Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Conto - Recruta

por Jorge Soares, em 28.06.14

sedutora

 

Não estava em seus planos apaixonar-se. Desde a separação, há oito anos, só pensava em cuidar dos filhos e honrar o estável cargo público. Tudo caminhava bem, sem rebolados, desvios ou cambalhotas. Nunca mais dera gargalhada. Um sorriso magro era suficiente. Nunca mais saíra dos trilhos. Descarrilar era para cambetas. Bastava ir naquela direção, firme e sempre — para esquivar-se de eventuais escorregos e desastres.

 

Margarete era assessora de imprensa. Preparava clippings, contextualizava para a chefia os fatos mais pertinentes, agendava entrevistas, escrevia releases. Bem informada, a criatura. Lidava com gente de todo o naipe, peneirava declarações, sintetizava casos emblemáticos. 

 

Conhecia bastante da vida alheia, mas procurava reservar-se. Gostava de novidade, mas não queria virar notícia. No gabinete, pouco falava de sua vida pessoal.

 

Seu lema era manter a objetividade jornalística e a discrição pessoal.  O casamento aconteceu de forma planejada, com um namorado da faculdade. Durou até bastante: doze anos. E acabou sem grandes sofrimentos, amor já mirrado. Desde então, optou por não mais se iludir com promessas de afeto. 

 

Era comum nutrir admiração por homens com quem convivia. Porém, quando ela sentia a iminência de uma paixão, tratava de podar o sentimento logo na cepa para que a decepção não frutificasse.

 

Margarete só não contava com um novo estágio em sua vida. Naquele bendito agosto, foi contratado pela assessoria de imprensa do tribunal o jovem Márcio, que cursava o penúltimo período de jornalismo na Universidade de Brasília. A vaga foi concorrida: oito estudantes pleiteavam o emprego. Márcio desbancou os concorrentes pela escrita clara e desenvoltura. Redigiu, à queima-roupa, um texto interessante sobre a crise dos Três Poderes no Brasil. Além de cultura, o rapaz demonstrou disposição, simpatia e a maior das virtudes: uma boniteza linda de arder.

 

Contratado com louvor, o candidato perfeito passou a cumprir vinte horas semanais de estágio remunerado. Enquanto aprendia jornalismo, Márcio cativava, seduzia, enlouquecia Margarete, num vertiginoso crescendo. 

 

Os colegas notaram a diferença: a mulher renovou, perfumou-se, desembestou a rir alto, passou a falar de si como que a exigir elogios. Estava timbrado em sua testa: APAIXONADA. 

 

A diferença de idade seria relevante para o belo foca? A incerteza atormentava a chefa. Queria se declarar logo para o moço e confessar que ele lhe trouxera novas cores e que aquela paixão fulminante não cessava e que aquilo estava muito errado, mas que ela não podia perder a chance da grã-felicidade. 

 

Enlouquecida pelo estagiário! Poderia haver situação mais ridícula para uma respeitável servidora pública? Só crescia o medo de ser enjeitada pelo jovem atlético, espetacular. Ao mesmo tempo, o desejo de conquistar o estagiário movia e dava sentido a cada respiração de Margarete — uma mulher de 44 anos completos e não privada de beleza.

 

Foi num final de expediente, em sexta-feira de entrevista coletiva, que Margarete cercou Márcio. A repartição já estava vazia, e ela considerou o momento inadiável:

 

— Você é o melhor estagiário que já tive.

— Bom saber. Eu me esforço bastante.

— Tenho sonhado com você, Márcio.

— Espero que não seja pesadelo

— brinca, mostrando aquele sorriso.

— Você me acha velha?

— Claro que não. 

— Feia?

— Nada disso. Você é muito bonita, chefa. E inteligente.

— Topa sair comigo agora?

— Opa. Demorou.

 

Márcio encarou a situação com naturalidade e acompanhou Margarete. Ela dirigia o carro tremendo — de febre, comichão... “Será que devo avançar?” Durante o caminho até o Parque da Cidade, a mulher emudeceu. Pensou em retroagir. Não sabia se o encontro resultaria em graça ou desgraça. “E se Márcio for virgem?” — pensava, em estado de choque. “E se zombar de mim?”.

