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Conto - Autodeclaração

por Jorge Soares, em 08.03.14

Pardos

 

Imagem de aqui 

 

 

Mal ou bem, já nos acostumamos. Cada vez que se tenta entrar numa rede social na internet é necessário prestar contas, minimamente, sobre quem se é. É o nome, o sobrenome, o jeito como deseja ser chamado, a data de nascimento, o trabalho ou a ocupação, interesses, preferências, restrições, e e-mails: o principal, o alternativo, o de segurança, etc. Depois de completar campos marcados com asteriscos e ficar em dúvida se gasta tempo ou não com os opcionais, a pessoa precisa ainda digitar como vê uma sequência de letras, números e outros símbolos misturados dentro de um retângulo editável. Para provar que não é um robô. Está assim de gente recorrendo a terapias para curar a crise existencial que momentos decisivos como esse disparam. Se na rotina virtual é dessa maneira, imagina na vida, ordinária, nessa, de todo dia?

 

Valéria vivia passando recibo a respeito de si, mas nem percebia de tão envolvida que sempre esteve com o futuro. Tudo nela parecia acusar, revelar, apresentar, dizer. Em parte. Em uma parte visível e fácil de lidar. Queria ser médica e andar pelo mundo tratando de doenças em regiões de onde normalmente tinha notícia somente pela televisão. Era cabeça, tronco, membros, pele, órgãos, células, sangue, oxigênio, bisturi, medicamentos, livros e mais livros sobre saúde e sobre como funcionam os corpos humanos, um interesse sem fim e o mesmo assunto compulsivamente, feito vinil arranhado, repetindo e repetindo e repetindo o mesmo trecho. Além da que tinha na escola, sabia o rumo das bibliotecas da cidade e da universidade e fazia desses lugares pontos estratégicos de concentração. Falta pouco para os exames de admissão e preciso estar pronta, dizia para dentro pelo menos uma dúzia de vezes, diariamente, como uma reza, um mantra particular, enquanto cumpria à risca seu plano de estudos. 

 

Prestaria provas em oito instituições de ensino superior, todas com seus calhamaços de exigências e formulários, curiosidades estapafúrdias - ô palavrinha que gostava de pronunciar: es-ta-pa-fúr-dia e suas variações – e prazos de inscrições abertos. Cheia de esperanças, juntou documentos e começou a preencher os requisitos da primeira. Com os novos rearranjos do governo para o ingresso nas universidades, as combinações poderiam ou não dar certo para Valéria. Andava sobre a linha que separa ou amarra esforço e sorte quando percebeu que, na verdade, não entendia o jogo. Havia estudado mais do que bastante, mas nem chegara perto do todo, do infinito.

 

Autodeclarar-se isto ou aquilo não era problema, o caso é que realmente não sabia. As certezas resvalando pelas teclas do computador. Olhou para as mãos abertas, correu os olhos pelos braços e. Não era preta, nem branca, nem amarela, que raio significava o termo “pardo”? Só lembrava do rolo de papel que na escola usavam para fazer cartazes. E sexo? Nunca tinha feito. Nasceu com vagina, mas não tinha tempo para desejar ninguém, podia muito bem gostar de mulheres e/ou de homens, tinha um apreço tão grande por gente, em especial por crianças e velhos. E que diferença fazia contar do salário da mãe e do pai, um morto outro sumido, se era ela e não eles quem auscultaria peitos e diagnosticaria dores dali para frente? Seria indígena? Compartilhava de cabelos lisos e negros e selvagens e de uma vontade inexplicável de verde com povos distantes. Por que não? Na dúvida, Valéria rasurou os espaços em branco e escreveu “sou um robô” em letras bem maiúsculas no espaço “observações”. Confusa, vestiu o cansaço, suspirou intenção e dúvida, e guardou a médica no bolso.

 

Andreia Pires

Retirado de Samizdat

publicado às 21:37

Onde está o nosso dinheiro?

 

Imagem do El País 

 

É (Era?) suposto ser a moeda do futuro, uma alternativa às moedas e aos bancos tradicionais, estava na moda e até já havia empresas como a Amazon em que já se podia utilizar para as compras online.... Tem a particularidade de ser completamente virtual e de não ter por trás mais garantia que essa, é virtual e não é controlada por ninguém. 

