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Livro - "Nunca me deixes" de Kazuo Ishiguro

por Jorge Soares, em 22.04.13

Nunca me deixes

 

Peguei neste livro ao acaso, estava no monte dos lidos da minha filha mais velha, nunca tinha ouvido falar nem do autor, nem do livro, nem do filme que descobri depois, também existe.

 

Está visto que o estilo dos escritores orientais não me cativa por aí além, tal como não fiquei fã do Haruki Murakami nem do seu Em busca do carneiro salvagem, não me consegui sentir minimamente cativado pela escrita muito leve e simplista do Ishiguro.

 

Este é um daqueles livros que não deixa muito à imaginação, a meio do primeiro capitulo conseguimos discernir a história completa, apesar de aparentemente esta nos ir sendo servida pouco a pouco ao longo dos vários capítulos...e  há quem abandone a leitura mal se apercebe do que realmente se passa.

 

O tema em si é forte, algures no meio do campo inglês fica Hailsham, um colégio interno onde vivem e crescem crianças. Crianças que nunca conheceram outra casa ou outra família que os colegas e professores da escola. São educados com esmero e sempre protegidos do mundo que existe para além das portas do colégio, mundo do que  vão tendo vislumbres mas nunca a noção completa.

 

Kathy, Ruth e Tommy são 3 destas crianças que à medida que vão crescendo e apesar de estarem isoladas do mundo exterior, não deixam de ser jovens e de como qualquer jovem, passar pelas inquietudes da adolescência e  juventude.

 

À medida que vão crescendo eles vão-se apercebendo do verdadeiro motivo da sua existência e vão aprendendo a viver com isso. O assunto vai aparecendo pouco a pouco ao longo de todo o livro sem nunca ser verdadeiramente abordado,  tal como o leitor, também os protagonistas o vão absorvendo, quase sem falar dele directamente e chega a um ponto em tácitamente é aceite por estes como mais uma inevitabilidade da vida

 

Confesso que cheguei até ao fim com a esperança de que existisse um desenlace diferente, que no último momento Kathy e Tommy fizessem aquilo que faria sentido e que qualquer um de nós faria... mas não, no fim tudo é como deveria ser e o livro termina como começou, com tudo  a acontecer como tem que acontecer e como tinha sido planeado não se sabe bem por quem.

 

Tal como já disse, este é um livro fácil de ler, é extremamente simplista e muito directo, tão simplista e directo que termina por ser irritante, principalmente quando nos irritamos com o tema e com a forma como os protagonistas aceitam que o único motivo para existirem é porque foram concebidos e criados para servirem de peças para outras pessoas e nem por amor são capazes de enfrentar e mudar essa realidade.

 

De resto, agora mesmo estava a pensar que nem sequer vejo o menor sentido ao titulo, porque na realidade todo o livro é feito de partidas e de abandonos e isso é aceite de uma forma quase cruel por parte de todos os protagonistas.

 

Sinopse:

 

Kathy, Ruth e Tommy cresceram em Hailsham – um colégio interno idílico situado algures na província inglesa. Foram educados com esmero, cuidadosamente protegidos do mundo exterior e levados a crer que eram especiais. Mas o que os espera para além dos muros de Hailsham? Qual é, de facto, a sua razão de ser?


Só vários anos mais tarde, Kathy, agora uma jovem mulher de 31 anos, se permite ceder aos apelos da memória. O que se segue é a perturbadora história de como Kathy, Ruth e Tommy enfrentam aos poucos a verdade sobre uma infância aparentemente feliz — e sobre o futuro que lhes está destinado...


Jorge Soares

 

PS: Para quem não sabe amanhã dia 23 de Abril é o dia mundial do livro, aproveitem e comecem a ler, não tem que ser este, pode ser um qualquer.. mas leiam.

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publicado às 21:21

 

Encontrei  este vídeo no Minha Essência, todo ele é mais ou menos surreal, que alguém chegue ao 8º ano de escolaridade sem saber ler uma frase é surreal, que alguém com 15 anos não saiba sequer dizer o dia em que nasceu é surreal, ouvir as tentativas de explicação por parte da directora do agrupamento, para além de triste é surreal.

 

Ouvir alguém que quando questionado sobre se sabe ler e escrever responde que sabe assinar o nome, é algo que achava eu fazia parte do passado deste país, era algo que eu quando era criança ouvia às pessoas idosas lá na aldeia

 

A realidade é que o vídeo é de Março deste ano, não é de há 30 ou 40 anos atrás e o Marco não é uma velhinha de xaile e lenço na cabeça que nunca teve oportunidade de ir à escola. Quero acreditar que esta seja uma excepção, mas a verdade é que ela existe. Há alguém que andou na escola dos 6 aos 15 anos e chegou até ao 8º ano sem nunca ter aprendido sequer a ler uma frase. Como é que uma criança passa todo o primeiro ciclo, transita para o segundo e faz 4 anos deste sem saber ler?

 

A mim o que mais me chocou no meio de tudo isto é a atitude da directora do agrupamento a tentar explicar o inexplicável, pelos vistos para esta professora é suficiente com aparecer de vez em quando na escola, o que importa não é se o aluno sabe ler e escrever, é a sua satisfação e integração.... o que quer que isso signifique.

 

A mim apetece-me perguntar qual é neste momento o papel da escola na nossa sociedade?, é suposto mandarmos os nossos filhos para lá  para que esta os ensine, para que saiam de lá minimamente preparados para enfrentar o mundo. Ora, no caso do Marco o sistema falhou completamente, a escola não soube ou não foi capaz de ensinar ao Marco o que quer que fosse. A julgar pelas palavras daquela professora, o papel da escola passou a ser o de um depósito de crianças, um lugar para onde elas vão não para serem formadas mas sim para passar o tempo.

 

Acho que como sociedade nós não podemos aceitar que este tipo de coisas aconteça, o papel da escola deve ser claro, nós queremos uma escola que forme, não um depósito de crianças.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:48


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