 

Ela parou num dos estacionamentos do parque, debaixo de uma árvore frondosa. Tentava manter a calma; mas estava pálida, doente de angústia. Perguntou se ele gostava de verde, se amava Brasília, se queria mesmo trabalhar como jornalista. Ele respondeu positivamente, com uma doçura inacreditável, a boca rogando um beijo imediato.

 

Se Márcio a repeliu? Não, muito pelo contrário. Agarrou Margarete como ela assim desejava: demorado, quente, com conhecimento de causa e sem pudor. “Como pode um garoto de 20 anos com uma pegada dessas?” — suspirou, boba de tão feliz. 

 

Vendo os olhinhos virados da chefa, Márcio ousou mais, com brincadeiras de amor criativas e carícias pontuais. A assessora de imprensa se desmanchou, permitindo tudo, sem hesitar. Cheia de esperança, paixão, encantamento, completamente desbussolada, Margarete deixou-se amalgamar ao corpo hercúleo de seu jovem aprendiz.

 

Ele se comportou de forma gentil e delicada. Não delatou o ataque nem menosprezou o sentimento da patroa. Propôs a Margarete — por que não? — um encontro por semana, em sigilo, onde ela desejasse. 

 

“Será que é verdade?” — delirava a quarentona, sentindo-se desmerecedora de tão insólito e apetitoso enredo.

 

A jornalista bem que tentou, mas não conseguiu disfarçar a doentia preferência pelo discípulo. Percebeu um ou outro olhar de repreensão e despeito de alguns colegas. Mas e daí? Quem nunca se apaixonou e, por conta disso, deu bandeira, vacilou? 

 

A relação acabou abrupta, com o fim do estágio profissional de seu amado. Foi um adeus embargado, dolorosamente necessário. Margarete abateu-se, mas sem desespero ou desejo de morte. Aprendeu muito com a história vivida. Aulas práticas de vaidade, confiança, autoestima, superação, feminilidade, prazer... A mulher desprezível ficou pra trás e deu lugar a uma criatura em constante descarrilamento. 

 

No seguinte processo seletivo de estagiários, o escolhido foi Raul. Não tão belo, não tão jovem quanto Márcio; mas também interessante e vigoroso. 

 

Desta vez, a iniciativa não foi da chefa; mas do novato, que, em menos de um mês de trabalho, já a convidava para um programa romântico na Ponte JK. Ela bem que achou graça daquele assédio ao contrário.

 

À saída de um motel, no Núcleo Bandeirante, os dois foram surpreendidos por um assaltante de capuz encardido e arma brilhante graúda. O delinquente entrou no carro como demônio.  Ainda haveria muitos deliciosos estágios a viver, mas a bela assessora de imprensa foi friamente abatida nos braços de Raul. 

 

No exato momento do tiro, o celular de Margarete assobiou: era Márcio disparando pra ex-chefinha um recado carinhoso pelo WhatsApp: “Saudade”.

 

Maria Amélia Elói.

 

Retirado de Samizdat

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:20

Conto, Leide DaNight e o marceneiro

por Jorge Soares, em 05.02.11

Conto, Leide DaNight e o marceneiro

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Leide DaNight esperou em seu quarto pequeno e fedido que o próximo cliente viesse.


O próximo cliente estava a 3 quarteirões dali e nem sabia que seria o próximo cliente.


Ele tomava mais uma dosezinha de cachaça, no bar da esquina, antes de voltar à marcenaria onde fazia uns bicos, assim, fim de ano, pra ajudar em casa. A mãe já velha, a irmã com 3 filhos e marido desempregado e ele separado há 3 meses, pagando pensão, quando podia.


A cachaça não era sozinha, os amigos sempre estavam juntos, descalços, sem blusa, desgrenhados e sujos. O dia era sempre massacrante e pesava mais nos bolsos do que os trocados que recebiam ao fim do expediente. Seu manoel deixava, quase sempre, a conta da cachaça pro fim do mês e assim, eles iam acumulando as doses. Brincavam que assim bebiam menos. Se comprassem um litro beberiam tudo aquela tarde mesmo e nem voltariam ao trabalho. Todos os dias e aos poucos eles bebiam um tantinho "só para fazer a manutenção", brincava Ernesto Sarapira, um dos amigos.