 

Teve um enorme impulso após a crise monetária do Chipre quando muita gente começou a desconfiar da solidez dos paraísos fiscais, em Janeiro 1 bitcoin valia mais de 800 Euros.

 

O problema é que era tão virtual e tão livre de control de paises e instituições, que tal como era fácil de prever, podia simplesmente desaparecer quando alguém decidisse desligar o interruptor de alguns servidores...

 

E foi precisamente isso que aconteceu, alguém dsligou, não o botão, mas sim o principal site onde estavam "guardadas" as moedas de muita gente e de um segundo para o outro qualquer coisa como 750 mil bitcoins, mais de 250 milhões de Euros, desapareceram no ar virtual da internet.

 

É claro que aquilo que tornava a moeda virtual tão aparentemente forte e atractiva para tanta gente, é na realidade o seu ponto mais fraco, quem lá tinha o dinheiro guardado não tem para onde reclamar e as probabilidades de reaver nem que seja uma única moeda, são tão virtuais como o era o Bitcoin.

 

O Mt.Gox, era  maior site de compra e venda de bitcoins e hoje foi simplesmente desligado da rede, isto depois de se ter verificado que durante meses ou anos alguém tinha estado a retirar de forma fraudulenta "moedas" de lá sem que aparentemente dessem pela falta delas. Por muito que outros sites tentem demarcar-se do assunto, a verdade é que depois de hoje dificilmente alguém voltará a confiar numa moeda que é tão  mas tão virtual, que basta desligar um site na internet para que esta desapareça.

 

E ainda há quem fale mal dos nossos bancos.

 

Jorge Soares

publicado às 22:32

O avião com fundo de vidro da Virgin

Imagem do Público



Por norma não gosto de dias de, ou de dias da, mas se há dia que me irrita mesmo é este, o dia das mentiras, não sei bem porquê, talvez tenha a ver com a minha completa incapacidade de mentir e de enganar, ou com a minha falta de chá para aceitar as brincadeiras parvas, não sei, talvez por um pouco de cada uma destas coisas... certo é que não gosto!

Além disso, se há dia que na sociedade em que vivemos há muito deixou de fazer sentido, é o dia das mentiras. No mundo actual em que tudo é artificial, rápido, digital e está ao alcance da mão, é cada vez mais difícil distinguir entre o que é verdade, o que é mentira e o que de tanto ser repetido, passou de mentira a verdade... veja-se o caso daquele poema das pedras no caminho, eu posso dizer aqui mil vezes que é do Augusto Cury, mas vão aparecer a seguir mil pessoas no Facebook a dizer que é do Fernando Pessoa, em quem acham que o mundo vai acreditar? Se dessem ao Cury um Euro por cada vez que alguém lhe rouba o poema, ele seria de certeza um homem rico.


Houve uma altura em que a internet nos acercava ao conhecimento e nos colocava a informação nas mãos, eu diria que neste momento está a acontecer o contrário, entre tudo o que existe na rede é muito complicado distinguir o que é verdadedo que é mentira ou simplesmente é um invento de alguém sem escrúpulos,  cada vez mais são as mentiras que são tomadas por milhões como sendo verdade.. querem outro exemplo?

 

Aposto que a maioria já leu isto:

 

Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém parea além de nós mesmos ....

 

Não fosse a internet e nunca o teríamos lido, supostamente faz parte de um texto de José Saramago.. segundo a fundação José Saramago, aqui, o prémio Nobel português nunca escreveu tal coisa.

 

E ainda não falei dos políticos, que em prol da eleição e de chegarem ao poder são capazes de venderem ao diabo não só a sua alma  como as almas de todo um país... ou não é isso que o nosso governo está a fazer com o nosso país?

 

Ou seja, vivemos rodeados de mentiras e de mentirosos por todo lado, não seria muito mais inteligente que em lugar do dia das mentiras se instituísse o dia da verdade? ... podia ser já amanhã.. não sei é quem se atreveria a sair à rua em tal dia.

 

Jorge Soares

 

PS:para quem não percebeu o que faz ali o aviazinho da fotografia, é suposto ter piso de vidro, uma das mentiras do dia e que nos mostra como as marcas vão aprendendo a utilizar o dia para fazer publicidade... não é que na maior parte dos casos elas não nos mintam todos os dias.

publicado às 21:51

O Gonçalo , os dadores de medula e os boatos

por Jorge Soares, em 17.01.13

O Gonçalo

 

 

Deve haver pouca gente que nos últimos dois dias não tenha visto esta fotografia, já seja no Facebook, em algum blog ou no Twiter, supostamente é o Gonçalo, um jovem que está à espera  de um dador de medula óssea, segundo o texto que acompanhava a imagem teria sido encontrado um dador que à última hora teria recusado a dávida.

