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Diz a tradição que no dia de São Martinho é dia de comer castanhas e de provar o vinho, eu não guardo grande memória de magustos, na Venezuela não havia castanhas e num país em que é verão o ano inteiro, nunca ninguém ouviu falar do verão de São Martinho.

 

Na verdade, para mim este dia recorda-me uma enorme solidão, estava em Lisboa, vivia num quarto, lembro-me de ser dia de São Martinho e ir do Técnico para São Bento a pé. Não sei porquê,  mas recordo-me de uma Rua de São Bento completamente deserta, talvez por isso dei por mim a pensar que naquele momento os meus pais estariam em casa a festejar o dia e a comer castanhas. Senti uma enorme solidão, uma sensação de não ser de ali, nem de lá, de não ser de lado nenhum.

 

Este é um dia de lendas, há a lenda do Santo, que no inicio era soldado e reza  "que um dia de Novembro, muito frio e chuvoso, estando em França ao serviço do Imperador, ia Martinho no seu cavalo a caminho da cidade de Amiens quando, de repente, começou uma terrível tempestade. A certa altura surgiu à beira da estrada um pobre homem a pedir esmola.

 

Como nada tivesse, Martinho, sem hesitar, pegou na espada e cortou a sua capa de soldado ao meio, dando uma das metades ao pobre para que este se protegesse do frio. Nessa altura a chuva parou e o Sol começou a brilhar, ficando, inexplicavelmente, um tempo quase de Verão".

 
A origem do magusto não é muito clara, mas há quem acredite  que é o vestígio dum antigo sacrifício em honra dos mortos e refere que em Barqueiros era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babada dos defuntos”. .... felizmente já ninguém se lembra desta ultima parte, é muito mais lógico serem os vivos a comer as castanhas.
 
Quanto ao já famoso verão de São Martinho que é suposto instalar-se  por estes dias, e este ano instalou-se mesmo até ao ponto de lá no escritório terem voltado a ligar o ar condicionado para o frio. Lembro-me de algures ter ouvido um meteorologista explicar que mais ou menos por esta altura o nosso anticiclone costuma deslocar-se até Às nossas costas e permanecer uns dias de forma a impedir a entrada de massas de ar, o que nos costuma trazer um inicio de Novembro soleado, curiosamente em França, lugar de origem do Santo, costuma chover e até nevar, o que só prova que ninguém é profeta na sua terra.... isso ou o anticiclone não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo
 
Jorge Soares
 
Fonte Município de Mirandela
 

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publicado às 21:35

O São Martinho, as castanhas e as lendas

por Jorge Soares, em 11.11.09

castanhas.jpg

 

Hoje é dia de São Martinho, dia de comer castanhas e de provar o vinho, não guardo grande memória de magustos, na Venezuela não havia castanhas e num país em que é verão o ano inteiro, nunca ninguém ouviu falar do verão de São Martinho.

 

Na verdade, para mim este dia recorda-me uma enorme solidão, estava em Lisboa, vivia num quarto, lembro-me de ser dia de São Martinho e ir do IST para São Bento a pé. Não sei porquê,  mas recordo-me de uma Rua de São Bento completamente deserta, talvez por isso dei por mim a pensar que naquele momento os meus pais estariam em casa a festejar o dia e a comer castanhas. Senti uma enorme solidão, uma sensação de não ser de ali, nem de lá, de não ser de lado nenhum.

 

Este é um dia de lendas, há a lenda do Santo, que no inicio era soldado e que um dia de Novembro, muito frio e chuvoso, estando em França ao serviço do Imperador, ia Martinho no seu cavalo a caminho da cidade de Amiens quando, de repente, começou uma terrível tempestade. A certa altura surgiu à beira da estrada um pobre homem a pedir esmola.


Como nada tivesse, Martinho, sem hesitar, pegou na espada e cortou a sua capa de soldado ao meio, dando uma das metades ao pobre para que este se protegesse do frio. Nessa altura a chuva parou e o Sol começou a brilhar, ficando, inexplicavelmente, um tempo quase de Verão.

 
A origem do magusto não é muito clara, mas há quem acredite  que é o vestígio dum antigo sacrifício em honra dos mortos e refere que em Barqueiros era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babada dos defuntos”. .... felizmente já ninguém se lembra desta ultima parte, é muito mais lógico serem os vivos a comer as castanhas.
 
Quanto ao já famoso verão de São Martinho que é suposto instalar-se por estes dias, lembro-me de algures ter visto um metereologista explicar que mais ou menos por esta altura o nosso anticiclone costuma deslocar-se e permanecer uns dias de forma a impedir a entrada de massas de ar, o que nos costuma trazer um inicio de Novembro soleado, cruriosamente em França, lugar de origem do Santo, costuma chover e até nevar, o que só prova que ninguém é profeta na sua terra.... isso ou o anticiclone não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo
 
Fonte Municipio de Mirandela
 
Jorge Soares

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publicado às 21:18


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