Voltaram à marcenaria, cair da tarde e aspiraram mais uma vez o pó da madeira. Há tantos anos eles faziam isso que já sabiam o nome da madeira pelo cheiro. Era quase uma brincadeira de veteranos. Coisa que os mais novos no ramo, ainda não pegaram.


Naquele fim de dia, Leide, cansada de esperar pelo próximo cliente, vestiu-se com certo esmero, à moda que os trapos permetiam e desceu os 3 lances de escada. Queria brincar de madama e colocou a caldeira na calçada. Algumas outras vizinhas tiveram a mesma idéia e aportaram por lá desde cedo.


Àquele momento os amigos preparavam-se para deixar o serviço. Um banho rápido, a roupa reservada desde a manhã, juntar os trocados e:
- rapaz, hoje é sexta. vamos voltar pro seu manoel e continuar a manutenção.
- rapaz, vc tá certo. 
Encaminharam-se para o Seu Manoel.


Antes o cliente, ainda desconhecido de Leide, andou até o calçadão dos churrascos comprou 3 espetinhos, na esperança que esses silenciassem seu estômago e dos companheiros de pendura. Comprou-os, e antes que pudesse recebê-los foi atingido pelo disparo de um marido desvairado e sem atenção que, na tentativa de matar a esposa ou algo que o valha, atingiu o marceneiro. Ele caiu ali, aos pés de Leide DaNight.


- eita Leide, tá com sorte, hein? que hoje os homens tão caindo aos teus pés! gritou de lá do outro lado uma travesti, ex-amiga de Leide.


Um pouco desencantada e cansada Leide se levantou e, com a ajuda de alguns transeuntes conhecidos, levou o rapaz para o seu quarto pequeno, depois de averiguado que não era grave a condição do ferimento. Por sorte o marido era mesmo desatento e nem queria matar a esposa.


O marceneiro ficou desacordado por uns 40 minutos. Tempo para que Leide, no conhecimento de sua profissão, o lavasse e ao ferimento. Fez tudo com muito cuidado ao perceber a beleza desenhada do desconhecido, e caso ele acordasse tanto melhor. Ela queria mesmo era vê-lo de olhos abertos. Continuou com os cuidados até que o rapaz acordou, atônito e chamando por Ernesto Sarapira. Leide calou-se e esperou que ele recobrasse as forças e a razão. Ele abriu ligeiramente os olhos e encarou Leide.


Ela explicou o ocorrido e ele, nu, muito embora o ferimento tenha sido no braço, Sentiu-se constrangido e sem fala. Levantou-se, levou a mão à cabeça e depois ao braço machucado. Agradeceu, atravessou a porta e se foi.


Leide olhou o espelho e por sobre o seu reflexo a frase que copiara de um livreto. Lia e relia ao ver os seus homens que nem eram seus, irem-se. Leu em voz alta pela centésima vez, se é que é possível se contar as dores:
- eu sou mulher-cais com homens-navios que atracam e se vão. eu sou mulher-cais com homens-navios que atracam e se vão. repetiu pra se convencer.


No dia seguinte, sábado, dia de trabalho duro pra Leide, ela recebeu seu próximo cliente sem a cara de paisagem de sempre. Ao abrir a porta deu de cara com o marceneiro segurando flores falsas e sentimentos de verdade.


- é brega, eu sei. ele riu.
- ela disse - é nada! nunca recebi flores antes. Nem de plástico. Então, já gostei. Obrigada. Entre.


Enquanto ele escolhia um lugar pra caber, ela correu até o espelho e deu uma boa de uma cuspida nele. 
Apagou de vez aquela frase do seu reflexo.

 

Ayla Andrade

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:04

Conto, O amante

por Jorge Soares, em 29.01.11

O amante

 

- Você é meu amante! Você tem que me comer! É pra isso que servem os amantes. O que é? Isso virou um casamento? É isso? A gente sai pra jantar, tomar um chopp e você não fala nada. Eu chego você não nota. Eu corto o cabelo você não comenta. Só falta a televisão, com um jogão daqueles, aqui nesse quarto de motel que você arranjou. Nem em motel decente você me leva mais. Vamo levanta dessa cadeira. Levanta! É pra isso que serve ter amante: Pra levantar. Pra levantar o cacete, pra levantar meu moral, pra levantar dinheiro do meu marido.