 

Não percebo o que levará alguém a inventar uma história assima, mas também não percebo como é que milhares de pessoas reenviam coisas como esta uma e outra vez sem tentar sequer perceber se o que está escrito é verdade ou não...

 

Hoje no Correio da Manhã, aqui, podíamos ler o seguinte:

 

"Gonçalo Franco, de 15 anos, tem dois potenciais dadores de medula óssea em estudo, revelou Manuel Abecassis, diretor do Serviço de Transplantação do IPO de Lisboa.

 

"Um é português e o outro americano. Os resultados serão conhecidos em breve", afirmou o responsável, negando que um dador tenha desistido à última da hora de ajudar Gonçalo.

 

A informação foi avançada nas redes sociais, inclusive pela própria mãe. Ao CM, Ana Cláudia garante que a informação era falsa. "Não foi de nós que a a mãe recebeu a informação. Não é verdade", afirmou ao CM Manuel Abecassis, dando conta que ,"em cinco anos, só por duas vezes um potencial dador desistiu de ser estudado" para aferir a percentagem de compatibilidade."


Podia dar muitos exemplos de coisas parecidas que andam a circular há anos, desde crianças desaparecidas há tanto tempo que neste momento já devem ser adultos e nada tem a ver com as fotografias que acompanham os textos, a supostos radares da Brisa na Via Verde, há um pouco de tudo,.. na maior parte dos casos basta ir ao google e escrever uma ou duas palavras para se perceber que tudo não passa de uma invenção de alguém... mas não, 99,5% das pessoas limita-se a reencaminhar.

 

Para terem uma ideia de como isto pode ser um problema, calcula-se que neste momento quase 90% do mail que circula é lixo ou Spam,  imaginam o que se poderia poupar em recursos de rede se tudo isto não andasse por aí a circular?

 

A próxima vez que lhe chegar uma coisa destas, antes de reenviar para todos os seus conhecidos, pare uns segundos a pensar, será que o que está a ver é real? e mesmo sendo real, tem algum interesse para as pessoas a quem o vai enviar? vai ver que na grande maioria dos casos a resposta a uma ou a ambas as perguntas é não... então para que enviar? poupe-se a si e aos seus amigos e conhecidos... o boato é uma coisa muito feia.

 

Jorge Soares

publicado às 22:31

Policia de Nova Iorque oferece sapatos

Imagem do Público

 

A fotografia acima correu o mundo, é uma daquelas histórias de encantar. Durante a ronda nocturna de 14 de Novembro, Lawrence DePrimo, um polícia de 25 anos, encontrou Jeffrey Hillman sentado no passeio encostado à montra de uma loja em Times Square. O homem, de aparência desleixada, estava descalço.


Numa noite gelada, DePrimo teve pena do pobre coitado e resolveu gastar 60 dólares num par de botas para lhe oferecer. No preciso momento em que estava a ajudar Jeffrey a calçar, passou uma turista que resolveu registar o momento para a posteridade.


No dia a seguir a imagem foi enviada para o site da Polícia de Nova Iorque que a colocou na sua página do Facebook, o resto é história.


Hoje nesta noticia do Público ficamos a saber que o sem abrigo mais famoso dos últimos tempos afinal, nem é sem abrigo nem precisava de sapatos novos. Jeffrey Hillman tem uma casa no Bronx e vá lá a saber-se porquê, já foi visto a andar descalço de novo.

 

Com base numa única fotografia conseguiu-se construir toda uma história que graças às redes sociais deu a volta ao mundo, a maior parte de nós viu a imagem no Facebook ou num blog qualquer, mas quantos de nós nos questionamos sobre a veracidade dos factos? E quantas destas histórias nos passam todos os dias pela frente?

 

É claro que nada disto retira a boa acção daquele polícia que numa noite gelada tentou fazer a diferença para alguém... e não fosse isto estar a acontecer nos estados Unidos, apesar de estar grato pela oferta de DePrimo, Hillman diz agora que quer “uma fatia do bolo” porque a fotografia foi parar à Internet sem que ele tenha dado permissão...  aposto que já há mais que um advogado a esfregar as mãos de contente.


