a terá ido arranjar, mas imagino que faria parte de alguma buzina de um autocarro.

 

Lembro-me que demorei dias a conseguir tirar algum som da coisa, o meu pai bem se esforçava, eu soprava, soprava, mas nada. O objectivo era conseguir fazer algum barulho com aquilo até à noite da passagem de ano, altura em que me juntava aos rapazes mais velhos do lugar e iamos por todos os caminhos da aldeia com tachos, cornetas, qualquer coisa que fizesse barulho para escorraçar o ano velho.

 

No primeiro ano não consegui mesmo, mas lembro-me de ser meia noite, estar na outra ponta do lugar e ouvir perfeitamente que o meu pai festejava a passagem de ano desde a varanda de minha casa. No ano a seguir eu mesmo infernizei a vida à aldeia... Foi a minha última passagem de ano por aqueles caminhos, no ano seguinte estava a muitos milhares de Kms... e quando finalmente voltei... os tempos eram outros e nem eu nem ninguém escorraçava o ano velho pelos caminhos da aldeia.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:48

As ameixas

por Jorge Soares, em 05.10.08

 

Ameixas

 

Hoje comi uma ameixa à sobremesa, era enorme, escura, quase preta, com o primeiro bocado consegui identificar o sabor inconfundível da fruta madura.... ameixa!

 

Lembro-me de ter 5 ou 6 anos e de ir colher ameixas que sabiam como esta, da árvore que havia em casa da minha avó. Entre o tanque de lavar a roupa, a casa da minha avó e o moinho donde o milho se convertia na farinha que depois de amassada e cozida no enorme forno de lenha, seria uma broa de milho escura e deliciosa, havia duas ameixoeiras. Uma de ameixas brancas que quando amadureciam se tornavam douradas e doces como mel e uma de  encarnadas, pequenas e alongadas.

 

Uma das árvores, a dos frutos encarnados, cresceu encostada à casa, de modo que facilmente eu e o meu primo Rogério a conseguíamos utilizar como escada. Passávamos o verão a subir ao telhado e a inspeccionar  os frutos ainda verdes, que começavam a pintar após as primeiras chuvas. Lembro-me de me empanturrar de ameixas maduras e do dia em que o meu primo caiu da outra arvore, à que eu não conseguia subir.

 

Aos 10 anos fui para longe, quando voltei a casa da minha avó, 6 anos depois, nenhuma das arvores lá estava, dei pela falta delas, mas nunca perguntei o que lhes tinha acontecido. Imagino que à medida que eu crescia lá longe, as árvores envelheciam e terminaram por morrer. Até hoje, quase 30 anos depois, não tinha voltado a comer ameixas.

 

Jorge

PS:Publiquei este texto em Setembro do ano passado, hoje e dado que a inspiração e os temas andam longe, decidi que era boa altura para me revisitar

PS2:Imagem retirada da internet

 

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publicado às 21:10


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