O que? Você está indisposto? Meu bem, de onde você vem não te avisaram que amante não fica indisposto, nem gordo e nem faz greve? Ah, não? Pois estou te avisando. Vamo. De pau duro agora, que não tenho muito tempo. Tenho um trabalho para entregar na faculdade ainda hoje. Sabe que eu entrei para faculdade? Imagina, eu? Nessa idade? Mas eu pensei, se eu já tenho um amante porque não entrar na faculdade? Acho que tem tudo a ver: amante, faculdade. Não quero parecer ultrapassada.


Vamo. Tá demorando muito. Quer uma ajuda? Uma chupadinha, quer que eu dê uma pegada e tal? Quer? Não precisa ficar assim. Não, não estou pressionando, benzinho, mas veja bem. Quem paga aquele apartamento lindo e grande pra você? Quem compra suas roupas caras enquanto você se exibe pras gatinhas de bundinha ainda pra cima, mas que um dia ainda vai cair? Quem? A titia aqui. A titia não pede nada, só que você fique de pau duro pra ela. Só isso.


Vamo benzinho. Cresce pra titia, vamo. O que? não posso conversar com seu cacete? Porque não? A gente se conhece bem, somos íntimos. Ele me entende, ele até me conhece por dentro.


Tá bom não é hora de piadas, você tá certo. Mas e agora o que é que faço? Não posso sair assim e ir atrás de outro amante agora. Tem que ser você mesmo. Sabe aquela expressão, se só tem tu, vai tu mesmo. Tá bom. Vou parar com as piadas. Mas você não me deixa muita opção, não acha? Já que você não vai me fazer gozar eu vou pelo menos gozar de você. Tá, já parei.


Você realmente está sensível hoje. Nunca vi disso. Amante sentimental. Ainda bem que você não tá apaixonado por mim. O que? Era isso que você queria me dizer? Você? Apaixonado? E por mim? Essa é boa. Amante apaixonado! Meu bem, eu já casei. E casar você só casa apaixonado. Já passou, é verdade. Mas na minha idade eu não arranjo mais marido, de modos que fico com este mesmo que já tenho. Na minha idade se arranja amante. A-man-te. Ouviu isso? Eu não quero namorado, eu não quero marido. Eu quero AMANTE. Por isso trate de se desapaixonar e ficar de cacete pra cima. Não funciona assim? E como funciona? Já pedi pra você me dizer o que faço. Coloco um filme pornô? Pego um óleo com sabor amora? Tomar um banho juntos? Você gosta tanto dos nossos banhos! Benzinho, vamos resolver isso logo. O tempo está passando, tenho que sair e ninguém me comeu. Vou chegar em casa, aborrecida, meu marido vai perguntar o que houve, me dizer que hoje estou um porre e o que eu digo a ele: - ah, é culpa do meu amante que não me comeu! Não se preocupe. Se duvidar, ele até concorda comigo, que isso é um absurdo, um amante de pau mole. Isso chega a ser uma contradição. Amante e pau mole na mesma frase.


Enfim, querido, preciso ir realmente. Fique aqui sozinho no seu motelzinho de segunda pra pensar bem muito no que você quer fazer comigo, da próxima vez que a gente se encontrar. Quero bastante safadeza que é pra tirar o atraso. Por hoje me resolvo no banheiro com uns brinquedinhos que ganhei das amigas que ainda estão vivas, se é que você me entende. Não entendeu? Elas estão vivas porque também tem amantes e não só maridinhos encardidos. Se bem que os amantes delas devem comê-las. O que não é meu caso. Não, não estou cochichando. 
Não esqueça do meu pedido, tá? Já esqueceu? Safadeza, benzinho. Safadeza. Tchau.

- alô. É da casa de acompanhantes do Mister Perfeito? Eu queria contratar um acompanhante. Sem tempo determinado, mas com urgência. Pra hoje, o sr. tem? É, estou com certa urgência. Ele tem boas referências? Huuum, com a aquela atriz? Tá bom, então. O numero do meu cadastro é...

 

Ayla Andrade

 

Retirado de Uma escada para o nada

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:04


Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com


Posts mais comentados





Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D