Jorge Soares

publicado às 22:19

As crianças, o Facebook e as redes sociais

por Jorge Soares, em 21.09.11

As crianças e o Facebook e as redes sociais

Imagem de aqui

 

Hoje a R. foi parar ao google+, como era a primeira vez que entrava no site, começou a responder às questões do google para o preenchimento do perfil, contrariando o que já muitas vezes lhe tinhamos dito, nunca se dá dados reais na internet, colocou a data de nascimento verdadeira, como tem menos de 13 anos de imediato o google a deitou para fora e bloqueou todos os acessos à plataforma, incluindo a conta de mail, do picasa, o igoogle, tudo. De um momento para o outro virou mais uma info excluída.

 

Não sei, também não me dei ao trabalho de averiguar, de onde sai esta norma de que as crianças devem ter 13 anos para poderem ter Facebook ou email no google, porquê 13?, porquê não 12?, ou 14?. Os meus dois mais velhos tem Facebook, assim como a maioria dos seus colegas na escola. A R. tem conta no gmail desde que tinha 7 ou 8 anos, criamos a conta quando começou a navegar pela internet e havia sites infantis onde era necessário um email para a inscrição.

 

Por mais que me tentem explicar, eu não consigo ver onde está o mal em que as crianças tenham Facebook, acho mal sim, que tenham sem que os pais supervisionem, mas isso é válido para o facebook, o email, o messenger, até para o telemóvel. A nossa sociedade evolui de uma forma que dificilmente conseguimos controlar, as redes sociais fazem parte dela e ou olhamos para elas como uma oportunidade da que podemos tirar vantagens e experiências de vida ou corremos o risco de perder o comboio e ficar perdidos algures num apeadeiro no meio do nada.

 

Evidentemente das redes sociais não vem só coisas boas, tal como de tudo o resto na vida, incluindo a escola, mas se não somos capazes de controlar o que os nossos filhos fazem no Facebook, como pretendemos conseguir controlar o que fazem na rua?, ou na escola? Faz parte do nosso papel de pais sermos capazes de formar e orientar...e já todos sabemos que o fruto proibido é sempre o mais apetecido... se não há facebook em casa, haverá de certeza na escola, ou no telemóvel, ou na casa do amigo...  

 

Existem milhares e milhares de crianças com menos de 13 anos com contas nas redes sociais,  se calhar não era má ideia que Facebook e Google mudassem da politica do finjo que não sei, para uma politica em que os pais se vissem obrigatóriamente involucrados na criação e controlo das contas.. era muito mais lógico e muito mais educativo.

 

Quando cheguei a casa ao fim do dia tratei de desbloquear a conta do google da R. como?, disse que era minha... e não deixa de ser verdade, porque fui eu que a criei, e sou eu quem  a desbloqueia e coloca novas passwords quando a despassarada as esquece.

 

Jorge Soares

publicado às 22:15

Os blogs não são a casa da Joana, o plágio é crime

Imagem do Tudo sobre o mundo

“A fama dos grandes homens devia ser sempre julgada pelos meios que usaram para obtê-la.”

DUQUE DE LA ROUCHEFOUCAUL

 

Já lá vão uns tempos desde que a Cigana levantou a tenda e fechou o blog, andasse ela por cá e de certeza que hoje eu ouviria um sonoro.. "Eu bem te disse". .... bom amiga, hoje dou por completo o braço a torcer.

 

Durante muito tempo eu achava que aquilo que eu escrevia nos blogs, mesmo as minhas fotografias, não era o suficientemente importante como para que alguém se interessasse e me quisesse plagiar, cheguei mesmo a achar um exagero aquele post da Cigana em que ela batia forte e feio em quem abusava do copy past... hoje penetencio-me.

 

Aquilo que sinto neste momento é que há muita gente por aí que acha que os blogs são a casa da Joana, que podem simplesmente chegar e levar o que lhes apetecer, sem bater à porta, sem pedir autorização, sem perguntar, nada, é chegar, fazer Copy, depois colar noutro blog ou num site qualquer, assinar por baixo e já está. Devem achar que bloguer é sinónimo de zé ninguém, que o que estes fazem, independentemente da qualidade do trabalho, não está sujeito às mesmas regras que qualquer outra obra, que não merece respeito... 

 

Há muito que me habituei a encontrar por meia internet a frase do cabeçalho do meu Momentos e Olhares, de há uns tempos para cá descobri que as minhas fotografias da Praia do Carvalhal fazem imenso sucesso, primeiro foi um site de partilha de fotografias, depois foi um portal do Alentejo, a semana passada foi um site de um turismo de habitação algures perto de Grândola, que incluía duas fotografias e que para cúmulo, no pé de página dizia que as imagens estavam sujeitas a direitos... deles.. é preciso ter lata.

 

Há uns dias chamou-me a atenção um artigo sobre adopção num suposto "portal" de psicologia porque estava ilustrado com uma fotografia minha, quando fui ler  verifiquei que para além desta, a maior parte do texto tinha sido copiado quase integralmente de um dos meus posts aqui no jantar, é claro que nem assinatura, nem referência à origem ou ao autor, zero. Sempre me disseram que eu tinha jeito para ouvir as pessoas e que de certeza daria um bom psicólogo.. mas daí a que o que eu escrevo sirva para colocar num "portal" de psicologia vai alguma distância.... fala bem sobre a forma como se documentam os pseudo portais especializados que pululam na internet e que não servem mais que para caçar cliks para a publicidade.

 

Meus senhores, os blogs não são a casa da Joana, o trabalho dos bloguers merece tanto respeito como o de qualquer outra pessoa, o facto de algo estar publicado na internet não o torna automaticamente público e gratuito, pedir autorização, referir as fontes, os autores, é em primeiro lugar uma regra de educação e em segundo lugar uma mostra de respeito por quem cria... além disso, o plágio é um crime punido por lei.

 

Jorge Soares

publicado às 21:43

Free Amina Arraf

 

A noticia é do El Mundo e chocou-me profundamente, temos tendência a esquecer que há mais mundos para além do que conhecemos, depois chegam-nos estas noticias que nos lembram que sim, que o nosso é só um pequeno e excelente mundo, lá fora há outros.... diferentes, muito diferentes.

 

Amina Abdallah Araf é mulher Árabe, é Síria, é lésbica e desde Fevereiro é blogger, o seu blog Chama-se Uma Lésbica em Damasco. No blog ela começou por falar dos direitos da comunidade LGBT na Síria, para depois abordar directamente as manifestações que no país exigiam, tal como em muitos países árabes, a abertura à democracia. 

 

É necessário muito valor para num país onde a homossexualidade é proibida por lei, não só reconhecer a sua condição de lésbica, como falar abertamente do assunto num blog, mas não é necessário menos valor para num país com uma ditadura militar que controla tudo com mão de ferro há 40 anos, se declarar dissidente politica. "É duro ser lésbica na Síria, mas mesmo assim é mais fácil ser um dissidente sexual que um dissidente político", são palavras de Amina ao the Guardian.

 

Um destes dias, Amina ia pela rua com uma amiga quando 3 homens a arrastaram para um carro e desde então está desaparecida, o seu delito?, ser mulher, ser lésbica, ser blogguer, ter opinião... Num país onde a religião, os homens, os politicos, todos relegam as mulheres para um canto insignificante da sociedade, ser mulher e ter opinião é um enorme delito.

 

Os desejos de democracia do povo Sírio e a repressão que se instalou após as manifestações já levaram à prisão mais de 10000 pessoas, Amina negou-se a sair do país quando a foram buscar a primeira vez, agora o seu nome é mais um na lista.

 

Podem ver no Facebook o Grupo de apoio a Amina desde onde se grita pela sua liberdade, Free Amina Abdalla 

 

Jorge Soares

 

Update: Pelos vistos a rapariga lésbica era na realidade um idiota qualquer e toda  a história um invento ... enfim

publicado às 22:22

Soror internet, expulsa do convento por ter facebook

 

Hoje a meio da tarde falava-se do Facebook, dizia alguém que tinha sido motivo para mais um divórcio... bem espremidas as coisas... o Facebook contribuiu para que o marido descobrisse que andava a ser trocado.. e postas as coisas à vista , seguiu-se o divórcio. As pessoas não se divorciam por causa do Facebook, divorciam-se porque estão fartas, ou porque descobrem que não era aquilo que queriam, o Facebook é só a desculpa.

 

Mas tudo isto fez-me recordar uma notícia do Público, a história de Soror Internet que segundo o jornal, foi expulsa do convento depois de 34 anos de clausura. Tudo porque para além de utilizar as tecnologías para colocar em ordem o arquivo do monastério, decidiu que esta era uma óptima forma de comunicar com o mundo... daí até ter uma página no Facebook, foi um instantinho.

 

Nunca percebi muito bem o que leva alguém a fazer os votos numa ordem de clausura, consigo entender o propósito de quem quer ser freira ou padre para através da igreja e da religião poder ser útil à sociedade. Consigo entender quem quer ser missionário e assim contactar e ajudar os mais desfavorecidos. Mas qual o propósito de se ir para um convento para depois se viver a vida toda enclausurado e em silêncio?, longe das pessoas, longe de tudo?

 

Também não entendo o que leva uma freira que vive em clausura a ter uma página no Facebook, talvez a solidão tenha sido forte demais e o apelo das tecnologias e do mundo mais forte que ela. O que definitivamente não entendo é porque é isto motivo para que alguém seja expulso de um convento.

 

Estive a ler a notícia nos jornais Espanhóis e em lado nenhum se fala do Facebook como motivo para a expulsão, mas se efectivamente for este o motivo, está à vista que a igreja perdeu mais uma excelente oportunidade de estar quieta. O Facebook, as redes sociais, fazem parte do mundo em que vivemos, podemos gostar ou não, ser mais ou menos adeptos, tirar mais ou menos partido, mas não há como fugir à realidade... são meios de comunicação que aproximam as pessoas e vão de certeza cada vez mais fazer parte da nossa vida... de tal forma que estou completamente convencido que se deus existisse teria a  sua página no Facebook... ele e o diabo.

 

Jorge Soares

publicado às 22:11

Para que servem realmente as petições online?

por Jorge Soares, em 03.02.11

Para que servem as petições online?

 

Alguma vez se perguntaram o que acontece com as petições que assinam online? Recebemos um apelo, achamos a coisa justa, carregamos num link e vamos a um site, preenchemos uma serie de informações, .. nome, mail, código Postal, Bilhete de identidade, data de nascimento... Para que serve toda esta informação? Sabiam que para a assinatura ser válida unicamente é necessário o nome e o bilhete de identidade? e que sem este ultimo ela não é válida?

 

Até ao advento da internet recolher assinaturas era complicado, havia que andar de folhas  e caneta em mão a pedir às pessoas para assinarem, um dia alguém se lembrou que com um computador a coisa era mais simples, basta um servidor, uma base de dados simples e alguns conhecimentos de programação... e as petições nascem como cogumelos. Tudo é motivo para se lançar uma petição pública, desde os assuntos mais sérios até aos mais inverosímeis.

 

É claro que a maior parte das vezes a coisa nem sai dali, assinamos e esquecemos o assunto, é claro que no meio disto tudo tem que haver alguém que ganha com o assunto, ninguém gasta tempo e dinheiro a montar um esquema de petições online se não existir algures uma forma de ganhar com isso,... então, quem ganha com as nossas assinaturas?

 

Olhando para qualquer um destes sites o primeiro que salta à vista é que há imensa publicidade, publicidade na internet é dinheiro.. pouco, mas dinheiro,  mas não é só isto. Voltando à pergunta inicial, para que acham que serve o resto da informação que preenchemos quando vamos assinar uma petição? Para muitas coisas, hoje em dia os dados pessoais são uma informação valiosa, as listas de mails pagam-se a bom preço, ora, se essa lista de mails vem com nome e código postal... vale ainda mais... nem imagino quanto valerá uma lista de nomes com mail e bilhete de identidade.

 

Mas há mais, de há uns tempos para cá junto com o muito spam que recebo, chegam-me uns mails que me vem dirigidos pessoalmente, com nome e apelido, publicidade dirigida e pasme-se, patrocinada por um dos sites de asinaturas online.

 

Por norma eu nunca autorizo a divulgação dos meus dados, e muito menos em sites online, estes senhores estão a utilizar os meus dados para enviar publicidade, foram retirados de alguma petição online que assinei e sem a minha autorização, coisa que é no mínimo ilegal.

 

Pronto, agora já sabem porque é que as petições Online nascem como cogumelos?, é um negócio lucrativo.. raramente dão no que quer que seja, mas são um negócio lucrativo, por isso, antes de assinar petições online, pense se o assunto é realmente sério... e tenha atenção aos dados que fornece.

 

Jorge Soares

publicado às 21:39


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